EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Manuel Laranjeira e João de Deus: Razão e Espiritualidade.

- 11º número (1º semestre de 2013): "Da minha língua vê-se o mar": o Mar e a Lusofonia.

- 12º número (2º semestre de 2013): O pensamento de António Quadros - nos 20 anos do seu falecimento.

- 13º número (1º semestre de 2014): O balanço de Abril, 40 anos depois - nos 20 anos do falecimento de Agostinho da Silva.

- 14º número (2º semestre de 2014): 80 Anos da "Mensagem" – 8 Séculos da Língua Portuguesa.

- 15º número (1º semestre de 2015): Nos 100 Anos do “Orpheu” e da "Arte de Ser Português"

- 16º número (2º semestre de 2015): Quem tem medo da Filosofia Lusófona? Nos 100 anos do falecimento de Sampaio Bruno.

- 17º número (1º semestre de 2016): A importância das Diásporas para a Lusofonia.

- 18º número (2º semestre de 2016): Autores em destaque - Ariano Suassuna, Delfim Santos e Vergílio Ferreira.

- 19º número (1º semestre de 2017): O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ; Afonso de Albuquerque: 500 anos depois.

- 20º número (2º semestre de 2017): José Rodrigues (no ano da sua morte); Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento); Francisco Manuel de Melo (nos 350 anos da sua morte).

- 21º número (1º semestre de 2018): Ainda sobre José Rodrigues; Fidelino de Figueiredo (nos 50 anos da sua morte); António Nobre e Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento).

- 22º número (2º semestre de 2018): V Congresso da Cidadania Lusófona; Dalila Pereira da Costa (nos 100 anos do seu nascimento); Francisco do Holanda (nos 500 anos do seu nascimento).

- 23º número (1º semestre de 2019): Nos 10 anos do MIL: Movimento Internacional Lusófono); Almada Negreiros; ainda sobre Dalila Pereira da Costa.

- 24º número (2º semestre de 2019): Afonso Botelho (nos 100 anos do seu nascimento).

Para o 24º número, os textos devem ser enviados até ao final de Junho.

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.

Capa da NOVA ÁGUIA 23

Capa da NOVA ÁGUIA 23

EDITORIAL NOVA ÁGUIA 23

Tendo germinado em 2006, no âmbito das comemorações do centenário do nascimento de Agostinho da Silva, o MIL: Movimento Internacional Lusófono nasceu no início de 2008, aparecendo já expressamente referido no Manifesto da Nova Águia, nos seguintes termos: “O projecto Nova Águia não se esgota na revista assim designada, sendo uma das expressões de um movimento mais vasto de carácter cultural, cívico e pedagógico, o MIL: Movimento Internacional Lusófono, que pretende continuar o trabalho do movimento da Renascença Portuguesa, no início do século XX, agora a uma escala também lusófona (…)”.

Uma década depois, começamos por recordar alguns dos momentos mais marcantes desta caminhada – que, bem o sabemos, está ainda no início –, e algumas das nossas posições de princípio. Uma década depois, o MIL é decerto a maior instituição da sociedade civil no que se refere ao reforço dos laços entre os países e regiões do espaço lusófono – a todos os níveis: cultural, social, económico e político –, assim procurando cumprir o sonho de Agostinho da Silva: a criação de uma verdadeira comunidade lusófona, numa base de liberdade e fraternidade. Sendo a Nova Águia uma das expressões maiores desse nosso horizonte.

Por isso, sem complexos, como sempre, continuamos a salientar as figuras maiores da cultura lusófona – em particular, aquelas que os nossos “media” mais estrangeirados continuam a desprezar. Dalila Pereira da Costa é um excelente exemplo disso: em 2018, assinalaram-se os cem anos do seu nascimento; que outra revista cultural em Portugal, a não ser a Nova Águia, assinalou devidamente esse centenário?... Por isso, voltamos à carga: depois de no número anterior lhe termos dado o destaque de capa, publicando dez ensaios sobre a sua obra, publicamos neste número mais meia dezena (e mais uma Carta): ensaios apresentados, em primeira mão, num Ciclo evocativo que promovemos, durante todo o ano passado, no Palacete Visconde de Balsemão, no Porto.

