EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Manuel Laranjeira e João de Deus: Razão e Espiritualidade.

- 11º número (1º semestre de 2013): "Da minha língua vê-se o mar": o Mar e a Lusofonia.

- 12º número (2º semestre de 2013): O pensamento de António Quadros - nos 20 anos do seu falecimento.

- 13º número (1º semestre de 2014): O balanço de Abril, 40 anos depois - nos 20 anos do falecimento de Agostinho da Silva.

- 14º número (2º semestre de 2014): 80 Anos da "Mensagem" – 8 Séculos da Língua Portuguesa.

- 15º número (1º semestre de 2015): Nos 100 Anos do “Orpheu” e da "Arte de Ser Português"

- 16º número (2º semestre de 2015): Quem tem medo da Filosofia Lusófona? Nos 100 anos do falecimento de Sampaio Bruno.

- 17º número (1º semestre de 2016): A importância das Diásporas para a Lusofonia.

- 18º número (2º semestre de 2016): Autores em destaque - Ariano Suassuna, Delfim Santos e Vergílio Ferreira.

- 19º número (1º semestre de 2017): O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ; Afonso de Albuquerque: 500 anos depois.

- 20º número (2º semestre de 2017): autores em destaque – José Rodrigues (no ano da sua morte); Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento); Francisco Manuel de Melo (nos 350 anos da sua morte).

- 21º número (1º semestre de 2018): autores em destaque – Dalila Pereira da Costa (nos 100 anos do seu nascimento); Fidelino de Figueiredo (nos 50 anos da sua morte); António Nobre (nos 150 anos do seu nascimento).

Para o 21º número, os textos devem ser enviados até ao final de Dezembro.

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.

Capa da NOVA ÁGUIA 19

Capa da NOVA ÁGUIA 19

EDITORIAL NOVA ÁGUIA 19

No décimo nono número da NOVA ÁGUIA, começamos por dar destaque a dois eventos promovidos pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono – falamos do Colóquio “Afonso de Albuquerque: Memória e Materialidade”, que assinalou, da forma descomplexada que nos é (re)conhecida, os quinhentos anos do seu falecimento, e do IV Congresso da Cidadania Lusófona, que teve como tema “O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa – 20 anos após a sua criação”.
Assim, na secção de abertura, sobre “O Balanço da CPLP”, começamos com uma reflexão de Miguel Real sobre o futuro da Lusofonia, dando depois voz aos representantes dos vários países e regiões do espaço de língua portuguesa que participaram no IV Congresso da Cidadania Lusófona – finalmente, fechamos com um Balanço do próprio Congresso e com o Discurso de justificação da entrega do Prémio MIL Personalidade Lusófona a D. Duarte de Bragança, proferido, na ocasião, por Mendo Castro Henriques. Na secção seguinte, sobre Afonso de Albuquerque, seleccionámos alguns dos textos apresentados no referido Colóquio, que decorreu em Dezembro de 2015, na Biblioteca Nacional de Portugal.
Depois, evocamos mais de uma dezena e meia de autores, começando por Afonso Botelho – falecido há já vinte anos e a quem foi dedicado o mais recente Colóquio Luso-Galaico sobre a Saudade, que decorreu no passado ano – e terminando em Vergílio Ferreira, na NOVA ÁGUIA já celebrado no número anterior, por ocasião dos cem anos do seu nascimento. Na secção seguinte, outras temáticas são abordadas – desde logo: “A Universalidade da Igreja e a vivência do multiculturalismo”, por Adriano Moreira, e a “Confederação luso-brasileira: uma utopia nos inícios do século XX (1902-1923)”, por Ernesto Castro Leal.
A seguir, em “Extravoo”, publicamos inéditos de Agostinho da Silva e de António Telmo e republicamos um conto de Fidelino de Figueiredo, “No Harém”, precedido de um ensaio de Fabrizio Boscaglia. Por fim, em “Bibliáguio”, damos destaque a algumas obras promovidas recentemente pelo MIL – nomeadamente: A “Escola de São Paulo”, de António Braz Teixeira, Olhares luso-brasileiros, de Constança Marcondes César, Política Brasílica, de Joaquim Feliciano de Sousa Nunes, e José Enes: Pensamento e Obra, resultante de um Colóquio promovido pelo Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, a Universidade dos Açores, a Universidade Católica Portuguesa e a Casa dos Açores em Lisboa, decorrido em Outubro de 2015.
Ainda sobre Ariano Suassuna, autor em destaque no número anterior, publicamos, a abrir este número, uma ilustração do próprio Ariano oferecida a António Quadros, com uma nota explicativa que nos foi enviada por Mafalda Ferro, Presidente da Fundação António Quadros, a quem agradecemos mais este gesto de apoio à NOVA ÁGUIA. De igual modo, agradecemos também aqui – na pessoa do seu Presidente, Abel de Lacerda Botelho – todo o apoio que tem sido dado à NOVA ÁGUIA e ao MIL pela Fundação Lusíada, uma das instituições culturais mais prestigiadas em Portugal, que comemorou, no dia 12 de Março do passado ano, no Círculo Eça de Queiroz, em Lisboa, os seus trinta anos de existência. Os nossos parabéns à Fundação Lusíada.

