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Ganhaste. Por isso, antes de mais, os meus parabéns.
Acrescidos pelos facto de tu, a princípio, te teres imposto contra tudo e contra todos. Sempre gostei de gajos teimosos e obstinados, com Vontade. Gajos que dizem: “Sim, é possível.”. E a verdade é que conseguiste.
Se bem que a tua prova de fogo tinha sido no início, contra a outra (a Clinton). Depois, foi relativamente fácil. Apesar do teu adversário ser um tipo decente.
Como bem sabes, provocaste por todo o mundo, e também por cá, uma histeria que chegou a tornar-se doentia. Como sou um viciado em jornais, fui acompanhando – e muito sorri, com as manipulações, por vezes bem grosseiras, que se foram fazendo. E tu até não precisavas disso.
Agora que ganhaste, vai começar a desilusão. Afinal, tu foste eleito Presidente dos Estados Unidos e sabes bem que todos os países, para mais o teu, têm, antes de mais, que defender os seus interesses. Sei que o farás e não me desiludirei por isso – pela simples razão de que nunca tive ilusões a esse respeito.
Irei seguir pois, tranquilamente, a tua actuação. Se não somos todos americanos, nada de americano nos pode ser por inteiro indiferente. Em todo os planos – mesmo que a América sempre me tenha despertado as mais ambivalentes sensações.
Não sei se conheces o Heidegger (sim, aquele…), mas ele formou muito a minha ideia do mundo e da América em particular. Mas, acredita, não sou um anti-americano ontológico. Prezo, em particular, algum do vosso cinema. Uma das minhas alcunhas até é, imagina, Clint (Eastwood). E, no final do “The Dear Hunter”, do Cimino, até já me surpreendi a cantarolar o “God bless America”. Para “anti-americano” e “ateu”, não está nada mal…
Sabes como é. Sempre tive um fraco por personagens complexas. Sou, à minha maneira, como tu, mestiço. Por isso, também nunca gostei do outro. Ainda que queira ir ver o filme do Stone. Depois conto-to. Suponho que não terás tempo para o ver…
Com um abraço
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