EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Manuel Laranjeira e João de Deus: Razão e Espiritualidade.

- 11º número (1º semestre de 2013): "Da minha língua vê-se o mar": o Mar e a Lusofonia.

- 12º número (2º semestre de 2013): O pensamento de António Quadros - nos 20 anos do seu falecimento.

- 13º número (1º semestre de 2014): O balanço de Abril, 40 anos depois - nos 20 anos do falecimento de Agostinho da Silva.

- 14º número (2º semestre de 2014): 80 Anos da "Mensagem" – 8 Séculos da Língua Portuguesa.

- 15º número (1º semestre de 2015): Nos 100 Anos do “Orpheu” e da "Arte de Ser Português"

- 16º número (2º semestre de 2015): Quem tem medo da Filosofia Lusófona? Nos 100 anos do falecimento de Sampaio Bruno.

- 17º número (1º semestre de 2016): A importância das Diásporas para a Lusofonia.

- 18º número (2º semestre de 2016): Autores em destaque - Ariano Suassuna, Delfim Santos e Vergílio Ferreira.

- 19º número (1º semestre de 2017): O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ; Afonso de Albuquerque: 500 anos depois.

- 20º número (2º semestre de 2017): José Rodrigues (no ano da sua morte); Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento); Francisco Manuel de Melo (nos 350 anos da sua morte).

- 21º número (1º semestre de 2018): Ainda sobre José Rodrigues; Fidelino de Figueiredo (nos 50 anos da sua morte); António Nobre e Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento).

- 22º número (2º semestre de 2018): V Congresso da Cidadania Lusófona; Dalila Pereira da Costa (nos 100 anos do seu nascimento); Francisco do Holanda (nos 500 anos do seu nascimento).

- 23º número (1º semestre de 2019): Nos 10 anos do MIL: Movimento Internacional Lusófono); Almada Negreiros; ainda sobre Dalila Pereira da Costa.

- 24º número (2º semestre de 2019): Afonso Botelho (nos 100 anos do seu nascimento).

- 25º número (1º semestre de 2020): Pinharanda Gomes: Textos e Testemunhos dos seus Amigos.

Para o 25º número, os textos devem ser enviados até ao final de Dezembro.

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.

Capa da NOVA ÁGUIA 24

Capa da NOVA ÁGUIA 24

EDITORIAL NOVA ÁGUIA 24

As personalidades maiores (ou mais aquilinas) são aquelas que mais transcendem fronteiras – culturais, religiosas ou ideológicas. Pela amostra (significativa – mais de uma dúzia) de testemunhos que aqui recolhemos, proferidos numa sessão em sua Homenagem promovida pelo Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, no dia 10 de Maio do corrente ano, no Palácio da Independência, João Bigotte Chorão foi, de facto, uma personalidade maior da nossa cultura lusófona.

Personalidade não menor foi a de Afonso Botelho, que completaria no dia 4 de Fevereiro 100 anos. Igualmente por iniciativa do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, realizou-se, nesse exacto dia, também no Palácio da Independência, um Colóquio que abordou as diversas facetas do seu pensamento e obra. São os textos então apresentados (com mais alguns entretanto chegados) que aqui publicamos (mais de uma dezena e meia de textos).

Dois mil e dezanove tem sido um ano especialmente rico em centenários. Para além de Afonso Botelho, evocamos aqui igualmente Jorge de Sena e José Hermano Saraiva. Para o próximo número, fica desde já prometida a evocação de Joel Serrão e de Sophia de Mello Breyner Andresen, onde iremos também recordar Agustina Bessa-Luís, recentemente falecida, no início deste semestre, que marcou ainda presença na NOVA ÁGUIA – logo no primeiro número, onde publicámos um texto seu intitulado “O fantasma que anda no meu jardim”, que termina desta forma: “Voltaremos a encontrar-nos”. Até sempre, Agustina!

