A Águia, órgão do Movimento da Renascença Portuguesa, foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal. No século XXI, a Nova Águia, órgão do MIL: Movimento Internacional Lusófono, tem sido cada vez mais reconhecida como "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português". 
Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra). 
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa). 
Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286. 

Donde vimos, para onde vamos...

Donde vimos, para onde vamos...
Ângelo Alves, in "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo".

Manuel Ferreira Patrício, in "A Vida como Projecto. Na senda de Ortega e Gasset".

Onde temos ido: Mapiáguio (locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA)

Albufeira, Alcáçovas, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belmonte, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Ermesinde, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Famalicão, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guarda, Guimarães, Idanha-a-Nova, João Pessoa (Brasil), Juiz de Fora (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Mirandela, Montargil, Montijo, Murtosa, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pinhel, Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Sagres, Santarém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Teresina (Brasil), Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vigo (Galiza), Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.
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segunda-feira, 1 de maio de 2023

Para (re)ler: “Pensamento e Movimento”, de Pinharanda Gomes

 


- "Pensamento e Movimento", Lisboa, Fundação Lusíada/ MIL/ DG Edições, 2022, 133 pp.

ISBN: 978-989-53483-9-8


Para encomendar: info@movimentolusofono.org


Passado já mais de um par de anos sobre a sua partida, ainda nos é assaz difícil falar de Pinharanda Gomes sem uma profunda emoção. Sendo que a reedição desta obra não constitui, de todo, um gesto emocional.

Se um país se sustenta, em última instância, na sua Língua e Cultura, é a Filosofia que, a montante, mais profundamente anima a Cultura e a Língua. A essa luz, a reedição de Pensamento e Movimento, de Pinharanda Gomes, uma das obras mais filosóficas de todo o nosso século XX, é um serviço que prestamos à nossa Língua e Cultura. Não é, pois, um gesto emocional, antes um acto “cirúrgico”, sobretudo atendendo à nossa circunstância.

Numa época em que, com efeito, o exercício da filosofia em língua portuguesa é dissuadido no plano político (mais concretamente: no plano do financiamento público), é como nunca necessário dar a conhecer obras que realizam esse exercício da filosofia em língua portuguesa de forma particularmente luminosa.

Como recorda o próprio Pinharanda Gomes, os primeiros textos desta obra foram redigidos entre 1971 e 1972 – ou seja, há meio século. Meio século depois, esta obra, primeiramente publicada em 1974, permanece por inteiro actual e operativa. Por isso a entendemos republicar, naturalmente com a anuência da D. Judite da Conceição Santos, a sua companheira de sempre, e o apoio expresso do Dr. Abel Lacerda Botelho, Presidente da Fundação Lusíada, em mais uma edição conjunta com o MIL: Movimento Internacional Lusófono.

Numa época em que, de facto, Portugal está a ser filosoficamente colonizado, é premente partilhar obras como Pensamento e Movimento. Para nos ajudar, cada um de nós, a pensar – na nossa língua, única forma de nós realmente pensarmos. Para nos ajudar, cada um de nós, a mover-se – e assim a sair deste marasmo em que, culturalmente, Portugal se encontra. Gratos, pois, Pinharanda Gomes, por mais este teu serviço – a Portugal, a toda a Lusofonia. Gratos, enfim, ao Elísio Gala, nosso cúmplice desta reedição.

Renato Epifânio

domingo, 19 de março de 2023

Na NOVA ÁGUIA 31, sobre Pinharanda Gomes...

 

ACERCA DA RELAÇÃO TEÓTICA DA SAUDADE: INTERROGAÇÃO A PINHARANDA GOMES

Manuel Cândido Pimentel

Tendo a coincidir com Pinharanda Gomes ao afirmar «quanto a saudade é problemática, enigmática, senão misteriosa»[1]. Situado numa cronologia de autores que desde D. Duarte têm vindo a refletir sobre este sentimento ímpar, também ele o tomou na problemática, interrogou na enigmática e veio a quedar-se na mais alta visão do mistério sem idade e sem tempo que é o próprio Deus.

O problema substancial que o ocupou diz respeito à questão de saber se a saudade é apenas privilégio do homem; propôs para o enigma uma resposta de tipo antropológico, gnosiológico e cosmológico; e deteve-se no grau superior, já ontológico, já teológico, interrogando-se se a saudade poderá lobrigar-se em Deus. À cifra deste mistério ultimante respondeu negativamente, por reconhecer que a saudade é sentimento humano, coerente com a incompletude do ser criado.

A análise metacognitiva[2] a que submete a saudade a partir do arcaísmo filológico da suidade leva-o a entender que o sui reenvia para a solitate, no sentido radical da solidão do eu, um fenomenológico solus ipse que propõe a natural posição do ser suidoso enquanto singularidade que está aí no isolamento de um cosmo que, no entanto, tem de característico tocar, por paredes meias, o infinito de uma transcendência amante e amável.



[1] Pinharanda Gomes, «Saudade e Ser», in Pensamento e Movimento, Porto, Lello & Irmão – Editores, 1974, p. 17. O adjetivo «teótico», do antigo grego théosis, que significa divinização ou deificação, subsiste, por exemplo, em apoteose (apothéōsis), o ato de deificar, de elevar ao nível dos deuses. Por teótico se deve entender o que tem relação com o divino e que diz respeito ao divino, adjetivando-se teótica a relação dos saudosos com Deus e da saudade em Deus, sendo esta a relação dita por excelência, última e primeira na ordem das essências às existências.

[2] Ela é antropológica em primeira instância, mas com consequências a um nível gnosiológico, o que permite dizer que da reflexão filosófica de Pinharanda é suscetível desentranhar-se uma fenomenologia da saudade, num certo sentido complementar à de Joaquim de Carvalho, mas que, no autor de «Saudade ou do mesmo e do outro», remete para uma antropologia, que lhe serve de antecâmara. Ela transita do radical sui para um eu que promove e quer a companhia de outros eus ou mónadas solidárias. A saudade seria assim o vínculo de um à alteridade de outros.

(excerto)

quarta-feira, 14 de setembro de 2022

15 de Setembro: Colóquio «Pinharanda Gomes: historiador do pensamento português», na Biblioteca Nacional...

 

14h30 - 16h30

O que ainda não se disse sobre Pinharanda Gomes

Oradores: António Braz Teixeira, Manuel Cândido Pimentel, Samuel Dimas


Lançamento do livro de Pinharanda Gomes, Pensamento e Movimento

Apresentação: Abel de Lacerda Botelho, Elísio Gala, Renato Epifânio

 

17h00-17h30

Visita guiada à mostra Pinharanda Gomes: historiador do pensamento português

Com os comissários Fabrizio Boscaglia e Renato Epifânio

quarta-feira, 13 de abril de 2022

Sala cheia, na Biblioteca Nacional...

 





13.04.22 – 17h30: Biblioteca Nacional
(apresentação da NOVA ÁGUIA nº 29, com inauguração de uma Exposição de Homenagem a Pinharanda Gomes)


segunda-feira, 11 de abril de 2022

12 e 13 de Abril: mais 3 sessões de apresentação da NOVA ÁGUIA 29...

 12.04.22 – 16h30: Museu Judaico de Belmonte

12.04.22 – 21h00: Casa da Cultura de Pinhel

13.04.22 – 17h30: Biblioteca Nacional
(com inauguração de uma Exposição de Homenagem a Pinharanda Gomes)

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

Na NOVA ÁGUIA 29: Entrevista a Pinharanda Gomes...

 

– Estamos quase a finalizar e queríamos pedir algumas palavras para os jovens de hoje…

PG — É difícil. A Filosofia não é uma coisa que se faça, apesar de haver um livro que se chama Fazer Filosofia, que é uma expressão problemática… A Filosofia não se faz, não é uma coisa que se faça; é um acto interior que depois sai ou não sai expresso em palavras. De modo que o conselho que posso dar às novas gerações é: se quereis gostar de filosofia, então filosofai!

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

De Marcelo Rebelo de Sousa, sobre Pinharanda Gomes, na NOVA ÁGUIA 25...

Excerto do Discurso de Sua Excelência, o Presidente da República, no Encerramento da Sessão de Homenagem a Pinharanda Gomes (Palácio da Independência, 7 de Outubro de 2019).

As notícias e verbetes de enciclopédia sobre Pinharanda Gomes destacam o que é justo e evidente: não houve mais ninguém que batalhasse tanto pela Filosofia Portuguesa. Pinharanda não a fundou, não a inventou, mas dedicou décadas a difundir, sistematizar, esclarecer e defender um pensamento que se queria enraizado numa condição portuguesa, mas também numa tradição ocidental, marcada pela «fidelidade ao magistério de Aristóteles», com o seu prolongamento no tomismo e noutras correntes, cristãs ou laicas. Quanto à específica genealogia portuguesa, Pinharanda lembrou, entre tantos, os Conimbricenses do Colégio das Artes, a Escola do Porto, a Renascença Portuguesa ou o movimento em torno do jornal 57. Isso significa, só para nos atermos aos modernos, uma plêiade de nomes muito diversos, e nem sempre compatíveis entre si, como Pascoaes, Sampaio Bruno, Leonardo Coimbra, Álvaro Ribeiro, Cunha Leão, Orlando Vitorino, Afonso Botelho, António Quadros ou António Braz Teixeira. Que a Filosofia Portuguesa não é monolítica garantiu Pinharanda Gomes ao escrever que brota de fontes tão diferentes como o interiorismo, o racionalismo, o futurismo, o messianismo, o evolucionismo criacionista, o simbolismo, o espiritualismo franciscanizante, o atlantismo e o saudosismo.
E porque é que é «portuguesa»? Respondeu Pinharanda, em 1986, que «o termo filosofia portuguesa requer a norma de que, não obstante a universalidade da filosofia, isso não retira à sua universal forma o sentido situado e concreto, próprio de todo o universal que se revela em teoria através do particular, a problemática concreta da cultura portuguesa (…)». É, acrescentou, como o vinho do Porto: o vinho é do Porto, mas a essência do vinho do Porto não é ser do Porto, é ser vinho.
E não sei o que é mais notável, se esta vasta e infatigável produção, se o facto de tal erudição se basear num estudo auto-didacta. A noção de pensamento «nacional», de um pensamento «português», a colagem a uma exclusiva ideia «saudosista», com duvidosas porque imprecisas conotações políticas, não ajudaram a causa da Filosofia Portuguesa, hostilizada no meio académico, que além do mais via Pinharanda Gomes como um corpo estranho, sem as cartas de linhagem devidas. E, no entanto, ouvimos esta tarde, e fomos lendo ao longo dos anos, personalidades de distintos quadrantes e distintas convicções louvar o trabalho de sistematização, historiografia e doutrinação dialogante que foram, ao longo de seis décadas, a marca de Pinharanda.

sábado, 27 de julho de 2019

A Pátria Lusófona está de luto: Pinharanda Gomes (16.07.1939 - 27.07.2019)



"O maior historiador do pensamento português de todos os tempos numa perspectiva espiritualista e católica, estatuto que reivindica desde os primeiros livros e a que sempre se manteve fiel, a obra de Pinharanda Gomes é, devido à inúmera multiplicidade de temas abordados, tão vasta quanto impossível de ser sintetizada num único artigo, exigindo uma equipa multidisciplinar."

Miguel Real, justificando o Prémio Vida e Obra atribuído a Pinharanda Gomes no II Festival TABULA RASA (in Tabula Rasa: 2º Festival Literário de Fátima, coord. de Renato Epifânio, Sintra, Zéfiro, 2019).



PS: O velório será amanhã, a partir das 17h, na Igreja de Santo António dos Cavaleiros.
O funeral será segunda, às 10h, em Missa presidida por D. Manuel Clemente.

segunda-feira, 19 de março de 2018

20 de Março: Doutoramento Honoris Causa - Pinharanda Gomes

Doutoramento Honoris Causa - Pinharanda Gomes

20 de Março de 2018,  na Universidade da Beira Interior, Anfiteatro das Sessões Solenes, (Polo I) 14:30h
 

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Prémio Vida e Obra "Tabula Rasa" 2017: Pinharanda Gomes



Ao longo de meio século, Jesué Pinharanda Gomes produziu uma obra ímpar, pela sua extensão e qualidade, no domínio da historiografia do pensamento português, como é reconhecido por todos aqueles que se dedicam ao estudo da nossa reflexão filosófica multissecular.
Desde a Introdução à História da Filosofia Portuguesa (1967), dos sete volumes da série Pensamento Português (1969-1993), de A teodiceia portuguesa contemporânea (1974), A filosofia tomista em Portugal (1978) ou dos três volumes da pioneira História da filosofia portuguesa (1981, 1983 e 1991) – em que, pela primeira vez, a contribuição hebraica e árabe para a constituição de uma tradição especulativa autónoma foram consideradas global e sistematicamente –, até ao volume sobre Os Conimbricenses (1992 e 2005), aos estudos dedicados à Escola Portuense (2005) ou à sua valiosa colaboração em diversos volumes da História do Pensamento Filosófico Português (1999-2004), dirigida pelo Professor Doutor Pedro Calafate, a obra historiográfica de Pinharanda Gomes tem-se caracterizado pela seriedade intelectual, pelo rigor hermenêutico, pela lúcida compreensão reflexiva de obras, autores e correntes, pela clareza expositiva e qualidade literária, que fazem dela um marco essencial nos estudos contemporâneos da nossa história filosófica.
Ao mesmo tempo, não deixou Pinharanda Gomes de realizar significativa obra especulativa própria, em livros e ensaios como Exercício da morte (1964), Peregrinação do Absoluto (1965), Teoria do pão e da palavra (1973), Pensamento e movimento (1974) ou Saudade ou do mesmo e do outro (1976).
Por outro lado, são ainda merecedoras de referência a sua continuada contribuição para o estudo da história e da etnografia da sua região natal e os importantes trabalhos que produziu no domínio da história da reflexão teológica portuguesa e da história eclesiástica do nosso país.
Co-organização MIL/ NOVA ÁGUIA - para mais informações:
http://www.tabularasa.pt/

domingo, 4 de setembro de 2016

De Pinharanda Gomes, para a NOVA ÁGUIA 18...


A RENASCENÇA PORTUGUESA E A SEARA NOVA
Pinharanda Gomes
 
"Quanto às linhas filosóficas predominantes, parece que o sergismo não gerou um discipulato, enquanto o leonardismo tem gerado uma sucessão de discípulos que se reivindicam da herança renascentista."

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

De Pinharanda Gomes, para a NOVA ÁGUIA 16...


“Quando estejas em sociedade, segue o tom e o porte dos outros, e não trates de impor o teu, porque é de mau gosto. Busca não contares histórias e anedotas, nada há tão aborrecido quando se conversa, e nunca empregues a palavra eu que está sempre a saltar nos lábios dos tolos”. (Carta do Conde de Chesterfield a seu filho, mencionada e traduzida pelo Cavaleiro de Oliveira, e registada por Ferreira Deusdado na obra Educadores Portugueses, nova edição, p. 341). Regra assumida e levada à prática nos convívios dos mestres Álvaro Ribeiro/ José Marinho.

Entrecampos (excerto)

segunda-feira, 30 de março de 2015

Entrevista a Pinharanda Gomes, na NOVA ÁGUIA 15...

Luís de Barreiros Tavares - O que é a filosofia em sentido lato?
Pinharanda Gomes - A ideia de uma “filosofia em sentido lato” causa alguma perplexidade, salvo se a entendermos como paráfrase do termo septivio, caro à Escolástica medieval e constituído pelo organon de toda as ciências ou saberes, o saber enciclopédico ou universal arrumado nos cursos do trivio e do quadrívio. Todavia, o saber enciclopédico é muito mais um fruto da filosofia do que a filosofia propriamente dita. Enquanto aquele abrange a prática das ciências ao modo iluminista, pelo que da respectiva prática melhor se predica o adjectivo sábio (o francês “savant” parece ter gozado de prestigiada aura no ciclo do iluminismo), a filosofia mostra o carismático pudor de ainda não saber o todo de tudo, mesmo que aceda, ou vá acedendo, a algum grau de saber. Como se diz no adágio paradoxal, se sabe demais já não é filosofia. Pode sair da via ignorantiae e requerer o lugar na sedes illustrata, que ilustra, ou luz.
Em contraste, a filosofia é mendicante ou, por andar à procura, ou do saber, ou da sabedoria. Mendiga descalça, isto é, sem defesa, na ascese do que procura. Por isso, e sendo claro e universalmente aceite que a palavra todos a recebemos da língua grega, preferimos a definição considerada banal ou trivial, que se faz mediante a figura do truísmo ou da tautologia, definindo o sujeito, pondo o seu nome no lugar do predicado: filosofia é filosofia.
Entendemos que a definição pura e casta é a iniciática grega, que podemos transliterar no prolóquio que se lê: “Filosofia é o amor da sabedoria”. O princípio da filosofia é o amor, a causa final desse amor é a Sabedoria. E que é a Sabedoria? Se soubéssemos objectivamente e sem equívoco, a Filosofia já não seria necessária. Com efeito, o saber ainda não é sabedoria. No saber cabe o conhecimento de todas as disciplinas triviais e quadriviais ou facultativas, abrangendo-as num sistema dos saberes ou ciências, mas a sabedoria transcende o saber, imerge no conhecimento do que não vemos, nem ouvimos, nem palpamos, mas se nos propõe como o fim dos fins, a causa final absoluta, de onde ela não depender unicamente do conhecer as coisas ou saber delas, o que são, como são, e para que são, no âmbito da positividade ou da realidade física, mas anelar pelo que designaremos por apetência espiritual, vértice da dialogia pensamento / movimento, a Sapiência ou Sabedoria, que já subiu da especulação para a contemplação.
O que o aristotelismo, secular magistério da Escolástica, denominou de protê philosphia (filosofia primeira) constitui a dinâmica movente do itinerário que, de um ponto de vista existencial  e imediato, viaja em exercícios de discernimento que levam, não apenas ao conhecimento dos particulares, e dos relativos, mas movem o espírito para além disso, para o absoluto. A esta luz, a filosofia interroga os enigmas e a Sabedoria ou Sapiência ilumina-os, protegendo-a da queda em doutrinas incertas. O princípio da filosofia é o amor, e no que à Sapiência se refere, o princípio é o temor (seja lá o que isto for) do divino (Prov., 1, 7), por excelência a altíssima causa.
Continua válida a primacial definição segundo qual, em resumo, a filosofia é a procura das primeiras causas e dos primeiros princípios, ou, no latim escolástico, a “scientia rerum omnium per altíssimas causas”, conhecer toda a realidade pelas causas mais elevadas.
Considera-se evidente o gnoma de Álvaro Ribeiro: “sofia é o conhecimento especulativo absoluto”, e “a filosofia é o esforço para esse conhecimento”. A causa última da filosofia é a Sofia, que envolve a coerência ética do viver e do filosofar em simultâneo.
Ora, a filosofia está para além de ser apenas mais uma espécie de literatura. Ela não obriga o filósofo a ser escritor, nem editor, pois a reflexão filosófica constitui um mistério pessoal, questionado e vivido mesmo na solidão, por qualquer filósofo solitário e oculto, que elabore a sua via sapiencial, que pode exprimir segundo um ético modo de vida, sem qualquer outra explicação.
O nome completo de Sapiência é Sophia protê , primeira sabedoria, a da visão unívoca (conceito de José Marinho), a visão da verdade como se estivesse dentro desta, e não fora, num ser de embebência do amador no amado, cujo nome não se profere por inefável. Ao saber das ciências apraz a certeza, ao da filosofia apraz a verdade, que é também caminho e vida.
(excerto)

sexta-feira, 27 de março de 2015

De Pinharanda Gomes, para a NOVA ÁGUIA 15

ANTÓNIO ALBERTO BANHA DE ANDRADE (1915-1982): UMA OBRA A FAVOR DA FILOSOFIA PORTUGUESA

António Alberto Banha de Andrade (Montemor-o-Novo, 1915 – Lx.ª, 1982) é o autor de uma obra de investigação e de interpretação da cultura portuguesa dos séculos XVI-XVIII, com tónica na história do pensamento filosófico e pedagógico, cujo conhecimento é de absoluta recorrência, sobretudo no que concerne às ideias da Renascença, da Segunda Escolástica e do Iluminismo, até ao autocrático consulado do Marquês de Pombal, em resumo, no que abarca toda a época do que designou por “Vernei e a Cultura do seu Tempo”. (excerto)

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

De Pinharanda Gomes, para a NOVA ÁGUIA 14

Se o culto exprime a essência da cultura, e se o rito é um modo de reapresentação viva do mito, a liturgia designa a palavra anunciada em benefício do povo, sendo, ela mesma, liturgia, a proclamação da palavra (leiton) ou trabalho (ergon) em serviço do povo. Tal como as artes, a liturgia é também uma arte, constituída por palavras, gestos e coisas, arte essa que, em cada momento do caminho, recorre às demais artes (literárias, plásticas, musicais) desenhando assim o corpo místico da cultura, mesmo da considerada apenas como fenómeno profano. (excerto)

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

De Pinharanda Gomes, para a NOVA ÁGUIA 13

Ao Encontro de Teixeira Rego (1881-1934)

Memória: No 50.º Aniversário da Morte de Raul Leal (Henoch)

A estátua de Nuno de Santa Maria em Lisboa

sábado, 7 de setembro de 2013

Na Colecção NOVA ÁGUIA: "Pinharanda Gomes - a Obra e o Pensamento: estudos e testemunhos"


Sessões de Apresentação: 
23.07.13 - 18h00: Biblioteca Nacional 
24.07.13 - 18h00: Feira do Livro do Porto - Letras na Avenida 
07.09.13 - 15h00: Centro de Estudos Pinharanda Gomes (Sabugal) 

segunda-feira, 8 de julho de 2013

António Cândido Franco, sobre Pinharanda Gomes...

A obra escrita de Pinharanda Gomes é como a pedregosa e grandiosa paisagem natural que o viu chegar ao mundo. A orografia que serve para a descrição do seu espaço de origem é a mesma que se presta à compreensão da obra que a sua mão criou.
A região natal do escritor, essa Beira Alta que vai de Montemuro à Estrela, do Caramulo às penhas de Vilar Formoso, constitui porventura no território português a única província sempre dominada por altos picos de majestosas montanhas.
Também os inúmeros trabalhos do escritor, todos escritos numa língua viva e rija, de sabor popular, que sai das pedras e das estevas perfumadas e bravias dos lugares mais intocados e recônditos das suas serranias natais, formam uma das mais impressionantes cadeias orográficas da escrita em portuguesa língua da segunda metade do século XX.
No maciço da sua obra, em que cada livro se levanta como um dorso sólido, destaco o estudo A Filosofia Hebraico-Portuguesa como sendo porventura o cume eminente e isolado dessa vasta fieira, a Estrela altiva e solitária dos trabalhos que este infatigável e modesto homem, só pele e osso, descarnado como o granito do território em que nasceu, esculpiu para nosso proveito e deleite em perene folha de bronze.