EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Manuel Laranjeira e João de Deus: Razão e Espiritualidade.

- 11º número (1º semestre de 2013): "Da minha língua vê-se o mar": o Mar e a Lusofonia.

- 12º número (2º semestre de 2013): O pensamento de António Quadros - nos 20 anos do seu falecimento.

- 13º número (1º semestre de 2014): O balanço de Abril, 40 anos depois - nos 20 anos do falecimento de Agostinho da Silva.

- 14º número (2º semestre de 2014): 80 Anos da "Mensagem" – 8 Séculos da Língua Portuguesa.

- 15º número (1º semestre de 2015): Nos 100 Anos do “Orpheu” e da "Arte de Ser Português"

- 16º número (2º semestre de 2015): Quem tem medo da Filosofia Lusófona? Nos 100 anos do falecimento de Sampaio Bruno.

- 17º número (1º semestre de 2016): A importância das Diásporas para a Lusofonia.

- 18º número (2º semestre de 2016): Autores em destaque - Ariano Suassuna, Delfim Santos e Vergílio Ferreira.

- 19º número (1º semestre de 2017): O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ; Afonso de Albuquerque: 500 anos depois.

- 20º número (2º semestre de 2017): autores em destaque – José Rodrigues (no ano da sua morte); Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento); Francisco Manuel de Melo (nos 350 anos da sua morte).

- 21º número (1º semestre de 2018): autores em destaque – Dalila Pereira da Costa (nos 100 anos do seu nascimento); Fidelino de Figueiredo (nos 50 anos da sua morte); António Nobre (nos 150 anos do seu nascimento).

Para o 21º número, os textos devem ser enviados até ao final de Dezembro.

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.

Capa da NOVA ÁGUIA 20

Capa da NOVA ÁGUIA 20

EDITORIAL NOVA ÁGUIA 20

Decerto, uma das melhores formas de aferir o valor de uma vida é ter em conta a quantidade e a qualidade dos amigos que deixou. Sob esse prisma, José Rodrigues, que nos deixou recentemente, teve uma grande vida, como se pode verificar neste número da NOVA ÁGUIA: entre textos, testemunhos, poemas e ilustrações, foram cerca de meia centena de contributos que nos chegaram para prestar tributo a uma figura que esteve também na génese desta Revista – não tivesse sido ele o autor da capa do primeiro número da NOVA ÁGUIA.
Em 2017, assinalam-se os 150 anos do nascimento de Raul Brandão e António Nobre. O MIL: Movimento Internacional Lusófono e a NOVA ÁGUIA têm assinalado essa efeméride com um Ciclo a decorrer no Porto (no Ateneu e na Casa Museu-Guerra Junqueiro). Neste número, publicamos igualmente alguns textos sobre Raul Brandão. No próximo número, publicaremos uma série de textos sobre António Nobre.
Em 2016, assinalaram-se os 350 anos do falecimento de D. Francisco Manuel de Melo, essa figura maior da nossa cultura que teve o “azar” de ter nascido no mesmo ano (1608) do Padre António Vieira, “Imperador da Língua Portuguesa”. O Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, em parceria com uma série de outras entidades (entre as quais o MIL: Movimento Internacional Lusófono e a NOVA ÁGUIA), promoveu um Colóquio, em Outubro do passado ano, na Biblioteca Nacional de Portugal. Os textos apresentados nesse Colóquio são também aqui publicados.

Tendo chegado ao vigésimo número, a NOVA ÁGUIA poderia ter optado por um número auto-celebratório, o que seria mais do que justificado, mas, como sempre, preferimos celebrar as figuras maiores da nossa cultura. Assim, para além da três figuras já referidas, celebramos uma série de outras figuras, em “Outras Evo(o)cações”, e, como sempre, em “Outros voos”, abordamos uma série de outras temáticas. Em “Extravoo”, como também tem acontecido, publicamos alguns inéditos – nomeadamente, de Agostinho da Silva, António Telmo e Delfim Santos.
Em “Bibliáguio”, publicamos uma série de recensões de algumas obras publicadas recentemente: “Portugal, um Perfil Histórico”, de Pedro Calafate, “Traços Fundamentais da Cultura Portuguesa”, de Miguel Real, e “A Literatura de Agostinho da Silva”, de Risoleta Pinto Pedro. Sem esquecer o “Poemáguio” e o “Memoriáguio”, duas outras secções também já clássicas, antecipamos os autores em destaque no próximo número – para além do já aqui referido António Nobre, iremos celebrar Dalila Pereira da Costa, no centenário do seu nascimento, e Fidelino de Figueiredo, no cinquentenário da sua morte. É tão-só por isso que a NOVA ÁGUIA irá persistir no seu voo, pelo menos por mais vinte números: se soçobrássemos, quem ficaria para falar sobre quem e o que mais importa?