Em 2020, assinalam-se os cinquenta anos da morte de Almada Negreiros, outra figura singular da cultura lusófona – antecipando essa efeméride, publicamos neste número um ensaio de fôlego (e de fogo) de Elísio Gala. Depois, evocamos mais uma dúzia de figuras relevantes da nossa cultura e, em “outros voos”, publicamos uma dezena e meia de textos, sobre as mais diversas temáticas. Como tem sido hábito, também neste número publicamos textos inéditos de Agostinho da Silva e António Telmo. Por fim, em “Bibliáguio”, publicamos uma dezena de recensões de diversas obras publicadas recentemente. No início de uma nova década, a Nova Águia irá assim, com a descomplexada convicção de sempre, prosseguir o seu voo.

A Direcção da Nova Águia

Post Scriptum: Saudamos aqui o ingresso de mais três Vice-Directores da Nova Águia: Anna Galvão, Nuno Sotto Mayor Ferrão e Samuel Dimas. Nas suas respectivas áreas (Artes Plásticas, História e Filosofia), eles irão decerto reforçar este nosso voo cada vez mais partilhado.

Já na fase final da paginação deste número, recebemos a triste notícia do falecimento do nosso colaborador João Bigotte Chorão. Em sua Homenagem, publicaremos, no próximo número, alguns textos sobre a sua Obra, bem com a série completa das suas “Cartas sem resposta” (algumas delas já publicadas em números anteriores da NOVA ÁGUIA).

NOVA ÁGUIA Nº 23: ÍNDICE

Editorial…5

NOS 10 ANOS DO MIL: MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO

DEZ POSIÇÕES DE PRINCÍPIO…8

ALMADA NEGREIROS, 50 ANOS DEPOIS

PORTUGAL: PÁTRIA, NAÇÃO E PARAÍSO | Elísio Gala…14

AINDA SOBRE DALILA

DALILA, UM SOPRO DE MISTÉRIO OU POESIA | Henrique Manuel Pereira…40

O DOURO DE DALILA PEREIRA DA COSTA: 20 000 ANOS DE IDENTIDADE E TRADIÇÃO | José Almeida…44

POESIA E SABEDORIA EM DALILA PEREIRA DA COSTA | José Carlos Seabra Pereira…48

ENTRE SERPENTE E IMACULADA: DALILA PEREIRA DA COSTA OU O BREVIÁRIO DOS INSTANTES DE UMA FILOSOFIA AUTOBIOGRÁFICA | Luísa Borges e Joaquim Pinto…50

DALILA LELLO PEREIRA DA COSTA: TRÊS INSTANTES DE UMA MÍSTICA (QUASE) DESCONHECIDA | Pedro Sinde…56

CARTA DE DALILA PEREIRA DA COSTA | António Cândido Franco…60

OUTRAS EVO(O)CAÇÕES

ALBANO MARTINS | António José Borges…62

ANTÓNIO QUADROS | Renato Epifânio…63

CABRAL DE MONCADA | Pedro Velez…64

DAMIÃO DE GÓIS | Delmar Domingos de Carvalho…66

FERREIRA DEUSDADO | J. Pinharanda Gomes…68

FRANÇOIS GUIZOT | Ricardo Vélez Rodríguez…75

GASPAR DE QUEIROZ RIBEIRO | António José Queiroz…88

MANUEL ANTUNES E MIGUEL TORGA | José Lança-Coelho…92

MANUEL FERREIRA PATRÍCIO | Emanuel Oliveira Medeiros…93

ORTEGA Y GASSET | Joaquim Pinto e Luísa Borges…110

SAMPAIO BRUNO | José Carlos Casulo…116

VASCO GRAÇA MOURA | José Almeida…121

OUTROS VOOS

SOBRE A PAZ | Adriano Moreira…124

A GERAÇÃO “NÓS” NA CULTURA GALEGA | António Braz Teixeira…127

DA UTILIDADE DO INÚTIL, OU PORQUE SE DEVE ENSINAR FILOSOFIA NO ENSINO SECUNDÁRIO | Artur Manso…138

USOS E COSTUMES DE LISBOA E DO PORTUGAL DO SÉCULO XVIII − O RELATO DO VIAJANTE-PEREGRINO NICOLA ALBANI DE MELFI | Brunello Natale De Cusatis…144

