A Águia, órgão do Movimento da Renascença Portuguesa, foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal. No século XXI, a Nova Águia, órgão do MIL: Movimento Internacional Lusófono, tem sido cada vez mais reconhecida como "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português". 
Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra). 
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa). 
Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286. 

Donde vimos, para onde vamos...

Donde vimos, para onde vamos...
Ângelo Alves, in "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo".

Manuel Ferreira Patrício, in "A Vida como Projecto. Na senda de Ortega e Gasset".

Onde temos ido: Mapiáguio (locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA)

Albufeira, Alcáçovas, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belmonte, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Ermesinde, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Famalicão, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guarda, Guimarães, Idanha-a-Nova, João Pessoa (Brasil), Juiz de Fora (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Mirandela, Montargil, Montijo, Murtosa, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pinhel, Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Sagres, Santarém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Teresina (Brasil), Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vigo (Galiza), Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.
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domingo, 9 de maio de 2010

Carta aberta ao actual Presidente da República: apelo à sua desistência em favor do Doutor Fernando Nobre


Exmo. Senhor
Presidente da República Portuguesa
Professor Doutor Aníbal Cavaco Silva

O Senhor corre o sério risco de ser o primeiro Presidente da República que, recandidatando-se ao cargo, perde as eleições. Como sabe, por regra, todos os Presidentes em exercício têm-se recandidatado e têm ganho, por larga margem. Escusado será dizer o quão humilhante seria, para si, ser o primeiro Presidente da República a não conseguir a reeleição.

Há muita gente que espera que isso aconteça. Não é propriamente o meu caso. Considero que, juízos políticos à parte, o Senhor tem um passado de Serviço ao Estado que deve ser respeitado. Eu, pelo menos, respeito-o. E, nessa medida, não ficaria contente por vê-lo sair pela porta pequena do Palácio de Belém.

O que ouso sugerir-lhe é, ao invés, uma saída pela porta grande. O Senhor poderia dirigir-se ao país e dizer algo próximo disto:
“Caros Compatriotas:
Como sabem, dediquei grande parte da minha vida a servir Portugal, nomeadamente no plano político – onde fui, sucessivamente, Ministro das Finanças, Primeiro-Ministro (por mais de uma década) e Presidente da República. Decerto, cometi muitos erros mas, podem estar certos disso, procurei, em cada momento, dar o melhor de mim.
Poderia prolongar esse serviço ao nosso país recandidatando-me ao cargo que, com muito honra, neste momento ocupo: o de Presidente da República.
Penso, contudo, que chegou a hora de me retirar. Depois de todos estes anos de contínuo serviço a Portugal, penso que tenho o direito de me dedicar mais à minha família.
Para mais, e esse foi para mim o argumento decisivo para não me recandidatar, há nestas eleições um candidato que, sem falsas modéstias, julgo poder cumprir melhor do que eu a função presidencial. Alguém realmente acima dos alinhamentos partidários e dos sectarismos ideológicos, alguém que não tem complexos em se assumir como um patriota e defender, como visão estratégica, a convergência entre todos os países lusófonos. Em suma, um homem de futuro e não refém do passado. Falo, obviamente, como todos já perceberam, do Doutor Fernando Nobre.
É com muita honra que, com este meu acto, contribuo para que ele seja o próximo Presidente de Portugal.”

Sei que, muito provavelmente, não seguirá esta sugestão. Tem todo o direito a fazê-lo. Mas depois não se queixe da sua sorte.

Muito respeitosamente
Renato Epifânio

Publicado no MILhafre:
http://mil-hafre.blogspot.com/2010/05/carta-aberta-ao-actual-presidente-da.html

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Carta enviada ao Jornal Público

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À Direcção do Jornal Público
Excelentíssimos Senhores

Enquanto leitor diário do vosso jornal, venho expressar a minha perplexidade por não terem feito qualquer referência ao primeiro grande acto de campanha da candidatura presidencial do Doutor Fernando Nobre – o jantar com quase meio milhar de apoiantes que decorreu no último Sábado, em Lisboa, onde o Doutor Fernando Nobre apresentou o seu mandatário local, Luís Represas, e onde fez um importante discurso, reiterando, por um lado, as traves-mestras da sua candidatura e, por outro, desenvolvendo algumas ideias relativas aos acontecimentos dos últimos tempos (nomeadamente, a da criação de uma “Agência Europeia de Rating”, que, a priori, nos salvaguardaria mais dos ataques especulativos de que temos sido alvo). Foi uma sessão muito participada, que encheu por inteiro o amplo espaço – como foi noticiado pela generalidade dos “media” e como posso eu próprio testemunhar, já que lá estive, a título pessoal e em representação do MIL (Movimento Internacional Lusófono), um movimento cultural e cívico que decidiu apoiar esta candidatura – por duas razões, essencialmente:
- em primeiro lugar, porque, tal como disse o próprio Doutor Fernando Nobre na Apresentação da sua Candidatura, “Portugal precisa de um Presidente que venha verdadeiramente da sociedade civil, que seja independente, que nada precise da política e que conheça bem o país e o mundo”. Para mais, na situação de grave crise estrutural em que vivemos;
- em segundo lugar, porque o Doutor Fernando Nobre tem desde há muito defendido o reforço dos laços entre os países lusófonos – não só no plano cultural, mas também social, económico e político, tendo em vista a criação de uma verdadeira Comunidade Lusófona, no aprofundamento da CPLP: objectivo maior do MIL. A nosso ver, de resto, só essa reorientação estratégica de Portugal poderá dar resposta a essa situação de grave crise estrutural.

A minha perplexidade é tanto maior porquanto, uns dias antes, o vosso jornal deu destaque à notícia da saída de um elemento da comissão da candidatura do Doutor Fernando Nobre.
Face a isso, pergunto: o vosso jornal tem alguma reserva editorial em relação a esta candidatura ou a omissão aqui denunciada foi apenas um lapso?

Desde já grato pela atenção
Muito cordialmente
Renato Epifânio
Porta-Voz do MIL: Movimento Internacional Lusófono
(www.movimentolusofono.org)

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Para o Manuel Alegre


Volta e meia, lá vem o disparo do costume. Esta semana, nas páginas do jornal “Público”, eras de novo acusado de “patrioteiro”, apenas porque insistes em falar de “Pátria”. Nada de espantar. Para os palermas pós-modernos da nossa praça, falar de “Pátria” continua a ser um pecado mortal. Quando alguém o faz, sacam logo da pistola. Bem sei o que isso é…

Agora vê lá se incluis algum deles na tua comissão de candidatura à Presidência da República. Já consigo ouvir os conselhos que te darão: “Senhor Doutor, para ser um candidato moderno, bem de ‘esquerda’, tem, em absoluto, que deixar de falar de Pátria. E, já agora, de caçar…”.

Como se esse fosse, de facto, o teu calcanhar de Aquiles. Este, muito ao contrário, está na forma dúbia como te tens posicionado, em geral, em relação ao Partido Socialista e, em particular, em relação a este Governo…

Mas sobre isso, obviamente, não há disparos de monta. Só os tirinhos da praxe, para disfarçar…

Publicado no MILhafre:

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Por uma vez: Sim, Sr. Ministro…

Sr. Ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado

Felicito-o pela entrevista concedida ontem, ao jornal Público. Em geral, passo por cima das entrevistas concedidas pelos seus colegas, dado que estes, por inanidade ou prudência, pouco ou nada costumam dizer de relevante…

E o que disse, desta vez, o Sr. Ministro de tão relevante?

Desde logo, que “o país tem de perceber que há um ciclo da sua história contemporânea que se está a encerrar” – o aberto pelo 25 de Abril, que orientou, quase em exclusivo, o país para a “integração europeia”. Doravante, “Portugal será na Europa o que conseguir ser fora dela”. Daí a aposta: “Podemos valorizar significativamente a nossa posição no contexto europeu se formos capazes de dar expressão e densidade à relação privilegiada que temos com o Brasil e a América Latina, com a África de expressão portuguesa e as regiões em que se insere, designadamente a África Austral e Ocidental. Mas temos também de fazer um esforço para desenvolver as nossas relações com o continente asiático. Estão aí dois terços da população mundial, o centro de gravidade da economia mundial e, apesar dos laços históricos que nos ligam à região, temos relações muito frágeis.”

Por uma vez, não podia concordar mais consigo – quer com a tese do “fim de ciclo” (de que eu, de resto, tenho já falado até à exaustão), quer nessa aposta a fazer. Obviamente, falaria de forma mais clara no “espaço lusófono”, mas percebo que não o faça…

Seja como for, é claro que Portugal não terá qualquer futuro se ficar centrado em si próprio. No rescaldo da descolonização, a integração na Comunidade Europeia foi a nossa única saída. Agora que o centro de gravidade desta se deslocou também para leste, há que compatibilizar de novo a nossa integração nesse espaço civilizacional europeu – do Sul, sobretudo, ou seja, mediterrânico – com a nossa integração nesse espaço linguístico-cultural da lusofonia, com um potencial, a todos os níveis, ainda não devidamente cumprido.

Eis, de resto, o que falta verdadeiramente cumprir – não já Portugal, mas a Comunidade Lusófona. Como já por certo saberá, eis o caminho prefigurado pelo MIL…

Publicado no MILhafre:
http://mil-hafre.blogspot.com/2010/01/por-uma-vez-sim-sr-ministro.html

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Para a nova Ministra da Cultura, Gabriela Canavilhas

Tenho andado curioso por alguma declaração tua, que desvele um indício de um programa, mas já percebi que essa declaração não chegará. Limitaste-te a demarcar-te da suicidária declaração inicial do anterior Ministro – “podemos fazer mais com menos recursos” – e a lembrar o hipócrita acto de contrição do Primeiro-Ministro, que, na campanha eleitoral, instado a reconhecer “um erro na sua governação”, falou de uma “insuficiente aposta na Cultura”. Toda a gente sorriu…

Os jornais, coitados, sem essa declaração, viram-se obrigados a falar do teu bom aspecto – serias a “cara bonita” do Governo. E também houve, dada a tua formação, quem garantisse que tu foste convidada para nos dar música. Como se isso não fosse a missão de todos os ministros e do primeiro-ministro em particular: alimentar ilusões sem defraudar expectativas…

Não tenho dúvidas que, para certo tipo de actividades, são precisos (fartos) recursos financeiros. E que, a partir de certo ponto, não há milagres: não se pode fazer mais com menos. Também sei que o Ministério da Cultura tem uma série (alta) de custos fixos com alguns lobbys, que é preciso subsidiar, para não falarem muito alto. Não estou contudo certo que fosse benéfico um aumento do orçamento da Cultura para a mítica cifra de 1%. E olha que quem te diz isto é alguém que acha que a pasta da Cultura é a mais importante. Provavelmente, esse acréscimo orçamental seria desbaratado em fogo-de-artifício, no oblívio, como quase sempre acontece, do que mais importa…

Dada a tua centração na questão orçamental, já imagino o teu discurso de despedida: “Não tive recursos para fazer mais”. Nesse dia, escrever-te-ei outra carta. A lembrar tudo o que podias ter feito e não fizeste. E sem qualquer custo. Não imaginas o quê? Pois eu digo-te: basta uma muito criteriosa presença em actos culturais para definir uma política. Se um dia alguém dissesse de ti – “ela só aparecia quando era realmente importante, mesmo, e sobretudo, quando não era muito vistoso” –, esse seria o teu melhor epitáfio político. Se quiseres, posso dar-te umas dicas. De graça…

Também publicado no MILhafre:
http://mil-hafre.blogspot.com/2009/11/para-nova-ministra-da-cultura-gabriela.html

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Para a Rita Rato, jovem deputada do PCP

Chegou-me às mãos uma recente entrevista tua (concedida ao “Correio da Manhã”), da qual retirei as seguintes pérolas:

"Como encara os campos de trabalhos forçados, denominados gulags, nos quais morreram milhares de pessoas?- Não sou capaz de lhe responder porque, em concreto, nunca estudei nem li nada sobre isso.
(…)
"- Concorda com o modelo que está a ser seguido na China pelo PCC?- Pessoalmente, não tenho que concordar nem discordar, não sou chinesa. Concordo com as linhas de desenvolvimento económico e social que o PCP traça para o nosso país. Nós não nos imiscuímos na vida interna dos outros partidos.- Mas se falarmos de atropelos aos direitos humanos, e a China tem sido condenada, coloca-se essa não ingerência na vida dos outros partidos?- Não sei que questão concreta dos direitos humanos...- O facto de haver presos políticos.- Não conheço essa realidade de uma forma que me permita afirmar alguma coisa."

A pessoa que me fez chegar isto às mãos estava muito indignada. Mas eu não, para teu descanso. Tenho bem presente a (lúcida) lição do Cunhal: o PCP será estalinista ou não será…

Veja-se, por contraponto, o que aconteceu a todos os partidos comunistas europeus que renegaram a herança: estão hoje na maior miséria de votos…

É certo que a defesa do antigo regime soviético ou do actual regime chinês soa menos mal numa pessoa já de idade (sempre se pode falar de coerência…). Numa pessoa jovem, borra a pintura. Mas, olhando para a tua foto, acho que não precisas de te preocupar com isso…

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Para o Miguel Sousa Tavares



Como seria de esperar, vieste defender a tua dama palerma, falando de uma “reacção provinciana e saloia”. Quanto a isso, digo-te apenas que a única definição de provincianismo e saloíce que reconheço é a de Fernando Pessoa: aquela segundo a qual os verdadeiros provincianos e saloios são aqueles que, sem qualquer auto-estima, estão sempre dispostos a auto-denegrirem-se ou a seguirem quem o faz, em particular se o fizerem a partir de certos países…

Nada disto, contudo, tem real importância. Da próxima vez que estiveres com a tua dama palerma, aconselha-a apenas a ficar calada (o dito “pedido de desculpas” foi ainda mais patético). Ou, então, a usar a boca de outra forma. Ficaremos todos, tu e nós, mais satisfeitos.

Saudações lusófonas

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Para o Cavaco...



Exmo Senhor
Presidente da República Portuguesa
Professor Doutor Aníbal Cavaco Silva

Venho por este meio solicitar-lhe que deixe de fazer Comunicados à Nação. Bem vê: de cada vez que isso acontece, o meu republicanismo fica muito abalado. Já foi assim com aquele Comunicado sobre o Estatuto Autonómico dos Açores, foi ainda mais assim com o Comunicado de hoje sobre…o tal e-mail.

A continuar assim, chegarei à conclusão que, pela via republicana, jamais teremos um Chefe de Estado que honre Portugal. A continuar assim, um dia destes ainda me torno monárquico…

E olhe que eu não gostaria de trocar a bandeira verde (apesar do vermelho) por uma bandeira azul e branca. Bem vê: ainda não digeri a derrota de Sábado…

domingo, 27 de setembro de 2009

Para a Manuela Ferreira Leite




Não gosto de bater em pessoas que estão no chão, para mais em senhoras. Por isso serei breve e o menos deselegante possível.

Parafraseando uma outra senhora que concorreu nas suas listas, nestas eleições até o Pato Donald ganharia ao José Sócrates. Por isso, foi a sua derrota tão estrondosa…

Mas muito justa. Quem apresenta ao país um não-programa (não fazer, adiar, suspender, etc., etc., etc.) só pode merecer a derrota. O vazio nunca merece crédito…

Gosta a senhora de dizer que o seu partido é o mais português de Portugal. Talvez seja. Daí, também, o estado a que o país chegou. Sem rumo, sem norte, sem alma…

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Para o Domingos Lopes



Costumo ler (muito de raspão, confesso) os textos que vais publicado no jornal Público. Ontem, no mesmo jornal, li que ias deixar o PCP após 40 anos de militância (durante os quais chegaste a ser “secretário do Álvaro Cunhal”).

As razões? “O PCP ainda não condenou a invasão na Checoslováquia e elogia a Coreia do Norte e a China”. Coisa que, pelos vistos, descobriste só agora, em 2009 (ah, para tua informação, a Checoslováquia já não existe…).

O pior, contudo, não é a ofensa à inteligência (e olha que é bem grande). O pior é o resto: sair agora de um partido, após 40 anos de militância, em plena campanha eleitoral, para causar o maior dano possível, é algo que em bom português se chama uma “canalhice”.

Nem mais!

sábado, 12 de setembro de 2009

Para a Semenya



Há casos trágicos, que nem toda a compaixão do mundo pode aliviar.

Caster Semenya foi uma das grandes revelações dos últimos Mundiais de Atletismo, em Berlim. Logo então, levantaram-se algumas suspeitas sobre o seu género. Hoje, leio no jornal: “Semenya é pseudo-hermafrodita”, ou seja, “não tem ovários nem útero, mas possui testículos – os órgãos sexuais masculinos, responsáveis pela produção de testosterona – ocultos internamente”.

Temos pois um caso de uma mulher que foi educada – diria mesmo “formatada” – para ser uma atleta e que, quando vence como atleta, não pode mais continuar: nem nas provas femininas, nem nas provas masculinas.

Sei que não foi o primeiro nem será, infelizmente, o último. Mas nem por isso deixa de ser um caso trágico, que, no passado, acabou frequentemente no suicídio…

Um abraço silente, Semenya

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Para a nossa Maria Antonieta

Vim a saber que eras uma estrela televisiva em ascensão mas eu, confesso, não te conhecia de parte alguma.

Registei o teu nome – “Carolina Patrocínio” – quando li num jornal que tinhas sido escolhida como Mandatária para a Juventude pelo Partido Socialista para as próximas Eleições Legislativas. E fiquei curioso. Se o filósofo Sócrates te tinha escolhido como seu representante para a Juventude, algum mérito deverias ter…

Foi por isso sem espanto que verifiquei o brado que deu a tua primeira entrevista como Mandatária para a Juventude do PS. Gostei especialmente daquela passagem, que tem sido tão citada, onde assumes que não gostas de frutas com caroço e que por isso pedes à tua empregada para tirar os caroços da fruta…

Há gente que não compreende o alcance político de tão eloquente confissão, mas ele, a meu ver, é por demais óbvio. Isto é mais uma jogada de Mestre do Filósofo Sócrates na sua guerra privada contra o Bloco de Esquerda. Depois de ti, a juventude portuguesa não está mais condenada a votar na “esquerda caviar”. A partir de agora, pode escolher a “esquerda sem caroço”. Eu, pelo menos, fiquei tentando. E não sou o único. Até a Sofia Copolla me disse que está a pensar fazer um filme sobre ti…

Um abraço bem empregado!

sábado, 18 de julho de 2009

Foi você que pediu um partido regional?

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Perante uma interpretação grosseira, pergunto-me sempre: onde acaba a idiotice e começa a má-fé? Ou vice-versa…

Um exemplo paroquial: houve quem tivesse interpretado de forma literal uma “breve carta” que aqui escrevi recentemente, cujo cariz irónico era por demais evidente…

Um exemplo nacional: toda a controvérsia que alimentou os noticiários desta semana sobre umas declarações de Alberto João Jardim. Toda a gente interpretou como uma proposta de proibição dos partidos comunistas. E houve até quem o tentasse justificar: já que a Constituição proíbe partidos que defendem totalitarismos de direita, então, por equidade, haveria também que proibir os partidos que defendem totalitarismos de esquerda. Destinatário óbvio: o Partido Comunista Português. Ainda que este, pelo menos oficialmente, já não defenda a Ditadura do Proletariado…

O ponto, contudo, não era obviamente esse: Alberto João Jardim será um anti-comunista retórico mas não é um anti-comunista doutrinário, como era, por exemplo, Orlando Vitorino, que na sua campanha presidencial, nos anos 80, propôs isso mesmo. E não de forma meramente retórica…

Para mais, como político que é, Alberto João Jardim só se envolve em guerras que sabe que pode ganhar. Pelo menos em parte…

E qual era então o objectivo? Obviamente, a permissão constitucional para a criação de partidos regionais. Era aí que, uma vez mais, Alberto João Jardim queria chegar, com a história do fim das proibições…

Elementar, não?

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Para a Maria João Pires...



Cada vez mais acho que há, grosso modo, duas espécies de portugueses: os que gostam de ser portugueses e os que gostariam de não ser portugueses…

Os primeiros não trocariam essa condição por nada. Os segundos, por quase tudo: porque, na sua perspectiva, quase tudo é preferível a ser português. Não haveria um passado “negro” para carregar sobre os ombros, nem um presente sombrio, nem um futuro nebuloso, nem, nem…

Há, porém, quem, tendo podido não ser português, tenha escolhido sê-lo: caso do Fernando Pessoa, como salientou Agostinho da Silva. E há depois pessoas que, sendo portuguesas, pretendem renegar a nacionalidade. Ou que, pelo menos, equacionam essa hipótese…

Não sei se alguma vez te perdoarei por isso! Vale-te o Schubert…

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Para o nosso Cavalo de Tróia...

O nosso plano prossegue como previsto. Por cá toda a gente acha que tu és um vendido ao clube do Saramago, mas eles não sabem (nem sonham) que tu estás apenas a cumprir a missão que o MIL te destinou…

Obviamente, tu não foste para Madrid para enfiar a bola nas balizas dos adversários. Deixa isso aos outros, nomeadamente ao Kaka, que, esse sim, não sabe fazer mais nada na vida…

Tu foste para Madrid com a suprema missão patriótica de fazer criancinhas. Atenta bem nestas contas: com a tua cláusula de rescisão (que nem escrevo, por ser demasiado obscena), vais ficar por aí pelo menos dez anos. Se tu emprenhares três castelhanas por dia (uma de manhã, outra à tarde, outra à noite), em dez anos temos mais de 10 000 lusos! Ou seja, daqui a uma ou duas gerações, Castela será nossa, e poderemos enfim libertar a Galiza e Olivença, deixando o resto para os catalães e os bascos…

Vê lá pois se começas a trabalhar. E não percas tempo com relatórios, que nós por cá já estamos todos mais do que fartos de ouvir falar de ti…

Abraço MIL

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Para o João Bénard da Costa (1935-2009)

Hoje morreste. The End, Mr. Cinema, Mr. Cinemateca…

Lembro-me de muitas vezes te ter lá visto, a andar de um lado para o outro, qual espírito do lugar…

E a apresentar pessoalmente os filmes: a última vez, julgo, com o Cimino, naquela memorável projecção das “Portas do Céu”.

Hoje, quando lá chegares, escusas, decerto, de bater à porta. Ainda que, lá por cima, não devam apreciar muito os teus filmes…

Em tua homenagem, irei hoje ao Cinema. Tens alguma sugestão?

“Singularidades de uma rapariga loira”?! Não brinques comigo. Olha que, com essas sugestões, vais parar mas é ao Inferno…

Talvez antes assim. Dizem que por lá a tela é maior…

Abraço herzog-viscontiano

Para mais informações: http://annualia-verbo.blogs.sapo.pt/

quarta-feira, 20 de maio de 2009

AOS TIMORENSES

Caros Compatriotas

Vocês festejaram hoje o sétimo aniversário da vossa independência e, obviamente, isso não poderia aqui, no "Blogue da Lusofonia", passar em branco. Os nossos parabéns, pois.

Lamento que “o convidado de honra das cerimónias de comemoração, José Sócrates” tenha faltado, mas não nos levem a mal por isso. O nosso primeiro-ministro faz parte de uma linhagem de políticos que primam pela cegueira histórica: acham que o destino de Portugal se cumpre plenamente no espaço europeu…

Nós por aqui, como sabem, achamos que não: achamos que Portugal se cumpre não apenas no espaço europeu como também, senão sobretudo, no espaço lusófono. E por isso, como sabem, se criou o MIL…

Espero que os vossos políticos não sigam o exemplo dos nossos e, a troco de alguns trocos, mesmo que muitos, não reneguem a nossa Pátria comum…

Bem sei que têm razões para isso. Até 74, Timor sempre foi tratado como um local de desterro. Depois, o desprezo continuou – e não descansámos enquanto a Indonésia não vos invadiu. Ainda que fingindo grande indignação…

Hoje, há quem deseje que a Austrália tome conta de vós: assim poderíamos continuar alegremente a renegar as nossas responsabilidades históricas…

Não vos peço desculpa por elas, como agora se tornou moda, porque a História foi o que foi, e sobre isso não há volta a dar. Tendo sido o que foi, é também o que é. E, sobretudo, o que dela fizermos…

Ora, isso está nas vossas mãos. Nas vossas e nas nossas…

Abraço MIL

quarta-feira, 13 de maio de 2009

PARA O PRESIDENTE DA TURQUIA

O nosso Presidente anda a alimentar-vos algumas ilusões (não te chateies, que ele faz o mesmo connosco; faz parte da função), mas eu quero desiludir-te de vez: nunca (repito: nunca) a Turquia entrará na União Europeia.

Sabes porquê? Nem é tanto por a Turquia ser muçulmana e a União Europeia ser um “clube de cristãos”, como por aí se gosta de dizer (para meu escândalo, devo confessar-te, aqui entre nós). Nem, muito menos, pela questão dos direitos humanos, ou pela questão do Curdistão, ou por qualquer outra.

Ou melhor: tudo isso torna-se relevante mas só por causa do grande argumento. É que a Turquia é demasiado grande (em extensão e em número de habitantes). Se vocês fossem poucos, entrariam sem qualquer problema. Seriam uma espécie de pena exótica que nós poríamos no chapéu da União Europeia para mostrarmos ao resto do mundo quão tolerantes somos…

Agora, com a vossa dimensão, se entrassem, tornar-se-iam no maior país da União Europeia. E isso é óbvio que a França e a Alemanha jamais aceitarão. Já se sabe, é uma lei da física: ninguém abdica do poder que tem…

A Inglaterra é outra conversa: dado o alinhamento com os EUA, querem-vos cá dentro para enfraquecer ainda mais a União. Se alguma vez me vires a defender a vossa entrada, será também por isso - para enfraquecer a União, não para agradar aos EUA...

Quantos aos outros, os “pequenos”, como nós – se já nos custa ouvir falar do “eixo” franco-alemão como “locomotiva” da União Europeia (para não usar outras imagens), imagina o que seria termos de engolir o eixo germano-turco. Atirar-nos-íamos todos para a frente do próximo comboio, no mínimo. Ou então sairíamos outra vez todos em caravelas: o problema seria saber para onde…

A grande questão é que tu já sabes tudo isso. Mas, assim sendo, porque alinhas na encenação? Ah, esqueci-me por um instante: também és presidente. Alimentar ilusões faz também parte da tua função…

Seja!

terça-feira, 12 de maio de 2009

Para o Vital Moreira


Como sabes, dou conselhos de borla a todos os candidatos mas, no teu caso, não é fácil.

Desde logo, a tua postura de Vasco Graça Moura do PS não ajuda. Nem o tom de voz. Nem sequer o penteado (à Vital Sassoon, Miguel Esteves Cardoso dixit).

Depois, o slogan: “Nós, Europeus”. Deveria ser “Nós, Portugueses, Lusófonos e Europeus” (mas esse fica para o MIL…).

Depois ainda, aquela contradição insanável no apoio ao Durão Barroso: o Sócrates reitera que sim, tu que nim…

Finalmente, aquelas candidatas que puseste na lista: a Ana Gomes e a Elisa Ferreira. Ambas igualmente candidatas a Câmara Municipais (de Sintra e do Porto, respectivamente). A segunda teve mesmo o desplante de dizer recentemente que só ia ao Parlamento Europeu “picar o ponto”. Nada mais português, de facto…

E aquela encenação no 1º de Maio também não correu muito bem. Mesmo estando ao lado do Victor Ramalho, soou um pouco a falsete teres logo falado da Marinha Grande, a imitar o Soares…

Mas enfim, ainda estamos no início da campanha. Pode ser que as coisas melhorem. Se me ocorrer alguma dica, depois digo-te…

Boa sorte!