A Águia, órgão do Movimento da Renascença Portuguesa, foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal. No século XXI, a Nova Águia, órgão do MIL: Movimento Internacional Lusófono, tem sido cada vez mais reconhecida como "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português". 
Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra). 
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa). 
Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286. 

Donde vimos, para onde vamos...

Donde vimos, para onde vamos...
Ângelo Alves, in "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo".

Manuel Ferreira Patrício, in "A Vida como Projecto. Na senda de Ortega e Gasset".

Onde temos ido: Mapiáguio (locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA)

Albufeira, Alcáçovas, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belmonte, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Ermesinde, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Famalicão, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guarda, Guimarães, Idanha-a-Nova, João Pessoa (Brasil), Juiz de Fora (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Mirandela, Montargil, Montijo, Murtosa, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pinhel, Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Sagres, Santarém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Teresina (Brasil), Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vigo (Galiza), Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.
Mostrar mensagens com a etiqueta Ciência. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ciência. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 20 de abril de 2010

Dia 23, em Lisboa

.
Estimados amigos e amigas,

Na próxima sexta-feira, dia 23 de Abril, pelas 19:00 horas, realiza-se na livraria Almedina do Atrium Saldanha a última sessão do semestre do ciclo de MATEMÁTICA, subordinada ao tema «A Etnomatemática existe?»

Será que a Matemática depende da cultura em que surge? Haverá mais do que uma Matemática ou será esta ciência universal, independente do contexto cultural? Estas e outras questões são o tema central de um debate de palavras com especialistas em números, com a presença dos Profs. Jorge Buescu (UL) e Cecília Costa (UTAD), sendo a moderação do Prof. Jorge Nuno Silva.

Com os melhores cumprimentos.

Pedro Almeida Vieira
Livraria Almedina
Atrium Saldanha
Praça Duque de Saldanha, 1
Loja 71, 2º Piso

terça-feira, 9 de março de 2010

Religião e Ciência



Serei um dos conferencistas, junto com José Augusto Mourão e Celeste Natário, do painel "Religião e Ciência", na 5ª feira, 11 de Março, pelas 21.30, na Reitoria da Universidade do Porto. Esta é a penúltima sessão do ciclo "Diálogos com a Ciência".

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Meditação e Ciência

Na sequência dos encontros “Mente e Vida”, realizados anualmente, desde 1985, entre o actual Dalai Lama e um grupo de cientistas ocidentais, foram feitas experiências recentes, no Massachusetts Institute of Technology (MIT), com um grupo de praticantes experientes de meditação no budismo tibetano, com 15 a 40 anos de prática, e um grupo de controlo de estudantes voluntários, praticantes apenas durante uma semana. Foram escolhidos quatro tipos de meditação: 1 – o amor e a compaixão universais e imparciais; 2 – a atenção focada num único objecto, de forma clara, calma e estável, sem torpor ou agitação mental; 3 – a presença aberta, em que a mente está consciente e atenta, mas sem se focar em nenhum objecto particular; 4 – a visualização de imagens mentais. Enquanto alternavam repetidas vezes períodos neutrais de trinta segundos com períodos de noventa segundos em cada um desses estados meditativos, os praticantes foram submetidos a electro-encefalogramas, que permitem captar alterações na actividade cerebral em milésimos de segundos, e a imagens de ressonância magnética funcional, que dão uma localização rigorosa da actividade cerebral.

Os resultados mostraram espectaculares diferenças entre os praticantes experientes e os noviços, que provam a plasticidade do cérebro e a possibilidade de transformar e desenvolver o seu funcionamento mediante a prática regular da meditação. Por exemplo, na meditação sobre o amor e a compaixão, houve um aumento da actividade cerebral de alta-frequência, as chamadas “ondas gama”, “de um tipo nunca antes relatado na literatura científica”, nas palavras de Richard Davidson, coordenador da experiência. A actividade cerebral concentrou-se também no córtex pré-frontal esquerdo, a sede de emoções positivas, indutoras de bem-estar, como alegria, entusiasmo e altruísmo. Outras constatações, nos praticantes experientes, foram a capacidade de regular voluntariamente a sua actividade mental, concentrando-se exclusivamente numa tarefa, sem distracções; a identificação de emoções universais em rostos que aparecem num ecrã durante um quinto de segundo, mostrando um superior poder de empatia; e a inédita e espantosa neutralização do reflexo do susto, mesmo perante o disparo de uma arma: uma vez que esse reflexo depende da predisposição para o medo, a raiva e a repugnância, os resultados sugerem "um nível de serenidade emocional impressionante”.

Perante este quadro, não admira que o Dalai Lama tenha aberto, em 2005, os trabalhos do Neuroscience, o mais prestigiado congresso de neurocientistas do mundo, em Washington. E que se fale hoje da meditação budista como alternativa ao Prozac. Segundo declarações recentes do biólogo Eric Lander, membro do Projeto Genoma Humano, numa conferência no MIT: "Não é inconcebível que, dentro de 20 anos, as autoridades americanas de saúde recomendem 60 minutos de exercício mental cinco vezes por semana".

Bibliografia: Daniel Goleman, Emoções Destrutivas e como dominá-las. Um diálogo científico com o Dalai Lama, Lisboa, Temas e Debates, 2005; Paulo Borges / Carlos João Correia / Matthieu Ricard, O Budismo e a Natureza da Mente, Lisboa, Mundos Paralelos, 2005.

Publicado em:


arevistaentre.blogspot.com
umoutroportugal.blogspot.com

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Centro UNESCO para formação de cientistas da CPLP

.
Projecto inovador será sedeado em Portugal

Será sedeado em Portugal um Centro UNESCO dedicado à formação doutoral e pós doutoral de cientistas de países e regiões de expressão oficial portuguesa.

Trata-se de uma iniciativa inovadora que tem como objectivo principal evitar a “fuga de cérebros”, oferendo-lhes os meios necessários para a sua permanência nas Comunidades dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

A formação que se pretende dar aos investigadores deste centro consistirá na aprendizagem das condições específicas do trabalho de investigação nos seus países de origem e a sua educação no domínio da responsabilidade social dos cientistas.

Além disso ambiciona-se incutir a disseminação do conhecimento por parte dos cientistas e das suas organizações. É também um objectivo avaliar os investigadores de acordo com critérios internacionais, de modo a ficarem aptos para operar num contexto universal, através da integração em programas e redes internacionais de investigação.

A ideia foi formalmente proposta ao Director-geral da UNESCO por José Mariano Gago, Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, em Paris, no passado dia 18 de Setembro. Os seus homólogos das CPLP, ou os seus representantes, já haviam aprovado unanimemente a iniciativa, numa cimeira realizada em Lisboa no mês de Agosto. Consideraram o projecto um contributo pioneiro para a criação e consolidação de capacidades científicas em países em vias de desenvolvimento. A UNESCO exprimiu também o seu empenho e interesse na concretização desta iniciativa.

Portugal assumiu a responsabilidade de garantir o funcionamento inicial do Centro assim como assegurar o seu secretariado, que será financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT). A este organismo competirá a gestão da iniciativa, futuramente sujeita a uma avaliação internacional independente.

http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=35453&op=all

domingo, 17 de maio de 2009

Quatro países querem curso criado por português

.
Universidades dos Estados Unidos, Reino Unido, Austrália e Brasil manifestaram interesse em ter o curso de astrobiologia criado na universidade norte-americana do Texas em Austin pelo português Carlos Oliveira, disse hoje à Lusa o próprio.

"Não lhe posso dizer as universidades específicas, porque isso iria contra a ética, penso eu. Há universidades interessadas nos EUA, no Reino Unido, na Austrália, no Brasil. Vai-se falando, vai-se estudando as propostas, e depois então se poderá dizer mais qualquer coisa", afirmou Carlos Oliveira.

Este curso sobre a possibilidade de vida extraterrestre tem a duração de um semestre e é destinado a "alunos que já têm pelo menos dois anos de licenciatura", mas pode ser frequentado por estudantes de outros graus.

"Como é 'upper division', isso quer dizer que os alunos de mestrado e doutoramento também se podem inscrever e temos cerca de 10 por cento de alunos todos os semestres que já têm licenciatura concluída", 30 por cento de áreas científicas e 70 por cento de áreas não científicas, referiu.

O funcionamento do curso foi explicado pelo próprio Carlos Oliveira num artigo recentemente publicado na revista International Journal of Astrobiology, intitulado "Aliens are us. An innovative course in astrobiology" (Extraterrestres somos nós. Um curso inovador em astrobiologia).

O docente realçou que "o curso neste momento está muito mais direccionado para o pensamento crítico em geral do que na altura em que o 'paper' [artigo] foi escrito.

"O curso vai muito mais longe do que a simples ideia de extraterrestres. Existem várias actividades (praticamente todas) que promovem o pensamento crítico e algumas delas nem têm a ver com extraterrestres", referiu, dando como exemplo "ideias disparatadas sobre o Homem não ter ido à Lua"

"O que o curso pretende é avaliar a argumentação científica, ou seja, lógica e racional, dos alunos. Esta é uma das razões para a existência de alunos das mais diversas áreas, incluindo, por exemplo, administração pública, negócios, educação e jornalismo", acrescentou.

Carlos Oliveira explicou que "o curso promove uma imaginação muito mais além do que aquela que se vê em Hollywood, na TV, e até por vezes na ciência".

Licenciado em Astronomia, Carlos Oliveira prevê concluir em Dezembro o doutoramento em Educação para a Ciência, com especialização em Astrobiologia.

"Tudo aponta para que exista vida extraterrestre", afirmou Carlos Oliveira, salientando que também tudo apontava para a existência de planetas extra solares (exoplanetas) antes de eles começarem a ser descobertos.

"O ensino da astrobiologia é vital na sociedade do século XXI", disse o docente, destacando a ligação desta área a outras ciências, como a astronomia, biologia e química.

http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/Interior.aspx?content_id=1234930

sábado, 11 de abril de 2009

Também somos donos de nós mesmos, ou "somos o esquecimento que seremos"

"Ninguém é mais escravo e sem esperança
do que aqueles que falsamente acreditam serem livres".
Johann Wolfgang von Goethe
A humildade sempre.
Rimbaud falava da liberdade livre. Todavia, assim como na arte, na coordenação a detença numa estética do pensamento tornado substância coerente é, também, um meio de liberdade criativa de um corpus de intervenções no seio de um grupo.
A escusa de que há interpelações do meio, flutuações da consciência recordam-me o cientista que diz que há vários eus e que este eu que aqui está não é o mesmo que aquele que desligará este computador.
Na minha perspectiva, porque acredito no ser humano, assim como os hábitos podem ser dominados também, assim, a racionalidade que tanto embandeiramos pode ser a nossa forma de coerência, pois, devido a esta mesma racionalidade, se às vezes podemos sê-lo então podemos sê-lo sempre.
Quem não gosta de aprender com a experiência não se tornará mais inteligente.
Ora, porque tudo tem a ver com tudo, a velha vivificação da dualidade/bifurcação da ciência vs. religião estabelece também implicitamente uma relação de ambivalência, pois quando a ciência não percebe a crença estabelece e quando a religião não alimenta o mistério a ciência evolui.
"Somos o esquecimento que seremos".
Jorge Luís Borges
Fecho abraçando o início: atenção é humildade.
P.S.
Já agora, não totalmente a despropósito, para que pelo menos aqui não seja de somenos:
A economia, como ramo da sociologia, deveria ser organizada no sentido de satisfazer as necessidades das pessoas, mas o que se passa neste pré-e-prolongado domínio do capitalismo é que este mesmo cria necessidades nas pessoas para depois satisfaze-las, sempre com o lucro como base de sustentação da sua actividade, ou escudando-se com o progresso como palavra de ordem.
Entretanto, convém não esquecer uma condição recentemente crónica da mentalidade humana: a de que o dinheiro é Deus.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

GOVERNO OCULTO DO MUNDO E SINARQUIA II

VITOR MANUEL ADRIÃO


Este pequeno e muitíssimo resumido historial destina-se a provar aos actuais e cépticos
filodoxos, “amigos da opinião”, que a extraordinária República de Platão não é um caso literário
utópico isolado, antes um facto efectivado e comprovado em numerosos períodos da História e
que foi a alavanca charneira do progresso avante da Civilização Humana.
E, acaso, teriam sido os Grandes Pensadores da Humanidade simples e vácuos utopistas
visionários? Se assim é, então porque os seus ensinamentos são ministrados nas cadeiras de
filosofia e sociologia do sistema académico vigente? Será que é este um sistema vácuo, utopista
e visionário? Talvez… E mesmo os maiores nomes da ciência positivista, antes, da pedante por
“motus próprio” ciência dialéctica, como Galileu, Descartes, Einstein, etc., que acreditaram a seu
modo na Sinarquia, também seriam eles utopistas visionários?...
Tem-se ainda obras literárias de alto valor sobre o tema, decerto utópico no presente mas
não se o tornar realidade no futuro próximo pelo trabalho esforçado de um e de todos, como
sejam, dentre muitíssimas outras nas quais figuram Hipódamo, contemporâneo de Aristóteles,
Saint-Yves d´Alveydre, Rudolf Steiner, René Guénon e mesmo Gerard Encausse, o famoso
Papus: A Utopia, de Thomas Morus, A Cidade do Sol, de Campanella, A Nova Atlântida, de
Francis Bacon, e até a Raça Futura, de Bulwer Lytton, não esquecendo a obra monumental de
Henrique José de Souza, A Verdadeira Iniciação.
Falo de Sinarquia definindo-a como fundamentada em princípios universais em que se
inscreve o Homem, considerado não neste ou naquele aspecto particular, não nesta ou naquela
dimensão parcial, como a dimensão socioeconómica, por exemplo, mas na sua totalidade, como
um ser integral, expressão e síntese da Lei Orgânica da Vida numa Colectividade ou Sociedade
justa e perfeita, harmonizada ou conformada a essa mesma Lei da Vida.
É aqui, pois, que o ideal da Utopia se concretiza, o de uma República governada por
Filósofos. Convém entender o termo filósofo no seu sentido original, não como “amigo do
saber”, dos vários saberes, mas como Filho da Sabedoria, numa palavra, do Conhecimento
Supremo, dirigindo, conformado aos ritmos da Lei da Natureza, o Homem individual como
microcosmos da Sociedade grupal, o seu macrocosmos, o que se revela da maneira seguinte:

O HOMEM A SOCIEDADE A NATUREZA
O Homem em si mesmo A Sociedade em si mesma A Natureza em si mesma
O Homem na Sociedade A Sociedade no Homem A Natureza no Homem
O Homem na Natureza A Sociedade na Natureza A Natureza na Sociedade
OU
O Bom no Bom O Bem no Bem O Belo no Belo
O Bom no Bem O Bem no Bom O Belo no Bom
O Bom no Belo O Bem no Belo O Belo no Bom

Esses princípios estão interligados pelo que existe uma inter-relação permanente entre
eles, pois onde um aspecto predomina os outros também existem como subsidiários, indo
demonstrar que um povo, sendo uma colectividade, é um ser colectivo vivo, dotado de autoconsciência,
cuja acção política do governo sobre ele não pode permanecer abstracta sem o
perigo de dissolução. Na medida em que os sistemas político-sociais não souberam, até hoje,

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

GOVERNO OCULTO DO MUNDO

VITOR MANUEL ADRIÃO

Inicio este estudo, tendo estado presentes vários dirigentes políticos na hora da sua
alocução pública (Lisboa, 1984), recuando ao Período Quaternário que marcou a Civilização
Atlante mãe da actual, ao momento em que os olhares da Humanidade enviesaram cobiçosos dos
valores e posses de uns pelos outros, começando assim a perda gradual – cada vez tomando mais
velocidade à medida que se precipitava na degradação psicossocial da Raça – da noção de intercomunhão
das criaturas e intercâmbio de relações justas até ao completo esquecimento do que
fora o primitivo e universal sentido prático de Comunidade (de “comum+unidade”, a unidade
comum ou universal equivalente ao lema aghartino At Niat Niatat, “Um por Todos e Todos por
Um”), começando assim as guerras feudais, depressa tornadas nacionais até afligir todo o
continente da Atlântida, que a ferro e fogo acabou afogando-se nas fúrias atlânticas do Oceano
implacável.
Esse retrato não vai bem com o panorama psicossocial dos dias actuais de um Ciclo
podre e gasto, onde o vício é uma virtude e a virtude um preconceito, cada vez campeando mais
a injustiça, a ignorância e todos os males à solta dos “4 Cavaleiros” do Apocalipse?... Mas
certamente, e a História o prova abundantemente, melhores dias haverão de vir para o Mundo…
Desde então, da Queda Atlante correspondendo ao Dilúvio Universal, a actual Raça-Mãe
Ária ou Ariana que lhe sobreveio tem – através dos seus mais preclaros Filhos todos pertencentes
ao mais que excelso Panteão dos Deuses ou Avataras, não importa se maiores ou menores, pois
que todos têm subscrito a mesma mensagem de Concórdia Universal e assim impulsionado o
progresso sócio-espiritual da Humanidade – se esforçado por fazer renascer a primitiva
1
Comunidade ou Concórdia Universal dos Povos, que é dizer, a Sinarquia que brilhou na antiga
“Arcádia dos Deuses” ou Idade de Ouro (Satya-Yuga), sob a égide da mais ampla Igualdade (dos
corpos, em proposição), Fraternidade (das almas, em tese) e Liberdade (dos espíritos, em
princípio), esse que, aliás, foi o lema social da Maçonaria em França no século XVIII.
Já há seis mil anos Fo-Hi, criador da tese da imutabilidade Yin-Yang pela qual explicava
o Equilíbrio Universal dos Opostos (Feminino e Masculino, Matéria e Espírito, Lua e Sol, etc.),
juntava e guiava o povo chinês, até então disperso em tribos e clãs, para as planícies férteis junto
do Rio Amarelo, ensinando-o, baseado nessa sua tese filosófica, a viver em harmonia com a
Natureza e, consequentemente, consigo mesmo.
Por sua vez Orfeu, “Aquele que cura pela Luz”, iniciou a Grécia, num período de grande
instabilidade social e religiosa, no culto a Apolo, o Verbo Solar, portanto, de cariz absolutamente
evolutivo, ao mesmo tempo que estabelecia os fundamentos do Tribunal dos Anfitriões a quem a
Grécia deve a sua unidade nacional até hoje.
Zarathustra (“Estrela de Ouro” ou “Esplendor do Sol”, nascido em Bactriana ou em
Rhagés, não se tem a certeza, perto da actual capital do Irão, Teerão, talvez 1.000 a.C.), na
Pérsia, Fundador e Legislador (donde, Manu) da doutrina monoteísta do Fogo Primordial ou
Mazdeísmo (também conhecida por Magismo, Parsismo, Zoroastrismo ou “Culto do Fogo de
Ormuz” ou Ahura Mazda, “A Luz das Luzes”), inculcou fundo na mente do seu povo Arya a
noção importantíssima de «a união fazer a força», conseguindo criar a unidade nacional de
características sinárquicas. Desenvolveu a agricultura das terras ensinando o método tradicional
de melhor as trabalhar para que dessem colheitas fartas, pelo que inventou novas alfaias
agrícolas. Aos sábios do seu Colégio dos Magos revelou a doutrina astrosófica dos Espíritos
Planetários (Kabires, sendo os mesmos Kumaras hindustânicos) e os segredos da Agricultura
Celeste (Alquimia).
Todos seguiram e reconheceram a superioridade incontestável de Zarathustra ou
Zoroastro (“Zero-Astro” indicativo do próprio Sol Central, o 8.º Espiritual do Sistema de
Evolução). Isso em conformidade com o que afirmava há cinco mil anos Krishna a Arjuna:
«Quando um homem nobre homem faz alguma coisa, os outros o imitam; o exemplo que ele dá,
é seguido pelo povo» (in Bhagavad-Gïta, cap. 3, vers. 21).
Em concordância com Krishna, Lao-Tsé, “Velho Mestre” da China milenar, expôs na sua
obra Tao-Te-King, o “Livro da Via e da Virtude”, no versículo 58: «Quando o governante é
indulgente, o povo permanece puro. Quando o governante é intransigente, o povo torna-se
transgressor». Foi esta a razão que levou Confúcio (551-479 a.C.) a opor-se à exploração sócioeconómica
exercida despoticamente pelos senhores feudais da China do seu tempo, e a procurar
instituir um modelo de governação justa em moldes sinárquicos.
Voltando ainda à Grécia, no século IV a.C. Pitágoras, “Espírito Vidente”, fundou na
colina de Crotona a sua “Escola Pitagórica”, admitindo indistintamente alunos de todas as
classes sociais e raciais como exemplo vivo do que lhes pretendia incutir: o princípio da
fraternidade universal. De maneira semelhante procedeu o Iluminado Platão na sua Academia
de Atenas, resumindo-se nesta frase capital toda a sua política sinárquica: «Eu sou cidadão do
Universo e procuro viver como bom cidadão cósmico».
Já na Idade Média europeia, o espírito de entrega do Franciscanismo cristão identificavase
pleno com o espírito de adoração do Sufismo islâmico, e já a Ordem dos Cavaleiros Pobres de
Cristo e do Templo de Salomão (vulgo, Ordem dos Templários) tentara fundar a Sinarquia
Europeia, ou melhor, Transeuropeia unindo aos dois hemisférios do Mundo numa verdadeira
Conquista Espiritual, apesar de a tentativa ter gorado no plano das realizações imediatas.
2

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Lusofonia, o desafio da Viagem, a verdadeira Revolução

Excerto de "Diálogo Inacabado", de Maria Beatriz Serpa Branco

Recordar um amigo é como contemplar uma paisagem que guardamos viva, para lá do ilusório tempo da memória.
Nessa paisagem, Vergílio Ferreira aparece como um companheiro de viagem: a viagem de Édipo que como todo o ser humano repetimos, quando aceitamos enfrentar o desafio da Esfinge, relativamente à nossa condição.
Tal como Édipo, escutávamos a questão posta pela Esfinge. Mas, diferentemente dele, não tínhamos a resposta, segregada por certo pelos deuses, para que se cumprisse um destino já traçado. Restava-nos tactear no escuro, onde o diálogo por vezes iluminava as sombras...
Uma das mais gratas e comoventes recordações que guardo de Vergílio Ferreira é a seriedade do seu desejo de encontrar um Real mais profundo, que pressentia para além da superficialidade em que geralmente gastamos e destruímos as nossas vidas. E igualmente comovente para mim era a sua angústia velada perante um «espelho» que lhe não mostrava o Real que procurava, e em que parecia não ser capaz de penetrar."
[...]
O Vergílio gostava de repensar connosco algumas das modernas correntes do pensamento Ocidental. As minhas propostas de reflexão eram menos abstractas e mais vivenciais. Estavam sobretudo ligadas a uma Filosofia a que Aldous Huxley deu o nome, hoje consagrado de Filosofia Perene - uma sageza intemporal perpetuada quase sempre anonimamente por homens e mulheres em vários lugares da Terra e representada, por exemplo, por notáveis filósofos gregos (Pitágoras, Sócrates, Platão e outros), pela antiquíssima sageza conhecida como Theo-Sophia, por sages e místicos, ditos budistas, tauistas, hinduístas, judeus, cristãos, muçulmanos, etc, mas todos libertos de fronteiras, de dogmas e credos separando os homens.
Uma sageza - ensinamento nascido do autoconhecimento e da afeição - procurando libertar os seres humanos da ignorância de si mesmos que os acorrenta ao sofrimento.
Nos nossos dias, essa sageza adquire uma expressão particular com o filósofo-educador J. Krishnamurti, a cujo ensinamento Aldous Huxley se refere como «o que de mais impressionante já ouvi». E Henry Miller convida-nos também a «escutar» Krishnamurti, considerando-o como «um mestre da realidade».
Não só escritores e intelectuais de renome, mas também cientistas eminentes chamam a atenção para esta nova expressão, completamente independente e original, da Filosofia Perene, interessando-se vivamente pela investigação na consciência, realizada por Krishnamurti. Uma investigação que vai à raiz dos problemas humanos - a mente do homem. Uma mente com potencialidades imensas mas que está aprisionada numa rede de condicionamentos socioculturais que a tornam mecânica, insensibilizada, deformada - pelo hábito, o egoísmo, os preconceitos raciais, nacionalistas, etc. - o que causa enormes sofrimentos, miséria extrema, conflitos cada vez mais destruidores.
Daí a necessidade de uma revolução psicológica radical pelo autoconhecimento que, libertando a mente, a pode levar a funcionar numa dimensão totalmente diferente.
O físico Fritjof Capra, um dos cientistas interessados nesta pesquisa, diz: «Não posso deixar de reconhecer a influência decisiva que o ensinamento de Krishnamurti exerceu sobre mim». E outro desses cientistas, David Bohm, um dos grandes inovadores da Física moderna, salienta: «A obra de Krishnamurti está permeada por aquilo a que se pode chamar a essência da abordagem científica, quando esta é considerada na sua forma mais elevada e pura (...) A Proposta fundamental que ele apresenta é que todo o sofrimento e a enorme infelicidade que vemos existir por toda a parte têm a sua raiz num facto: a ignorância que temos de nós mesmos, da natureza dos nossos próprios processos de pensar».
A minha própria constatação desta realidade era a base da reflexão que gostava sempre de intriduzir no diálogo com o Vergílio, em face das sombras que frequentemente lhe habitavam o olhar. Sombras a que por vezes chamava de «dissonâncias» [...]"
Devido à presença dessas sombras e para aprofundar a nossa reflexão no sentido de um percurso que poderia ser libertador, já alguns anos antes dos nossos últimos diálogos, lhe tinha dado para ler um livro de Krishnamurti - talvez A Primeira e Última Liberdade ou Libertar-se do Conhecido (no original, respectivamente, The First and Last Freedom e Freedom from the Known).
Era um proposta de uma surpreendente viagem interior, fora dos habituais padrões de pensamento em relação a nós mesmos. Uma viagem desafiando-nos à descoberta de uma nova dimensão da consciência, abandonando o fardo do passado, a «segurança» do conhecimento acumulado.
Mas o Vergílio, nesse tempo, estava ainda muito reticente à viagem. Ainda muito preso ao «conhecido», achou o livro tão fora dos trajectos de pensamento a que estava habituado e por isso tão «incómodo», que mo devolveu pouco depois, sem lhe ter dado verdadeira atenção. Sentia-se mais seguro preso às sombras, que lhe eram bem mais familiares...
Mas o desafio à viagem , pela qual, no fundo de si mesmo ansiava, estava apenas adiado... E abriu caminho por onde menos se poderá esperar...
Num dos nossos últimos encontros de Verão, fui encontrar o Vergílio e a Regina muito interessados em leituras sobre a Física moderna. Cientistas bem conhecidos como Jean Charon, Olivier Beauregard, além de Fritjof Capra, David Bohm e outros tinham considerado importante conceder entrevistas e escrever livros para o público interessado, informando sobre os novos horizontes da Física contemporânea.
Tratava-se de um assunto que também me era muito grato. Nesse Verão, eu tinha acabado de regressar de umas visitas que costumava fazer a uma das Escolas experimentais fundadas por Krishnamurti e também de conhecer o físico David Bohm (nessa altura Professor na Universidade de Londres).
Vários cientistas conhecidos participavam com Krishnamurti em seminários nessa Escola, altamente interessados na inovadora investigação na consciência que ele realizava. Além de físicos como David Bohm e Fritjof Capra, estavam presentes nesses seminários cientistas de renome como Rupert Sheldrake, Karl Pribam, Maurice Willkins, Jonas Salk (o criador da vacina contra a poliomielite) e outros.
Como eu regressara havia pouco tempo dessa Escola, o Vergílio mostrou muito interesse em saber algo sobre os seminários.
Os cientistas que procuravam Krishnamurti apreciavam muito o seu desafio à investigação e à descoberta.
Quer falasse para cientistas e intelectuais quer para o «homem comum», Krishnamurti abordava sempre com a mesma profunda simplicidade, a necessidade e também a dinâmica da transformação da mente - uma transformação que poderá trazer a urgente transformação da sociedade: porque a sociedade somos nós.
Dado que esse problema e a sua solução estão em nós, ele suscitava a autodescoberta, pondo-nos em face de nós mesmos, observando connosco a nossa realidade quotidiana: o sofrimento e o prazer, o conflito, o ciúme, o medo, a ambição, etc... E convidava-nos a olharmo-nos no espelho do nosso relacionamento (com as pessoas, com a Natureza, as coisas e as ideias) para que encontremos, por nós mesmos, uma compreensão do que realmente somos. Os cientistas estavam também particularmente interessados na pesquisa que ele fazia sobre a natureza do pensamento e seus limites - o que introduz o problema de descobrir se haverá algo para além dos limitados perímetros do pensamento e da linguagem. E aqui era particularmente relevante a investigação sobre a acção da inteligência e do insight (a percepção imediata e holística) na mutação da mente humana.
A intensidade desta pesquisa propiciava um percebimento do sentido da vida e da morte, da profundidade do silêncio, da meditação, da beleza, do Amor.
O Vergílio mostrou-se verdadeiramente tocado pela profundidade desta abordagem e também pelo interesse que os cientistas tinham por ela. Apercebia-se da grande convergência desta investigação com as suas leituras sobre a Física moderna.
Os cientistas que participavam nestes seminários com Krishnamurti caracterizavam-se, tal como ele, por uma visão holística. Assim, para eles, a compreensão do funcionamento da mente do homem é considerada indispensável para o estudo e a compreensão do Universo, dado que a mente é o «instrumento» fundamental para esse estudo e essa compreensão.
O físico Fritjof Capra diz-nos: «O físico, penetrando em estratos cada vez mais fundos da matéria, toma consciência da unidade essencial de todos os fenómenos e acontecimentos (...) aprende que ele próprio e a sua consciência são uma parte integrante desta Unidade».
Outros físicos, como Olivier Beauregard e Jean Charon mostram também que a Física mais avançada está em nítida convergência com as propostas da antiga Sageza, ao considerar o Universo, nas palavras de um deles, «uma totalidade orgânica, formando uma espécie de corpo cósmico que não é senão o nosso corpo, cuja realidade mais profunda, essencial, é de natureza espiritual». E talvez essa Realidade essencial, além de tudo, seja «o Intemporal», «o Imenso», a que alguns chamam Deus...
Apronfundámos assim a nossa reflexão sobre a Filosofia Perene que aponta para a Unidade de toda a Vida, considerando cada ser humano uma parte inseparável dessa Totalidade. Daí a percepção do carácter ilusório de um «eu» separado do resto do Universo. E, desta ilusão, desta ignorância da nossa verdadeira natureza, nasce a sensação e a angústia do isolamento, o egoísmo, o conflito, o medo, o sofrimento do homem.
Urgente se mostra portanto uma libertação da consciência, pela compreensão do que realmente somos e da nossa relação com o mundo.
Da necessidade dessa libertação se ia apercebendo o Vergílio. A sua sensibilidade acolhia agora menos hesitantemente o desafio proposto pela Filosofia Perene. Compreendia que não se tratava de um sistema de pensamento ou de crença, mas de um verdadeiro aprofundamento da consciência. Via também que a nossa pesquisa, com os dados científicos de que tínhamos conhecimento, poderia ser libertadora, dando-lhe pistas em relação às suas dúvidas e inquietações. E acima de tudo respondia à sua sede de transcendência, desbloqueando finalmente uma vivência nova, uma inocência reencontrada muito depois da infância... Aproximava-o da desejada passagem para lá do «espelho», que lhe mostrava apenas o lado de fora desta realidade - um conhecimento dos olhos que precisa de fundir-se com a sageza do coração...
E assim, naquela tarde, a última em que nos encontrámos, vimos no nosso amigo, num sorriso breve, quase feliz, uma aceitação de um outro norte, um abandonar das velhas conclusões que não traziam afinal qualquer resposta aos seus fundos problemas.
E não pude deixar de lhe dizer, saudando essa clareira na sua floresta de sombras, mas lamentando também o retardar da tranquilidade possível:
- Oh Vergílio, tudo afinal tão próximo da compreensão procurada... Se tivesse aceitado mais cedo o desafio da viagem, teria podido evitar tanta amargura, tanta inquietação...
E ele respondeu, com um sorriso entre humilde e afectuoso:
- Então eu não me posso enganar?...
Todos ficámos em silêncio.
O aroma dos pinheiros permeava a casa. Lá fora o Sol esmorecia...
Senti como que um halo de quietude a envolver-nos a todos.
Naquele reconhecimento do «engano» havia já uma viragem, uma promessa de aprofundamento do diálogo, numa abertura a novas «descobertas».
Mas o diálogo iria para sempre ficar inacabado... E não haveria mais necessidade de interrogações e de respostas...
Uma leve brisa, entrando pela janela entreaberta, trazia o som dos longes, afinal tão perto... Tão perto como a vida, tão perto como a morte, tão perto como o Amor.
E o pensamento, naturalmente aquietado, abria espaço a uma profundidade que desconhecíamos...
Nesse estado meditativo, desperto, nesse silêncio do pensamento e das palavras, todos nos sentíamos mais próximos...
Quando nos levantámos para nos despedir, podíamos sentir no amigo uma paz nova sublinhando o olhar...
Já com sérios problemas de saúde, a ideia da morte parecia não o atormentar. A ponto de, como diz a nossa amiga Regina, «ele se ter deixado morrer com um sorriso de verdadeira beatitude»...
Depois... só o Silêncio - que em nós fica habitando, além da onda regressada ao Mar...

in, In Memoriam de Vergílio Ferreira, Maria Joaquina Nobre Júlio (org.), Lisboa, Bertrand, 2003.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Dia da Mãe, 1983

















Maria Keil

O que sou é a mãe, o que sei é meu filho

O Homem só existe verdadeiramente por se saber Homem, porém, quando chega a adulto, tende a inverter-se: em vez de ser o que se sabe Homem, passa a ser o saber que tem de si, esquece-se que é o ser que é o saber, não é o saber que é o ser. O saber toma o lugar do ser, o filho toma o lugar da Mãe.

Eu sou o que sei, mas o que sei, por si, não me é. Ser é a Mãe, que está sempre presente, saber é o filho, que nasce constantemente, e que logo deixa de ser a Mãe assim que o faz. O ser humano apega-se ao filho como se ele continuasse a ser a Mãe, mas ele separa-se dela logo que aparece. A separação entre eles não indica que o filho não fosse verdadeiro, é apenas uma inevitabilidade, tendo em conta a natureza da sua relação.

O cérebro representa o embrião do nosso ser, dele nascem os nossos filhos-conhecimentos, somo-los todos, mas como todos eles estão condicionados ao tempo, nenhum deles preenche o nosso ser inteiro, eterno. O filho que nos poderá preencher todo o ser terá de nascer da síntese de todos eles, de unir tudo, de nascer do sentimento de fusão do amor infinito, do saber que se sabe sem ser preciso saber, porque deixou de ser apenas um saber temporário do ser, tornou-se no próprio ser, na Mãe. O verdadeiro saber que a Mãe-Ser pode ter de si é dado pelo filho de Corpo Real, nascido do seu Cérebro Real: o Útero.