O MISTÉRIO DA ENCARNAÇÃO: CORPO, CARNE E ETERNIDADE | Carlos Aurélio…150

CORPO DANÇANTE E COMUNICAÇÃO: UM OLHAR CONTEMPORÂNEO A PARTIR DO GRUPO DE DANÇA CABO-VERDIANA RAIZ DI POLON | Elter Manuel Carlos…158

SITUAÇÃO DO KRAUSISMO NA CULTURA PORTUGUESA | Joaquim Domingues…169

A RENASCENÇA PORTUGUESA E A GRANDE GUERRA: O NÚMERO ESPECIAL DE A ÁGUIA SOBRE A PARTICIPAÇÃO PORTUGUESA NO CONFLITO MUNDIAL | José Carlos Casulo…173

A ROBOTIZAÇÃO DO MUNDO: O FUTURO DA HUMANIDADE E A UTOPIA DA CONSTRUÇÃO DE UMA ARISTOCRACIA GLOBAL | José Eduardo Franco e Vítor Silva…185

OLHARES SOBRE MOISÉS E A RELIGIÃO | José Maurício de Carvalho, Thais Caroline Reis de Ávila e Wallace Félix Cabral Silva…191

APONTAMENTOS SOBRE “O POBRE TOLO” E “O POBRE LOUCO” | Luís de Barreiros Tavares…198

EQUADOR À LUZ DE OS MAIAS: UMA LEITURA DIALÓGICA | Paula Oleiro…203

“ANTES TEOR QUE TEOREMA”: DO AMOR PELA SABEDORIA À SABEDORIA DO AMOR | Pedro Vistas…208

OITO DEAMBULAÇÕES PRÓ-LUSÓFONAS | Renato Epifânio…219

AUTOBIOGRAFIA 6 | Samuel Dimas…225

EXTRAVOO

VIDA CONVERSÁVEL - SEGUNDA PARTE (CONTINUAÇÃO) | Agostinho da Silva…240

CINCO ESCRITOS INÉDITOS | António Telmo…242

BIBLIÁGUIO

OBRAS PUBLICADAS EM 2018 | Renato Epifânio…246

SOBRE A SAUDADE: V COLÓQUIO LUSO-GALAICO | Miguel Ángel Martínez Quintanar…247

O MUNDO ÀS AVESSAS: O MANICÓMIO CONTEMPORÂNEO | Pedro Vistas…251

A SUBJETIVIDADE NOS LIMITES DA RAZÃO, ENSAIOS DE ESTÉTICA | Samuel Dimas…255

ÉTICA RELACIONAL: UM CAMINHO DE SABEDORIA & SIDONIO PAES: HERÓI E MÁRTIR DA REPÚBLICA | José Almeida…258

FULGORES DE FÁTIMA | Joaquim Domingues…260

PORTUGAL CATÓLICO | Manuel Curado…262

O TRATADO DE VERSIFICAÇÃO PORTUGUESA | Júlio Amorim de Carvalho…269

RAÍZES DE PESSOA NA GALIZA | Maria Dovigo…273

A CIDADE VIRTUOSA | Maria Leonor Xavier…275

POEMÁGUIO

ISRAEL | Jesus Carlos…38

O ESPLENDOR DA VERDADE | Joel Henriques…39

INTRODUÇÃO À ETERNIDADE | António José Borges…122

ANTECEDAM OS CENSOS | Jaime Otelo…123

(À ANA); “OLHA, DAISY” ; EU NÃO ESQUEÇO ; (PARA A MYRIAM) | Manoel Tavares Rodrigues-Leal …237

FILHO; AURIGA | Luísa Borges…239

ARLEQUIM | António José Queiroz…245

SIDÓNIO | Renato Epifânio…245

MEMORIÁGUIO…280

MAPIÁGUIO…281

ASSINATURAS…281

COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…284

Apresentação da NOVA ÁGUIA 23

Apresentação da NOVA ÁGUIA 23
27 de Abril, na Associação Caboverdeana de Lisboa (para ver o vídeo, clicar sobre a imagem)

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Albufeira, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guimarães, João Pessoa (Brasil), Juiz de Fora (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Montargil, Montijo, Murtosa, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Sagres, Santarém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

PARA ASSINAR A NOVA ÁGUIA:

https://zefiro.pt/as-nossas-coleccoes-zefiro-revista-nova-aguia-assinaturas

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA
In AA.VV. "A Vida como Projecto. na senda de Ortega e Gasset", Universidade de Évora Edições, 2014, p. 13.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Manifesto “Refundar Portugal”

2010 é o ano em que passa um século sobre a implantação da República em Portugal e em que se realizarão eleições presidenciais. 2010 impõe-se como um marco fundamental para lançar uma reflexão pública sobre o país e o mundo que temos e queremos. Reflexão tanto mais urgente quanto há sinais cada vez mais evidentes do crescente divórcio entre o Estado e a sociedade, traduzido em eleições onde a abstenção triunfa sistematicamente, fruto do descrédito galopante da classe política, da própria política e do deserto de ideias em que vivemos.
Aqui se apresenta a proposta de um cidadão português que, no decurso da sua docência universitária, obra publicada e intervenção cultural, tem seguido com interesse e preocupação os rumos recentes de Portugal e do mundo. Convicto de que urge refundar Portugal, eis uma lista de prioridades para o país e o mundo melhor a que temos direito e que todos temos o dever de construir. Agradecem-se os contributos críticos, de modo a que a proposta se aperfeiçoe e complete e sirva de plataforma para a discussão pública e a intervenção cultural e cívica que visa, pelos meios que se verificarem ser os mais oportunos.

I – Portugal é uma nação que, pela diáspora planetária da sua história e cultura, pela situação geográfica e pela língua, com 240 milhões de falantes em toda a comunidade lusófona, tem a potencialidade de ser uma nação cosmopolita, uma nação de todo o mundo, que estabeleça pontes, mediações e diálogos entre todos os povos, culturas e civilizações. Este perfil vocaciona-nos para o cultivo dos valores mais universalistas, promovendo o diálogo com todas as culturas mundiais. Os valores mais universalistas são aqueles que promovam o melhor possível para todos, uma cultura da paz, da compreensão e da fraternidade à escala planetária, visando não apenas o bem da espécie humana, mas também a preservação da natureza e do bem-estar de todas as formas de vida animal, como condição da própria qualidade e dignidade da vida humana.

II – O nosso potencial universalista tem sido sistematicamente ignorado pelas nossas orientações governativas, desde a época dos Descobrimentos até hoje. Se no passado predominou a pretensão de dilatar a Fé e o Império, hoje predomina a sujeição da nação aos novos senhores do mundo, as grandes esferas de interesses político-económicos. Portugal está ao serviço da globalização de um paradigma de desenvolvimento económico-tecnológico que explora desenfreadamente os recursos naturais e instrumentaliza homens e animais, donde resulta um enorme sofrimento, um fosso crescente entre homens, povos e nações, a redução da biodiversidade e o arrastar do planeta para uma crise sem precedentes.

III – A assunção do nosso potencial universalista implica uma reforma das mentalidades, com plena expressão ética, cultural, social, política e económica. Nesse sentido se propõem as seguintes medidas urgentes, que visam implementar entre nós um novo paradigma, convergente com as melhores aspirações humanas e com os grandes desafios deste início do século XXI:

1 – Portugal deve dar prioridade absoluta a um desenvolvimento económico sustentado, que salvaguarde a harmonia ecológica e o bem-estar da população humana e animal. A Constituição da República Portuguesa deve consagrar a senciência dos animais – a sua capacidade de sentir dor e prazer - e o seu direito à vida e ao bem-estar. Portugal deve aprender com a legislação das nações europeias mais evoluídas neste domínio, adaptando-a à realidade nacional.

2 – Portugal deve ensaiar modelos de desenvolvimento alternativos, que preservem a diversidade cultural, biológica e ecoregional. Há que promover a sustentabilidade económica do país, desenvolvendo as economias locais. Devem-se substituir quanto possível as energias não-renováveis (petróleo, carvão, gás natural, energia nuclear), por energias renováveis e alternativas (solar, eólica, hidráulica, marmotriz, etc.), superando o paradigma, a vulnerabilidade e as dependências de uma economia baseada no petróleo e nos hidrocarbonetos.

3 - Devem-se ensaiar formas de organização económica cujo objectivo fundamental não seja apenas o lucro financeiro. Deve-se assegurar o predomínio da ética e da política sobre a economia, de modo a que a produção e distribuição da riqueza vise o bem comum do ecossistema e dos seres vivos, a satisfação das necessidades básicas dos homens e a melhoria geral da sua qualidade de vida, bem como o acesso de todos à cultura.

4 - Deve-se investir num programa pedagógico de redução das necessidades artificiais que permita oferecer alternativas ao produtivismo e consumismo, fazendo do trabalho e do desenvolvimento económico não um fim em si, com o inevitável dano da harmonia ecológica, da biodiversidade e do bem-estar de homens e animais, mas um mero meio para a fruição de um crescente tempo livre de modo mais gratificante e criativo.

5 – Há que criar um serviço público de saúde eficiente e acessível a todos, que inclua a possibilidade de optar por medicinas e terapias alternativas, de qualidade e eficácia comprovada, como a homeopatia, a acupunctura, a osteopatia, o shiatsu, o yoga, a meditação, etc. Estas opções, bem como os medicamentos naturais e alternativos, devem ser igualmente comparticipadas pelo Estado.

6 – Importa informar e sensibilizar a população para os efeitos nocivos de vários hábitos alimentares, nomeadamente o consumo excessivo de carne, para o meio ambiente, a saúde pública e o bem-estar de homens e animais. Sendo uma das principais causas do aquecimento global, do esgotamento dos recursos naturais e do sofrimento dos animais, há que restringir e criar alternativas à agropecuária intensiva. Deve-se divulgar a possibilidade de se viver saudavelmente com uma alimentação não-carnívora, vegetariana ou vegan e devem-se reduzir as taxas sobre os produtos de origem natural e biológica.

7 - Portugal, a par do desenvolvimento económico sustentado, deve investir sobretudo nos domínios da saúde, da educação e da cultura, não só tecnológica, mas filosófica, literária, artística e científica. O Orçamento do Estado deve reflectir isso, reduzindo os gastos com a Defesa, o Exército e as obras públicas de fachada. Urge também moralizar e reduzir os salários e reformas de presidentes, ministros, deputados e detentores de cargos na administração pública e privada, a par do aumento dos impostos sobre os grandes rendimentos.

8 - Redignificar, com exigência, os professores e todos os profissionais ligados à educação e à cultura. A educação e a cultura não devem estar dependentes de critérios economicistas e das flutuações do mercado de emprego. Os vários níveis de ensino visarão a formação integral da pessoa, não a sacrificando a uma mera funcionalização profissional. Neles estará presente a cultura portuguesa e lusófona, bem como as várias culturas planetárias. Um português culto e bem formado deve ter uma consciência lusófona e universal, não apenas europeia-ocidental.
Nos vários níveis de ensino deve ser introduzida uma disciplina que sensibilize para o respeito pela natureza, a vida humana e a vida animal, bem como outra que informe sobre a diversidade de paradigmas culturais, morais e religiosos coexistentes nas sociedades contemporâneas.
A meditação, com benefícios científicamente reconhecidos - quanto ao equilíbrio e saúde psicofisiológicos, ao aumento da concentração e da memória, à melhoria na aprendizagem, à maior eficiência no trabalho e à harmonia nas relações humanas - , deve ser facultada em todos os níveis dos currículos escolares, em termos puramente laicos, sem qualquer componente religiosa.

