EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Manuel Laranjeira e João de Deus: Razão e Espiritualidade.

- 11º número (1º semestre de 2013): "Da minha língua vê-se o mar": o Mar e a Lusofonia.

- 12º número (2º semestre de 2013): O pensamento de António Quadros - nos 20 anos do seu falecimento.

- 13º número (1º semestre de 2014): O balanço de Abril, 40 anos depois - nos 20 anos do falecimento de Agostinho da Silva.

- 14º número (2º semestre de 2014): 80 Anos da "Mensagem" – 8 Séculos da Língua Portuguesa.

- 15º número (1º semestre de 2015): Nos 100 Anos do “Orpheu” e da "Arte de Ser Português"

- 16º número (2º semestre de 2015): Quem tem medo da Filosofia Lusófona? Nos 100 anos do falecimento de Sampaio Bruno.

- 17º número (1º semestre de 2016): A importância das Diásporas para a Lusofonia.

- 18º número (2º semestre de 2016): Autores em destaque - Ariano Suassuna, Delfim Santos e Vergílio Ferreira.

- 19º número (1º semestre de 2017): O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ; Afonso de Albuquerque: 500 anos depois.

- 20º número (2º semestre de 2017): autores em destaque – José Rodrigues (no ano da sua morte); Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento); Francisco Manuel de Melo (nos 350 anos da sua morte).

- 21º número (1º semestre de 2018): autores em destaque – Dalila Pereira da Costa (nos 100 anos do seu nascimento); Fidelino de Figueiredo (nos 50 anos da sua morte); António Nobre (nos 150 anos do seu nascimento).

Para o 21º número, os textos devem ser enviados até ao final de Dezembro.

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.

Capa da NOVA ÁGUIA 20

Capa da NOVA ÁGUIA 20

EDITORIAL NOVA ÁGUIA 20

Decerto, uma das melhores formas de aferir o valor de uma vida é ter em conta a quantidade e a qualidade dos amigos que deixou. Sob esse prisma, José Rodrigues, que nos deixou recentemente, teve uma grande vida, como se pode verificar neste número da NOVA ÁGUIA: entre textos, testemunhos, poemas e ilustrações, foram cerca de meia centena de contributos que nos chegaram para prestar tributo a uma figura que esteve também na génese desta Revista – não tivesse sido ele o autor da capa do primeiro número da NOVA ÁGUIA.
Em 2017, assinalam-se os 150 anos do nascimento de Raul Brandão e António Nobre. O MIL: Movimento Internacional Lusófono e a NOVA ÁGUIA têm assinalado essa efeméride com um Ciclo a decorrer no Porto (no Ateneu e na Casa Museu-Guerra Junqueiro). Neste número, publicamos igualmente alguns textos sobre Raul Brandão. No próximo número, publicaremos uma série de textos sobre António Nobre.
Em 2016, assinalaram-se os 350 anos do falecimento de D. Francisco Manuel de Melo, essa figura maior da nossa cultura que teve o “azar” de ter nascido no mesmo ano (1608) do Padre António Vieira, “Imperador da Língua Portuguesa”. O Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, em parceria com uma série de outras entidades (entre as quais o MIL: Movimento Internacional Lusófono e a NOVA ÁGUIA), promoveu um Colóquio, em Outubro do passado ano, na Biblioteca Nacional de Portugal. Os textos apresentados nesse Colóquio são também aqui publicados.

Tendo chegado ao vigésimo número, a NOVA ÁGUIA poderia ter optado por um número auto-celebratório, o que seria mais do que justificado, mas, como sempre, preferimos celebrar as figuras maiores da nossa cultura. Assim, para além da três figuras já referidas, celebramos uma série de outras figuras, em “Outras Evo(o)cações”, e, como sempre, em “Outros voos”, abordamos uma série de outras temáticas. Em “Extravoo”, como também tem acontecido, publicamos alguns inéditos – nomeadamente, de Agostinho da Silva, António Telmo e Delfim Santos.
Em “Bibliáguio”, publicamos uma série de recensões de algumas obras publicadas recentemente: “Portugal, um Perfil Histórico”, de Pedro Calafate, “Traços Fundamentais da Cultura Portuguesa”, de Miguel Real, e “A Literatura de Agostinho da Silva”, de Risoleta Pinto Pedro. Sem esquecer o “Poemáguio” e o “Memoriáguio”, duas outras secções também já clássicas, antecipamos os autores em destaque no próximo número – para além do já aqui referido António Nobre, iremos celebrar Dalila Pereira da Costa, no centenário do seu nascimento, e Fidelino de Figueiredo, no cinquentenário da sua morte. É tão-só por isso que a NOVA ÁGUIA irá persistir no seu voo, pelo menos por mais vinte números: se soçobrássemos, quem ficaria para falar sobre quem e o que mais importa?

Post Sciptum: Dedicamos este número a João Ferreira e a Antônio Paim, duas das figuras maiores da Filosofia Luso-Brasileira e (por isso) colaboradores da NOVA ÁGUIA, que entretanto chegaram aos noventa anos de vida.



NOVA ÁGUIA Nº 20: ÍNDICE

Editorial…5
A JOSÉ RODRIGUES, AQUELE ABRAÇO
Textos e Testemunhos de Ramalho Eanes (p. 8), A. Andrade (p. 9), Alberto A. Abreu (p. 9), Alberto Tapada (p. 10), António Oliveira (p. 11), Castro Guedes (p. 12), Diogo Alcoforado (p. 13), Diva Barrias (p. 20), Emerenciano (p. 22), Francisco Laranjo (p. 23), Gaspar Martins Pereira (p. 24), Guilherme d’Oliveira Martins (p. 25), Henrique Silva (p. 26), Isabel Pereira Leite (p. 27), Isabel Pires de Lima (p. 29), Isabel Ponce de Leão (p. 34), Isabel Saraiva (p. 36), Jorge Teixeira da Cunha (p. 37), José Adriano Fernandes (p. 38), José Gomes Fernandes (p. 38), José Manuel Cordeiro (p. 39), Júlio Cardoso (p. 41), Júlio Roldão (p. 42), Luandino Vieira (p. 42), Luís Braga da Cruz (p. 43), Maria Celeste Natário (p. 44), Maria Luísa Malato (p. 46), Mónica Baldaque (p. 48), Nassalete Miranda (p. 48), Nuno Higino (p. 49), Roberto Merino Mercado (p. 50), Ruben Marks (p. 52) e Salvato Trigo (p. 55).
Ilustrações de Artur Moreira (p. 9), Avelino Leite (p. 12), Emerenciano (p. 23), Francisco Laranjo (p. 23), Filomena Vasconcelos (p. 28), Isabel Saraiva (p. 36), Mário Bismarck (p. 39), Luandino Vieira (pp. 42-43), Paulo Gaspar (p. 48) e Sousa Pereira (p. 60).
NOS 150 ANOS DO NASCIMENTO DE RAUL BRANDÃO
EM TORNO DO TEATRO DE RAUL BRANDÃO António Braz Teixeira…62
APONTAMENTOS SOBRE HÚMUS DE RAUL BRANDÃO Luís de Barreiros Tavares…66
A COISA NA OBRA DE RAUL BRANDÃO Rodrigo Sobral Cunha…72
NOS 350 ANOS DO FALECIMENTO DE FRANCISCO MANUEL DE MELO
FRANCISCO MANUEL DE MELO: O HOMEM E A OBRA NO CONTEXTO DO BARROCO Maria Luísa de Castro Soares...84
FRANCISCO MANUEL DE MELO E ANTÓNIO VIEIRA Ana Paula Banza…91
FRANCISCO MANUEL DE MELO, MORALISTA António Braz Teixeira…99
FRANCISCO MANUEL DE MELO: CONHECER, SENTIR E «ESCREVIVER» Deana Barroqueiro…103
A METAFÍSICA DA SAUDADE DE FRANCISCO MANUEL DE MELO Manuel Cândido Pimentel…108
AS EXPLORAÇÕES CABALÍSTICAS DE FRANCISCO MANUEL DE MELO Manuel Curado…112
A PINTURA DO PENSAMENTO: ALEGORIA DA HISTÓRIA EM FRANCISCO MANUEL DE MELO Maria Teresa Amado…127
OUTRAS EVO(O)CAÇÕES
ÂNGELO ALVES J. Pinharanda Gomes…136
ANTÔNIO PAIM José Maurício de Carvalho…143
AZEREDO PERDIGÃO Adriano Moreira…144
CORRÊA DE BARROS José Almeida…150
EÇA DE QUEIRÓS José Lança-Coelho…151
EDUARDO PONDAL Maria Dovigo…153
EUGÉNIO TAVARES Elter Manuel Carlos…158

GUERRA JUNQUEIRO Delmar Domingos de Carvalho…165
JOÃO FERREIRA Renato Epifânio e Luís Lóia…167
MANUEL ANTÓNIO PINA José Acácio Castro…169
MANUEL FERREIRA PATRÍCIO Fernanda Enes e J. Pinharanda Gomes…174
MATEUS DE ANDRADE José Luís Brandão da Luz…181
PINHARANDA GOMES Elísio Gala…190
TORGA E RUBEN A. Paula Oleiro…192
VIEIRA Eduardo Lourenço…196
OUTROS VOOS
A LUSOFONIA COMO UTOPIA CRIADORA Adriano Moreira…200
UTOPIA E MOVIMENTO INTERNACIONAL LUSÓFONO: NOS 10 ANOS DA NOVA ÁGUIA António José Borges…204
BREVE CRÓNICA DO CENTRO PORTUGUÊS DE VIGO Bernardino Crego…207
A ITÁLIA NA “GERAÇÃO DE 70”: A “GERAÇÃO DE 70” EM ITÁLIA Brunello Natale De Cusatis…210
LITERATURA E DIPLOMACIA: ALGUMAS REFLEXÕES Cláudio Guimarães dos Santos…218
PROLEGÓMENOS E INTERMITÊNCIAS DIALÓGICAS Joaquim Pinto…222
LUSOFONIA INTERIOR Luís G. Soto…230
A NOVA ÁGUIA E A CULTURA LUSÓFONA Nuno Sotto Mayor Ferrão…235
AUTOBIOGRAFIA 3 Samuel Dimas…241
EXTRAVOO
VIDA CONVERSÁVEL - SEGUNDA PARTE (CONTINUAÇÃO) Agostinho da Silva…252
APRESENTAÇÃO A ORIENTE DE ESTREMOZ DE UMA REVISTA LITERÁRIA António Telmo…255
DO QUE POSSA SER A FILOSOFIA Delfim Santos…257
BIBLIÁGUIO
PORTUGAL, UM PERFIL HISTÓRICO Renato Epifânio…270
TRAÇOS FUNDAMENTAIS DA CULTURA PORTUGUESA Renato Epifânio e Joaquim Domingues…272
A LITERATURA DE AGOSTINHO DA SILVA António Cândido Franco…276
POEMÁGUIO
PARA AS TINTAS DO JOSÉ RODRIGUES Albano Martins…6
A “ANJA” DE JOSÉ RODRIGUES José Acácio Castro…6
DA ESCULTURA: A JOSE RODRIGUES - IN MEMORIAM António José Queiroz…6
PESSOAS COMO O JOSÉ RODRIGUES Renato Epifânio…6
O ROSTO QUE SONHA: PARA JOSÉ RODRIGUES J. Alberto de Oliveira…7
TU NÃO VIESTE ONTEM Emerenciano…22
CANTANDO-TE Ruben Marks…54
O TEU NOME INSCRITO Rosa Alice Branco…60
PERMITE-TE O IMPOSSÍVEL Isabel Alves de Sousa…60
PROCELA / VIDA E POESIA António José Borges…61
HUMANIDADE Fernando Esteves Pinto…83
ALEKSANDR SOLZHENITSYN Jesus Carlos…135
CARTA AO ALBERTO CORRÊA DE BARROS NA HORA DA PARTIDA José Valle de Figueiredo…151
SONETO – OBIRALOVKA/ INCONSTÂNCIA Jaime Otelo…198
AMADOR, COMO DISSE CAMÕES Manoel Tavares Rodrigues-Leal…250
MORTE EM AZUL Filipa Vera Jardim…251
FLUVIALMENTE Maria Luísa Francisco…279
ESCURIDÃO Delmar Maia Gonçalves…279
MEMORIÁGUIO…280
MAPIÁGUIO…281
ASSINATURAS…281
COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…284




Apresentação da NOVA ÁGUIA 20

Apresentação da NOVA ÁGUIA 20
18 de Outubro: Palácio da Independência (para ver, clicar sobre a imagem)

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Albufeira, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guimarães, João Pessoa (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Montargil, Montijo, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

PARA ASSINAR A NOVA ÁGUIA: www.zefiro.pt/assinaturas






O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA
In AA.VV. "A Vida como Projecto. na senda de Ortega e Gasset", Universidade de Évora Edições, 2014, p. 13.

sábado, 17 de abril de 2010

Brasília: 50 Anos de Quê?

UnB 50 anos: os caminhões da nova capital

Para Yvonne Jean, em memória

“A pedra celeste angular miraculosa, miraculosa.

Estabelecida por toda eternidade,

maravilhosa, maravilhosa.

Que comanda e reina convosco

Que comanda e reina convosco

Meu Deus, todo poderoso...”

(Jorge Ben Jor)

Por Eudásio Gaio de Sousa


Da miraculosa construção de Brasília, sonho combatido por alguns e construído por muitos, fala-se pouquíssimo de sua primogênita filha, a Universidade de Brasília. Ela, a nova universidade, também prestes a fazer seus 50 anos, merece nossas mais sinceras considerações.

Erguida para romper com as instituições federais vigentes no ensino superior da época, a UnB nasceu de uma orquestração que - sem sombra de dúvida - teve em Darcy Ribeiro a figura de articulador maio. Por outro lado, se tornou costume deixar no esquecimento outros personagens fundamentais à construção desta universidade. E fundamentais nas características que um dia esta universidade teve da genuína e genial UnB. Porque é preciso que se saiba e se diga: falamos da “ex-UnB”, de uma UnB muito distante disso que está aí colocando como UnB por comissões e comemorações.

Entre os esquecidos da maioria (e, o que é pior, da maioria do corpo docente e autoridades universitárias) está Rubens Borba de Moraes, bibliógrafo, bibliófilo, bibliotecário de uma estirpe que nunca mais existiu neste campus. Salvo uma ou outra avis rara. Foi Borba de Moraes um dos criadores desta que se convencionou chamar de biblioteca central dos estudantes, a BCE.

Nascida no início dos anos de 1970, esta tal biblioteca, a bibliotoca contral - nome que indicava a pichação agora apagada pelas “reformas” do campus - a nossa biblioteca tem sim muito de toca. Bibliotoca que guarda muita memória escondida e velada. Histórias que um dia se encaminharão para seu próprio jubileu. Está para ser escrita, por exemplo, a história da coleção de emergência que constituía o acervo da UnB. Reminiscências de uma época em que tanto os cursos de emergência, quanto o acervo da nova universidade, se localizavam na Esplanada dos Ministérios, mais precisamente o bloco I, local onde se situava o Ministério da Educação e Cultura.

Em pouco tempo, as aulas se normalizaram num campus que era só obra pra todo lado. A biblioteca foi se encaminhando para o SG-12, antigo local que hospedava um acervo que foi crescendo miraculosamente.

Cedo, já no ano de 1962, outras bibliotecas setoriais/especializadas foram se formando na universidade recém fundada. Entre tais bibliotecas, inesquecíveis, destacam-se os esplêndidos acervos reunidos nas bibliotecas do Centro de Estudos Clássicos (CEC) e do Centro Brasileiro de Estudos Portugueses (CBEP). Ali, Eudoro de Sousa e Agostinho da Silva fizeram o que nunca mais se fez por áreas temáticas que, desde então, simplesmente hibernam minguando espalhadas por departamentos medianos. Antes fossem mediúnicos.

Rapidamente, essa coleção de emergência não deu conta da excelência que a UnB passou a exercer. Em 1963, bibliotecas particulares de grande valor foram compradas para engrandecer o patrimônio da UnB, quer dizer, daquela “ex-UnB”. Entre os miraculosos acervos, estavam as coleções de Oswaldo Carvalho, Hildebrando Accioly, Homero Pires, Pedro Moura, entre outras.

À guisa de esclarecimento, é impossível não registrar aqui que Homero Pires era colecionador de livros raríssimos, bibliófilo baiano refinado, detentor de uma das mais importantes coleções de livros de/sobre Rui Barbosa, a renomada ruiana de Homero Pires. Pires também colecionava castroalvina, camiliana, machadiana, etc. Muito do que se lê hoje nas humanidades foi de Homero Pires. Já Pedro de Almeida Moura, exímio germanista e professor paulista, foi colecionador de livros sobre/de Goethe. A goethiana de Pedro Moura chegou a ter 10.00 volumes. Tudo isso chegou para nós, quer dizer, para eles, em 1963. Muito do que ainda se lê sobre Alemanha e Goethe na UnB de hoje foi resultado dos estudos e pesquisas de Moura.

Daí a coisa cresceu rápido. Como crescem as bibliotecas, que são organismos vivos. Em meados da década de 1960, depois do Golpe, pouco tempo depois da morte de John F. Kennedy, ofereceu-se à UnB, por iniciativa da Embaixada dos Estados Unidos, um acervo em memória de Kennedy. A cerimônia foi um desastre. Estavam lá Honestino Guimarães, entre outros, para vaiar o bibliotecário e professor Edson Nery da Fonseca, que dedicou seu belo discurso a puxar o saco do embaixador John W. Tuthill. Cenas que não se conta pelo campus. A crítica, que envolvia a situação da UnB após 1964, se voltava também contra a guerra do Vietnã. Os livros da coleção Kennedy levariam a pior e se estigmatizaram para alguns. Alguns. Porque a maioria, claro, não liga para estes detalhes. Deveria?

Fato é que, com a centralização do acervo, ou seja, quando os livros (após rápida estada na Sala Papiros) descem do SG – 12 para o atual prédio da biblioteca central, foi fácil arrumar um lugar para colocar os milhares de volumes dos extintos centros (CEC e CBEP) fechados pela ditadura. O prédio construído por Galbinski, entre outros renomados arquitetos, se tornou um grande copo d’água em que a derradeira gota derramou não em cima, mas na base. Aos poucos foram descendo para o depósito da biblioteca milhares de obras, tudo aquilo que era mal visto, indesejado, incompreendido pelas autoridades, pelos leitores e pelos especialistas de plantão da bibliotoca.

Mas não durante a década de 1970. É preciso dar a César o que é de César. Ninguém fez mais por uma biblioteca do que um certo capitão de mar e guerra que era PHD em Física Nuclear. Até a vigência do regime militar, os livros ainda valiam de alguma coisa no campus Darcy Ribeiro. O próprio setor de obras raras da bibliotoca, dizem, foi criação do Azevedo. Se ele não tivesse partido dessa para uma melhor, há alguns meses, poderia confirmar (ou não) estas poucas linhas.

A primeira biblioteca a descer para a toca, aparentemente, foi a de Carlos Lacerda. Seu acervo chega na UnB em 1979. Pobre Lacerda! Lacerda que era tão contra a UnB e Brasília, teve por fim que ver seu acervo parar em depósito sujo e mofado, encostado em molhadas paredes. Apenas em 1999 alguém resolveu retirar das caixas documentos que se tornaram o Arquivo Carlos Lacerda, menina dos olhos do setor de obras raras da UnB cinquentária.

Antes dos livros de Lacerda chegarem ao depósito, livros reunidos por um também bibliófilo, colecionador de renome e leitor voraz, dono de editora, etc, antes de Lacerda inaugurar o depósito de nossa bibliotoca, só havia ali o “Piauí”. Trata-se de um piauiense que trabalhava com marcenaria. Com a morte do Piauí, o depósito ficou à mercê do descaso. Os militares sabiam que o terreno onde a bibliotoca foi construída era cheio d’água, uma mina de água[1]. Os pseudo democratas que foram aos poucos tomando conta do campus ignoraram o fato, entulhando o segundo subsolo da biblioteca com tudo quanto é coleção. Das mais raras. Daquelas que ninguém quer/saber ler. Não só a plebe é rude e ignorante.

Para o mesmo saco foram os livros de Homero Pires, a goethiana de Pedro Moura, obras que foram conseguidas pelo próprio Darcy, muitos dos livros do Lacerda. Não era difícil encontrar lá, até um dia desses[2], livros da coleção de Eudoro de Sousa, livros sobre Portugal adquiridos por Agostinho da Silva junto à Fundação Calouste Gulbekian. Enfim, um mar sem fim, um mar de livros em baixo de água, mofo e sujeira. Por pouco os livros de Cassiano Nunes não foram parar também ali, no bueiro que já conta três décadas, por baixo.

Como se não bastasse esse encosto sem fundamento, descaso que sempre terá suas razões biblioteconômicas, arquitetônicas, blá blá blá, fenômeno comum em muitas outras bibliotecas deste país; como se não bastasse a ignorância de certos bibliotecários que foram tomando o poder durante a década de 1980; como se não bastasse a conivência e passividade de certos professores: em 2007, durante a última greve que durou quase três meses, toneladas de obras foram jogadas no lixo. Ouçam!

O evento ficou conhecido como a devassa de 2007. Também nomeado como “mutirão de limpeza”, o procedimento se passou em 2007, quando simplesmente se pegou tudo que havia no depósito, quase-quase-tudo, espólio destes antigos acervos, livros raros, livros para restauro, livros esquecidos, alguns livros sobre Trotsky, enfim, livros de uma universidade como a UnB, tudo para o lixo que ficava escondidinho atrás da copa da bibliotoca. Bem na frente do Setor de Conservação.

Caminhões de uma empresa recicladora pegava o material e picava,no mesmo dia, comprando tudo da biblioteca no peso: 24 centavos/kg. Eis o destino de boa parte do acervo mais importante que já existiu na Nova Capital. Acervo importante porque conta a história bibliográfica (e política) da UnB. Histórias e anti-histórias.

Aos poucos a comunidade universitária foi se esquecendo de que ali não se podia colocar livros. Aos poucos foram se esquecendo dos livros que lá estavam. Na última greve, se esqueceu que aquilo tudo tinha importância.

A completa desconexão entre o Centro de Documentação (CEDOC), o Departamento de Ciência da Informação e Documentação (CID) e as recentes diretorias da nossa bibliotoca, permitiram que isso acontecesse. Durante 15 dias da greve de 2007, se deu nos porões da UnB um bibliocídio sem tamanho, memoricídio que o próprio Magnífico, àquela altura recém empossado, acabou por esconder. Afinal, é uma bomba miserável para um nobre reitor dedicado historicamente aos direitos humanos e coisa e tal.

O ilustre e atual reitor terminou por esconder o caso. Foi mais conveniente colocar na direção da toca uma bibliotecária, coisa que não acontecia há vinte anos. Ele próprio escondeu por 20 anos a biblioteca que herdou de Roberto Lyra Filho, biblioteca que também ficou isolada e inacessível nos porões da bibliotoca, pegando umidade em grau altíssimo e mofo descomunal.

É pouco para os nossos 50 anos?

Não é miraculoso o fado de nosso patrimônio?

Dizem que os caminhões pararam de sair da bibliotoca, quinzenalmente, repletos de livros. Dizem. Vejamos como serão nossos próximos 50 anos.


[1] Informação que consta no próprio Programa para o projeto do edifício da biblioteca central, livro editado em 1973, a partir de tradução do texto de Frazer G. Poole, americano, claro.

[2] Pois de um tempo pra cá, por força de um projeto relâmpago que se deu na bibliotoca, alguns livros vem sendo carimbados com etiquetas novinhas, como se sempre estivessem estado ali nas estantes. Se tornou praxe entre os bibliotecários esconder a história do livro e da nossa bibliotoca.


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