Post Sciptum: Dedicamos este número a João Ferreira e a Antônio Paim, duas das figuras maiores da Filosofia Luso-Brasileira e (por isso) colaboradores da NOVA ÁGUIA, que entretanto chegaram aos noventa anos de vida.



NOVA ÁGUIA Nº 20: ÍNDICE

Editorial…5
A JOSÉ RODRIGUES, AQUELE ABRAÇO
Textos e Testemunhos de Ramalho Eanes (p. 8), A. Andrade (p. 9), Alberto A. Abreu (p. 9), Alberto Tapada (p. 10), António Oliveira (p. 11), Castro Guedes (p. 12), Diogo Alcoforado (p. 13), Diva Barrias (p. 20), Emerenciano (p. 22), Francisco Laranjo (p. 23), Gaspar Martins Pereira (p. 24), Guilherme d’Oliveira Martins (p. 25), Henrique Silva (p. 26), Isabel Pereira Leite (p. 27), Isabel Pires de Lima (p. 29), Isabel Ponce de Leão (p. 34), Isabel Saraiva (p. 36), Jorge Teixeira da Cunha (p. 37), José Adriano Fernandes (p. 38), José Gomes Fernandes (p. 38), José Manuel Cordeiro (p. 39), Júlio Cardoso (p. 41), Júlio Roldão (p. 42), Luandino Vieira (p. 42), Luís Braga da Cruz (p. 43), Maria Celeste Natário (p. 44), Maria Luísa Malato (p. 46), Mónica Baldaque (p. 48), Nassalete Miranda (p. 48), Nuno Higino (p. 49), Roberto Merino Mercado (p. 50), Ruben Marks (p. 52) e Salvato Trigo (p. 55).
Ilustrações de Artur Moreira (p. 9), Avelino Leite (p. 12), Emerenciano (p. 23), Francisco Laranjo (p. 23), Filomena Vasconcelos (p. 28), Isabel Saraiva (p. 36), Mário Bismarck (p. 39), Luandino Vieira (pp. 42-43), Paulo Gaspar (p. 48) e Sousa Pereira (p. 60).
NOS 150 ANOS DO NASCIMENTO DE RAUL BRANDÃO
EM TORNO DO TEATRO DE RAUL BRANDÃO António Braz Teixeira…62
APONTAMENTOS SOBRE HÚMUS DE RAUL BRANDÃO Luís de Barreiros Tavares…66
A COISA NA OBRA DE RAUL BRANDÃO Rodrigo Sobral Cunha…72
NOS 350 ANOS DO FALECIMENTO DE FRANCISCO MANUEL DE MELO
FRANCISCO MANUEL DE MELO: O HOMEM E A OBRA NO CONTEXTO DO BARROCO Maria Luísa de Castro Soares...84
FRANCISCO MANUEL DE MELO E ANTÓNIO VIEIRA Ana Paula Banza…91
FRANCISCO MANUEL DE MELO, MORALISTA António Braz Teixeira…99
FRANCISCO MANUEL DE MELO: CONHECER, SENTIR E «ESCREVIVER» Deana Barroqueiro…103
A METAFÍSICA DA SAUDADE DE FRANCISCO MANUEL DE MELO Manuel Cândido Pimentel…108
AS EXPLORAÇÕES CABALÍSTICAS DE FRANCISCO MANUEL DE MELO Manuel Curado…112
A PINTURA DO PENSAMENTO: ALEGORIA DA HISTÓRIA EM FRANCISCO MANUEL DE MELO Maria Teresa Amado…127
OUTRAS EVO(O)CAÇÕES
ÂNGELO ALVES J. Pinharanda Gomes…136
ANTÔNIO PAIM José Maurício de Carvalho…143
AZEREDO PERDIGÃO Adriano Moreira…144
CORRÊA DE BARROS José Almeida…150
EÇA DE QUEIRÓS José Lança-Coelho…151
EDUARDO PONDAL Maria Dovigo…153
EUGÉNIO TAVARES Elter Manuel Carlos…158