A Direcção da NOVA ÁGUIA

Post Scriptum: Falecido no dia 4 de Março do corrente ano, dedicamos este número a Ângelo Alves, Doutorado em Filosofia em 1962, com a tese “O Sistema Filosófico de Leonardo Coimbra. Idealismo Criacionista", que, na sua última obra, “A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo” (2010), escreveu que a NOVA ÁGUIA e o MIL: Movimento Internacional Lusófono representam o "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural, após o Movimento da Renascença Portuguesa e o Movimento da Filosofia Portuguesa.

NOVA ÁGUIA Nº 19: ÍNDICE

Editorial…5

O BALANÇO DA CPLP: COMUNIDADE DOS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA

O FUTURO DA LUSOFONIA Miguel Real…8

PORTUGAL Maria Luísa de Castro Soares…10

ANGOLA Carlos Mariano Manuel…18

MOÇAMBIQUE Delmar Maia Gonçalves…21

CABO VERDE Elter Manuel Carlos…23

TIMOR Ivónia Nahak Borges…24

MACAU Jorge A.H. Rangel…26

MALACA Luísa Timóteo…31

GUINÉ Manuel Pechirra…32

GALIZA Maria Dovigo…34

BRASIL Paulo Pereira…37

GOA Virgínia Brás Gomes…41

BALANÇO DO IV CONGRESSO DA CIDADANIA LUSÓFONA Renato Epifânio…44

D. DUARTE DE BRAGANÇA, PRÉMIO MIL PERSONALIDADE LUSÓFONA Mendo Castro Henriques…45

SOBRE AFONSO DE ALBUQUERQUE

PORQUÊ RECORDAR AFONSO DE ALBUQUERQUE? Renato Epifânio…48

AFONSO DE ALBUQUERQUE, PROFETA ARMADO, E A SOMBRA DE MAQUIAVEL Mendo Castro Henriques…49

AFONSO DE ALBUQUERQUE, DA REALIDADE À FICÇÃO: A MATÉRIA DE QUE SÃO FEITOS OS MITOS Deana Barroqueiro…58

A ARQUITECTURA MILITAR PORTUGUESA DE VANGUARDA NO GOLFO PÉRSICO João Campos…60

ASPECTOS MILITARES DA PRESENÇA PORTUGUESA NO ÍNDICO NO SÉCULO XVI Luís Paulo Correia Sodré de Albuquerque...74