9 - Portugal deve assumir-se na primeira linha da defesa dos direitos humanos e dos seres vivos em todos os pontos do planeta em que sejam violados, sem obedecer a pressões políticas ou económicas internacionais.

10 – Portugal deve aprofundar as suas relações culturais, económicas e políticas com as nações de língua portuguesa, incluindo a região da Galiza, Goa, Damão, Diu, Macau e os outros lugares da nossa diáspora onde se fala o português, sensibilizando a comunidade lusófona para as causas universais, ambientais, humanitárias e animais.

11 - Portugal deve promover a Lusofonia e os valores universalistas da cultura portuguesa e lusófona no mundo, dando o seu melhor exemplo e contributo para converter a sociedade planetária na possível comunidade ético-cultural e ecuménica visada entre nós por Luís de Camões, Padre António Vieira, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva. Portugal deve assumir-se como um espaço multicultural e de convivência com a diversidade, um espaço privilegiado para o tão actual desafio do diálogo intercultural e inter-religioso, alargado ao diálogo entre crentes e descrentes. Deve precaver-se contudo de tentações neo-imperialistas e de qualquer nacionalismo lusófono ou lusocêntrico.

12 - Verifica-se haver em Portugal e na Europa em geral uma grave crise de representação eleitoral, patente na elevada abstenção e descrédito dos políticos, dos partidos e da política, os quais, segundo a opinião geral, apenas promovem o acesso ao poder de indivíduos e grupos que sacrificam o bem comum a interesses pessoais e particulares, com destaque para os das grandes forças económicas. As eleições são assim sistematicamente ganhas por representantes de minorias, relativamente à totalidade dos cidadãos eleitores, que governam isolados da maioria real das populações, que os consideram com alheamento, desconfiança e desprezo, tornando-se vítimas passivas das suas políticas. O actual sistema eleitoral também não promove a melhor justiça representativa, não facilitando a representação de uma maior diversidade de forças políticas e limitando-a às organizações partidárias, o que contribui para a instrumentalização do aparelho de Estado, dos lugares de decisão político-económica e da comunicação social pelos grandes partidos.
Esta é uma situação que compromete seriamente a democracia e que a história ensina anteceder todas as tentativas de soluções ditatoriais. Há que regenerar a democracia em Portugal, reformando o estado e o sistema eleitoral segundo modelos que fomentem a mais ampla participação e intervenção política da sociedade civil, facilitando a representação de novas forças políticas e possibilitando que cidadãos independentes concorram às eleições. Deve-se recuperar a tradição municipalista portuguesa e promover uma regionalização e descentralização administrativa equilibradas, assegurando mecanismos de prevenção e controlo dos despotismos locais.
Há que colocar a política ao serviço da ética e da cultura e mobilizar a população para a intervenção cívica e política em torno dos desafios fundamentais do nosso tempo, com destaque para a protecção da natureza, do bem-estar dos seres vivos e de uma nova consciência planetária. Há que mobilizar os cidadãos indiferentes e descrentes da vida política, a enorme percentagem de abstencionistas e todos aqueles que se limitam a votar, para a responsabilidade de reflectirem, discutirem e criarem o melhor destino a dar à nação. Há que, dentro dos quadros democráticos e legais, promover formas alternativas de intervenção cultural, social e cívica, que permitam antecipar tanto quanto possível a realidade desejada, sem depender dos poderes instituídos.

Convicto de que estas medidas permitirão que Portugal recupere o pioneirismo e criatividade que o caracterizou no impulso dos Descobrimentos, apelo a que todos dêem o vosso contributo para a discussão, aperfeiçoamento e divulgação deste Manifesto. De vocês depende que ele se constitua na plataforma de um movimento cívico e cultural de reflexão e acção.

Vamos Refundar Portugal!

Saudações fraternas


Paulo Borges
pauloaeborges@gmail.com
Lisboa, 20 de Outubro de 2009

Sem comentários: