EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Manuel Laranjeira e João de Deus: Razão e Espiritualidade.

- 11º número (1º semestre de 2013): "Da minha língua vê-se o mar": o Mar e a Lusofonia.

- 12º número (2º semestre de 2013): O pensamento de António Quadros - nos 20 anos do seu falecimento.

- 13º número (1º semestre de 2014): O balanço de Abril, 40 anos depois - nos 20 anos do falecimento de Agostinho da Silva.

- 14º número (2º semestre de 2014): 80 Anos da "Mensagem" – 8 Séculos da Língua Portuguesa.

- 15º número (1º semestre de 2015): Nos 100 Anos do “Orpheu” e da "Arte de Ser Português"

- 16º número (2º semestre de 2015): Quem tem medo da Filosofia Lusófona? Nos 100 anos do falecimento de Sampaio Bruno.

- 17º número (1º semestre de 2016): A importância das Diásporas para a Lusofonia.

- 18º número (2º semestre de 2016): Autores em destaque - Ariano Suassuna, Delfim Santos e Vergílio Ferreira.

- 19º número (1º semestre de 2017): O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ; Afonso de Albuquerque: 500 anos depois.

- 20º número (2º semestre de 2017): autores em destaque – José Rodrigues (no ano da sua morte); Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento); Francisco Manuel de Melo (nos 350 anos da sua morte).

- 21º número (1º semestre de 2018): autores em destaque – Dalila Pereira da Costa (nos 100 anos do seu nascimento); Fidelino de Figueiredo (nos 50 anos da sua morte); António Nobre (nos 150 anos do seu nascimento).

Para o 21º número, os textos devem ser enviados até ao final de Dezembro.

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.

Capa da NOVA ÁGUIA 20

Capa da NOVA ÁGUIA 20

EDITORIAL NOVA ÁGUIA 20

Decerto, uma das melhores formas de aferir o valor de uma vida é ter em conta a quantidade e a qualidade dos amigos que deixou. Sob esse prisma, José Rodrigues, que nos deixou recentemente, teve uma grande vida, como se pode verificar neste número da NOVA ÁGUIA: entre textos, testemunhos, poemas e ilustrações, foram cerca de meia centena de contributos que nos chegaram para prestar tributo a uma figura que esteve também na génese desta Revista – não tivesse sido ele o autor da capa do primeiro número da NOVA ÁGUIA.
Em 2017, assinalam-se os 150 anos do nascimento de Raul Brandão e António Nobre. O MIL: Movimento Internacional Lusófono e a NOVA ÁGUIA têm assinalado essa efeméride com um Ciclo a decorrer no Porto (no Ateneu e na Casa Museu-Guerra Junqueiro). Neste número, publicamos igualmente alguns textos sobre Raul Brandão. No próximo número, publicaremos uma série de textos sobre António Nobre.
Em 2016, assinalaram-se os 350 anos do falecimento de D. Francisco Manuel de Melo, essa figura maior da nossa cultura que teve o “azar” de ter nascido no mesmo ano (1608) do Padre António Vieira, “Imperador da Língua Portuguesa”. O Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, em parceria com uma série de outras entidades (entre as quais o MIL: Movimento Internacional Lusófono e a NOVA ÁGUIA), promoveu um Colóquio, em Outubro do passado ano, na Biblioteca Nacional de Portugal. Os textos apresentados nesse Colóquio são também aqui publicados.

Tendo chegado ao vigésimo número, a NOVA ÁGUIA poderia ter optado por um número auto-celebratório, o que seria mais do que justificado, mas, como sempre, preferimos celebrar as figuras maiores da nossa cultura. Assim, para além da três figuras já referidas, celebramos uma série de outras figuras, em “Outras Evo(o)cações”, e, como sempre, em “Outros voos”, abordamos uma série de outras temáticas. Em “Extravoo”, como também tem acontecido, publicamos alguns inéditos – nomeadamente, de Agostinho da Silva, António Telmo e Delfim Santos.
Em “Bibliáguio”, publicamos uma série de recensões de algumas obras publicadas recentemente: “Portugal, um Perfil Histórico”, de Pedro Calafate, “Traços Fundamentais da Cultura Portuguesa”, de Miguel Real, e “A Literatura de Agostinho da Silva”, de Risoleta Pinto Pedro. Sem esquecer o “Poemáguio” e o “Memoriáguio”, duas outras secções também já clássicas, antecipamos os autores em destaque no próximo número – para além do já aqui referido António Nobre, iremos celebrar Dalila Pereira da Costa, no centenário do seu nascimento, e Fidelino de Figueiredo, no cinquentenário da sua morte. É tão-só por isso que a NOVA ÁGUIA irá persistir no seu voo, pelo menos por mais vinte números: se soçobrássemos, quem ficaria para falar sobre quem e o que mais importa?

Post Sciptum: Dedicamos este número a João Ferreira e a Antônio Paim, duas das figuras maiores da Filosofia Luso-Brasileira e (por isso) colaboradores da NOVA ÁGUIA, que entretanto chegaram aos noventa anos de vida.



NOVA ÁGUIA Nº 20: ÍNDICE

Editorial…5
A JOSÉ RODRIGUES, AQUELE ABRAÇO
Textos e Testemunhos de Ramalho Eanes (p. 8), A. Andrade (p. 9), Alberto A. Abreu (p. 9), Alberto Tapada (p. 10), António Oliveira (p. 11), Castro Guedes (p. 12), Diogo Alcoforado (p. 13), Diva Barrias (p. 20), Emerenciano (p. 22), Francisco Laranjo (p. 23), Gaspar Martins Pereira (p. 24), Guilherme d’Oliveira Martins (p. 25), Henrique Silva (p. 26), Isabel Pereira Leite (p. 27), Isabel Pires de Lima (p. 29), Isabel Ponce de Leão (p. 34), Isabel Saraiva (p. 36), Jorge Teixeira da Cunha (p. 37), José Adriano Fernandes (p. 38), José Gomes Fernandes (p. 38), José Manuel Cordeiro (p. 39), Júlio Cardoso (p. 41), Júlio Roldão (p. 42), Luandino Vieira (p. 42), Luís Braga da Cruz (p. 43), Maria Celeste Natário (p. 44), Maria Luísa Malato (p. 46), Mónica Baldaque (p. 48), Nassalete Miranda (p. 48), Nuno Higino (p. 49), Roberto Merino Mercado (p. 50), Ruben Marks (p. 52) e Salvato Trigo (p. 55).
Ilustrações de Artur Moreira (p. 9), Avelino Leite (p. 12), Emerenciano (p. 23), Francisco Laranjo (p. 23), Filomena Vasconcelos (p. 28), Isabel Saraiva (p. 36), Mário Bismarck (p. 39), Luandino Vieira (pp. 42-43), Paulo Gaspar (p. 48) e Sousa Pereira (p. 60).
NOS 150 ANOS DO NASCIMENTO DE RAUL BRANDÃO
EM TORNO DO TEATRO DE RAUL BRANDÃO António Braz Teixeira…62
APONTAMENTOS SOBRE HÚMUS DE RAUL BRANDÃO Luís de Barreiros Tavares…66
A COISA NA OBRA DE RAUL BRANDÃO Rodrigo Sobral Cunha…72
NOS 350 ANOS DO FALECIMENTO DE FRANCISCO MANUEL DE MELO
FRANCISCO MANUEL DE MELO: O HOMEM E A OBRA NO CONTEXTO DO BARROCO Maria Luísa de Castro Soares...84
FRANCISCO MANUEL DE MELO E ANTÓNIO VIEIRA Ana Paula Banza…91
FRANCISCO MANUEL DE MELO, MORALISTA António Braz Teixeira…99
FRANCISCO MANUEL DE MELO: CONHECER, SENTIR E «ESCREVIVER» Deana Barroqueiro…103
A METAFÍSICA DA SAUDADE DE FRANCISCO MANUEL DE MELO Manuel Cândido Pimentel…108
AS EXPLORAÇÕES CABALÍSTICAS DE FRANCISCO MANUEL DE MELO Manuel Curado…112
A PINTURA DO PENSAMENTO: ALEGORIA DA HISTÓRIA EM FRANCISCO MANUEL DE MELO Maria Teresa Amado…127
OUTRAS EVO(O)CAÇÕES
ÂNGELO ALVES J. Pinharanda Gomes…136
ANTÔNIO PAIM José Maurício de Carvalho…143
AZEREDO PERDIGÃO Adriano Moreira…144
CORRÊA DE BARROS José Almeida…150
EÇA DE QUEIRÓS José Lança-Coelho…151
EDUARDO PONDAL Maria Dovigo…153
EUGÉNIO TAVARES Elter Manuel Carlos…158

GUERRA JUNQUEIRO Delmar Domingos de Carvalho…165
JOÃO FERREIRA Renato Epifânio e Luís Lóia…167
MANUEL ANTÓNIO PINA José Acácio Castro…169
MANUEL FERREIRA PATRÍCIO Fernanda Enes e J. Pinharanda Gomes…174
MATEUS DE ANDRADE José Luís Brandão da Luz…181
PINHARANDA GOMES Elísio Gala…190
TORGA E RUBEN A. Paula Oleiro…192
VIEIRA Eduardo Lourenço…196
OUTROS VOOS
A LUSOFONIA COMO UTOPIA CRIADORA Adriano Moreira…200
UTOPIA E MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO: NOS 10 ANOS DA NOVA ÁGUIA António José Borges…204
BREVE CRÓNICA DO CENTRO PORTUGUÊS DE VIGO Bernardino Crego…207
A ITÁLIA NA “GERAÇÃO DE 70”: A “GERAÇÃO DE 70” EM ITÁLIA Brunello Natale De Cusatis…210
LITERATURA E DIPLOMACIA: ALGUMAS REFLEXÕES Cláudio Guimarães dos Santos…218
PROLEGÓMENOS E INTERMITÊNCIAS DIALÓGICAS Joaquim Pinto…222
LUSOFONIA INTERIOR Luís G. Soto…230
A NOVA ÁGUIA E A CULTURA LUSÓFONA Nuno Sotto Mayor Ferrão…235
AUTOBIOGRAFIA 3 Samuel Dimas…241
EXTRAVOO
VIDA CONVERSÁVEL - SEGUNDA PARTE (CONTINUAÇÃO) Agostinho da Silva…252
APRESENTAÇÃO A ORIENTE DE ESTREMOZ DE UMA REVISTA LITERÁRIA António Telmo…255
DO QUE POSSA SER A FILOSOFIA Delfim Santos…257
BIBLIÁGUIO
PORTUGAL, UM PERFIL HISTÓRICO Renato Epifânio…270
TRAÇOS FUNDAMENTAIS DA CULTURA PORTUGUESA Renato Epifânio e Joaquim Domingues…272
A LITERATURA DE AGOSTINHO DA SILVA António Cândido Franco…276
POEMÁGUIO
PARA AS TINTAS DO JOSÉ RODRIGUES Albano Martins…6
A “ANJA” DE JOSÉ RODRIGUES José Acácio Castro…6
DA ESCULTURA: A JOSE RODRIGUES - IN MEMORIAM António José Queiroz…6
PESSOAS COMO O JOSÉ RODRIGUES Renato Epifânio…6
O ROSTO QUE SONHA: PARA JOSÉ RODRIGUES J. Alberto de Oliveira…7
TU NÃO VIESTE ONTEM Emerenciano…22
CANTANDO-TE Ruben Marks…54
O TEU NOME INSCRITO Rosa Alice Branco…60
PERMITE-TE O IMPOSSÍVEL Isabel Alves de Sousa…60
PROCELA / VIDA E POESIA António José Borges…61
HUMANIDADE Fernando Esteves Pinto…83
ALEKSANDR SOLZHENITSYN Jesus Carlos…135
CARTA AO ALBERTO CORRÊA DE BARROS NA HORA DA PARTIDA José Valle de Figueiredo…151
SONETO – OBIRALOVKA/ INCONSTÂNCIA Jaime Otelo…198
AMADOR, COMO DISSE CAMÕES Manoel Tavares Rodrigues-Leal…250
MORTE EM AZUL Filipa Vera Jardim…251
FLUVIALMENTE Maria Luísa Francisco…279
ESCURIDÃO Delmar Maia Gonçalves…279
MEMORIÁGUIO…280
MAPIÁGUIO…281
ASSINATURAS…281
COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…284




Apresentação da NOVA ÁGUIA 20

Apresentação da NOVA ÁGUIA 20
18 de Outubro: Palácio da Independência (para ver, clicar sobre a imagem)

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Albufeira, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guimarães, João Pessoa (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Montargil, Montijo, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

PARA ASSINAR A NOVA ÁGUIA: www.zefiro.pt/assinaturas






O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA
In AA.VV. "A Vida como Projecto. na senda de Ortega e Gasset", Universidade de Évora Edições, 2014, p. 13.

sábado, 14 de novembro de 2009

Texto que nos chegou...

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Cogitações de um universitário (da última década do século XX) para quem a(s) Universidade(s) nada contribuíram para o encontro com o pensamento português

Em tempo de evocação ao movimento da Renascença Portuguesa, apraz-me tecer breves considerações acerca do pensamento especulativo a que deu origem e ao desprezo a que durante décadas o mesmo foi votado pelos portugueses. Desdém este que se deve à indiferença a que os nossos intelectuais e a nossa Universidade o condenaram. E se a Universidade desprezava por completo estes movimentos e o pensamento daqueles que os encabeçavam, como poderiam ser difundidos os seus ideais pelo resto da população pouco culta e totalmente iletrada?
É claro que os renascentes também não fizeram tudo para evitar polémicas e cisões desnecessárias, tendo, entre todos, responsabilidades efectivas para o facto de o Movimento não ter tido a longevidade que prometia. Convém não esquecer as dissenções na sua origem que levaram a curto prazo ao aparecimento de outras associações similares.
É inquestionável a qualidade daqueles que deram forma ao movimento da Renascença Portuguesa entre os anos de 1910 e 1932. A revista A Águia (1910-1932), durante vinte e dois anos, foi o seu principal órgão oficial, a que se juntou o boletim A Vida Portuguesa (1912-1915) e a efémera publicação Princípio (1930). Teixeira de Pascoaes, Mário Beirão, Leonardo Coimbra, Jaime Cortesão, Raul Proença, António Sérgio, Manuel Laranjeira, Agostinho da Silva, entre tantos outros, de uma maneira ou de outra, foram dando alma ao projecto.
Não sei o que seria a vida literária nos primeiros anos do século XX, mas sei que a multidão de analfabetos que invadia o país, dava a estes movimentos uma fraca visibilidade, mesmo nas duas ou três maiores cidades em que tinham sede.
Estes eram grupos híbridos de intelectuais e artistas em que, uns tinham vida universitária e outros não; uns ocupavam lugares públicos de destaque, outros não. Uns, como na altura era possível, viviam materialmente desafogados, dedicando todo o tempo à criação, outros viviam com muitas dificuldades materiais.
As publicações que eram os órgãos de difusão dos seus propósitos serviam para, num tempo de edição muito difícil, dar a conhecer ao público culto a obra produzida por aqueles que neles militavam.
Nesta ambiência a Renascença Portuguesa cumpriu os seus objectivos. A sua importância para a publicação da obra original pode ser conferida no escrito de António Sérgio intitulado “Sobre a minha colaboração na obra da Renascença Portuguesa”, Portucale, 3ª série, vol. I, nº 3 (1955), onde reconhece ter usado a Renascença e a sua revista A Águia para se dar a conhecer e ver facilitado o seu desejo de fundar o Movimento “concorrente” da Seara Nova, facto que veio a ocorrer no ano de 1921.
Quando consultamos os órgãos de difusão do ideário renascente vemos o seu conteúdo preenchido essencialmente por pensamento original. Mesmo quando se trata de pensamento especulativo de análise ao pensamento de um dado autor, nunca se fica pela mera hermenêutica do mesmo, apontando, aquele que escreve para o divulgar, uma posição crítica original reveladora do seu próprio pensamento, não se preocupando com a mera análise interpretativa que subjaz ao trabalho científico.
Alfredo Ribeiro dos Santos em A Renascença Portuguesa, um movimento cultural portuense (1990) e Paulo Samuel em A Renascença Portuguesa - um perfil documental (1991), elencam a participação plural, as reacções e contra reacções, à linha de pensamento que o Movimento foi produzindo. Também Manuel Ferreira Patrício em “O problema da educação na Renascença Portuguesa” (2002) e Pinharanda Gomes em A ‘Escola Portuense’. Uma introdução histórico-filosófica (2006) estabelecem marcos fundamentais da génese e evolução da plêiade de pensadores que das maneiras mais dispares foram formados nos ideias da Renascença Portuguesa e alimentaram com o seu pensamento e acção algumas figuras gradas que vieram a dar corpo ao ensino ministrado nessa fascinante (ao que os testemunhos indicam) primeira Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

Os representantes destas associações vagueavam de tertúlia em tertúlia e como algumas delas decorriam em locais públicos de certeza que seriam tidos entre as pessoas comuns como extravagantes que pouco contribuíam para o progresso de Portugal. E como muitos deles se envolviam nas disputas políticas em épocas de grande agitação social, com maior desconfiança seriam olhados.
O clima de inveja e maledicência permanente que reinava entre pares também não abonaria a uma boa imagem junto das classes populares mais esclarecidas.
Certo é que o legado que nos deixaram é de valor inquestionável, como certo é, que diversas gerações de portugueses, foram educadas no desconhecimento absoluto destes movimentos e da sua importância no lançamento de autores/criadores importantes do panorama português. As universidades, onde era e continua a ser suposto formar as elites portuguesas, ministravam (e ainda ministram) um ensino estrangeirado, ensinando cultura portuguesa e pensamento português com o recurso a autores e correntes estrangeiras. Os seus alunos saíam de lá como entravam: no desconhecimento absoluto da existência e do valor do pensamento português, pois ninguém lho dava a conhecer, nem sequer em pequenas menções. Daqueles que encarnaram o espírito da Renascença sob o influxo de Leonardo Coimbra na primeira Faculdade de Letras do Porto e que foram muitos, só uma pequeníssima minoria veio a leccionar no ensino superior, como é o caso de Delfim Santos. Note-se, por exemplo, que a longa e acesa polémica alimentada entre António Sérgio e Santana Dionísio sobre o valor especulativo da obra de Leonardo Coimbra decorreu totalmente fora do circuito universitário. E outros casos poderiam ser invocados.
Neste clima quem alimentava viva a chama do pensamento português eram as tertúlias e outros pequenos meios de reunião, discussão e publicação de um ideário completamente posto de parte pelas elites que nos governavam e por aqueles que tinham a missão política de elencar o que era ou não era digno de ser ensinado ao povo português nas instituições de ensino tuteladas pelo Estado.
Desta forma, aproveitando a crise da Universidade depressa se gerou em Portugal, por parte daqueles que alimentavam estes movimentos, um ódio cerrado a esta vetusta instituição, apelando ao seu fecho definitivo, tirando, dessa forma, o ónus do seu funcionamento da despesa pública que consumia. Maneira de pensar comum a movimentos contestatários de outros países. Esta radicalidade advinha do seu convencimento de que elas para nada serviam à difusão e conhecimento de um pensamento originariamente português.
Da maior importância, contudo, é o facto de a Renascença Portuguesa se ter centrado na realidade nacional, tentando os seus elementos propor e reflectir um ideário pátrio que pretendiam que fosse de complementaridade entre a razão e o sentir, o pensar e o intuir, fugindo ao crescente cientismo e positivismo para que o mundo civilizado e Portugal com ele, iam caminhando. Com esta maneira de proceder tentavam combater o pensamento hegemónico e dominante que pretendia anular as particularidades e as maneiras próprias de sentir e pensar de cada Nação.
A Renascença Portuguesa tem o condão de ser um Movimento que se opôs, apesar de todos os constrangimentos, a um pensamento massificante e alienante da condição humana. O sentir nacional, mesmo após as dissidências, ficaria marcado, de uma maneira ou de outra, naqueles que aí militaram como é patente na obra de Fernando Pessoa, António Sérgio, Jaime Cortesão…

Mais recentemente temos que realçar de forma positiva o esforço de uma nova geração de universitários que introduziram nas academias onde prestam os seus serviços o pensamento português, elevando o seu estudo a níveis nunca antes vistos, derrubando tabus e dando a conhecer todas as suas potencialidades.
Nesta demanda marca lugar de destaque o Centro Regional do Porto da Universidade Católica que através do seu Centro de Estudos do Pensamento Português tem promovido, sobretudo sobre as correntes e os autores que fizeram do Porto a base da sua aprendizagem e do seu trabalho, encontros científicos de alto nível muito participados e abrangentes, reflectindo a origem e a continuidade do pensamento que estes movimentos geraram. Tem também procedido à edição crítica da obra de dois dos vultos da ‘Escola Portuense’: Sampaio Bruno e Leonardo Coimbra. Outras universidades estatais têm vindo a pôr um enfoque especial no pensamento português, felizmente. Esperemos que este investimento não se deva a nenhuma circunstância particular, mas sim a uma verdadeira intenção de, definitivamente, elevar o pensamento português ao lugar que de pleno direito deve ocupar dentro das respectivas academias.
O preconceito que ainda existe em relação a alguns investigadores do pensamento português de quem a obra deliberadamente se diz desconhecer, colocando-os num esquecimento empobrecedor, denota que apesar de mudarem os tempos, os vícios tendem a manter-se. Por outro lado, há uma tendência a aparecerem, nos mais diversos fóruns, sempre os mesmos intérpretes a falar sobre o que quer que seja, o que leva a um enfraquecimento da reflexão pelo estilo repetitivo e pouco criativo de interpretação proporcionada.

A Nova Águia surgida em 2008 assume-se devedora da gesta renascente ao lado de outros movimentos como a Nova Renascença sedeado no Porto e capitaneado durante anos pelo já falecido professor José Augusto Seabra. É claro que houve outros exemplos de iniciativa individual que insistiram em dar a conhecer a excelência desse ideário que se propagou na obra daqueles que estiveram na sua fundação. É o caso de Santana Dionísio em cujo labor esse tributo aparece frequentemente associado à exposição e defesa do pensamento de Leonardo Coimbra, que durante anos tão mal compreendido e apreciado foi entre os intelectuais do seu povo. Precisamente ele que nunca se inibiu de propor uma matriz portuguesa para o pensamento e a especulação que se ia fazendo entre nós.
A Nova Águia criou algumas expectativas e tem mostrado grande capacidade para atender à participação de todos aqueles que estão interessados em pensar Portugal, ou melhor, a grande comunidade lusófona. Esperemos que assim continue pois o progresso do pensamento e a afirmação das ideias só se pode fazer com o recurso ao contraditório. A Águia, órgão oficial da Renascença Portuguesa também privilegiou a crítica e divulgou os opositores do seu ideário. Entre as controvérsias que acolheu está a que opôs Pascoaes e António Sérgio sobre o saudosismo, compilada por P. Gomes em Teixeira de Pascoaes, A saudade e o saudosismo (1988).