BRÁS DE ALBUQUERQUE E OS COMMENTARIOS DE AFONSO DALBOQUERQUE (LISBOA, 1557) Rui Manuel Loureiro…79

AFONSO DE ALBUQUERQUE: CORTE, CRUZADA E IMPÉRIO José Almeida…89

OUTRAS EVO(O)CAÇÕES

AFONSO BOTELHO Pinharanda Gomes…92

AGOSTINHO DA SILVA Pedro Martins…97

ANTÓNIO VIEIRA Nuno Sotto Mayor Ferrão…103

AURÉLIA DE SOUSA Joaquim Domingues…111

CAMÕES Abel de Lacerda Botelho…113

FARIA DE VASCONCELOS Manuel Ferreira Patrício…119

FIALHO DE ALMEIDA José Lança-Coelho…125

FIDELINO DE FIGUEIREDO Mário Carneiro…127

LEONARDO COIMBRA João Ferreira…133

MÁRIO SOARES Renato Epifânio…139

PESSOA E RODRIGO EMÍLIO José Almeida…140

PIER PAOLO PASOLINI Brunello Natale De Cusatis…146

PINHARANDA GOMES Carlos Aurélio….151

SAMUEL SCHWARZ Sandra Fontinha…157

SANTA-RITA PINTOR José-Augusto França…168

VERGÍLIO FERREIRA António Braz Teixeira…177

OUTROS VOOS

A UNIVERSALIDADE DA IGREJA E A VIVÊNCIA DO MULTICULTURALISMO Adriano Moreira…184

CONFEDERAÇÃO LUSO-BRASILEIRA: UMA UTOPIA NOS INÍCIOS DO SÉCULO XX (1902-1923) Ernesto Castro Leal…187

CAMINHOS PARA UMA PEDAGOGIA SOCIAL OU PARA UMA TRANSDISCIPLINARIDADE DIALÓGICA Joaquim Pinto…196

O QUE SÃO AS FILOSOFIAS NACIONAIS? Luís de Barreiros Tavares…206

A HETERONÍMIA COMO ETOPEIA Mariella Augusta Pereira…214

ESCOTÓPICA VISÃO – DA ESSÊNCIA DA POESIA Pedro Vistas…223

AUTOBIOGRAFIA 2 Samuel Dimas…232

O PENSAMENTO E A MÚSICA DE MARIANO DEIDDA António José Borges…241

EXTRAVOO

VIDA CONVERSÁVEL - SEGUNDA PARTE (CONTINUAÇÃO) Agostinho da Silva…246

NOVE APONTAMENTOS INÉDITOS António Telmo…251

NO HARÉM Fidelino de Figueiredo (com um ensaio de Fabrizio Boscaglia)…254

BIBLIÁGUIO

A « ESCOLA DE SÃO PAULO» Constança Marcondes César…266

JOSÉ ENES: PENSAMENTO E OBRA Manuel Ferreira Patrício…268

OLHARES LUSO-BRASILEIROS & POLÍTICA BRASÍLICA José Almeida…270

O COLAR DE SINTRA Luísa Barahona Possollo…272

OBRAS PUBLICADAS EM 2016 Renato Epifânio…277

POEMÁGUIO

FAL A DE AFONSO DE ALBUQUERQUE AO SAIR DE MALACA José Valle de Figueiredo…90

O QUE NÃO FIZ NA VIDA André Sophia…90

MANIFESTO LUSÓFONO 1 Cristina Ohana…91

LER O AR António José Borges…205

O FRESCOR DA MANHÃ Manoel Tavares Rodrigues-Leal…240

VER, DE VERGÍLIO FERREIRA Renato Epifânio…240

INSCRIÇÃO Jesus Carlos…245

LUSO–ASCENDENTE Maurícia Teles da Silva…264

O FUMADOR Jaime Otelo…265

TINTA PERMANENTE Maria Luísa Francisco…265

ABANDONO Maria Leonor Xavier...279

DE MECA A JERUSALÉM Daniel Miranda…279

MEMORIÁGUIO…280

MAPIÁGUIO…281

ASSINATURAS…281

COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…284


Apresentação da NOVA ÁGUIA 19

Apresentação da NOVA ÁGUIA 19
18 de Abril: Sociedade de Geografia de Lisboa (para ver, clicar sobre a imagem)

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Albufeira, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Amadora, Amarante, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guimarães, João Pessoa (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Montargil, Montijo, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

PARA ASSINAR A NOVA ÁGUIA: www.zefiro.pt/assinaturas




O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA
In AA.VV. "A Vida como Projecto. na senda de Ortega e Gasset", Universidade de Évora Edições, 2014, p. 13.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

A ECONOMIA DA CULTURA

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Rui Martins*

"Se fosse (Tom Sawyer) um grande e sábio filósofo, como o autor deste livro, teria compreendido então que o trabalho consiste em tudo o que se é obrigado a fazer, e o prazer consiste naquilo que se não é obrigado a fazer."
Tom Sawyer, Mark Twain

