EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Manuel Laranjeira e João de Deus: Razão e Espiritualidade.

- 11º número (1º semestre de 2013): "Da minha língua vê-se o mar": o Mar e a Lusofonia.

- 12º número (2º semestre de 2013): O pensamento de António Quadros - nos 20 anos do seu falecimento.

- 13º número (1º semestre de 2014): O balanço de Abril, 40 anos depois - nos 20 anos do falecimento de Agostinho da Silva.

- 14º número (2º semestre de 2014): 80 Anos da "Mensagem" – 8 Séculos da Língua Portuguesa.

- 15º número (1º semestre de 2015): Nos 100 Anos do “Orpheu” e da "Arte de Ser Português"

- 16º número (2º semestre de 2015): Quem tem medo da Filosofia Lusófona? Nos 100 anos do falecimento de Sampaio Bruno.

- 17º número (1º semestre de 2016): A importância das Diásporas para a Lusofonia.

- 18º número (2º semestre de 2016): Autores em destaque - Ariano Suassuna, Delfim Santos e Vergílio Ferreira.

- 19º número (1º semestre de 2017): O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ; Afonso de Albuquerque: 500 anos depois.

- 20º número (2º semestre de 2017): autores em destaque – José Rodrigues (no ano da sua morte); Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento); Francisco Manuel de Melo (nos 350 anos da sua morte).

- 21º número (1º semestre de 2018) - temas e autores: Mais um Abraço a José Rodrigues; Fidelino de Figueiredo (nos 50 anos da sua morte); António Nobre e Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento).

- 22º número (2º semestre de 2018): em destaque – V Congresso da Cidadania Lusófona; Dalila Pereira da Costa (nos 100 anos do seu nascimento); Francisco do Holanda (nos 500 anos do seu nascimento).

- 23º número (1º semestre de 2019): tema de abertura – A Lusofonia, avanços e recuos (10 anos após a criação do MIL: Movimento Internacional Lusófono).

Para o 23º número, os textos devem ser enviados até ao final de Dezembro.

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.

Capa da NOVA ÁGUIA 21

Capa da NOVA ÁGUIA 21

EDITORIAL NOVA ÁGUIA 21

Iniciamos este número por dar mais um Abraço a José Rodrigues, publicando mais uma série de textos (mais de uma dúzia) que nos chegaram, conjuntamente com algumas ilustrações e poemas, nomeadamente de Fernando Guimarães.

A secção seguinte é dedicada a Fidelino de Figueiredo. Em 2017 assinalaram-se os 50 anos de seu falecimento e o Instituto de Filosofia Luso-Brasileira promoveu um Colóquio sobre a sua Obra. Alguns dos textos então apresentados são aqui publicados, associando-se assim a NOVA ÁGUIA a esta Homenagem a uma grande figura da cultura lusófona, tais as pontes que criou: entre Portugal e o Brasil, entre Filosofia, História e Literatura.

De seguida, na esteira do número anterior, em que assinalámos os 150 anos do nascimento de Raul Brandão, publicamos mais alguns textos sobre o autor de Húmus, bem como sobre António Nobre, nascido no mesmo ano de 1867. Em “Outras Evo(o)cações”, estendemos o nosso olhar a uma extensa série de outras figuras relevantes da cultura lusófona: de Afonso Botelho e Agostinho da Silva a Vergílio Ferreira e Vicente Ferreira da Silva.

Em “Outros Voos”, como igualmente é já um clássico, abordamos as mais diversas temáticas, a começar, guiados por Adriano Moreira, pela questão do “sagrado”, tema do II Festival Literário TABULA RASA, que decorreu em Novembro de 2017, co-organizado pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono e pela NOVA ÁGUIA. Em “Extravoo”, publicamos, uma vez mais, alguns inéditos: nomeadamente, de Agostinho da Silva e José Enes. Nesta secção, publicamos ainda um inédito de Dalila Pereira da Costa, uma das figuras em destaque no próximo número, por ocasião dos 100 anos do seu nascimento.

Fazendo ainda referência a essas três outras secções já clássicas – “Bibliáguio”, Poemáguio” e “Memoriáguio” –, salientamos enfim os autores em destaque no próximo número: para além de Dalila Pereira da Costa, iremos igualmente evocar Francisco de Holanda, publicando uma série de textos apresentados num Colóquio que decorreu em Dezembro de 2017, por ocasião dos 500 anos do seu nascimento, uma vez mais por iniciativa do Instituto de Filosofia Luso-brasileira.

De igual modo, publicaremos no próximo número da NOVA ÁGUIA os textos apresentados no V Congresso da Cidadania Lusófona, coordenado pelo MIL, que decorreu em Novembro de 2017 e que, uma vez mais, juntou representantes de Associações da Sociedade Civil de todos os países e regiões do amplo e plural espaço de língua portuguesa. Número após número, a NOVA ÁGUIA vai, pois, cimentando pontes: entre a cultura portuguesa e as demais culturas lusófonas (antecipamos, a esse respeito, a publicação, no próximo número, de mais um fundamental ensaio de António Braz Teixeira, sobre a “expressão e sentido da saudade na poesia angolana e moçambicana”).

A Direcção da NOVA ÁGUIA

Post Sciptum: Dedicamos este número a Pinharanda Gomes, que, depois de ter recebido o “Prémio Vida e Obra” do II Festival Literário TABULA RASA, foi homenageado pela Universidade Portuguesa, que, curvando-se igualmente (e finalmente) perante a sua monumental Vida e Obra, lhe atribuiu, em Março deste ano, o mais do que justo “Doutoramento Honoris Causa”.


NOVA ÁGUIA Nº 21: ÍNDICE


Editorial…5
MAIS UM ABRAÇO A JOSÉ RODRIGUES
Textos e Testemunhos de Ana Isabel Ornellas (p. 8), António Reis (p. 8), Arnaldo de Pinho (p. 9), Duarte de Cifantes e Leão (p. 10), Helena Mendes Pereira (p. 12), Hélder Pacheco (p. 14), Jorge Pinto (p. 17), Júlio Gago (p. 18), Luís Portela (p. 19), Maria João Fernandes (p. 20), Manuel de Novaes Cabral (p. 22), Manuela de Abreu e Lima (p. 23) e Paulo Telles de Lemos (p. 24).
Ilustrações de Lauren Maganete (p. 6), João Nunes (p. 6), Paulo Gaspar Ferreira (p. 6) e José Rodrigues (pp. 16, 17 e 21).
FIDELINO DE FIGUEIREDO, 50 ANOS DEPOIS
CONTRIBUIÇÃO DE FIDELINO DE FIGUEIREDO PARA A HISTORIOGRAFIA DA FILOSOFIA PORTUGUESA António Braz Teixeira…26
BREVES CONSIDERAÇÕES ACERCA DE UMA ONTO-PO(I)ÉTICA EM FIDELINO DE FIGUEIREDO Joaquim Pinto…29
FILOSOFIA E MITO: EUDORO DE SOUSA, LEITOR DE FIDELINO FIGUEIREDO Luís Lóia…33
FIDELINO DE FIGUEIREDO: O TRAÇO ESSENCIAL DO SEU HUMANISMO Manuel Ferreira Patrício...38
PERTINÊNCIAS DO PENSAMENTO FILOSÓFICO DE FIDELINO DE FIGUEIREDO Mário Carneiro…39
NOS 150 ANOS DO NASCIMENTO DE ANTÓNIO NOBRE E RAUL BRANDÃO
NO5 150 ANOS DO NASCIMENTO DE ANTÓNIO NOBRE José Lança-Coelho…46
ANTÓNIO NOBRE: PEREGRINAÇÕES DE UM POETA SÓ António José Queiroz…48
EFEITOS DE LEÇA DA PALMEIRA: “A DELICIOSA HIPNOTIZADORA” NO POETA ANTÓNIO NOBRE J. Alberto de Oliveira…55
ANTÓNIO NOBRE: TEMÁTICA E VERSO NA SUA OBRA ‒ MITO E REALIDADE Júlio Amorim de Carvalho…63
O OUVIR E O ESCUTAR DE RAUL BRANDÃO, OU HÚMUS ENQUANTO MÚSICA Edward Ayres de Abreu…70
EL-REI JUNOT DE RAUL BRANDÃO: UMA NARRATIVA SOBRE O SENTIDO NA HISTÓRIA Mendo Castro Henriques…80
OUTRAS EVO(O)CAÇÕES
AFONSO BOTELHO Abel de Lacerda Botelho…90
AGOSTINHO DA SILVA E MARIA CECÍLIA CORREIA Eleonor Castilho…91
BOCAGE (VISTO POR AGOSTINHO DA SILVA) Pedro Martins…97
CAMILO CASTELO BRANCO Pinharanda Gomes…103
CARLOS MALHEIROS DIAS João Bigotte Chorão…108
COUTO VIANA E JOSÉ VALLE DE FIGUEIREDO José Almeida…110
JOAQUIM MARIA DA SILVA Samuel Dimas…116
MIRANDA BARBOSA António Braz Teixeira…122
NUNO BRAGANÇA La Salette Loureiro...128
ORTEGA Edson Ferreira da Costa…135
PADRE CHICO MONTEIRO Valentino Viegas…139
PESSOA (VISTO POR ALMADA) Luís de Barreiros Tavares... 140
SILVA DIAS José Esteves Pereira…145
VERGÍLIO FERREIRA Renato Epifânio…151
VICENTE FERREIRA DA SILVA Constança Marcondes César…154
OUTROS VOOS
O SAGRADO NA VIDA DE CADA UM DE NÓS Adriano Moreira…158
A CULTURA DIVERSA DA CPLP NA “MARCHA HARMÔNICA” DO MERCADO GLOBAL André Ramos Tavares…162
O LUGAR DA FILOSOFIA NOS CURRÍCULOS DO ENSINO SECUNDÁRIO EM PORTUGAL Artur Manso…169
A PROPÓSITO DE GNOSE, GNÓSTICOS E GNOSTICISMO Diogo Alcoforado…175
OS AÇORES E A LUSOFONIA Eduardo B. Coelho…190
AS LÍNGUAS COMO FACILITADORAS DO DIÁLOGO CULTURAL Evanildo Bechara…192
O QUE NUNCA SE DIZ AO PAPA Manuel Curado…195
OS MITOS DO PRIMEIRO MODERNISMO Paula Oleiro…200
SOBRE A NATUREZA RELIGIOSA DA POLÍTICA MODERNA Pedro Velez…207
FILOSOFIA FILOSOFANTE EM PORTUGAL Pedro Vistas…210
AUTOBIOGRAFIA 4 Samuel Dimas…224
MANIFESTO HOLISTA Tiago de Vasconcelos e Moita e Edmundo Luís Ribeiro da Silva…233
EXTRAVOO
VIDA CONVERSÁVEL - SEGUNDA PARTE (CONTINUAÇÃO), DE AGOSTINHO DA SILVA…236
TRÊS CARTAS DE AGOSTINHO DA SILVA A AARÃO LACERDA…239
TEXTO DE JOSÉ ENES sobre JOSEPH MOREAU & CARTA DE JOSEPH MOREAU A JOSÉ ENES…241
POSFÁCIO DE DALILA PEREIRA DA COSTA AOS SEUS “DISPERSOS”…243
BIBLIÁGUIO
OBRAS PUBLICADAS EM 2017 Renato Epifânio…246
A “ESCOLA DE SÃO PAULO” Luís Lóia…247
OLHARES LUSO-BRASILEIROS Jorge Teixeira da Cunha…250
O CROCODILO & FULGORES DE FÁTIMA José Almeida…251
FILOSOFIA COM CORAÇÃO Samuel Dimas…253
PRISCILIANO, UM CRISTÃO LIVRE Maria Dovigo…258
AI DOS VENCEDORES! Mário Matos e Lemos…260
UMA VIDA QUALQUER José Luís Brandão da Luz…262
DEMÓNIOS POR SEFARAD Lídia Machado dos Santos…266
AGULHAS DE ÁGUA Maria Luísa de Castro Soares…267
ARDOROSA SÚMULA António José Borges…269
MITOS GREGOS Inês Miranda…272
POEMÁGUIO
DESENHO Fernando Guimarães…7
MESTRE Avelina Vieira…7
AS MÃOS DE VAN GOGH Adília César…44
AS PONTES; VIAGEM António José Queiroz…45
TRÊS POEMAS A ANTÓNIO NOBRE Manoel Tavares Rodrigues-Leal…89
NA VIDA REAL; NA REAL VIDA António José Borges…156-157
CARTA PARA O-YONÉ Jesus Carlos…234
TEIA POÉTICA Maria Luísa Francisco…234
VAZADA NA RUA José Luís Hopffer C. Almada…235
PEDRO SEM INÊS Ana Luísa Queiroz…245
TEMPO CINZENTO Susana Roque Bravo…245
MEMORIÁGUIO…274
MAPIÁGUIO…275
ASSINATURAS…275
COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…278


Apresentação da NOVA ÁGUIA 21

Apresentação da NOVA ÁGUIA 21
28 de Março: Sociedade de Geografia de Lisboa (para ver, clicar sobre a imagem)

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Albufeira, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guimarães, João Pessoa (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Montargil, Montijo, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

PARA ASSINAR A NOVA ÁGUIA:

https://zefiro.pt/as-nossas-coleccoes-zefiro-revista-nova-aguia-assinaturas


O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA
In AA.VV. "A Vida como Projecto. na senda de Ortega e Gasset", Universidade de Évora Edições, 2014, p. 13.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

"O pecado em mim diz «eu»". Criação e decriação em Simone Weil



Publicamos parte da comunicação que apresentaremos amanhã, 11 de Dezembro, pelas 14.30, em "Marginalidade e Alternativa. Jornada comemorativa do centenário de Simone Weil" (Anfiteatro IV, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa). O Colóquio abre às 10.00 com a comunicação de Sylvie Courtine-Denamy, "Enracinement et déracinement chez Simone Weil". É a oportunidade de conhecer uma das mais prodigiosas pensadoras, místicas e mulheres de acção do século XX.
Os números entre parênteses dizem respeito às páginas de La pesanteur et la grâce (Paris, Presses Pocket, 1993).


“O pecado em mim diz «eu»”: criação e decriação em Simone Weil


É tarefa eminentemente difícil escrever sobre Simone Weil e, sobretudo, sobre o centro da sua vida, a sua experiência espiritual, cuja profundidade a arrebata e torna dificilmente acessível às regiões superficiais onde se transacciona a vida comum ou convencional dos homens. Sem abrangermos toda a sua obra, queremos comentar um trecho que nos parece condensar muito do que há de mais fundo na sua visão e vivência, socorrendo-nos para tal de outras passagens dessa obra magistral que é La pesanteur et la grâce.

“O pecado em mim diz “eu”.
Eu sou tudo. Mas esse “eu” é Deus. E não é um eu.
O mal faz a distinção, impede que Deus seja equivalente a tudo.
É a minha miséria que faz que eu seja eu. É a miséria do universo que faz que, num sentido, Deus seja eu (isto é, uma pessoa)” (40).

Para compreendermos este fragmento, temos de o situar no contexto da visão que a autora tem da íntima articulação entre a criação divina e a humana decriação do seu ser criado. Com efeito, Simone Weil vê a criação como um perpétuo acto de amor de Deus a si mesmo “através de nós”, no qual esse mesmo amor que nos dá o ser nos permite a e convoca à voluntária e amorosa devolução disso que nos dá. O Deus criador perpetuamente mendiga junto do homem essa mesma existência que não lhe oferece senão para a mendigar, não amando em nós o sermos, mas antes “o consentimento a não ser”. É isso que faz da existência humana uma “espera” de Deus, no duplo sentido de um humano esperar Deus e de um divino esperar o homem, ou seja, o seu “consentimento a não existir” (42).

A criação, manifestação de “uma força «deífuga»”, sem a qual “tudo seria Deus”, implica, “num sentido”, a divina renúncia “a ser tudo”, para que possa haver quem seja “alguma coisa” e assim possa renunciar a isso, como “imitação” da divina renúncia criadora e seu “único bem” (43). Aplicando também à criação o que São Paulo diz, na Carta aos Filipenses, da kenôsis redentora, o divino esvaziamento da própria divindade – ou o auto-ocultamento divino, sem o qual Deus não poderia criar (49) - apela o humano esvaziamento “da falsa divindade com a qual nascemos” (44). Como diz Weil: “Foi dada ao homem uma divindade imaginária para que ele se possa dela despojar como o Cristo da sua divindade real” (43).

Deus renuncia à própria totalidade e o divino amor criador retira-se da criatura humana para que ela possa existir e amá-lo: é assim que surge a “necessidade”, espaço, tempo e matéria, como o “ecrã colocado entre nós e Deus para que possamos ser” e sem cuja protecção, expostos à “irradiação directa” do amor divino, nos evaporaríamos “como água ao sol”. Sem essa separação protectora do imediato evanescimento na divindade, “não haveria suficiente eu em nós” para o abandonarmos “por amor”. É esse amor que nos cabe, “trespassar o ecrã para cessar de ser” (42-43).

O homem participa na divina criação do mundo, não propriamente colaborando na constituição de si e da realidade não-humana - como nas leituras comuns da questão, que evocam a nomeação adâmica dos animais por Deus criados, no Génesis (2, 19-20) - , mas antes decriando-se a si mesmo e devolvendo-se à divindade, sendo nisso que é cocriador: “Nós participamos na criação do mundo decriando-nos a nós mesmos” (44). Isto mostra que a criação do mundo apenas se cumpre na decriação do homem, que consiste em “fazer passar o criado no incriado”, distinta da “destruição”, seu “ersatz culpável”, que faz “passar o criado no nada [néant]” (42). Se, enquanto “Criador”, Deus é necessária e inerentemente presente em tudo o que existe, desde que vem a ser, o que é a “presença de criação”, já para ser presente enquanto “Espírito”, ou seja, para a “presença de decriação”, Deus carece da “cooperação da criatura”, nessa des-entificação de si que é a própria salvação. A pensadora cita Santo Agostinho - “Aquele que nos criou sem nós não nos salvará sem nós” - (48-49), embora este colaborar do homem na sua salvação não seja em Weil, ao contrário do santo de Hipona, senão a deconstrução do seu ser criado.

Na verdade, algo mais fundo se oculta na constatação de que “Deus me deu o ser para que eu lho restitua”. A criação divina é como as provas e armadilhas dos contos iniciáticos: se a criatura cede e aceita o dom do próprio ser, isso é “mau e fatal”, e só a sua “recusa” manifesta a “virtude” salvífica. Se a criação consiste na divina permissão de “existir fora” da divindade, compete à criatura “recusar esta autorização”, sendo nisso que consiste a “humildade”, “rainha das virtudes” (51). Recusar existir fora de Deus é na verdade recusar um ser fictício, a “falsa divindade” atrás referida, a determinação inerente ao nascimento (44), pois na existência humana não há “ser”, apenas “ter”. Enquanto o homem pode somente conhecer de si o que é exterior e circunstancial, o seu verdadeiro ser “está situado por detrás da cortina” da “miséria humana”, “do lado do sobrenatural”. Aí reside o “eu”, “oculto para mim (e para outrem)”, o qual, por isso mesmo, não é propriamente humano: “ele está do lado de Deus, ele é em Deus, ele é Deus”. Por isso, do mesmo modo que ser humilde é recusar existir fora de Deus, “ser orgulhoso é esquecer que se é Deus…” (49). Enquanto o orgulho consiste em enaltecer-se pelo que se não é, a humildade reside em nada se supor, desejar ou acrescentar para além desse divino húmus a que se é íntimo.

Podemos agora comentar o trecho inicial. A razão pela qual “o pecado em mim diz «eu»” é que toda a auto-identificação e auto-afirmação consiste em aceitar o divino dom de ser, em vez de iniciaticamente o recusar, aceitando apenas dele a possibilidade de o negar. Dizendo “eu” exerço a liberdade, aberta pelo divino esvaziamento ou ocultamento, para a negar determinando-a numa id-entificação, em vez de a preservar recusando exercê-la. Dizendo “eu” assumo a possibilidade de me autoposicionar na existência e nisso caio no orgulho de me esquecer Deus, na ausência de humildade de aceitar construir uma fictícia entidade autónoma. Na verdade, não faz sequer sentido dizer “eu”, pois “eu sou tudo” enquanto não humano e não criado, enquanto Deus. Somente esse “eu” que é “tudo” “é Deus” e por isso “não é um eu”, não é um ente determinado. Sendo Deus o não haver eu, o acto de dizer “eu” peca, ou melhor, é pecado, consistindo no próprio “mal” que “faz a distinção”, ao conferir uma fictícia id-entidade à criatura e ao criador, impedindo “que Deus seja equivalente a tudo” (40) (em rigor, impedindo o reconhecimento disso). A possibilidade do mal é a própria possibilidade da criação, o risco, dir-se-ia, que Deus corre ao renunciar-se e ocultar-se, permitindo haver quem, para seu “único bem” (43), negue o ser criado e a própria criação, mas também, simultaneamente, quem não recuse o dom de ser e o guarde para si, aferrando-se nessa “raiva de persistir” (* Heidegger em comentário a Anaximandro) ou nesse espinosiano “esforço” de “perseverar no seu ser” que aqui obstaculiza e frustra o divino moto criador. A divina criação fracassa no haver quem a aceite, tombando na “miséria” que o converte num “eu” (40), sem trespassar em Deus o “ecrã” do universo e de si (43), que é afinal o mesmo véu da personalidade divina, pois a “miséria” que gera o “eu” é a mesma “miséria do universo” que, “num sentido”, faz que “Deus seja eu (isto é, uma pessoa)” (40). É o fracasso na prova iniciática da criação que gera a ficção idolátrica da personalidade e da id-entidade humana e divina. Simone Weil mostra aqui, pesem notáveis singularidades e divergências, a sua funda filiação na corrente de espiritualidade e mística cristã que, com pontos salientes em Marguerite Porete e Mestre Eckhart, vê no processo de autoconstituição do sujeito na existência a demissão do incriado divino que simultaneamente o entifica e personaliza à semelhança da própria entificação e personalização, instaurando uma aparente clivagem entre o humano e o divino que exige ser abolida numa conjunta libertação de si e desse “Deus” antropomorficamente pensado, mediante o que Marguerite designa como “désencombrement” (desobstrução, desimpedimento) e Eckhart como “Durchbrechen” (trespassar).

Nascidos “revirados”, invertidos, negadores do divino impessoal enquanto afirmadores de nós e de um Deus-pessoa, há que inverter essa inversão, negar essa negação, “restabelecer a ordem”, o que implica “desfazer em nós a criatura” (45). Compreendendo-se que na verdade “nada se é, o objectivo de todos os esforços é tornar-se nada”, sendo para esse fim que se aceita sofrer, se age e se ora: “Meu Deus, concedei-me tornar-me nada [rien]”. É na medida desse auto-apagamento do sujeito que “Deus se ama através de mim” (44), cumprindo o amor a si que é o sentido único da criação (42), entendida para além do antropocentrismo habitual. “Ser nada” é o que instala cada sujeito no seu “verdadeiro lugar no todo” (46), essa ausência de si, esse não-eu que é o próprio Deus.

O apagamento do sujeito nada mais é, nesta perspectiva, do que a evanescência da “sombra projectada pelo pecado e pelo erro que detêm a luz de Deus”, “sombra” que a si mesma se toma por um “ser”. É por isso que esse apagamento não é, em rigor, uma divinização do sujeito, o que seria a impossível equiparação da sombra à luz: “Mesmo se se pudesse ser como Deus, valeria mais ser lama que obedece a Deus” (51). Incompossível com a divindade, o sujeito há-de encontrar “a plenitude da alegria” num mesmo e único pensamento, o de que “Deus é”, ou seja, o de que ele mesmo, o suposto sujeito, “não é” (48). A “alegria perfeita e infinita” que há em Deus em nada se aumenta ou diminui pelo facto do sujeito nela participar ou não, o que retira a isso toda a importância, denunciando o autocentramento do desejo de salvação e da crença na imortalidade (48).

Decriar-se é apagar-se e isso é, num sentido, fazer desaparecer o véu ou sombra ficticiamente interposto pelo eu entre Deus e o mundo, permitindo que Deus, através de nós, sem nós, “percepcione a sua própria criação”: “o que o lápis é para mim quando, de olhos fechados, eu palpo a mesa com a ponta – ser isso para o Cristo”; “bastaria que eu tivesse sabido retirar-me da minha própria alma para que esta mesa que tenho diante de mim tivesse a incomparável fortuna de ser vista por Deus” (52). Gandhi escreve, nas Cartas ao Ashram: “Sentir que somos alguma coisa, é erguer uma barreira entre nós e Deus”. Em Simone Weil, todavia, isso que em nós diz “eu” instaura antes uma separação e um véu entre Deus e o mundo, constituindo um desnecessário e prejudicial observador que impede o seu pleno contacto e transparência, pela remissão a si de tudo o que percepciona e experimenta. O sujeito deve assim retirar-se para respeitar a intimidade entre Deus, os seres e as coisas, como o “terceiro importuno” e indiscreto que urge desaparecer para que dois “amantes”, “amigos” ou “noivos” “estejam verdadeiramente juntos” (52-53, citar). Não se trata de desejar o fim da experiência do mundo, mas antes o fim da nossa experiência do mundo, da experiência do mundo por um eu-sujeito, a fim de que ela seja plena, divina, tal qual, sem nenhuma relativização a qualquer finitude, por múltiplas e singulares que sejam as perspectivas em que se dê:

“Não posso conceber a necessidade de que Deus me ame […]. Mas represento-me sem dificuldade que ele ama essa perspectiva da criação que não se pode ter senão do ponto onde estou. Constituo todavia um ecrã. Devo retirar-me para que ele possa vê-la” (52).

“Não desejo de modo algum que este mundo criado não mais me seja sensível, mas que não seja mais a mim que ele seja sensível. A mim, ele não pode dizer o seu segredo que é demasiado alto. Que eu parta, e o criador e a criatura trocarão os seus segredos.
Ver uma paisagem tal qual ela é quando aí não estou…
Quando estou nalgum lado, maculo o silêncio do céu e da terra pela minha respiração e pelo bater do meu coração” (53).

[...]

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