A Águia, órgão do Movimento da Renascença Portuguesa, foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal. No século XXI, a Nova Águia, órgão do MIL: Movimento Internacional Lusófono, tem sido cada vez mais reconhecida como "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português". 
Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra). 
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa). 
Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286. 

Donde vimos, para onde vamos...

Donde vimos, para onde vamos...
Ângelo Alves, in "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo".

Manuel Ferreira Patrício, in "A Vida como Projecto. Na senda de Ortega e Gasset".

Onde temos ido: Mapiáguio (locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA)

Albufeira, Alcáçovas, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belmonte, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Ermesinde, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Famalicão, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guarda, Guimarães, Idanha-a-Nova, João Pessoa (Brasil), Juiz de Fora (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Mirandela, Montargil, Montijo, Murtosa, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pinhel, Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Sagres, Santarém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Teresina (Brasil), Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vigo (Galiza), Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.
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domingo, 31 de janeiro de 2010

O olhar de Andrómeda - O espelho, a alma do rochedo

Perseu libertou-a, mas o rochedo ensinou a Andrómeda que não era o sacrifício a sua libertação. Só lançaria à terra o olhar azul e iluminado, quando o tempo fosse essa coluna de fogo. Não saberemos verdadeiramente porque dançam no mar duas colunas de fogo entrelaçadas. Antes disso, perderíamos a boca no abismo do silêncio que a cola ao céu de uma palavra que imobiliza.
Chegados a Argos, haveriam de formar, tempos depois, uma galáxia no azul do olhar, nas pedras preciosas dos seus cabelos negros, quando a noite vem lançar os seus prantos e os seus sossegos, na barca do desassossego.
Os dias abriam-se sobre as noites, como se nos devorassem o sentido, até que vimos que tem do nosso olhar o gesto e os cabelos são as mesmas ondas onde navegam barcos e sonhos amarados nos dedos. Fenícia de nós, em sua beleza dormiam as ninfas e a sua mãe já a tinha avisado que não se desafia o mar, esse gigante de humorosas águas!
O mar tem os seus rugidos, as suas zangas e tempestades, o mar não é só o fio azul que nos nasce no pulso e leva, coração aberto e fervente a Amores dado, o Mar é som saudoso, azul cobalto e doido. O mar do fim dos mares, trazia, no início dos tempos um olhar mais cruel, um sangue mais rápido a deslizar nas águas ancestrais. Esse animal era nosso parente e escrevia os nossos nomes sobre a pedra que a onda açoitava. Mais tarde, depois de entregue à paz do azul, viria o monstro agitar as águas desse imenso oceano.
Haveria de ser nos olhos da filha do orgulho, que morreria o monstro, ou ela desapareceria no ar: a mais bela das ninfas que o não era! Acorrentado à grande rocha, o olhar de Andrómeda era cristal que se abria como espuma. Que se partia na tristeza líquida de uma ampulheta de areias. Não tardaria a chegar o que chovia ouro sobre o corpo da que nada era, antes das eras que viriam. Perseu deixou cair no mar os cabelos de uma medusa e o rochedo chorou, dentro do olhar da acorrentada, a pedra em lume do seu amor. Foi nesse rochedo que contou à beleza de Andrómeda a história de Danae, filha de Argos. A pedra tinha sido, diziam, a cabeça do rival que hoje lança o olhar e a boca ao vasto firmamento. Ela que tinha visto o azul, enquanto esperava transformar-se em chuva de prata, olhar de lua sobre o agitado dorso do imenso mar. Ela tinha colhido o desejo de ver os cavalos a correr sobre a espuma da espera. A mesma que tinha visto o seu olhar deitar-se com o sol, na direcção do mar, na direcção da partida, da ausência. Ela que haveria de ter escrito a tinta azul e salgada, sobre a face do mistério, o nome de uma Saudade inominada. Saudade da neve sobre os rios; saudade do brilho que as coisas têm quando carregadas de oiro e divino olhar estrelado.
Andrómeda lançou de Perseu o olhar, e onde a vemos nos olha, oceano do mais alto olhar, poisar sobre nós as estrelas encantadas dos seus brilhos e das suas memórias. O que Andrómeda viu no mar, o que ela sentiu, antes de ser devorada em chamas arrefecidas na pedra do jardim líquido do grande senhor dos mares nem mesmo os poetas o saberão, ou talvez só eles.


Publicado por saudadesdofuturo em:
serpenteemplumada.blogspot.com

domingo, 24 de janeiro de 2010

E se Deus for (fosse/vier a ser) gay?

A propósito da polémica em torno das noivas de Santo António...


Não há nenhum entrave teológico a que Deus possa decidir sair do armário.

Encerrado que está em tantas caixas de preconceito e intolerância, Deus, se existir, terá uma tarefa complicada pela frente sempre que quiser comunicar com aqueles que acreditam nele.

Para alguns só seres que usem saias podem contactar directamente com Ele. Mas esses seres não podem ser mulheres. Têm que ser homens de barba rija que se abstêm de qualquer actividade sexual, mesmo que nela não envolvam terceiros.

O que parece que exclui o Príncipe Carlos que, de vez em quando, usa saias. Se bem que tenha umas orelhas que lhe permitiriam dedicar-se à escuta dos divinos ditames, parece que Deus não quererá nada com ele enquanto a sua matusalénica mãe não se decidir a passar-se de vez para o outro mundo. E isto dando de barato que a Igreja Anglicana é mesmo uma Igreja.

Ora, o que parece ser um sarilho teológico é a Humanidade precisar de procriar e, por isso, ter que chafurdar entre lençóis nas safadezas do sexo. Mais valia os homens não precisarem de se dar com mulheres. Não fosse o Adão chorar baba e ranho nas profundezas do seu inferno terreal, mesmo no centro do Paraíso, e uma das suas costelas não precisava de ser transformada numa tentação com pernas.

E se o Adão não se tivesse rebelado em relação à sua condição de homossexual? Caro leitor, não estou a abusar da sua paciência: o facto de só existir um homem, não tendo ainda sido inventada a mulher, essa criatura improvável, não significa que esse espécime nascido directamente da operosidade divina, pudesse, sequer, pensar em gostar de mulheres? como terá sido criado com todas as pendurezas que hoje ainda são bem evidentes até no mais requintado metrossexual, se tivesse vindo de origem com uma libido funcional, para quem se viraria ele? Se existisse outro ser igual a si, se calhar não se faria rogado. Não havendo, teria três opções: o onanismo, o bestialismo ou a teofilia. Sim, caro leitor, Adão poderia ver no próprio criador um foco de investimento objectal. Talvez a invenção da mulher tivesse sido um estratagema homofóbico. Quem sabe?

O que nos remete para o problema, muito bem colocado por Alberto Costa, das noivas de Santo António, em reacção à imprudência dos serviços camarários. Que um evento com o timbre do Estado Novo tenha voltado em força para povoar o imaginário popular com a propaganda ao casamento dos heterossexuais (embora com a inovação progressista dos casamentos pelo civil) não parece causar quaisquer problemas a um presidente da câmara socialista. Mas como é que se poderia arranjar noivas num casamento entre homens? Talvez os casamentos lésbicos pudessem fazer aumentar exponencialmente o número de noivas, o que deixaria, de certo, muito contentes os patrocinadores, pois teriam muitas mais fadas do lar no evento, com o mesmo dispêndio de verbas. Mas não se pode discriminar entre homens e mulheres no que diz respeito ao casamento. O que é muito justo. Por isso nem todas as noivas poderão participar nas noivas de Santo António.

Mas Santo António recusar-se-ia a partir a bilha às meninas lésbicas que iam à fonte? Não estaria assim a desmentir os evidentes sinais de precoce santidade que exibia quando, ainda pueril marmanjo, se metia tão descaradamente com as raparigas?

Mas voltando à opção sexual do próprio Deus (mais um argumento em favor da aparente monstruosidade teológica: Deus criou o homem à sua imagem e semelhança, não foi? Se o criou sexuado… Até o Descartes seria incapaz de descogitar esta conclusão…): Deus será, se existir e se tiver tomado uma opção sexual, teossexual, teófilo, por assim dizer. Mas aí talvez fique explicada a criação do homem. Não podendo criar outro Deus para com ele se antecipar ao argumentista do brokeback mountain, não terá sido por isso que das suas mãos saiu esse boneco de barro que hoje olhamos com desdém, 150 anos depois da publicação da Origem das Espécies. Seria uma espécie de boneca insuflável dos tempos antediluvianos? Talvez…

E o Paraíso Terreal poderá ter sido o cenário duma espécie de Peep-show. Pode bem ser que estejamos perante um Criador voyeurista. Nesse caso a mulher deu cabo do espectáculo. Foi uma intrusa no meio dum cenário elaboradíssimo. E a coisa deu para o torto. Ou o espectáculo estava montado para a coisa dar para o torto. Mas não vou entrar por aí para não ter que me ver com o caos da Patrística e as agudezas do problema do livre-arbítrio. Pena que naquela altura ainda não existissem jornalistas da SIC a promover petições a pedir ajudas tecnológicas para a arbitragem. O melhor seria já existirem essas coisas logo nos primeiros instantes da Criação. A coisa talvez teria saído mais escorreita… Imaginem um mundo em que o dióxido de carbono não provocasse o efeito de estufa, ou composto só de duas ou três espécies de bicheza para calar por antecipação os chatos dos ambientalistas sempre a clamar contra o fim da biodiversidade. Mas convenhamos que a criação do Adão sem um par foi um golo na própria baliza. Isso parece-me irrefutável.

Tanto atabalhoamento é como terem deixado entrar um emplastro numa megaprodução do Cecil B. Demille. Imaginem o Cromagnon de direita, defensor acérrimo da posse de armas, a fazer de Moisés, com as tábuas da Lei no ar, pronto a dar vazão à sua birra de quem viu Deus e ninguém quis saber, e lá ao fundo, um fulano português a gritar «Pinto da Costa olé, olé…».

Mas se a História tiver um sentido teodiceico, e ninguém pode negá-lo em absoluto, talvez o Criador possa chegar à conclusão de que o melhor é assumir de vez a sua tendência para sobrestimar o lado masculino das coisas. Mas talvez venha até a ser excomungado pelos seus mais poderosos representantes. «Não há lugar aqui para um Deus teófilo, fim à teofilia!».



Publicado por Paulo Feitais em:
serpenteemplumada.blogspot.com

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

ANATÓLIO ATRASADO




Plasmado conteúdo de Dionísio, magma, flores como alimento para cães

Estava eu, dia de Natal, sozinho no quintal de avô. Reparava nos sapatos disformes e nas gotas de agua simultâneas e actuais, cavando um buraco em pouco tempo. Não seria suficiente para a cova de meu tamanho?
Para se interessar nesses valores, nos seus problemas, quem? eu não era certamente


Homero (decerto não, apenas um Bêbado que tropeça, para de pronto se erguer com uma expressão lívida e embevecida, um semi contador de odisseias um comedor de flores) apurando os olhos para a verdade ser enfim mais bela, deu valor aos clássicos (o valor do sacrifício absurdo). Pungente holocausto, para quem semeou os alimentos para a Odisseia, Os - FRUTOS SENSÍVEIS - e a arrumou para nos fazer engonhar coisas com o chapéu de natal
de rojo perante o concreto pastiche, cidade de vacas velhas e pederastas e o campo, não menos representativo, recheado de saloios dementes barros primordiais (o que se conhece, fôra esse oceano)

“faze o sinal da Cruz nessa jaqueta cheia de nódoas de vinho”

como os pastorinhos de Fátima As estátuas a baterem os pés no tecto do céu, porque se estaria a cismar de viagens?


as tragédias tinham a dignidade para quem encontrou o tratado de ontologia no lixo, ao pé de folhas de figueira e duma bíblia em língua chinesa

desilusão maçónica em códigos complicados por um tenente do Júlio de Matos (que se há de fazer?)

assim, esta métrica coerência lógica, dramatiza-se dessa constante manifestação da Natureza ao Eu e viceversa

exame viagem

o numérico interveniente

que posteriormente não pôde pedir satisfações a nada que se pareça com posto hierárquico ou ideia, ou ter segundas opiniões antes de editar

(estava no dia de Natal, embevecido e crente),
Empreendendo a viagem a dias, numa comparação abusiva a Homero (no signo das odisseias de um esqueleto, universal)

E o raciocínio
Pronto, ficou assim, mesmo inibido/comedido, ignorante perante o que lhe explicam as naturezas, imensa muralha de causa e seu propósito...

A natividade dessa comparação abusiva mas pertinente constância

Que tragi-cómica feição de automatizar escraviza na presença.

...

Publicado por Coelacanto provoca maremoto na Serpente Emplumada, um blogue viciadamente livre e louco, que sabe sempre a pouco:

serpenteemplumada.blogspot.com

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Feliz Ano Novo a tod@s, inimigos, indiferentes e amigos!




Desejo um Feliz Ano Novo a tod@s - inimigos, indiferentes e amigos - , um Ano, uma Vida, um Mundo e um Universo livres de fronteiras, sejam mentais, emocionais, nacionais, linguísticas, culturais, religiosas, ideológicas, sociais, de sexo ou de espécie! Desejo-me e desejo-vos isso desejando-me e desejando-vos a Realidade, desde sempre livre de si e de todos os demais muros e ilusões que as nossas pobres mentes inventam para se torturarem a si e aos outros.

Sejamos livres, sagazes, amorosos, felizes e contagiantes, como dizia Agostinho da Silva!

E que Portugal e a Lusofonia se desvendem Universo!

Saudações fraternas

Livro de Horas de "Saudades-do-futuro" - Serpentes de Mar

(Para os da Serpente (e os do Jardim): Livro de Horas de Saudade. Horário e sabor das "poisagens" de alma. Livro das horas de uma entrega às Índias de Alma do Corpo alado dos Poetas não regressados. Poesia e Verdade?:))

"Serpente do Mar"


O Silêncio engole-me os desejos e um deus vivo entra na pele desse extremo arrepio. Corta o silêncio em dois uma fina navalha de bruma!


O que sinto e o que penso: poentes nascidos no avesso do ser. Por regressar!


Quem me dera morrer (me) na inocência azul de uma bola de frescura, na minha testa em febre! A Natureza de uma coroa na cabeça de uma Serpente.


A aura do mar levantou a beleza, a pedir perdão aos céus de dor tão supremamente bela!


Não posso sentir o que penso. Não posso dizer o que sinto. O Silêncio engole-me, como em uroboros(a) serenidade o mar aceita a luz nele entrada.


Uma luz entra nos poros, lisa, luminosa. Ir para onde sopra o vento ou dele desatar o nó que chia no apertar estreito da manhã. Um regresso para passados do futuro.


Escrever é uma paisagem das horas, uma companhia de solidão.


Há litanias na voz. O mar é uma maçã de vento. Não espera o sabor do dia. Há pomos que têm jardins na boca.


Uma baía é um mar fêmea. Atracam nela os barcos como horas de atraso no porto. Deitam-se os sóis, acordam os dias! Não há barcos para a Alegria! Vem ver-me dormir, tristeza! Literatura das horas!


Sem o Real existir não haveria matéria, nem sólida nem rarefeita, para construir castelos que suspendem o próprio ar, sem peso; nem haveria poemas para saudar as coisas que vivem na imaginação do Real.

Crescem nas suas asas: os sonhos! Vejo a aura do sol nas minhas costas!

Há palavras que se comem, outras, desaparecem esbatidas na paisagem, como cinza de neve a derreter no céu-da-boca húmido das palavras mais leves. Com essas e com as outras fazem-se barcas, que são nuvens, desfeitas: sopros de pétalas!

Os barcos estão há tanto tempo parados! As âncoras são poema condenados a navegar: Ulisses de uma Penélope longe dos barcos. As gaivotas atravessam o ar. O instante é perfeito.


Há vento entrado no pescoço do mar. Ainda a beleza da vida brota em luz!


Há um momento em que a vida transborda da taça da palavra. Que seja Azul, lápis-lazúli da alma. Quem tarda?!

A luz, ombro a ombro com o azul, inventa o horizonte. Há barcos desde a véspera. São recortes de não regresso, são poentes olhos na paisagem.

UM ANO CHEIO DE BELEZA, DE BONDADE E DE VERDADE!

FELIZ 2010!



Publicado por Saudadesdofuturo em:

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terça-feira, 10 de novembro de 2009

Manifesto "Refundar Portugal", Serpente Emplumada e Revista "Entre" - Por uma Vida Outra



Para quem sentir que Portugal é sinónimo de universalidade e que deve ser recriado de acordo com as grandes exigências e desafios planetários do século XXI, exortamos a que leia, reflicta e comente o Manifesto "Refundar Portugal", já com quase meio milhar de adesões no grupo de discussão para já criado no Facebook e no final deste post republicado. O Manifesto actualiza e concretiza o espírito presente no Manifesto da Revista "Nova Águia" e assume-se na continuidade das grandes propostas de reforma mental, cultural, social e política que tem sido apresentadas em Portugal desde o final do século XIX.

O Manifesto visa sair do mundo virtual e apresentar publicamente um conjunto de ideias urgentes para um Outro Portugal, que sirvam de plataforma a um movimento de intervenção cívica e cultural:

http://www.facebook.com/group.php?gid=161502509390&ref=ts

Quem desejar um blogue livre e louco, participe no Serpente Emplumada:

serpenteemplumada.blogspot.com

Quem quiser conhecer e participar num blogue dedicado ao diálogo entre tradições, culturas e civilizações, embrião de uma nova revista em parceria com a Associação Agostinho da Silva e com o movimento do Manifesto "Refundar Portugal", a lançar no início de 2010, visite e colabore na ENTRE:

arevistaentre.blogspot.com

Manifesto "Refundar Portugal"

2010 é o ano em que passa um século sobre a implantação da República em Portugal e no início de 2011 realizar-se-ão eleições presidenciais. Independentemente da questão do regime, 2010 impõe-se como um marco fundamental para lançar uma reflexão pública sobre o país e o mundo que temos e queremos. Reflexão tanto mais urgente quanto há sinais cada vez mais evidentes do crescente divórcio entre o Estado e a sociedade, traduzido em eleições onde a abstenção triunfa sistematicamente, fruto do descrédito galopante da classe política, da própria política e do deserto de ideias em que vivemos, mas também do comodismo e indiferentismo dos portugueses, que muito criticam, mas dificilmente buscam conceber alternativas e pô-las em prática.

Aqui se apresenta a proposta de um cidadão português que, no decurso da sua docência universitária, obra publicada e intervenção cultural, tem seguido com interesse e preocupação os rumos recentes de Portugal e do mundo. Convicto de que urge refundar Portugal, eis uma lista de prioridades para o país e o mundo melhor a que temos direito e que todos temos o dever de construir. Agradecem-se os contributos críticos, de modo a que a proposta se aperfeiçoe e complete e sirva de plataforma para a discussão pública e a intervenção cultural e cívica que visa, pelos meios que se verificarem ser os mais oportunos.

I – Portugal é uma nação que, pela diáspora planetária da sua história e cultura, pela situação geográfica e pela língua, com 240 milhões de falantes em toda a comunidade lusófona, tem a potencialidade de ser uma nação cosmopolita, uma nação de todo o mundo, que estabeleça pontes, mediações e diálogos entre todos os povos, culturas e civilizações. Este perfil vocaciona-nos para o cultivo dos valores mais universalistas, promovendo o diálogo com todas as culturas mundiais. Os valores mais universalistas são aqueles que promovam o melhor possível para todos, uma cultura da paz, da compreensão e da fraternidade à escala planetária, visando não apenas o bem da espécie humana, mas também a preservação da natureza e do bem-estar de todas as formas de vida animal, como condição da própria qualidade e dignidade da vida humana.

II – O nosso potencial universalista tem sido sistematicamente ignorado pelas nossas orientações governativas, desde a época dos Descobrimentos até hoje. Se no passado predominou a pretensão de dilatar a Fé e o Império, hoje predomina a sujeição da nação aos novos senhores do mundo, as grandes esferas de interesses político-económicos. Portugal está ao serviço da globalização de um paradigma de desenvolvimento económico-tecnológico que explora desenfreadamente os recursos naturais e instrumentaliza homens e animais, donde resulta um enorme sofrimento, um fosso crescente entre homens, classes, povos e nações, a redução da biodiversidade e o arrastar do planeta para uma crise sem precedentes.

III – A assunção do nosso potencial universalista implica uma reforma das mentalidades, com plena expressão ética, cultural, social, política e económica. Nesse sentido se propõem as seguintes medidas urgentes, que visam implementar entre nós um novo paradigma, convergente com as melhores aspirações humanas e com os grandes desafios deste início do século XXI:

1 – Portugal deve dar prioridade absoluta a um desenvolvimento económico sustentado, que salvaguarde a harmonia ecológica e o bem-estar da população humana e animal. A Constituição da República Portuguesa deve consagrar a senciência dos animais – a sua capacidade de sentir dor e prazer - e o seu direito à vida e ao bem-estar. Portugal deve aprender com a legislação das nações europeias mais evoluídas neste domínio, adaptando-a à realidade nacional.

2 – Portugal deve ensaiar modelos de desenvolvimento alternativos, que preservem e promovam a diversidade cultural, biológica e ecoregional. Há que promover a sustentabilidade económica do país, desenvolvendo as economias locais. Devem-se substituir quanto possível as energias não-renováveis (petróleo, carvão, gás natural, energia nuclear), por energias renováveis e alternativas (solar, eólica, hidráulica, marmotriz, etc.), superando o paradigma, a vulnerabilidade e as dependências de uma economia baseada no petróleo e nos hidrocarbonetos. Deve-se particularmente explorar as potencialidades energéticas dos nossos mais de 900 km de costa.

3 - Devem-se ensaiar formas de organização económica cujo objectivo fundamental não seja apenas o lucro financeiro. Deve-se assegurar o predomínio da ética e da política sobre a economia, de modo a que a produção e distribuição da riqueza vise o bem comum do ecossistema e dos seres vivos, a satisfação das necessidades básicas dos homens e a melhoria geral da sua qualidade de vida, bem como o acesso de todos à educação e à cultura.

4 - Deve-se investir num programa pedagógico de redução das necessidades artificiais que permita oferecer alternativas ao produtivismo e consumismo, fazendo do trabalho e do desenvolvimento económico não um fim em si, com o inevitável dano da harmonia ecológica, da biodiversidade e do bem-estar de homens e animais, mas um mero meio para a fruição de um crescente tempo livre de modo mais gratificante e criativo. Deve-se fiscalizar mais rigorosamente o crédito ao consumo, de forma a evitar o crescente endividamento das famílias.

5 – Há que criar um serviço público de saúde eficiente e acessível a todos, que inclua a possibilidade de optar por medicinas e terapias alternativas, de qualidade e eficácia comprovada, como a homeopatia, a acupunctura, a osteopatia, o shiatsu, o yoga, a meditação, etc. Estas opções, bem como os medicamentos naturais e alternativos, devem ser igualmente comparticipadas pelo Estado.

6 – Importa informar e sensibilizar a população para os efeitos nocivos de vários hábitos alimentares - nomeadamente o consumo excessivo de carne - , para o meio ambiente, a saúde pública e o bem-estar de homens e animais. Sendo uma das principais causas do aquecimento global, do esgotamento dos recursos naturais e do sofrimento dos animais, há que restringir e criar alternativas à agropecuária intensiva. Deve-se divulgar a possibilidade de se viver saudavelmente com uma alimentação não-carnívora, vegetariana ou vegan e devem-se reduzir os impostos sobre os produtos de origem natural e biológica.

7 - Portugal, a par do desenvolvimento económico sustentado, deve investir sobretudo nos domínios da saúde, da educação e da cultura, não só tecnológica, mas filosófica, literária, artística e científica. O Orçamento do Estado deve reflectir isso, reduzindo os gastos com a Defesa, o Exército e as obras públicas de fachada. Urge moralizar e reduzir os salários e reformas de presidentes, ministros, deputados e detentores de cargos na administração pública e privada, a par do aumento dos impostos sobre os grandes rendimentos.

8 - Redignificar, com exigência, os professores e todos os profissionais ligados à educação e à cultura. A educação e a cultura não devem estar dependentes de critérios economicistas e das flutuações do mercado de emprego. Os vários níveis de ensino visarão a formação integral da pessoa, não a sacrificando a uma mera funcionalização profissional. A par disto, há que sensibilizar as famílias para não abandonarem as crianças em frente dos computadores e dos maus programas de televisão. A televisão pública deve melhorar o seu nível, investindo mais em programas de informação e formação.
Nos vários níveis de ensino deve ser introduzida uma disciplina que sensibilize para o respeito pela natureza, a vida humana e a vida animal, bem como outra que informe sobre a diversidade de paradigmas culturais, morais e religiosos coexistentes nas sociedades contemporâneas. Nos mesmos níveis de ensino deve estar presente a cultura portuguesa e lusófona, bem como as várias culturas planetárias. Um português culto e bem formado deve ter uma consciência lusófona e universal, não apenas europeia-ocidental.
A meditação, com benefícios científicamente reconhecidos - quanto ao equilíbrio e saúde psicofisiológicos, ao aumento da concentração e da memória, à melhoria na aprendizagem, à maior eficiência no trabalho e à harmonia nas relações humanas - , deve ser facultada em todos os níveis dos currículos escolares, em termos puramente laicos, sem qualquer componente religiosa.

9 - Portugal deve assumir-se na primeira linha da defesa dos direitos humanos e dos seres vivos em todos os pontos do planeta em que sejam violados, sem obedecer a pressões políticas ou económicas internacionais. Portugal deve ser um lugar de bom acolhimento para todos os emigrantes e estrangeiros que o procurem para trabalhar e viver.

10 – Portugal deve aprofundar as relações culturais, económicas e políticas com as nações de língua portuguesa, incluindo a região da Galiza, Goa, Damão, Diu, Macau e os outros lugares da nossa diáspora onde se fala o português, sensibilizando a comunidade lusófona para as causas universais, ambientais, humanitárias e animais.

11 - Portugal deve promover a Lusofonia e os valores universalistas da cultura portuguesa e lusófona no mundo, dando o seu melhor exemplo e contributo para converter a sociedade planetária na possível comunidade ético-cultural e ecuménica visada entre nós por Luís de Camões, Padre António Vieira, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva. Portugal deve assumir-se como um espaço multicultural e de convivência com a diversidade, um espaço privilegiado para o tão actual desafio do diálogo intercultural e inter-religioso, alargado ao diálogo entre crentes e descrentes. Deve precaver-se contudo de tentações neo-imperialistas e de qualquer nacionalismo lusófono ou lusocêntrico. A Lusofonia não deve abafar outras línguas e culturas que existam no seu espaço.

12 - Verifica-se haver em Portugal e na Europa em geral uma grave crise de representação eleitoral, patente na elevada abstenção e descrédito dos políticos, dos partidos e da política, os quais, segundo a opinião geral, apenas promovem o acesso ao poder de indivíduos e grupos que sacrificam o bem comum a interesses pessoais e particulares, com destaque para os das grandes forças económicas. As eleições são assim sistematicamente ganhas por representantes de minorias, relativamente à totalidade dos cidadãos eleitores, que governam isolados da maioria real das populações, que os consideram com alheamento, desconfiança e desprezo, tornando-se vítimas passivas das suas políticas. O actual sistema eleitoral também não promove a melhor justiça representativa, não facilitando a representação de uma maior diversidade de forças políticas e limitando-a às organizações partidárias, o que contribui para a instrumentalização do aparelho de Estado, dos lugares de decisão político-económica e da comunicação social pelos grandes partidos.
Esta é uma situação que compromete seriamente a democracia e que a história ensina anteceder todas as tentativas de soluções ditatoriais. Há que regenerar a democracia em Portugal, reformando o estado e o sistema eleitoral segundo modelos que fomentem a mais ampla participação e intervenção política da sociedade civil, facilitando a representação de novas forças políticas e possibilitando que cidadãos independentes concorram às eleições. Deve-se recuperar a tradição municipalista portuguesa e promover uma regionalização e descentralização administrativa equilibradas, assegurando mecanismos de prevenção e controlo dos despotismos locais.
Há que colocar a política ao serviço da ética e da cultura e mobilizar a população para a intervenção cívica e política em torno dos desafios fundamentais do nosso tempo, com destaque para a protecção da natureza, o bem-estar dos seres vivos e uma nova consciência planetária. Há que mobilizar os cidadãos indiferentes e descrentes da vida política, a enorme percentagem de abstencionistas e todos aqueles que se limitam a votar, para a responsabilidade de reflectirem, discutirem e criarem o melhor destino a dar à nação. Há que, dentro dos quadros democráticos e legais, promover formas alternativas de intervenção cultural, social e cívica, que permitam antecipar tanto quanto possível a realidade desejada, sem depender dos poderes instituídos.

Convicto de que estas medidas permitirão que Portugal recupere o pioneirismo e criatividade que o caracterizou no impulso dos Descobrimentos, mas agora sem escravizar e explorar outros povos, apelo a que todos dêem o vosso contributo para a discussão, aperfeiçoamento e divulgação deste Manifesto. De todos nós depende que ele se constitua na plataforma de um movimento cívico e cultural de reflexão e acção, que nos arranque ao comodismo e passividade em que estamos instalados.

Vamos Refundar Portugal!

Saudações fraternas

Paulo Borges
pauloaeborges@gmail.com
Lisboa, 20 de Outubro de 2009

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Primeiro aniversário do blog "Serpente Emplumada"

O blog "Serpente Emplumada" cumpre hoje o primeiro aniversário. É um espaço aberto às experiências-limites da vida, estando aberto a quem se sintonize com o projecto.

Como prenda de aniversário a todos, aqui se repete o seu primeiro post, intitulado "Provocações":

"O "eu" constitui o privilégio apenas daqueles que não vão até ao fim de si mesmos" - Emil Cioran, A Tentação de Existir .

Que possamos residir sempre no fundo, sem fundo, de nós mesmos!

serpenteemplumada.blogspot.com