Ainda no vigésimo quarto número da NOVA ÁGUIA, para além do “Poemáguio” e do “Memoriáguio” (duas secções igualmente clássicas), publicamos cerca de uma dezena de “Outros Voos” e, em “Extavoo”, mais um capítulo da segunda parte (inédita) da Vida Conversável, de Agostinho da Silva, bem como a série completa das “Cartas sem resposta” de João Bigotte Chorão –, algumas das quais já publicadas em números anteriores da nossa revista. No “Bibliáguio”, por fim, publicamos mais de meia dúzia de recensões de obras que despertaram a atenção do nosso olhar aquilino.


A Direcção da NOVA ÁGUIA


Post Scriptum: Já na fase final da composição deste número, a 27 de Julho, faleceu, aos oitenta anos, Pinharanda Gomes, Sócio Honorário do MIL: Movimento Internacional Lusófono, um dos mais importantes colaboradores da NOVA ÁGUIA, desde o primeiro número (até este que aqui se apresenta, com dois ensaios que nos fez chegar no primeiro semestre deste ano), e, sob todos os pontos de vista, uma das mais relevantes figuras da cultura lusófona do último meio século (facto que só por ignorância ou má-fé pode ser contestado). Por isso, no próximo número da revista, teremos, logo a abrir, uma série de Textos e Testemunhos em sua Homenagem.