É verdade que os tempos que correm têm sido mais propícios ao interesse pelo pensamento nacional. As universidades já o acolhem, pelo menos no patamar da evocação, pois os currículos continuam a ser fortemente estrangeirados.
Também a sociedade de agora é mais esclarecida e não sente tanto a rejeição pura e simples do que é português. Esse esclarecimento tem levado a uma maior autonomia do pensamento, derrubando a tendência que havia de seguir as opiniões tidas como boas de dois ou três intérpretes que se auto-consideravam como especialistas na matéria.
Há, também, um maior apoio, local e nacional, à investigação sobre temas de matriz exclusivamente portuguesa. Estamos contudo vários patamares abaixo daquilo que se passa nos países ditos civilizados. Basta dizer que os portugueses se envergonham de não saberem outro idioma, nomeadamente a língua franca que actualmente é o Inglês, enquanto que alemães, russos, noruegueses, suecos… mesmo que dominem o inglês, falam e têm orgulho nas suas línguas nacionais que também não são de fácil apreensão.
Alguns eruditos que tendo feito carreira no estrangeiro, de uma maneira ou de outra, escolheram alimentar-se e alimentarem o pensamento português também têm contribuído para pôr o pensamento português na ordem do dia. É o caso do ensaísta Eduardo Lourenço que não se importou de trazer para a sua análise e crítica, temas como a saudade, que são muito depreciados pelo grosso da comunidade dos nossos pensadores, embrenhados ainda num pensamento fortemente racionalista e positivista.
Continua a haver um clima tenso entre as correntes do pensamento português e aqueles que se intitulam de seus legítimos representantes. Os que estão fora das universidades reúnem-se por afinidades em torno de pequenos grupos pensando, em muitos casos, que são os únicos herdeiros da tradição portuguesa e por isso abrem várias guerras àqueles que por não pensarem como eles, no seu entendimento, não têm legitimidade de falar em nome da tradição especulativa portuguesa. Todos estes grupos continuam a resistir ao trabalho realizado nas academias, denegrindo-o com frequência, apesar do valor que mostrar possuir. Parece que se acham portadores de uma verdade absoluta e por isso excluem todos aqueles que não concordarem com os seus princípios de análise e crítica.
Por outro lado, as universidades criaram as suas linhas de investigação e por questões de mentalidade e alguma sobranceria não acolhem no seu seio aqueles que não lhes pertencem de pleno direito. Em Portugal o autodidatismo e a obra de investigação e reflexão realizada fora das universidades, é por esta comunidade muitas vezes combatida e quase sempre ignorada.
É tempo, então, de a Nova Águia e outros movimentos afins se juntarem para acrescentar, em vez de se separarem para diminuir. Todos aqueles que estão dispostos a pensar a portugalidade e a lusofonia, quer sejam portadores de uma visão mais racional ou mais espiritual, têm de colaborar entre si, porque a procura da unidade supõe a complementaridade e não a exclusão. Quem se propõe pensar Portugal contribui com a sua parcela para contrariar a constatação de Fernando Pessoa ao reparar que depois de os portugueses terem construído um Império, continua a faltar que se cumpra Portugal. Aparentemente a obra mais simples, continua inacabada…
É então chegada a hora de todos os portugueses interessados no mesmo ideário unirem esforços para juntar o seu trabalho ao labor de todos os outros que perseguem os mesmos objectivos, mesmo que as intercepções possam parecer impossíveis. É este o maior desafio para as novas gerações de portugueses: acrescentar para completar em vez de excluir para fragmentar.
Assim todos o queiramos, assim todos o conseguiremos!

Artur Manso