GUERRA JUNQUEIRO Delmar Domingos de Carvalho…165
JOÃO FERREIRA Renato Epifânio e Luís Lóia…167
MANUEL ANTÓNIO PINA José Acácio Castro…169
MANUEL FERREIRA PATRÍCIO Fernanda Enes e J. Pinharanda Gomes…174
MATEUS DE ANDRADE José Luís Brandão da Luz…181
PINHARANDA GOMES Elísio Gala…190
TORGA E RUBEN A. Paula Oleiro…192
VIEIRA Eduardo Lourenço…196
OUTROS VOOS
A LUSOFONIA COMO UTOPIA CRIADORA Adriano Moreira…200
UTOPIA E MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO: NOS 10 ANOS DA NOVA ÁGUIA António José Borges…204
BREVE CRÓNICA DO CENTRO PORTUGUÊS DE VIGO Bernardino Crego…207
A ITÁLIA NA “GERAÇÃO DE 70”: A “GERAÇÃO DE 70” EM ITÁLIA Brunello Natale De Cusatis…210
LITERATURA E DIPLOMACIA: ALGUMAS REFLEXÕES Cláudio Guimarães dos Santos…218
PROLEGÓMENOS E INTERMITÊNCIAS DIALÓGICAS Joaquim Pinto…222
LUSOFONIA INTERIOR Luís G. Soto…230
A NOVA ÁGUIA E A CULTURA LUSÓFONA Nuno Sotto Mayor Ferrão…235
AUTOBIOGRAFIA 3 Samuel Dimas…241
EXTRAVOO
VIDA CONVERSÁVEL - SEGUNDA PARTE (CONTINUAÇÃO) Agostinho da Silva…252
APRESENTAÇÃO A ORIENTE DE ESTREMOZ DE UMA REVISTA LITERÁRIA António Telmo…255
DO QUE POSSA SER A FILOSOFIA Delfim Santos…257
BIBLIÁGUIO
PORTUGAL, UM PERFIL HISTÓRICO Renato Epifânio…270
TRAÇOS FUNDAMENTAIS DA CULTURA PORTUGUESA Renato Epifânio e Joaquim Domingues…272
A LITERATURA DE AGOSTINHO DA SILVA António Cândido Franco…276
POEMÁGUIO
PARA AS TINTAS DO JOSÉ RODRIGUES Albano Martins…6
A “ANJA” DE JOSÉ RODRIGUES José Acácio Castro…6
DA ESCULTURA: A JOSE RODRIGUES - IN MEMORIAM António José Queiroz…6
PESSOAS COMO O JOSÉ RODRIGUES Renato Epifânio…6
O ROSTO QUE SONHA: PARA JOSÉ RODRIGUES J. Alberto de Oliveira…7
TU NÃO VIESTE ONTEM Emerenciano…22
CANTANDO-TE Ruben Marks…54
O TEU NOME INSCRITO Rosa Alice Branco…60
PERMITE-TE O IMPOSSÍVEL Isabel Alves de Sousa…60
PROCELA / VIDA E POESIA António José Borges…61
HUMANIDADE Fernando Esteves Pinto…83
ALEKSANDR SOLZHENITSYN Jesus Carlos…135
CARTA AO ALBERTO CORRÊA DE BARROS NA HORA DA PARTIDA José Valle de Figueiredo…151
SONETO – OBIRALOVKA/ INCONSTÂNCIA Jaime Otelo…198
AMADOR, COMO DISSE CAMÕES Manoel Tavares Rodrigues-Leal…250
MORTE EM AZUL Filipa Vera Jardim…251
FLUVIALMENTE Maria Luísa Francisco…279
ESCURIDÃO Delmar Maia Gonçalves…279
MEMORIÁGUIO…280
MAPIÁGUIO…281
ASSINATURAS…281
COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…284




Apresentação da NOVA ÁGUIA 20

Apresentação da NOVA ÁGUIA 20
18 de Outubro: Palácio da Independência (para ver, clicar sobre a imagem)

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Albufeira, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guimarães, João Pessoa (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Montargil, Montijo, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

PARA ASSINAR A NOVA ÁGUIA: www.zefiro.pt/assinaturas





O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA
In AA.VV. "A Vida como Projecto. na senda de Ortega e Gasset", Universidade de Évora Edições, 2014, p. 13.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

A ECONOMIA DA CULTURA

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Rui Martins*

"Se fosse (Tom Sawyer) um grande e sábio filósofo, como o autor deste livro, teria compreendido então que o trabalho consiste em tudo o que se é obrigado a fazer, e o prazer consiste naquilo que se não é obrigado a fazer."
Tom Sawyer, Mark Twain

O esgotamento iminente de um conjunto essencial de matérias-primas, desde o ferro ao carvão, passando pelos combustíveis fósseis, indica que se aproxima um momento de viragem para a forma de vida que o Homem tem seguido nas suas organizações, vida comunitária e sistemas económicos. O esgotamento das matérias-primas e das formas convencionais de produção energética indicam que a Economia tem que alterar os seus paradigmas essenciais e que passam pela extração bruta de matérias-primas, o seu transporte e armazenamento, transformação e distribuição até ao consumidor final. A escassez que inevitavelmente cairá sobre todos nós – cedo ou tarde – vai forçar a Economia a mudar de objetivos desde a fabricação de "coisas" até uma nova geração de paradigmas em que a produção de serviços, de bens imateriais e virtuais será cada vez mais importante, até se tornar – finalmente – dominante sobre as formas convencionais de produção económica, "coisificadas", tão ao sabor do dogma do "crescimento contínuo", imposto pelos teóricos da maior parte das escolas de pensamento económico, de Adam Smith a Keynes, passando por David Ricardo e Malthus.
Como dizia Agostinho da Silva, "antes de poder filosofar, há que encher a barriga". Sejamos assim claros: uma economia de novo tipo, centrada na produção multiforme e pluritária de bens culturais, só poderá florescer num ambiente em que as condições de sobrevivência mínima estejam plenamente cumpridas. Se na antiga Grécia houve florescimento da Filosofia, tal foi apenas possível devido à existência de uma camada social de abastados proprietários de terras que gozavam os seus lucros enquanto os escravos trabalhavam... Estes escravos hoje são – ou deviam ser – as máquinas. São estas que pela via da automação, da hidropónica e da cibernética deviam assumir a tarefa de nutrir e vestir o Homem, para que este possa Pensar e dedicar-se à verdadeira missão que é a de criar Pensamento, Cultura e Inovação. Deixemos ao Homem a Criatividade e às máquinas as tarefas maquinais, repetitivas, mecânicas e desumanas que hoje dominam ainda o essencial da produção industrial e agrícola. Dir-nos-ão que é Utopia, e eu direi que é Meta. Não temos que chegar a uma sociedade destas num único supetão, nem que estabelecer uma qualquer "ditadura do proletariado" (em que os Fins valem mais que os Meios) para acelerarmos a vinda desse mundo novo, como acreditam os totalitaristas de todas as cores. Deixemos as coisas surgirem de per si, de forma suave e gradual... Plantemos as nossas sementes, formemos comunidades de amigos e familiares no seio das nossas cidades, empresas e escolas que se regem segundo estes novos princípios e depois – pela virtude do extraordinário poder do exemplo – deixemos que a contaminação percorra toda a sociedade.
As sociedades do futuro que assim antevimos serão extremamente frugais e espartanas do ponto de vista material. As sociedades da abundância que existiram depois da Segunda Grande Guerra e até à atualidade no Ocidente encontrarão o seu ocaso inevitável quando os recursos de cujo crescente devoramento dependem chegarem ao fim. E não falamos apenas dos combustíveis sólidos, mas também do carvão e do ferro, que estarão esgotados em pouco mais de 50 anos. Sem recursos naturais para transformar, perante a evidência da impossibilidade da reciclagem e reutilização total das matérias-primas, o modelo de desenvolvimento económico que depende do crescimento eterno do Produto irá esgotar-se. Novos padrões de desenvolvimento, social e humano terão que se impor, inevitavelmente. Se o Desenvolvimento não puder ser medido pelo consumo bruto de bens, então terá que ser medido pelo consumo de serviços culturais e pelo desenvolvimento individual da pessoa humana, que será dotada pela primeira vez na História de meios para realizar plenamente a capacidade criativa, que séculos de Pedagogia castradora – para a Ordem e Disciplina – se esforçaram por reprimir.
Só pelo consumo de bens culturais é que o Homem se poderá realizar e cumprir a sua missão no planeta: Criar. Ter esse prodígio natural chamado cérebro e utilizá-lo apenas para tarefas repetitivas, mecânicas ou animalescas é insultar essa dádiva que a Natureza nos concedeu. Tornemo-nos assim todos – cada qual à sua maneira – em criadores. Sejam obras de marcenaria, esculturas de mármore, contos e poesia ou até ensaios filosóficos ou invenções mecânicas, deixemos a nossa marca no mundo. Passar pela vida sem nunca a marcar é viver de forma passageira e transitiva. Busquemos a eternidade nas nossas realizações e não nas fugidias promessas de "vida para além da Morte" de todas as religiões... Se na economia atual da cidade de Nova Iorque (uma das cidades mais prósperas do mundo) mais de metade da riqueza já é gerada pela Cultura, se em Portugal se estima que a Cultura e a Língua valham já um terço do PIB nacional, então fica demonstrada a viabilidade de um modelo de Economia onde os bens culturais sejam privilegiados em relação aos materiais, mas fazendo sempre a devida ressalva à necessária satisfação das necessidades básicas de qualquer ser humano.
Utilizemos as novas tecnologias a nosso favor. Não para que nos desumanizemos e transformemos em autómatos pós-industriais ou em escravos da máquina, mas para cumprirmos a nossa plena humanidade e utilizando as suas virtualidades que – pela via eletrónica – permitem que um número inédito de criadores, ensaístas, filósofos, poetas e ficcionistas cheguem a custo zero a milhões de leitores, permitindo a instauração da "economia gratuita" de Agostinho da Silva, de uma forma que ele já não pôde antecipar. Nunca – como hoje – houve tantos criadores sendo conhecidos por tantos leitores. Haverá certamente um preço de falta de qualidade a cobrar nesta democratização da Cultura, e tal fenómeno incomoda sobremaneira os meios académicos que ao longo dos séculos se habituaram às suas confortáveis cátedras altaneiras e cobertas de privilégios e "Autoridade". Se a Cultura cair "na rua", se as populações saírem do papel que a "Cultura Académica" reservou para elas, de consumidores passivos e acríticos, então os lugares exclusivistas, transmitidos de geração em geração, por autenticas dinastias de académicos e de outros "proprietários" da Cultura, então essas elites deixarão de gozar da importância a que hoje se arrogam.
Esse é o caminho de um futuro que o presente já deixa antever: um mundo do porvir em que todos terão a sua profissão, e que nos seus tempos "livres" serão consumidores e produtores de bens culturais, gratuitos porque não dependerão, democráticos por produção e origem e de qualidade, porque quando submetidos à opinião dos leitores, estes, através de sistemas de votação como os atualmente existentes em sítios na Internet como o Chuza.org ou Digg.com, aplicariam o seu crivo a estas produções culturais, repelindo aquelas que fossem de má qualidade.
Em Portugal, em 2050, haverá 215 idosos para cada 100 jovens. Estas pessoas, não poderão ter vidas passivas e culturalmente estéreis, se quiserem manter algum tipo de qualidade de vida. Com a massificação de ferramentas de produção cultural pela Internet (redes sociais, blogs, correio eletrónico, etc.), estas pessoas, reformadas e logo com tempo livre, poderão contribuir para uma multiplicação da produção cultural no país.
Se queremos manter esta Terra – a única que temos à nossa disposição até terraformarmos Marte ou a Lua – habitável, temos que a preservar. E para o fazer não temos que ser luditas, nem de repelir toda a tecnologia. Guardemos toda a tecnologia "verde", de reduzir o impacto no meio ambiente e no clima, reduzamos ainda mais essa pegada ecológica e simultaneamente procuremos formas engenhosas e acessíveis de levar o Homem até ao Espaço, a "fronteira final" da Ficção Científica, que é afinal o destino último da humanidade, assim ela saiba compatibilizar a sua existência com o planeta que a viu nascer... Algo que só pode suceder se ultrapassarmos o dogma industrial produtor-consumidor de Bens e assumirmos o paradigma pós-industrial de consumo mínimo de materiais e de produção e consumo máximo de bens culturais.

* Membro do Conselho Editorial da NOVA ÁGUIA e da Comissão Executiva do MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO.