Serei um dos conferencistas, junto com José Augusto Mourão e Celeste Natário, do painel "Religião e Ciência", na 5ª feira, 11 de Março, pelas 21.30, na Reitoria da Universidade do Porto. Esta é a penúltima sessão do ciclo "Diálogos com a Ciência".
A Águia, órgão do Movimento da Renascença Portuguesa, foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal. No século XXI, a Nova Águia, órgão do MIL: Movimento Internacional Lusófono, tem sido cada vez mais reconhecida como "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".
Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).
Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.
Donde vimos, para onde vamos...
Ângelo Alves, in "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo".
Manuel Ferreira Patrício, in "A Vida como Projecto. Na senda de Ortega e Gasset".
Onde temos ido: Mapiáguio (locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA)
Albufeira, Alcáçovas, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belmonte, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Ermesinde, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Famalicão, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guarda, Guimarães, Idanha-a-Nova, João Pessoa (Brasil), Juiz de Fora (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Mirandela, Montargil, Montijo, Murtosa, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pinhel, Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Sagres, Santarém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Teresina (Brasil), Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vigo (Galiza), Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.
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terça-feira, 9 de março de 2010
Religião e Ciência
Serei um dos conferencistas, junto com José Augusto Mourão e Celeste Natário, do painel "Religião e Ciência", na 5ª feira, 11 de Março, pelas 21.30, na Reitoria da Universidade do Porto. Esta é a penúltima sessão do ciclo "Diálogos com a Ciência".
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
"Cada religião é a única verdadeira..."
"Cada religião é a única verdadeira, ou seja, no momento em que nela pensamos é necessário prestar-lhe tamanha atenção como se não houvesse outra coisa; do mesmo modo cada paisagem, cada quadro, cada poema, etc., é o único que é belo. A "síntese" das religiões implica uma qualidade de atenção inferior"
- Simone Weil, Cahier VI, Oeuvres, Paris, Gallimard, 1999, p.848.
Não posso deixar de fazer deste reparo um reparo às tendências sincretistas de algum Fernando Pessoa e de algum Agostinho da Silva, que passa a meio caminho entre elas e o fundamentalismo dogmático da crença numa única religião verdadeira. Não parece possível seguir uma qualquer via religiosa ou mesmo espiritual sem uma dedicação e concentração totais, sabendo e aceitando ao mesmo tempo que outros podem e devem fazer o mesmo com outras vias religiosas e espirituais. Isto é algo a não esquecer no actual diálogo inter-religioso, que muitas vezes tende aos sincretismos fáceis e moles.
arevistaentre.blogspot.com
- Simone Weil, Cahier VI, Oeuvres, Paris, Gallimard, 1999, p.848.
Não posso deixar de fazer deste reparo um reparo às tendências sincretistas de algum Fernando Pessoa e de algum Agostinho da Silva, que passa a meio caminho entre elas e o fundamentalismo dogmático da crença numa única religião verdadeira. Não parece possível seguir uma qualquer via religiosa ou mesmo espiritual sem uma dedicação e concentração totais, sabendo e aceitando ao mesmo tempo que outros podem e devem fazer o mesmo com outras vias religiosas e espirituais. Isto é algo a não esquecer no actual diálogo inter-religioso, que muitas vezes tende aos sincretismos fáceis e moles.
arevistaentre.blogspot.com
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Do Pastorício

I
Queria do neofascismo de Evola, que fosse ruína, e do seu tradicionalismo (do seu, em particular, não de todo), e depois, que tudo o que importasse fosse “estar de pé entre as ruínas”. Também Evola imaginou a civiltà solare, que devolveria a Tradição. Por isso foi sempre um pau de dois gumes (por motivos que penso que escapem às mentes políticas). Na plebe visão, Evola deseja febrilmente salvar o homem de si mesmo (a velha questão do alienígena, embora seja esta igualmente a questão atacada), e a sua má fé no homem e no mundo (moderno) é colossal, do tamanho dos seus cegos soldados. As minhas ruínas são uma Noite, e para a noite (como para se ver a treva) importa o entendimento, é essa a luz. Toda a sabedoria só pode ser mero e acidental (natural) reflexo.
II
Aprendi a olhar para o futuro com a mesma calma com que se olha para a morte. E às vezes imagino um mundo vegetariano, em que a mulher se esqueceu do prazer da carne como se esqueceu do prazer de subir às árvores, e depois de esquecer o prazer de comer carne passou a achar a cópula nojenta e impraticável. Talvez se venha a matar a fome – o problema primordial -, e todos seremos vegetais com um computador ligado às nossas cadeiras de rodas. Mas até morrer, nas datas sagradas, comerei carne crua.
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Descoberto o segredo da IURD
Foi descoberto o segredo do tesouro da IURD –IGREJA UNIVERSAL DO REINO DE DEUS.
A IURD foi fundada por Edir Macedo em 1977. Hoje, ele e nove membros da IURD são acusados de usar dinheiro dos fiéis.
Era sempre assim. Quando a música baixava e os apelos do pastor deixavam de se ouvir, os fiéis levantavam os joelhos do chão para depositar o dinheiro no altar.
Lá fora, as dúvidas resistiam. Durante 32 anos, a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) rejeitou todas as suspeitas de corrupção, mas elas nunca desapareceram. Agora colaram-se à instituição para sempre.
O Ministério Público de São Paulo acusou o fundador, Edir Macedo, e outros nove membros de associação criminosa e lavagem de dinheiro.
As três décadas de história da IURD contam-se com somas milionárias, multidões de fiéis, discursos inflamados e, sobretudo, suspeitas.
Logo em 1977, uma inspecção da Receita Federal sugere que a igreja deve perder a imunidade fiscal porque está a ser usada para ganhar dinheiro - segundo a Constituição do país, o património e as fontes de rendimento das igrejas só podem ser utilizados para actividades religiosas e nunca para a obtenção de lucro.
Uma década depois, a mesma instituição elabora um estudo para regulamentar as doações de dinheiro relacionadas com a fé. A proposta nunca foi aprovada.
O VÍDEO DO DÍZIMO
Outras dúvidas são levantadas quando, em 1995, Edir Macedo surge num vídeo a ensinar aos pastores como pedir dinheiro aos crentes. "Se você se mostrar chocho, o povo não confia em você. Você tem de falar como se fosse o super-herói do povo. Peça, peça... Se houver alguém que não dê, há um montão que vai dar", explicava com uma exuberante coreografia de braços.Desde que o vídeo foi divulgado, a instituição foi exaustivamente investigada, mas pouquíssimas irregularidades ficaram provadas nos dez processos que foram instaurados.
O Código Penal brasileiro não inclui práticas religiosas. Se alguém quiser doar todo o seu património à igreja, tem toda a liberdade para o fazer. Assim, para condenar os líderes da igreja, um objectivo era fundamental: provar que o dinheiro doado estava a enriquecer os líderes da igreja e não a financiar obras de caridade.
Era preciso descobrir o percurso do dinheiro desde que saía dos bolsos dos crentes até ser usado para pagar a construção de uma mansão de 2000 m2 (como a construída por Edir Macedo em 2007). É isto que, após dois anos de investigação, os procuradores acabam de conseguir.Entre 2001 e 2008, a IURD recebeu mais de 3 mil milhões de euros doados pelos seus 8 milhões de seguidores. Metade do dinheiro foi colocado na caixa do dízimo dos templos, a outra metade chegou através de 4015 transferências bancárias. Nenhum deste dinheiro pagou impostos.
EMPRESAS FANTASMA
Alguns destes milhões foram depois utilizados em pagamentos a duas empresas-fantasma: a Cremo Empreendimentos e a Unimetro Empreendimentos. Só em 2004 e 2005, estas empresas (que não prestam um único serviço) movimentaram 27 milhões de euros, garantiu à revista "Veja" fonte da Secretaria da Fazenda. A paragem seguinte destes milhões eram duas empresas sedeadas em paraísos fiscais nas ilhas Caimão e nas do Canal (a Investholding e a Cableinvest). Sob a forma de empréstimos a executivos da IURD, o capital regressava depois à terra natal para ser aplicado na compra de aviões particulares (como um Cessna de 1 milhão de euros), mansões ou para ser investido no império que a igreja construiu na comunicação social - 22 canais de televisão e 42 estações de rádio.
Edir Macedo é hoje dono de 90% da Rede Record (a mulher possui os outros 10%), que foi comprada em 1992 por 20 milhões de dólares. Além disso, tem dois apartamentos de luxo na sofisticada Collins Avenue, em Miami. Um foi comprado por 1,5 milhões de euros e o outro por 3,3 milhões. Em 2007 construiu uma enorme mansão de 2000 m2 em São Paulo, em Campos Jordão. É lá que parte do tesouro da IURD estará enterrado.
Autoria de Alexandre Soares
Transcrito de http://osirislux.blogspot.com
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
segunda-feira, 4 de maio de 2009
sexta-feira, 17 de abril de 2009
O Oriente da Alma
Homenagem ao Nosso Poeta do Arquipélago dos Amores,
que Amanhã e (para) Sempre celebrará o seu Nascimento.
«A contemplação inerte não pode ser o ar que o espírito do homem pede para respirar! O ar da vida é outro... A vida! no seu voo para o céu, na sua sublime ambição ideal, foi isso que esqueceu ao Cristianismo - a terra, a vida.
VII
Viver! ser homem! Que mais alta ambição pode um coração conceber?
Círculo de ilimitado desejo que abraça a terra, o horizonte até onde o olhar se perde, o espaço até onde se some a fantasia!
São as esperanças do céu e os cuidados da terra. Os ardentes amores do mundo, e as vagas aspirações de além túmulo. O finito deste momento que se sente, e o infinito da duração que se adivinha. O que as Religiões da Natureza podem dar à vida de calor e força, e o que podem inspirar de lânguido e místico as Religiões do Espírito. É pensar, crer, pressentir e amar! Erguer-se para cima, sem por isso desprezar o palmo de terra aonde se firmam os pés. Inclinar a cabeça sobre o brando regaço da realidade, sem esquecer o áspero caminho do ideal por onde tem de se seguir. Aonde há aí lei, religião, código que contenha no abraço ambicioso maior porção de verdade, da vida universal? A certeza do roteiro, que, para guiar-nos, nos dão esses pilotos de mares encobertos some-se, esvai-se na orla do horizonte que abrangem com os olhos. Para lá é o desconhecido; o oceano do possível - e os caminhos estão todos por abrir!
Uma bússola só, por fatídico condão, aponta o Norte e o Sul. Mas não é a civilização dum ou outro século, a tradição desta ou daquela raça, o absoluto que uns sonham para que outros acordem em face do nada - um código ou uma religião -. É o secreto instinto da vida! a revelação natural! a voz da lei humana!
(...) como se explica o próprio facto do movimento, que deste modo está em toda a parte sem estar em parte alguma? que é por toda a parte efeito, sem ter causa em parte alguma? como se concebe esse modo de ser, que, não tendo autonomia em nenhum dos pontos onde se realiza e realizando-se universalmente, parece ser e não ser ao mesmo tempo?
A causa do fenómeno está na mesma natureza do ser onde ele se dá, ou antes, do qual ele é essencial modalidade. "No fundo, a verdadeira causa dos fenómenos reside no ser dos mesmos fenómenos, cujo fim último é a afirmação plena de si mesmo." (Comentário de Leonel Ribeiro dos Santos)
(...) na espontaneidade inconsciente da matéria está a raiz do que na consciência e na razão se chama verdadeiramente liberdade.»
Antero de Quental, Filosofia
«Se há só seres, como existe o bem, a harmonia e a beleza?
(...) O Absoluto e o Relativo não são opostos irreconciliáveis como o não são a Razão e a Realidade; mas encontram-se na Experiência, como, e igualmente, na Memória se encontra o idêntico e o diverso, o subsistente e o transitório.»
Leonardo Coimbra, O Pensamento Filosófico de Antero de Quental
«As religiões antigas não faziam da alma humana prisioneira dum dogma imutável. Sentiam ser ela mesma o verdadeiro dogma. Abriam o seio a cada palavra inspirada e transformavam-na em sangue do coração...»
Antero de Quental, Prosas da Época de Coimbra
«Deixemo-nos de nénias - enterremos
As antigas paixões!
É d'ar puro e de luz que nós vivemos...
E nossos corações
De luminoso amor, d'amor contente,
Disso querem viver eternamente!
Viver de flores, como insecto alado...
E, como ave, de cantos
Viver de beijos, de prazer sagrado..
Sim, de prazeres santos,
Como homem que embala noite e dia
O fecundo regaço da alegria!
Serena fonte, que nos banha a vida
Em dulcíssimas águas:
E, através da existência dolorida,
Nos lava as velhas mágoas...
A alma parece nova: e limpa e bela,
Brilha em face de Deus, como uma estrela!
Brilha em face do mundo! Resplandece
Como lúcida aurora!
É o sol da ventura, que alvorece!
Vale e monte colora
Co'as mil cores do íris da bonança...
E as mil do íris d'alma - a esperança!
Amor que espera e crê... amor ditoso...
Quer Deus que se ame assim!
Dormir no mundo o sono mavioso
De prazeres sem fim...
Passar como em triunfo, em mago enleio,
Mãos unidas e seio contra seio...
Põe teus olhos nos meus, para que veja
Luz melhor que a do céu...
O que dentro em teu peito rumoreja
Tudo, é tudo meu!
Meus são teus ais e minha essa harmonia
A que chamas amor, e eu poesia.
Poesia não são lágrimas... são beijos...
E abraços também...
Paixões não são suspiros... são desejos...
Quantos a vida tem!
Compõe com tuas mãos minha poesia
De paixão e de beijos e alegria.
Vem comigo na vida! Hei-de levar-te
Por caminhos de flores...
Cantará para ti, por toda a parte,
Um viveiro d'amores...
Eu sei o que é amor! estes conselhos
Amor tos dá - deixa falar os velhos!
Deixa, deixa-os dizer, os velhos sábios,
Que só sabem chorar!
Mulher bela, se Deus te pôs nos lábios
Botão de flor sem par,
Flor de luz e ventura... é por que o riso
A abra e transforme em flor do Paraíso!»
Antero de Quental, Primaveras Românticas
«Mete-se a mão no coração e fala-se - são palavras de vida as que assim se proferem. Que importa a tradição, o caminho trilhado, a ordem velha? Longe, nas últimas brumas, se perdem as extremas orlas do antigo continente. Incerto crepúsculo! e nenhuma carta diz o rumo que indicam as estranhas constelações desse hemisfério, pela vez primeira avistadas! Mas, lá para o Oriente, vê-se um brilho pálido no céu, como reflexo de luzes à distância. Para lá se inclina a alma. Para esse lado, o lado da luz, há (...) um novo mundo a descobrir!»
Antero de Quental, Prosas da Época de Coimbra
que Amanhã e (para) Sempre celebrará o seu Nascimento.
«A contemplação inerte não pode ser o ar que o espírito do homem pede para respirar! O ar da vida é outro... A vida! no seu voo para o céu, na sua sublime ambição ideal, foi isso que esqueceu ao Cristianismo - a terra, a vida.
VII
Viver! ser homem! Que mais alta ambição pode um coração conceber?
Círculo de ilimitado desejo que abraça a terra, o horizonte até onde o olhar se perde, o espaço até onde se some a fantasia!
São as esperanças do céu e os cuidados da terra. Os ardentes amores do mundo, e as vagas aspirações de além túmulo. O finito deste momento que se sente, e o infinito da duração que se adivinha. O que as Religiões da Natureza podem dar à vida de calor e força, e o que podem inspirar de lânguido e místico as Religiões do Espírito. É pensar, crer, pressentir e amar! Erguer-se para cima, sem por isso desprezar o palmo de terra aonde se firmam os pés. Inclinar a cabeça sobre o brando regaço da realidade, sem esquecer o áspero caminho do ideal por onde tem de se seguir. Aonde há aí lei, religião, código que contenha no abraço ambicioso maior porção de verdade, da vida universal? A certeza do roteiro, que, para guiar-nos, nos dão esses pilotos de mares encobertos some-se, esvai-se na orla do horizonte que abrangem com os olhos. Para lá é o desconhecido; o oceano do possível - e os caminhos estão todos por abrir!
Uma bússola só, por fatídico condão, aponta o Norte e o Sul. Mas não é a civilização dum ou outro século, a tradição desta ou daquela raça, o absoluto que uns sonham para que outros acordem em face do nada - um código ou uma religião -. É o secreto instinto da vida! a revelação natural! a voz da lei humana!
(...) como se explica o próprio facto do movimento, que deste modo está em toda a parte sem estar em parte alguma? que é por toda a parte efeito, sem ter causa em parte alguma? como se concebe esse modo de ser, que, não tendo autonomia em nenhum dos pontos onde se realiza e realizando-se universalmente, parece ser e não ser ao mesmo tempo?
A causa do fenómeno está na mesma natureza do ser onde ele se dá, ou antes, do qual ele é essencial modalidade. "No fundo, a verdadeira causa dos fenómenos reside no ser dos mesmos fenómenos, cujo fim último é a afirmação plena de si mesmo." (Comentário de Leonel Ribeiro dos Santos)
(...) na espontaneidade inconsciente da matéria está a raiz do que na consciência e na razão se chama verdadeiramente liberdade.»
Antero de Quental, Filosofia
«Se há só seres, como existe o bem, a harmonia e a beleza?
(...) O Absoluto e o Relativo não são opostos irreconciliáveis como o não são a Razão e a Realidade; mas encontram-se na Experiência, como, e igualmente, na Memória se encontra o idêntico e o diverso, o subsistente e o transitório.»
Leonardo Coimbra, O Pensamento Filosófico de Antero de Quental
«As religiões antigas não faziam da alma humana prisioneira dum dogma imutável. Sentiam ser ela mesma o verdadeiro dogma. Abriam o seio a cada palavra inspirada e transformavam-na em sangue do coração...»
Antero de Quental, Prosas da Época de Coimbra
«Deixemo-nos de nénias - enterremos
As antigas paixões!
É d'ar puro e de luz que nós vivemos...
E nossos corações
De luminoso amor, d'amor contente,
Disso querem viver eternamente!
Viver de flores, como insecto alado...
E, como ave, de cantos
Viver de beijos, de prazer sagrado..
Sim, de prazeres santos,
Como homem que embala noite e dia
O fecundo regaço da alegria!
Serena fonte, que nos banha a vida
Em dulcíssimas águas:
E, através da existência dolorida,
Nos lava as velhas mágoas...
A alma parece nova: e limpa e bela,
Brilha em face de Deus, como uma estrela!
Brilha em face do mundo! Resplandece
Como lúcida aurora!
É o sol da ventura, que alvorece!
Vale e monte colora
Co'as mil cores do íris da bonança...
E as mil do íris d'alma - a esperança!
Amor que espera e crê... amor ditoso...
Quer Deus que se ame assim!
Dormir no mundo o sono mavioso
De prazeres sem fim...
Passar como em triunfo, em mago enleio,
Mãos unidas e seio contra seio...
Põe teus olhos nos meus, para que veja
Luz melhor que a do céu...
O que dentro em teu peito rumoreja
Tudo, é tudo meu!
Meus são teus ais e minha essa harmonia
A que chamas amor, e eu poesia.
Poesia não são lágrimas... são beijos...
E abraços também...
Paixões não são suspiros... são desejos...
Quantos a vida tem!
Compõe com tuas mãos minha poesia
De paixão e de beijos e alegria.
Vem comigo na vida! Hei-de levar-te
Por caminhos de flores...
Cantará para ti, por toda a parte,
Um viveiro d'amores...
Eu sei o que é amor! estes conselhos
Amor tos dá - deixa falar os velhos!
Deixa, deixa-os dizer, os velhos sábios,
Que só sabem chorar!
Mulher bela, se Deus te pôs nos lábios
Botão de flor sem par,
Flor de luz e ventura... é por que o riso
A abra e transforme em flor do Paraíso!»
Antero de Quental, Primaveras Românticas
«Mete-se a mão no coração e fala-se - são palavras de vida as que assim se proferem. Que importa a tradição, o caminho trilhado, a ordem velha? Longe, nas últimas brumas, se perdem as extremas orlas do antigo continente. Incerto crepúsculo! e nenhuma carta diz o rumo que indicam as estranhas constelações desse hemisfério, pela vez primeira avistadas! Mas, lá para o Oriente, vê-se um brilho pálido no céu, como reflexo de luzes à distância. Para lá se inclina a alma. Para esse lado, o lado da luz, há (...) um novo mundo a descobrir!»
Antero de Quental, Prosas da Época de Coimbra
sábado, 11 de abril de 2009
Também somos donos de nós mesmos, ou "somos o esquecimento que seremos"
"Ninguém é mais escravo e sem esperança
do que aqueles que falsamente acreditam serem livres".
do que aqueles que falsamente acreditam serem livres".
Johann Wolfgang von Goethe
A humildade sempre.
Rimbaud falava da liberdade livre. Todavia, assim como na arte, na coordenação a detença numa estética do pensamento tornado substância coerente é, também, um meio de liberdade criativa de um corpus de intervenções no seio de um grupo.
A escusa de que há interpelações do meio, flutuações da consciência recordam-me o cientista que diz que há vários eus e que este eu que aqui está não é o mesmo que aquele que desligará este computador.
Na minha perspectiva, porque acredito no ser humano, assim como os hábitos podem ser dominados também, assim, a racionalidade que tanto embandeiramos pode ser a nossa forma de coerência, pois, devido a esta mesma racionalidade, se às vezes podemos sê-lo então podemos sê-lo sempre.
Quem não gosta de aprender com a experiência não se tornará mais inteligente.
Ora, porque tudo tem a ver com tudo, a velha vivificação da dualidade/bifurcação da ciência vs. religião estabelece também implicitamente uma relação de ambivalência, pois quando a ciência não percebe a crença estabelece e quando a religião não alimenta o mistério a ciência evolui.
"Somos o esquecimento que seremos".
Jorge Luís Borges
Fecho abraçando o início: atenção é humildade.
P.S.
Já agora, não totalmente a despropósito, para que pelo menos aqui não seja de somenos:
A economia, como ramo da sociologia, deveria ser organizada no sentido de satisfazer as necessidades das pessoas, mas o que se passa neste pré-e-prolongado domínio do capitalismo é que este mesmo cria necessidades nas pessoas para depois satisfaze-las, sempre com o lucro como base de sustentação da sua actividade, ou escudando-se com o progresso como palavra de ordem.
Entretanto, convém não esquecer uma condição recentemente crónica da mentalidade humana: a de que o dinheiro é Deus.
terça-feira, 3 de março de 2009
Seminário "A Religião e o Ateísmo Contemporâneo" - 5 e 6 de Março
SEMINÁRIO PERMANENTE DE ESTÉTICA, ARTE E RELIGIÃO
CENTRO DE FILOSOFIA DA UNIVERSIDADE DE LISBOA
5 e 6 de Março de 2009
ENTRADA LIVRE
Sala 5.2 (Sala de Mestrado) da Faculdade de Letras de Lisboa
5 de Março
Presidente de Mesa: José Pedro Serra (Universidade de Lisboa)
14h-15h: Markus Gabriel (New School University de Nova Iorque/CFUL): "A Ideia de Deus em Hegel"
15-16: Cristina Beckert (Universidade de Lisboa/CFUL): "Lévinas e o Ateísmo como condição da religião"
16-17: Manuel João Pires (Universidade de Lisboa/CFUL): "Deus: a Ilusão ou por que razão é quase certo que Deus não existe. Reflexões sobre o pensamento de Richard Dawkins"
Pausa
17:15-18:15: Lavínia Pereira (Universidade de Lisboa/CFUL): "Bergson e a crítica ao Naturalismo"
18:15-19:15: Maria Teresa Teixeira (Universidade de Lisboa/CFUL): "Deus e Materialismo nas Filosofias de Bergson e Whitehead"
19:15-20:15: Carlos João Correia (Universidade de Lisboa/CFUL): "Será a Ideia de Deus racional?"
6 de Março
Presidente de Mesa: Susana Oliveira (Universidade Técnica de Lisboa)
14h-15h: Katia Hay (New School University de Nova Iorque): "The Loss of the Absolute"
15-16: Mafalda Blanc (Universidade de Lisboa/CFUL): "A Religião, o Ateísmo e o Mistério Teologal do Homem"
16h-17: Ana Acciaioli Cravo (Universidade de Lisboa): "A Morte de Deus e as Nostalgias do Absoluto: reflexões sobre o pensamento de George Steiner"
Pausa
17:15-18:15: Paulo Guedes (Universidade de Lisboa): "Sade e o Ateísmo"
18:15-19:15: Paulo Borges (Universidade de Lisboa/CFUL): "Êxtase, Transfiguração e A-teísmo em Emil Cioran"
19:15-20:15: Petar Bojanić (University of Aberdeen): "Franz Rosenzweig: War and Atheism"
Para mais informações, contactar:
carlos.joao@netcabo.pt
joanaluis2003@yahoo.com.br
CENTRO DE FILOSOFIA DA UNIVERSIDADE DE LISBOA
5 e 6 de Março de 2009
ENTRADA LIVRE
Sala 5.2 (Sala de Mestrado) da Faculdade de Letras de Lisboa
5 de Março
Presidente de Mesa: José Pedro Serra (Universidade de Lisboa)
14h-15h: Markus Gabriel (New School University de Nova Iorque/CFUL): "A Ideia de Deus em Hegel"
15-16: Cristina Beckert (Universidade de Lisboa/CFUL): "Lévinas e o Ateísmo como condição da religião"
16-17: Manuel João Pires (Universidade de Lisboa/CFUL): "Deus: a Ilusão ou por que razão é quase certo que Deus não existe. Reflexões sobre o pensamento de Richard Dawkins"
Pausa
17:15-18:15: Lavínia Pereira (Universidade de Lisboa/CFUL): "Bergson e a crítica ao Naturalismo"
18:15-19:15: Maria Teresa Teixeira (Universidade de Lisboa/CFUL): "Deus e Materialismo nas Filosofias de Bergson e Whitehead"
19:15-20:15: Carlos João Correia (Universidade de Lisboa/CFUL): "Será a Ideia de Deus racional?"
6 de Março
Presidente de Mesa: Susana Oliveira (Universidade Técnica de Lisboa)
14h-15h: Katia Hay (New School University de Nova Iorque): "The Loss of the Absolute"
15-16: Mafalda Blanc (Universidade de Lisboa/CFUL): "A Religião, o Ateísmo e o Mistério Teologal do Homem"
16h-17: Ana Acciaioli Cravo (Universidade de Lisboa): "A Morte de Deus e as Nostalgias do Absoluto: reflexões sobre o pensamento de George Steiner"
Pausa
17:15-18:15: Paulo Guedes (Universidade de Lisboa): "Sade e o Ateísmo"
18:15-19:15: Paulo Borges (Universidade de Lisboa/CFUL): "Êxtase, Transfiguração e A-teísmo em Emil Cioran"
19:15-20:15: Petar Bojanić (University of Aberdeen): "Franz Rosenzweig: War and Atheism"
Para mais informações, contactar:
carlos.joao@netcabo.pt
joanaluis2003@yahoo.com.br
sábado, 10 de janeiro de 2009
O Umbigo do Ego e a Ética Marcial (arsénico...)
"O que está acontecendo na Palestina não é justificável por nenhuma moralidade ou código de ética. Certamente, seria um crime contra a humanidade reduzir o orgulho árabe para que a Palestina fosse entregue aos judeus parcialmente ou totalmente como o lar nacional judaico."
Gandhi
Gandhi
sábado, 6 de setembro de 2008
O Nada que é Tudo
Crente é pouco sê-te Deus
E para o nada que é tudo
Inventa caminhos teus.
…
Se Ele é o que dizes
Ele nada pode ser
E se nada, livre está
Para ser o que quiser.
...
Se Deus quisesse ocupar
Lugar a si mesmo igual
Preenchia todo o nada
E o deixava tal e qual.
...
Do que é o Espírito Santo
Só diga quem ficar mudo
Que palavra há que me leve
Áquele nada que é tudo.
...
Oxalá por saber tanto
Me apeteça ficar mudo
Só então vendo sem ver
Aquele nada que é tudo.
Agostinho da Silva
Este "nada que é tudo" de que nos fala o mestre Agostinho, falando a partir das bordas do abismo do Mito, essa sobre-excessiva mudez que nada tem que ver com mutismo, não é um vacuum, um vazio, um apelo à nadificação e à abdicação.
Falou-se já muito aqui em religião, em adeptos, neófitos e coisas assim. Ora, adoptar uma perspectiva religiosa não vai contra a liberdade de expressão. Talvez certos secretismos vão. E a liberdade de expressão não pode ir contra a liberdade religiosa, nem vejo como o Mil possa estar contra isto.
Mas é verdade que o Mestre Agostinho nos diz para sermos contagiosos. Mas eu tenho muita dificuldade em defender isto, porque não quero que ninguém se contagie com o eu ser eu. É uma doença tramada. Assim que me levanto de manhã, vejo-me ao espelho e, caramba!, sou eu!
Ora, eu não preciso de pedir autorização a ninguém para ser eu. Nem eu tenho que me autorizar a ser eu. Posso fingir que não sou eu, mas tratar-se-ia dum fingimento meu.
E os pensamentos vêm-me de algum lado. E o eu agarra-os, como o Kant já se tinha dado conta na Crítica da Razão Pura: a unidade da apercepção agarra os dados fenoménicos e faz com eles um mundo, com a ajuda de todo um instrumentário complicadíssimo que, ao que parece, funcionaria mesmo sem que nós soubéssemos da sua existência.
Mas, no meio disto tudo, não quero um machado, seja ele qual for, a dar-me cabo das engrenagens transcendentais. E do que delas possa ser regurgitado.
E gosto da ideia de Agostinho da Silva segundo a qual cada homem é Deus a ser homem. O que significa que cada homem pode superar-se. Não há mal nenhum nisso. Não é a mesma coisa que a Aufhebung hegeliana, é algo de mais radical. E envolve tudo aquilo que historicamente somos. E, também o que não somos, não fomos e poderemos, ou não, vir a ser. Há uma meta-história, talvez infra e supra histórica. É daí que emergem os mitos. E os mitos são imbuídos de forças de superação, de energias demiúrgicas, capazes de levar à transcensão do que, sendo finito por ser o infinito em acto, sempre pontual e pontuado, pois a História é um pontilhado dinâmico, multimodal e multi-circunstancial, nunca totalmente circunscriptível, nunca está completamente determinado. Não há, contudo, um indeterminismo radical, no fundo mais fundo, mas uma inter-determinação, ela sim, verdadeiramente adunadora de sentidos e de complementaridades, sicronias, discronias, no fundo, o jogo, sempre caótico, da Physis.
Isto por vezes custa a meter-se-nos na pinha.
É natural. Mas há milénios que a coisa marcha, ora duma forma, ora doutra. Muitos dos que defenderam estas ideias foram acalentados pelas fogueiras inquisitoriais. Cavaleiro de Oliveira, recordo aqui a lição de Sampaio Bruno, ardeu em efígie e queixou-se que, no mesmíssimo dia, tiritava de frio na soturna Londres tão afastada no clima, e nos costumes, da sua tão amada Lisboa.
A mesma Lisboa que abalou a harmonia pré-estabelecida de Leibniz ao ser o palco do infausto terramoto de 1755. Aí os mitos tremeram, não só os que tinham por cá uma roupagem religiosa, ou até político-religiosa, mas também os que se erguiam na Europa a caminho do esclarecimento. É que a Razão nada pode contra a Natureza, embora esta última nunca tenha deixado desmentir a sua profunda racionalidade, razão pela qual, "Deus não joga aos dados", segundo Einstein, e o "real é racional e o racional é real", seja qual for a ordem da coisa, de acordo com a versão hegeliana do Princípio da Razão Suficiente. A Natureza participa também da demiurgia mítica. Pode é não estar de acordo com a forma como incarnamos os mitos. Mas isso é uma coisa nossa, cultural, portanto, se calhar, des-naturada, embora possa ser naturante, porque talvez esteja por pensar as formas pelas quais a Cultura se degenera em Natureza, como se pode ver nos mais recentes avanços da ciência genética. O Zoon torna-se artefacta e a Bios, a vida tal como os humanos a vivem, deixa, hoje, de ser encarada como uma poiésis, num sentido muito especial, para passar a ser, cada vez mais , uma mera repetição, uma mimésis de modelos e de formas culturais que nada têm de mítico, mesmo que lhes tenham tomado de empréstimo a aparência.
E aqui há uma lição importante, que nada tem que ver com atitudes religiosas, num texto insuspeito de Derrida: "l'animal donc je suis" (Vários Autores, L'Animal Autobiographique, galileé, Paris, 1999, pp. 251-301). Aí Derrida fala duma compaixão essencial, fundamental, que emerge do olhar do animal sobre o ser humano, o "animal auto-biográfico" exilado da sua nudez primordial, a que não deixa rastos nem rasteja, mas que no caso do homem sofre duma incompletude alienante.
Esse olhar do outro sobre o absolutamente outro que nós somos para si, que, no fundo, não tem um "si", é um olhar desarmante porque incomunicável, como todo o autêntico olhar. E o nosso rosto só a esse olhar se torna transparente, devido à sua capacidade de ir ao fundo, do que mais importa.
É absolutamente falso ligar a rapacidade humana, o egotismo desenfreado, a inveja, o medo de perder protagonismo, as razões para o ódio e para a desunião, a tendências ou instintos animais. Embora Pascoaes, Leonardo Coimbra, Agostinho da Silva e outros autores tenham razão ao afirmar que o mundo humano e a sua caractereologia formam um bestiário exuberante. Talvez seja verdade. E há aí muitas razões para nos regozijarmos, uma vez que voltamos a encarar-nos como naturais. O que já não será pouco.
Também será errado considerar que os homens, todos os homens, não têm um fundo bom. E nada há aqui de religioso. Talvez seja uma palermice minha que até nem sou muito seguidor de Rousseau. Até certo ponto.
Todos os homens são dignos de respeito e de consideração.
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
O Largo da Graça
2. E-ternidade
"O Homem é aquilo que pensa" disse Buda, setecentos anos Antes de Cristo, ouvi eu dizer ontem.
Temos todo o respeito por todos os textos sagrados, sejam Védicos ou Hindús, venham dos Árabes ou dos Judeus, de Buda ou Lao-Tsé...
Todas as pessoas com as suas crenças e fé merecem-nos a maior atenção, e esperamos que o seu sentimento seja recíproco. Esperamos e desejamos que o tempo das fogueiras inquisitórias, da eliminação do outro só porque ousava ser diferente, pertença a um passado triste e de má memória.
Também nós temos a nossa matriz espiritual e para lá das pontes que podemos e devemos estabelecer com todos os outros povos e civilizações, devemos integrar e desenvolver o que é nosso. Recuando, até, ao paganismo lusitano que continua vivo, mas, sobretudo, desenvolvendo a nossa matriz cristã que nos dá os instrumentos necessários para uma magnífica navegação à bolina, com vela triangular e tudo.
Creio que era a essa espiritualidade portuguesa, ou deverei dizer lusófona(?), de interesse mundial, e mais além, que Agostinho da Silva se referia quando rebuscou do fundo da nossa alma histórica o culto popular do Espírito Santo.
Ele que dizia que a melhor religião, decerto, seria aquela que conseguisse pensar todas as outras...
Ou será que não foi bem assim?
Luis Santos
(o título do texto tem música. basta clicar em cima. desta vez é dedicada ao meu Amigo Rui Augusto).
"O Homem é aquilo que pensa" disse Buda, setecentos anos Antes de Cristo, ouvi eu dizer ontem.
Temos todo o respeito por todos os textos sagrados, sejam Védicos ou Hindús, venham dos Árabes ou dos Judeus, de Buda ou Lao-Tsé...
Todas as pessoas com as suas crenças e fé merecem-nos a maior atenção, e esperamos que o seu sentimento seja recíproco. Esperamos e desejamos que o tempo das fogueiras inquisitórias, da eliminação do outro só porque ousava ser diferente, pertença a um passado triste e de má memória.
Também nós temos a nossa matriz espiritual e para lá das pontes que podemos e devemos estabelecer com todos os outros povos e civilizações, devemos integrar e desenvolver o que é nosso. Recuando, até, ao paganismo lusitano que continua vivo, mas, sobretudo, desenvolvendo a nossa matriz cristã que nos dá os instrumentos necessários para uma magnífica navegação à bolina, com vela triangular e tudo.
Creio que era a essa espiritualidade portuguesa, ou deverei dizer lusófona(?), de interesse mundial, e mais além, que Agostinho da Silva se referia quando rebuscou do fundo da nossa alma histórica o culto popular do Espírito Santo.
Ele que dizia que a melhor religião, decerto, seria aquela que conseguisse pensar todas as outras...
Ou será que não foi bem assim?
Luis Santos
(o título do texto tem música. basta clicar em cima. desta vez é dedicada ao meu Amigo Rui Augusto).
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