NOVA ÁGUIA Nº 24: ÍNDICE

Editorial…5
HOMENAGEM A JOÃO BIGOTTE CHORÃO
Textos e Testemunhos de J. Pinharanda Gomes (p. 8), Alfredo Campos Matos (p. 22), Annabela Rita (p. 22), António Braz Teixeira (p. 24), António Cândido Franco (p. 24), António Leite da Costa (p. 25), António Manuel Pires Cabral (p. 26), Artur Anselmo (p. 27), Eugénio Lisboa (p. 27), Isabel Ponce de Leão (p. 29), Jaime Nogueira Pinto (p. 29), Miguel Real (31), Paulo Ferreira da Cunha (p. 39) e Paulo Samuel (p. 41).
NOS 100 ANOS DE AFONSO BOTELHO
APOLOGIA E HERMENÊUTICA NA OBRA DE AFONSO BOTELHO | António Braz Teixeira…48
AFONSO BOTELHO SEMI-INÉDITO | António Cândido Franco…57
AFONSO BOTELHO NO 57: MOVIMENTO DE CULTURA PORTUGUESA | Artur Manso…59
EDUCAÇÃO E SAUDADE EM AFONSO BOTELHO | Emanuel Oliveira Medeiros…65
HUMANISMO ESPERANÇOSO DE AFONSO BOTELHO | Guilherme d’Oliveira Martins…86
À MEMÓRIA DE AFONSO BOTELHO | J. Pinharanda Gomes…88
AFONSO BOTELHO: TESTEMUNHO BREVE | Joaquim Domingues…90
AFONSO BOTELHO, UM ARISTOCRATA EXEGETA DE D. DUARTE | José Almeida…92
TESTEMUNHO E HOMENAGEM A AFONSO BOTELHO | José Esteves Pereira…97
MITO E MITOS FUNDANTES: A POSSIBILIDADE DO DISCURSO DA SAUDADE | Luís Lóia…98
O TEMA DA SAUDADE NA TEORIA DO AMOR E DA MORTE DE AFONSO BOTELHO | Manuel Cândido Pimentel…104
AFONSO BOTELHO: DA RAZÃO E DO CORAÇÃO | Maria de Lourdes Sirgado Ganho…108
AFONSO BOTELHO, DO PENSAMENTO À ESCRITA FICCIONAL NO 57: UMA ABORDAGEM DO CONTO O INCONFORMISTA | Maria Luísa de Castro Soares…112
A FICÇÃO DE AFONSO BOTELHO | Miguel Real…118
DA FILOSOFIA COMO “SABEDORIA DO AMOR”: ENTRE JOSÉ MARINHO E AFONSO BOTELHO | Renato Epifânio…125
A RENÚNCIA DO MAL NA METAFÍSICA CRISTÃ DA REDENÇÃO DE AFONSO BOTELHO | Samuel Dimas...127
SOBRE A MÓNADA HOMEMULHER EM AFONSO BOTELHO | Teresa Dugos-Pimentel…139
OUTRAS EVO(O)CAÇÕES: JORGE DE SENA E JOSÉ HERMANO SARAIVA
A CRÍTICA LITERÁRIA EM JORGE DE SENA | Miguel Real…146
JOSÉ HERMANO SARAIVA: HISTORIADOR E DIVULGADOR DA CULTURA PORTUGUESA | Nuno Sotto Mayor Ferrão…151
OUTROS VOOS
A MANEIRA PORTUGUESA DE ESTAR NO MUNDO | Adriano Moreira…162
O PENSAMENTO ESTÉTICO DE EDUARDO LOURENÇO | António Braz Teixeira…165
O SENTIDO FILOSÓFICO-TEOLÓGICO DA LUZ EM “VIRGENS LOUCAS” DE ANTÓNIO AURÉLIO GONCALVES | Elter Manuel Carlos…170
OS AÇORES E O MAR – O POVO, SOCIEDADE(S) E TERRITÓRIOS | Emanuel Oliveira Medeiros…176
SOBRE OS INÉDITOS DE JUNQUEIRO | Joaquim Domingues…188
VIVÊNCIAS COM MÁRIO CESARINY E FERNANDO GRADE: POETAS E PINTORES | Luís de Barreiros Tavares…194
SENTIDO E VALOR ACTUAIS DA MONARQUIA: UMA PERSPECTIVA TEÓRICO-CONSTITUCIONAL | Pedro Velez…197
CINCO DEAMBULAÇÕES PRÓ-LUSÓFONAS| Renato Epifânio…199
AUTOBIOGRAFIA 6 | Samuel Dimas…204
EXTRAVOO
VIDA CONVERSÁVEL - SEGUNDA PARTE (CONTINUAÇÃO) | Agostinho da Silva…220
CARTAS SEM RESPOSTA | João Bigotte Chorão…227
BIBLIÁGUIO
ARISTÓTELES EM NOVA PERSPECTIVA | Joaquim Domingues…256
A ESCOLA PORTUENSE EM QUESTÃO | Elísio Gala…256
LEONARDO COIMBRA: VIDA E FILOSOFIA | José Esteves Pereira…258
EUDORO DE SOUSA E A PRESENÇA DO MITO NA FILOSOFIA PORTUGUESA | Samuel Dimas…262
TABULA RASA II & ESTUDOS SOBRE HEIDEGGER | Renato Epifânio…263
PEITO À JANELA SEM CORAÇÃO AO LARGO | Onésimo Teotónio Almeida…264
ESPÍRITOS DAS LUZES | Anabela Ferreira…266
POEMÁGUIO
CATATÓNICO; GOLGOTHA | António José Borges…46
SEU HÁBITO MELHOR | Jaime Otelo…47
“NASCERÁ O MAIOR AMOR…” | Catarina Inverno…144
FUNDURA | Maria Leonor Xavier…145
MACAU | António José Queiroz…159
CANÇÃO SUPREMA | Carla Ribeiro…160
COMO PODEM ESPERAR | Delmar Maia Gonçalves…161
PELOS SENTIDOS | Juvenal Bucuane…161
NUME | Luísa Borges…218
STELA | Jesus Carlos…219
MIMNERNO E AS FOLHAS CAÍDAS DE JÚDICE | Susana Marta Pereira…254
LARGO | Joel Henriques…255
PARA O HERBERTO HELDER | Manoel Tavares Rodrigues-Leal…267
SEGUNDA VARIAÇÃO | José Luís Hopffer C. Almada…268
MEMORIÁGUIO…272
MAPIÁGUIO…273
ASSINATURAS…273
COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…274

Lançamento da NOVA ÁGUIA 24

Lançamento da NOVA ÁGUIA 24
18 de Outubro, no Palácio da Independência (na foto: Abel Lacerda Botelho, Renato Epifânio e António Braz Teixeira). Para ver o vídeo, clicar sobre a imagem...

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Albufeira, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guimarães, João Pessoa (Brasil), Juiz de Fora (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Montargil, Montijo, Murtosa, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Sagres, Santarém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

PARA ASSINAR A NOVA ÁGUIA:

https://zefiro.pt/as-nossas-coleccoes-zefiro-revista-nova-aguia-assinaturas

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA
In AA.VV. "A Vida como Projecto. na senda de Ortega e Gasset", Universidade de Évora Edições, 2014, p. 13.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Mais um volume da Colecção NOVA ÁGUIA...

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Apresentação de A Verdadeira História de Aladino e a Lâmpada Maravilhosa (Zéfiro/ Colecção Nova Águia) de Rodrigo Sobral Cunha, com prefácio de António Telmo, ilustrações de Carlos Aurélio e posfácio de Pedro Sinde

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“É certo que, para estas matérias, podemos detectar uma espécie de magos confabuladores, alcandorada nos anéis do tempo, que vai contando a história (como o tal árabe cristão a Galland, este aos outros e por aí fora), de preferência cada vez melhor: ponto acrescentando a ponto, espiralando a linha do tempo e assim melhorando o conto, mas sempre a partir de uma mesma essencial verdade que pulsa em segredo aqui e ali na história. Mas muitas outras vezes a história é cada vez pior contada, ponto a ponto se suprimindo o conto, desfazendo em recta a espiral do tempo, até o essencial sentido (aquele que faz a duração vital da narrativa) ficar escondido como uma lamparina na mais profunda das cavernas. Tais pactos de confabulação, como os de Galland e Hannâ Diyâb, reproduziriam assim à escala o processo milenar que fez andar As Mil e Uma Noites da Índia à Pérsia e ao Egipto, com os nomes de Salomão, Alexandre Magno, os Cruzados, ou Dhinazad e Xerazade (filha da noite, em arábico), nas caravanas que pernoitam à roda das fogueiras donde saem génios e criaturas dos outros mundos que há neste. Quanto àqueles cujas vozes e os gestos deram vida às Noites muito para além das vidas dos seus reais protagonistas, até nós, refere o barão de Hammer Purgstall esses confabulatores nocturni, narradores noctívagos que Alexandre ouviu e que Eduardo Lane (tradutor das Mil e Uma Noites) disse que eram uns cinquenta no Cairo de 1850, conforme recorda Borges; e isto sem subestimar os mercadores a quem se deve, na observação de Walter Benjamin, a afinação das astúcias com que o contador de histórias do ciclo das Mil e Uma Noites capta a atenção do seu auditório. Naturalmente, há evidências de ordem vária: ao gosto da arqueologia positiva e da filologia, por exemplo, encontrou o egiptólogo húngaro Ernõ Gaál um manancial considerável para a história de Ala Al-Din em papiros egípcios helenísticos e romanos (II-IV d.C.), situando-a depois da conquista árabe do Egipto pelo século VII e relacionando-a com a prática do roubo de túmulos no Egipto. Mas é dentro da própria história que a coisa que está fora dela se passa!” (A Verdadeira História de Aladino e a Lâmpada Maravilhosa, § 9)

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“Que os extremos se tocam, vê-se particularmente bem no caso da tradução, com a traição e a tradição, como é sabido, pois o tradutor pode ser textualmente ou oralmente o traidor ou o servidor da tradição. Mas nem só. Pode acontecer-lhe estranhamente que, transmitindo, traia o tradutor a causa e outras vezes, ao contrário, traindo-a, transmita a causa. Tal é a sina do traditor. O que Galland diz, pois, sobre o assunto é que aquele que descobre Aladino era um mágico africano, que se aplicara ao seu mister – a magia – desde a juventude e que depois de aproximadamente quarenta anos de encantamentos, de operações de geomancia, de sufumigações e da leitura de livros de magia, chegara enfim a descobrir que havia no mundo uma lâmpada maravilhosa, cuja posse o tornaria mais poderoso que qualquer monarca do universo. Por uma operação de geomancia o mágico toma conhecimento do local do tesouro dos tesouros. A lâmpada encontra-se num lugar subterrâneo no meio da China, completamente inacessível, excepto para Aladino (que por isso passa a estar no mapa estratégico do geomante). Desloca-se então ao local, próximo do qual vive não por acaso Aladino. O mago, além de conhecedor das artes do fumo, é também fisionomista e lê no rosto do formoso Aladino “tudo o que era absolutamente necessário para a execução do que motivara a sua viagem”, segundo afiança o narrador gaulês.” (A Verdadeira História de Aladino e a Lâmpada Maravilhosa, § 12)

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“Nem toda a riqueza do sultão, acrescida da do seu grão-vizir e demais homens ricos do reino, era suficiente para acabar uma só das janelas do palácio de Aladino, manifestamente uma das maravilhas do mundo. Como é evidente, o problema não era apenas de ordem técnica, pois nem mesmo os melhores ourives e joalheiros do reino (manifestamente decadente) conseguiam compreender a ordem de subtileza artística em jogo. (Não sabiam sequer distinguir jóia de joie, que é como quem diz o trigo do joio!). É que se aquele palácio podia fazer-se da noite para o dia e durar pelos séculos fora, podia igualmente desfazer-se do dia para a noite. O que explica que a janela imperfeita, não na arquitectura mas na ornamentação de diamantes, rubis e esmeraldas, fosse completada com um estalar de dedos de Aladino, com a lucerna ao alto. Xerazade escapa ao régio imposto diário sobre a beleza mantendo o rei (seu marido) acordado; pois onde uns cortam, põem outros e à história das decapitações contrapõe ela uma verdadeira narrativa: com pedraria da árvore da vida temperou Aladino a sua moradia. Sem a boa conselheira, portanto, o reino afundar-se-ia nas trevas (sem ouvidos para a múrmura fala de Xerazade, soam as decapitações na Europa). De variedade quase infinita, como é bom de ver, são os materiais para edificação e os melhores não estão propriamente à mão. “Os grandes feitos da arte, observou Ruskin, são tornados possíveis quando as almas dos homens se encontram como as jóias nas janelas do palácio de Aladino, puras por igual as pequenas gemas e as grandes, sem precisar de cimento, mas sim da harmonia das suas facetas.” (A Verdadeira História de Aladino e a Lâmpada Maravilhosa, § 47)

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“Fora de portas da cidade, o mágico africano levara Aladino muito para lá dos amplos arredores com casas e palacetes de belos jardins, desaparecendo aos poucos qualquer sinal de presença humana e alargando-se o horizonte em plena extensão. Um lagarto contornou uma rocha procurando sombra. Aladino, que nunca andara tanto na vida, sentiu-se exausto de tão longa caminhada.
– “Tio!” – perguntou ao falso irmão de seu falecido pai o alfaiate Mustafá: “Aonde vamos? Só vejo descampados e montanhas e nem uma árvore já! Se continuarmos, não sei se terei forças para regressar à cidade!”
– “Coragem, sobrinho!”, respondeu-lhe o falso tio na persecução do seu estratagema; – “quero mostrar-te um jardim que excede de longe todos os que viste até hoje; está próximo, ainda que não te pareça, mas quando lá chegares hás-de me dizer o que seria não o teres visto depois de estares tão perto dele! Enche-te de coragem, Aladino, pois já és um homem! Levo-te a um sítio maravilhoso, perto do qual todas as riquezas dos reis deste mundo são coisa de crianças!”
Convencido, reergueu-se o ânimo a Aladino e dirigiu-lhe então o magrebino doces palavras, para lhe tornar mais leve o caminho e contou-lhe histórias de encantar, ora verdadeiras ora falsas, entretendo-o, rumo ao fim secreto que o trouxera da extremidade da África ao Oriente extremo. E para Aladino não perder o ritmo, o mago tirou de um saco hermeticamente fechado um fruto carregado de ritmo: uma laranja marroquina. Abriu-a ao meio, mostrando-lhe a geometria octangular daquele fruto e deu-lhe a provar o sabor da matemática convidando-o a transformar a geometria que ali via em energética aritmética, saboreando-a de modo a ficar a saber inteiramente ao que sabe a laranja (“toda a vez que não encontrares geometria na laranja, como a decagonal ou outra, é porque ela não presta”). E o africano, viajado como era, falou-lhe pausadamente de outras terras: primeiro, daquelas onde vivera – Índia, Pérsia, Arábia, Síria, Egipto – e depois, das que atravessara, por exemplo a maior floresta do mundo, a taiga da Sibéria, com seus silêncios e seus sons. Falou-lhe moroso dos costumes dos outros povos: por exemplo, como os aborígenes australianos cantavam os caminhos, como repetiam passo a passo desde o Tempo do Sonho os cantos primordiais da Criação, onde foi dado nome às coisas, e como cada homem fazia o seu caminho ritual de amplas extensões, lugares e viventes segundo uma música de versos sagrados que era também um mapa para encontrar os passos dos irmãos desde o Início. E disse-lhe mais verdades acerca do povo das andorinhas e do povo dos girassóis e ainda de certos povos do mar. Ensinou-lhe também um provérbio mourisco: “Aquele que não viaja desconhece o valor dos homens”.
E nisto chegaram ao pé de uma montanha, ao fundo de um vale deserto. Soprou uma brisa desconhecida no rosto de Aladino. O mago parou a estudar atentamente uma rosa-do-deserto.
– “É aqui!”, exclamou de olhos rebrilhantes como sóis negros. – “Repousa um instante e prepara-te, Aladino, pois estás à beira de ver coisas extraordinárias e desconhecidas dos mortais; e quando as vires, hás-de me agradecer teres testemunhado maravilhas tais que olhos humanos nunca viram!” (A Verdadeira História de Aladino e a Lâmpada Maravilhosa, § 51)

***

“Para entrar na gruta, isto é, para levantar a pedra que tapa a entrada, Aladino, diz-lhe o mágico, deve invocar o nome do seu pai e do seu avô, isto é, deve invocar os seus patriarcas. Nessa invocação, podemos ver o sinal da ligação à cadeia dos antepassados, que é condição necessária para que o neófito possa encontrar aquele “poder” primordial, simbolizado pela lâmpada. A esta cadeia de ouro se chama em língua árabe, no sufismo, silsila. Podemos aqui lembrar, agora, que Cristo desce ao limbo dos patriarcas ou dos pais (limbus patrum) para os resgatar, mas esse acto de resgatar contém em si necessariamente um outro: o de reatar a cadeia dos profetas, seus patriarcas ou ancestrais, até à origem adâmica, em que o último se liga ao primeiro ou o mais baixo ao mais alto ou o de baixo ao de cima. Trata-se, de algum modo, de estabelecer a relação com a sua silsila: de resto, não deve ser por acaso que S. Mateus se dá ao trabalho de referir, logo no início do seu evangelho, a ascendência de Cristo. Os sufis fazem o mesmo para comprovar a validade da sua iniciação, pois todas as silsilas válidas vão dar ao profeta Maomé, daí recuando, profeta a profeta, até Adão. […] Ainda em relação aos patriarcas de Aladino, convém ter presentes estas duas etimologias: o nome do seu pai, Mustafá, significa “o eleito” e Aladino significa “a glória da religião”. Ora, o filho do “eleito” é, portanto, a “glória da religião”. Não nos é dito o nome do seu avô, talvez porque simbolize aqui a origem da sua origem.”

Pedro Sinde (Posfácio)

***

“Aladino permaneceu na caverna durante três dias (sexta-feira, sábado e domingo) que – coisa ainda não inteiramente notada – são os dias santos das três religiões abraâmicas, aquelas que, segundo Álvaro Ribeiro confluem na formação do pensamento português. Se a interpretação iniciática que Pedro Sinde fez do Aladino estiver correcta, a passagem de Ruskin pode bem ilustrar a unidade interna, e transcendente, com que a gnose da tradição lusíada, pelo prisma da imaginação criadora, cingiu os três monoteísmos.”

Pedro Martins

***

“O mágico negro foi lá [China] que adivinhou Aladino e a sua lâmpada e veio de extremo a extremo da terra até ao Império do Meio, para, uma vez de posse da lâmpada, poder dominar o mundo, fazer dele o seu globo, uma farsa macaqueada do Quinto Império. No momento exacto em que estava prestes a consegui-lo, uma criança negou-lhe esse poder. Aladino não lhe entregou a lâmpada. Pouco foi preciso depois para que nesse mesmo mundo, que é o nosso, reinasse a Bondade e a Beleza.
E também a Verdade, porque tudo será um Milagre da Luz.”

António Telmo (Prefácio)

1 comentário:

Renato Epifânio disse...

Mais um belo volume em perspectiva...