O esgotamento iminente de um conjunto essencial de matérias-primas, desde o ferro ao carvão, passando pelos combustíveis fósseis, indica que se aproxima um momento de viragem para a forma de vida que o Homem tem seguido nas suas organizações, vida comunitária e sistemas económicos. O esgotamento das matérias-primas e das formas convencionais de produção energética indicam que a Economia tem que alterar os seus paradigmas essenciais e que passam pela extração bruta de matérias-primas, o seu transporte e armazenamento, transformação e distribuição até ao consumidor final. A escassez que inevitavelmente cairá sobre todos nós – cedo ou tarde – vai forçar a Economia a mudar de objetivos desde a fabricação de "coisas" até uma nova geração de paradigmas em que a produção de serviços, de bens imateriais e virtuais será cada vez mais importante, até se tornar – finalmente – dominante sobre as formas convencionais de produção económica, "coisificadas", tão ao sabor do dogma do "crescimento contínuo", imposto pelos teóricos da maior parte das escolas de pensamento económico, de Adam Smith a Keynes, passando por David Ricardo e Malthus.
Como dizia Agostinho da Silva, "antes de poder filosofar, há que encher a barriga". Sejamos assim claros: uma economia de novo tipo, centrada na produção multiforme e pluritária de bens culturais, só poderá florescer num ambiente em que as condições de sobrevivência mínima estejam plenamente cumpridas. Se na antiga Grécia houve florescimento da Filosofia, tal foi apenas possível devido à existência de uma camada social de abastados proprietários de terras que gozavam os seus lucros enquanto os escravos trabalhavam... Estes escravos hoje são – ou deviam ser – as máquinas. São estas que pela via da automação, da hidropónica e da cibernética deviam assumir a tarefa de nutrir e vestir o Homem, para que este possa Pensar e dedicar-se à verdadeira missão que é a de criar Pensamento, Cultura e Inovação. Deixemos ao Homem a Criatividade e às máquinas as tarefas maquinais, repetitivas, mecânicas e desumanas que hoje dominam ainda o essencial da produção industrial e agrícola. Dir-nos-ão que é Utopia, e eu direi que é Meta. Não temos que chegar a uma sociedade destas num único supetão, nem que estabelecer uma qualquer "ditadura do proletariado" (em que os Fins valem mais que os Meios) para acelerarmos a vinda desse mundo novo, como acreditam os totalitaristas de todas as cores. Deixemos as coisas surgirem de per si, de forma suave e gradual... Plantemos as nossas sementes, formemos comunidades de amigos e familiares no seio das nossas cidades, empresas e escolas que se regem segundo estes novos princípios e depois – pela virtude do extraordinário poder do exemplo – deixemos que a contaminação percorra toda a sociedade.
As sociedades do futuro que assim antevimos serão extremamente frugais e espartanas do ponto de vista material. As sociedades da abundância que existiram depois da Segunda Grande Guerra e até à atualidade no Ocidente encontrarão o seu ocaso inevitável quando os recursos de cujo crescente devoramento dependem chegarem ao fim. E não falamos apenas dos combustíveis sólidos, mas também do carvão e do ferro, que estarão esgotados em pouco mais de 50 anos. Sem recursos naturais para transformar, perante a evidência da impossibilidade da reciclagem e reutilização total das matérias-primas, o modelo de desenvolvimento económico que depende do crescimento eterno do Produto irá esgotar-se. Novos padrões de desenvolvimento, social e humano terão que se impor, inevitavelmente. Se o Desenvolvimento não puder ser medido pelo consumo bruto de bens, então terá que ser medido pelo consumo de serviços culturais e pelo desenvolvimento individual da pessoa humana, que será dotada pela primeira vez na História de meios para realizar plenamente a capacidade criativa, que séculos de Pedagogia castradora – para a Ordem e Disciplina – se esforçaram por reprimir.
Só pelo consumo de bens culturais é que o Homem se poderá realizar e cumprir a sua missão no planeta: Criar. Ter esse prodígio natural chamado cérebro e utilizá-lo apenas para tarefas repetitivas, mecânicas ou animalescas é insultar essa dádiva que a Natureza nos concedeu. Tornemo-nos assim todos – cada qual à sua maneira – em criadores. Sejam obras de marcenaria, esculturas de mármore, contos e poesia ou até ensaios filosóficos ou invenções mecânicas, deixemos a nossa marca no mundo. Passar pela vida sem nunca a marcar é viver de forma passageira e transitiva. Busquemos a eternidade nas nossas realizações e não nas fugidias promessas de "vida para além da Morte" de todas as religiões... Se na economia atual da cidade de Nova Iorque (uma das cidades mais prósperas do mundo) mais de metade da riqueza já é gerada pela Cultura, se em Portugal se estima que a Cultura e a Língua valham já um terço do PIB nacional, então fica demonstrada a viabilidade de um modelo de Economia onde os bens culturais sejam privilegiados em relação aos materiais, mas fazendo sempre a devida ressalva à necessária satisfação das necessidades básicas de qualquer ser humano.
Utilizemos as novas tecnologias a nosso favor. Não para que nos desumanizemos e transformemos em autómatos pós-industriais ou em escravos da máquina, mas para cumprirmos a nossa plena humanidade e utilizando as suas virtualidades que – pela via eletrónica – permitem que um número inédito de criadores, ensaístas, filósofos, poetas e ficcionistas cheguem a custo zero a milhões de leitores, permitindo a instauração da "economia gratuita" de Agostinho da Silva, de uma forma que ele já não pôde antecipar. Nunca – como hoje – houve tantos criadores sendo conhecidos por tantos leitores. Haverá certamente um preço de falta de qualidade a cobrar nesta democratização da Cultura, e tal fenómeno incomoda sobremaneira os meios académicos que ao longo dos séculos se habituaram às suas confortáveis cátedras altaneiras e cobertas de privilégios e "Autoridade". Se a Cultura cair "na rua", se as populações saírem do papel que a "Cultura Académica" reservou para elas, de consumidores passivos e acríticos, então os lugares exclusivistas, transmitidos de geração em geração, por autenticas dinastias de académicos e de outros "proprietários" da Cultura, então essas elites deixarão de gozar da importância a que hoje se arrogam.
Esse é o caminho de um futuro que o presente já deixa antever: um mundo do porvir em que todos terão a sua profissão, e que nos seus tempos "livres" serão consumidores e produtores de bens culturais, gratuitos porque não dependerão, democráticos por produção e origem e de qualidade, porque quando submetidos à opinião dos leitores, estes, através de sistemas de votação como os atualmente existentes em sítios na Internet como o Chuza.org ou Digg.com, aplicariam o seu crivo a estas produções culturais, repelindo aquelas que fossem de má qualidade.
Em Portugal, em 2050, haverá 215 idosos para cada 100 jovens. Estas pessoas, não poderão ter vidas passivas e culturalmente estéreis, se quiserem manter algum tipo de qualidade de vida. Com a massificação de ferramentas de produção cultural pela Internet (redes sociais, blogs, correio eletrónico, etc.), estas pessoas, reformadas e logo com tempo livre, poderão contribuir para uma multiplicação da produção cultural no país.
Se queremos manter esta Terra – a única que temos à nossa disposição até terraformarmos Marte ou a Lua – habitável, temos que a preservar. E para o fazer não temos que ser luditas, nem de repelir toda a tecnologia. Guardemos toda a tecnologia "verde", de reduzir o impacto no meio ambiente e no clima, reduzamos ainda mais essa pegada ecológica e simultaneamente procuremos formas engenhosas e acessíveis de levar o Homem até ao Espaço, a "fronteira final" da Ficção Científica, que é afinal o destino último da humanidade, assim ela saiba compatibilizar a sua existência com o planeta que a viu nascer... Algo que só pode suceder se ultrapassarmos o dogma industrial produtor-consumidor de Bens e assumirmos o paradigma pós-industrial de consumo mínimo de materiais e de produção e consumo máximo de bens culturais.

* Membro do Conselho Editorial da NOVA ÁGUIA e da Comissão Executiva do MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO.