A Águia, órgão do Movimento da Renascença Portuguesa, foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal. No século XXI, a Nova Águia, órgão do MIL: Movimento Internacional Lusófono, tem sido cada vez mais reconhecida como "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português". 
Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra). 
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa). 
Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286. 

Donde vimos, para onde vamos...

Donde vimos, para onde vamos...
Ângelo Alves, in "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo".

Manuel Ferreira Patrício, in "A Vida como Projecto. Na senda de Ortega e Gasset".

Onde temos ido: Mapiáguio (locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA)

Albufeira, Alcáçovas, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belmonte, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Ermesinde, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Famalicão, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guarda, Guimarães, Idanha-a-Nova, João Pessoa (Brasil), Juiz de Fora (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Mirandela, Montargil, Montijo, Murtosa, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pinhel, Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Sagres, Santarém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Teresina (Brasil), Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vigo (Galiza), Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.
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sábado, 11 de setembro de 2021

Manuel Ferreira Patrício (1938-2021)

 


Professor Catedrático e antigo Reitor da Universidade de Évora, presidente e grande animador e mentor da Associação da Educação Pluridimensional e da Escola Cultural, membro efectivo da Academia das Ciências de Lisboa, do Instituto de Filosofia da Universidade do Porto, do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira e do MIL: Movimento Internacional Lusófono, Manuel Ferreira Patrício, ao longo de uma vida de reflexão, de estudo e de intensa acção cultural e educativa, afirmou-se como uma figura de invulgar relevo no panorama da meditação sobre a formação do homem, que denominou antropagogia, bem como da hermenêutica do pensamento português contemporâneo, como exemplarmente o documentam os seus estudos de referência sobre Leonardo Coimbra, Teixeira de Pascoaes, Fernando Pessoa e António Sérgio, entre muitos outros.

Tendo falecido a 11 de Setembro de 2021, no Hospital de Elvas, onde se encontrava internado, pôde ainda acompanhar a Edição recente das suas “Obras Escolhidas”, coordenadas por Renato Epifânio e Samuel Dimas e posfaciadas por António Braz Teixeira, Manuel Cândido Pimentel, Hélder Silva, Luís Sebastião, José Esteves Pereira e Jorge Olímpio Bento. Estruturadas em seis volumes e cobrindo cerca de cinquenta anos de produção filosófica, as “Obras Escolhidas de Manuel Ferreira Patrício” (edição do MIL: Movimento Internacional Lusófono patrocinada pelo Grupo Delta) são uma Obra da maior relevância para a Filosofia Lusófona do século XXI. Curvamo-nos perante a grandeza da sua Obra e da sua Pessoa. Até sempre, Manuel Ferreira Patrício.

Missa de corpo presente esta segunda, 13 de Setembro, às 13h, na Igreja Matriz do Montargil, seguindo-se, às 14h, o funeral.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Lançamento(s) de "Simpósio de Homenagem a Manuel Ferreira Patrício"


Um ano após ter decorrido, por iniciativa da Universidade de Évora, do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira e do Instituto de Filosofia da Universidade do Porto, o Simpósio de Homenagem a Manuel Ferreira Patrício, é agora lançado o volume que resultou desse evento (MIL/ DG Edições), assim justificado, na contracapa: “Professor Catedrático e antigo Reitor da Universidade de Évora, presidente e grande animador e mentor da Associação da Educação Pluridimensional e da Escola Cultural, membro efectivo da Academia das Ciências de Lisboa, do Instituto de Filosofia da Universidade do Porto e da Direcção do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, Manuel Ferreira Patrício, ao longo de uma vida de reflexão, de estudo e de intensa acção cultural e educativa, afirmou-se como uma figura de invulgar relevo no panorama da meditação sobre a formação do homem, que denominou antropagogia, bem como da hermenêutica do pensamento português contemporâneo, como exemplarmente o documentam os seus estudos de referência sobre Leonardo Coimbra, Teixeira de Pascoaes, Fernando Pessoa e António Sérgio, bem como a sua assídua participação em congressos, colóquios, seminários e provas académicas.”

O volume inicia-se com uma panorâmica da obra e do pensamento de Manuel Ferreira Patrício, realizada por António Braz Teixeira (“Saudação ao Académico Manuel Ferreira Patrício”), seguida de uma série de textos (ou “teses”), de Afonso Rocha, Artur Manso, Carlos Henrique do Carmo Silva, João Tiago Lima, Joaquim Pinto, Jorge Olímpio Bento, José Almeida, José Bettencourt da Câmara, José Gama, José Pedro Matos Fernandes, Luís G. Soto, Luís Miguel Sebastião, Manuel Cândido Pimentel, Margarida Amoedo, Maria José de Figueiroa-Rego, Maria Leonor Xavier, Maria de Lourdes Sirgado Ganho, Maria Teresa Santos, Renato Epifânio, Samuel Dimas e Sofia A. Carvalho. Por fim, temos ainda uma série de “testemunhos”, de Annabela Rita, António Cândido Franco, Carmos Braumann, Carlos Pinto de Sá, Celeste Natário, Cristiana de Soveral e Paszkiewicz, Fátima Zacarias, Helena Briosa e Mota, Joaquim Domingues, José Bravo Nico, José Manuel Martins, Júlia Adelaide Prior Alves, Luís Manuel A.V. Bernardo, Maria Emília Apolinário, Maria Manuel Lucena Sampaio Borges, Miguel Real e Sara Marques Pereira.

Sessões de Lançamento: 23 de Março, 17h, Palácio da Independência (Lisboa) – apresentação de José Esteves Pereira | 5 de Abril, 17h, Universidade de Évora – apresentação de António Cândido Franco | 7 de Abril, 17h, Biblioteca da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto – apresentação de Jorge Teixeira da Cunha | 7 de Abril, 21h, Clube Amarantino - apresentação de Renato Epifânio.
Outras obras promovidas pelo MIL:

sábado, 22 de agosto de 2015

De Manuel Ferreira Patrício, para a NOVA ÁGUIA 16...


NOME DE GUERRA, DE ALMADA NEGREIROS: UM GRANDE ROMANCE DE FORMAÇÃO

Só pude ver Almada Negreiros em presença física uma vez. Curiosamente, em Lisboa, na companhia do Álvaro [Ribeiro]. Dirigíamo-nos os dois para a Cidade Universitária, partindo de Entrecampos para encetarmos a subida para o Campo Grande. Eu ia para a Faculdade de Letras. O Álvaro não sei se não iria para a Faculdade de Direito. O Álvaro morava então num quarto de um prédio da última linha de Entrecampos, a abrir para o Campo Grande, do lado da entrada na Avenida dos Estados Unidos da América. Quando vamos a olhar, indo já na rua a iniciar a entrada no Campo Grande, vemos Almada a atravessar o largo espaço que ladeava a rotunda em direcção ao Campo Grande, portanto de baixo para cima: aquele Almada alto, ginástico, longitudinal, uma linha vertical a andar. Dissemos os dois qualquer coisa um ao outro e ficou-me a lembrança para durar até ao resto da vida. Depois lá subimos o Campo Grande e depois lá nos dirigimos à Cidade Universitária. O Álvaro sabia melhor quem era o Almada do que eu. Mas eu ia aprendendo. Estávamos nos últimos meses de 1959. Eu acabara de entrar na Faculdade.
(excerto)

domingo, 14 de setembro de 2014

Testemunho de Manuel Ferreira Patrício para a NOVA ÁGUIA 14



Luís de Barreiros Tavares: Sei que tem dedicado grande parte da sua longa carreira à questão complexa da Pedagogia. Inclusive, já li alguns textos seus sobre este tema. Mas é do conhecimento de todos que se entregou e ainda se entrega à questão do Pensamento, da Linguagem e da Filosofia. Como conjuga estas várias dimensões e como é que elas contribuem umas para as outras no plano, quer académico, quer vivencial, quer dizer, para a vida dos homens em sociedade e no seu habitar o Mundo?
1. O pensamento, mais precisamente o pensamento filosófico, interessou-me desde criança. Em minha casa não havia biblioteca, mas os meus pais gostavam visivelmente de pensar e revelavam capacidade para o fazer. A sua escolaridade reduzia-se ao ensino primário de então (eu nasci em Setembro de 1938 e entrei na escola primária em Outubro de 1945). O meu pai concluíra o ensino primário, tal como julgo que a minha mãe. O meio era pequeno e pobre. Frequentar a escola oficial já era só por si um privilégio. Devo dizer que foram ambos excelentes alunos: o meu pai vocacionado para as artes e ofícios, a minha mãe claramente apelada para o saber de humanidades. A minha mãe deve ter sido naquela vila a criança mais dotada do seu tempo. Foi-o ao longo de toda a sua vida. Quanto ao meu pai, aprendeu o ofício de carpinteiro, no qual atingiu para aquele meio verdadeiramente a excelência. Somos três irmãos e todos pudemos prosseguir estudos. Eu sou o mais velho. A nossa primeira escola foi a nossa família, que incluiu a casa dos avós paternos e algo aproveitámos dos avós maternos. O meu interesse pelo pensamento reflexivo manifestou-se mais claramente em casa dos avós paternos, a partir das histórias da tradição popular portuguesa que me contavam e que me fascinavam. Suscitavam-me imensas questões, respondendo à minha exigência pessoal de racionalidade. Devo dizer, que de racionalidade profunda. Manifestou-se em mim desde logo a paixão pelas questões das ultimidades. Essa paixão tem-me acompanhado toda a vida. Comprei o meu primeiro livro aí pelos meus sete ou oito anos. Comprei-o na escola, no contexto de uma iniciativa do meu professor - que, curiosamente, era natural da aldeia natal do Pinharanda Gomes, Quadrazais... Foi uma escolha de certo modo fortuita; as outras crianças foram mais céleres do que eu e escolhi, perante o que havia ainda disponível, O Livro dos Sonhos. Durante muito tempo li e consultei esse livro, que era uma espécie de dicionário, ordenado alfabeticamente. A minha mãe acompanhava-me muitas vezes na leitura e foi sempre uma hermeneuta empenhada e exigente. Mais tarde, quando pude estudar um pouco o pensamento de Freud, acabei por verificar que aqueles sonhos eram os que constituíam o saber do Egipto antigo sobre o assunto. Foi-me útil essa experiência numas provas de Mestrado que arguí na Universidade do Minho. Foi-me útil sempre. Freud conhecia aqueles sonhos. O meu avô materno era um leitor apaixonado da Bíblia e essa circunstância veio a pesar na atenção que veio a ser prestada àquele livro. A Bíblia deu-me indicações fundamentais para pensar no horizonte das ultimidades. Aí a meio da minha adolescência, descobri um escritor, um romancista, de pendor filosófico e argumentativo: Aldous Huxley. Alguns dos seus romances eram por essa época traduzidos em Portugal e editados por uma importante editora portuguesa, a Livros do Brasil. O primeiro que li foi Sem Olhos em Gaza (Eyeless in Gazza). Li com entusiasmo esse romance. Era como se Huxley me provocasse persistentemente para argumentar filosoficamente, com ele mas sobretudo com os problemas que os personagens do romance colocavam e as discussões que tinham. Problemas concretos, vivos, que punham em causa tudo o que eu vivia e pensava. Vim em continuação a ler outros romances e novelas de Huxley, na atmosfera empirista e inglesa que era a sua. Por exemplo: Contraponto; O macaco e a essência. Muitos anos depois, vim a saber pelo António Telmo que o lado empirista do Huxley era travejado com outros lados, mais congruentes com o meu gosto pelas ultimidades, que fazem parte do problema fundamental para mim que é o problema do sentido. Durante quatro anos (1950-1954) eu frequentei o Seminário Menor de Vila Viçosa, de onde saí por ter reconhecido a falta de vocação. O apelo das ultimidades, sempre presente e sempre forte, não passava por ali. Depois d'O Livro dos Sonhos, já depois da saída do Seminário, eu viera a ler outro livro marcante, A Morgadinha dos Canaviais, do nosso Júlio Dinis, em que num certo episódio venho a saber da hipótese da metempsicose. Era de novo o universo dos sonhos que vinha ter comigo. Assim, quando concluí os exames do antigo 7º Ano do Liceu eu dirigi-me decididamente para o Curso de Filosofia, na Faculdade de Letras de Lisboa. Mas entretanto eu fizera o Curso do Magistério Primário na Escola de Évora. No mesmo mês em que ingresso na Faculdade eu começo a trabalhar como professor do ensino primário na cidade de Lisboa.
2. A experiência pedagógica com as crianças tornou-se apaixonante para mim. Afinal, eu amava o mergulho no pensar e fui apanhado pelo amor de ensinar. Cheguei a casar na minha Escola os dois amores: o amor da filosofia com o amor da educação. Foi desse casamento que veio a nascer o meu projecto de filosofia para crianças, que se relaciona com as histórias tradicionais que a minha avó me contava e nada deve ao projecto do Professor norte-americano Mathew Lipman, de que só vim a saber no final da década de oitenta. Como já percebeu, tudo isto que lhe conto tem que ver com o gosto do pensamento e da acção formadora do ser humano, a que conjugadamente tenho dedicado a minha vida. Fui a partir de 1967 professor liceal de Filosofia e a partir de 1976 professor de Pedagogia e Filosofia na Universidade. Esta conjugação levou-me a certa altura a substituir a ideia de pedagogia pela ideia de antropagogia. Do que se trata realmente não é, de facto, apenas de educar (ou formar) a criança, mas o homem, o ser humano na sua integralidade e integridade. Antropagogia é a ciência disso. Ela inclui, na plenitude da sua unidade, o compreender o homem e o formá-lo. Kant reduz a certa altura a filosofia a uma única pergunta. Esta: Que é o Homem? A minha dupla ligação ao pensamento e à acção coloca em outra pergunta o problema essencial: Como formar o Homem na sua Humanitas? É a pergunta que define o meu cuidado vital. Ela implica tudo: desde as principialidades até às ultimidades.
3. Este itinerário compreende ainda as medialidades e as performatividades. Aprendi, por mim próprio e por grandes mestres - como é o caso de Leonardo Coimbra, Delfim Santos, José Marinho e José Ortega y Gasset -, que o pensar filosófico é situado, ou circunstanciado. A fixação pensante na situação explica muito da minha fidelidade à situação portuguesa e lusófona. Quer estritamente filosófica, quer mais largamente antropagógica. É essa fidelidade que explica o combate em que a certa altura me envolvi em prol do que designei por "Escola Cultural", a partir da Comissão de Reforma do Sistema Educativo, que integrei oficialmente. No livro Lições de Axiologia Educacional, à educação cultural dei o nome de educação axiológica, entendendo a cultura como sistema vivo de valores. É nesta linha teórica que me encontro com o entendimento brunino da educação como demopedia, ou seja, como demopaideia, paideia do e para o povo.
4. O meu abraço demopaidêutico, antropagógico e assumidamente filosófico ao Luís de Barreiros Tavares. Abraço de vida una e diversa. A vida é diversa e una.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

De Manuel Ferreira Patrício | para a NOVA ÁGUIA 13

"Comemorar os 20 anos da partida de Agostinho da Silva desta vida é, sem dúvida, homenagear Agostinho da Silva. É lembrá-lo, no melhor sentido do termo. O nosso País tem tido alguns privilégios particularmente notáveis: Agostinho da Silva é, decerto, um dos maiores. Uma Pátria a quem é dado, como seu filho, um ser humano como Agostinho, é uma Pátria protegida por Deus, da qual há muito a esperar, no concerto dos acontecimentos humanos e cósmicos, no concerto daquela realidade pela qual tanto ele se bateu, e a que deu o nome, seguindo António Vieira e Fernando Pessoa, de Quinto Império, ainda que não lhe agradasse o termo Império, penso eu que com razão. Tive muita dificuldade em me sentar à secretária para escrever o meu modesto texto de participação neste número da Nova Águia. As temáticas propostas são, como sabemos, duas: o 25 de Abril; Agostinho da Silva. Toda a vida desejei a libertação da ditadura, dentro da qual nasci; toda a vida desejei a instauração de um Portugal novo - livre, criador e dominado pela cultura e pelo espírito -, como sempre vi figurado na vida e na obra de Agostinho da Silva, desde que me foi dado conhecê-lo. Não sinto hoje nas profundidades do meu ser autorização para falar positivamente do 25 de Abril, tanto a realidade em que ele se visibilizou defraudou as minhas maiores esperanças e sonhos; desde logo, o compromisso sagrado com a liberdade, a justiça social, a dignidade humana e a fidelidade à família que portugueses política e culturalmente somos na família maior que é a humanidade. Com esse olhar que sempre orientou a minha abjecção da ditadura - que incluía com implacável coerência a abjecção de toda e qualquer ditadura -, persiste em mim a vontade de contribuir com os meus modestos préstimos para a redenção plena do nosso País, da nossa Pátria, permitam que lhe dê o nome de Pátria Lusófona."

(excerto)

domingo, 27 de outubro de 2013

Intervenção de Manuel Ferreira Patrício: Lançamento da NOVA ÁGUIA 12 | III Aniversário do MIL



Comemoramos o 3º aniversário da fundação do MIL - Movimento Internacional Lusófono. É inteiramente apropriado dar nesta comemoração um destaque visível à NOVA ÁGUIA, que chegou ao seu número 12 - feito notável e número notável.
O nome da Revista também é notável. Deixem-me atentar um pouco nele. O nome é NOVA ÁGUIA, não é ÁGUIA NOVA. Estabelece uma filiação, não estabelece uma identidade. Estabelece uma quase-identidade, a identidade da filiação. Também estabelece a identidade da espécie. A ÁGUIA gerou de imediato o Movimento da "Renascença Portuguesa", cujo nome diz tudo sobre o que os seus fundadores queriam.A NOVA ÁGUIA , por sua vez, antecedeu o nascimento do MIL - Movimento Internacional Lusófono. O saudosismo pascoalino levou muitos espíritos mal orientados a ver na ÁGUIA  e na  "Renascença Portuguesa" uma orientação passadista, inadequada à vontade de redenção pátria. Os factos puseram em evidência o desacerto e a injustiça de uma tal leitura. No espírito de Teixeira de Pascoaes e dos seus companheiros fundadores A Águia foi sempre portadora da Saudade do Futuro. O mesmo acontece visivelmente com a NOVA ÁGUIA. Afirmando-se e assumindo-se como Revista de Cultura para o Século XXI, também ela é portadora da Saudade do Futuro.
Numa sociedade que tudo doentiamente politiza ( e partidariza...), a NOVA ÁGUIA é Revista de Cultura, não Revista de Política, ou de Sociologia Política, ou de algo quejando. É, mais especificamente, Revista de Pensamento, de Pensamento vivo.
É Revista descontraída, mas não descomprometida. Não tem medo de ser quem é e de ser o que é. É livre. Comprometida com Portugal, com a Pátria Portuguesa. Sem particularismo ou localismo limitador e doentio, antes com o sentido do universal que impregna o cerne da história de Portugal.
É do mesmo passo Revista descomplexada. De quem não duvida da integridade de si próprio. Residência comum de figuras, obras e alinhamentos diferentes. Fiel ao imperativo básico da Cultura, que definirei neokantianamente na esteira de Windelband e de Rickert como o Reino fundado e governado pelo espírito criador do Homem. Fiel, portanto, à liberdade de criar.
O presente número da NOVA ÁGUIA é disso, mais uma vez, prova. Nele coabitam polifonicamente António Quadros e António José Saraiva, José Enes e  Orlando Vitorino, José Mattoso e Adriano Moreira, Afonso Rocha e Eduardo Abranches de Soveral, Silvestre Pinheiro Ferreira e Heraldo Barbuy, António Braz Teixeira e Pinharanda Gomes,
Agostinho da Silva e Ricardo Vélez Rodriguez, na vasta assembleia livre que é a Revista, no mundo lusófono e lusófilo que é o MIL.
NOVA ÁGUIA é, penso, no seu espaço, a mais lídima defensora activa da lusofonia, baluarte da resistência ao imperialismo linguístico e cultural ( entre outras qualificações...) ancorado na tão falada globalização, instrumento de instauração do silêncio do Logos e  do Thymos, da Morte do Homem e de Deus. Há a racionalidade fria ( do Logos...) e a racionalidade quente ( do Thymos ). A NOVA ÁGUIA acolhe e cultiva as duas, no caldo nutritivo integral do ser humano, particularmente apreciado por nós lusófonos.
Esta Revista, NOVA ÁGUIA, é o nosso rosto, o nosso olhar e a nossa voz. Que assim seja. Continuemos a querer que assim seja.

domingo, 1 de setembro de 2013

Na NOVA ÁGUIA 12: Manuel Ferreira Patrício, POR UMA CONCEPÇÃO CULTURAL DA EDUCAÇÃO E DA ESCOLA

Yo soy yo y mi circunstancia y si no la salvo a ella no me salvo yo - pensou e escreveu luminosamente José Ortega y Gassett. A circunstância não é, pois, adjectiva à vida; é substantiva, é o invólucro essencial da vida, em qualquer plano, dimensão ou âmbito desta. Na reflexão que se segue atenderei nuclearmente aos âmbitos individual-pessoal, pátrio e humano.
(excerto)

terça-feira, 27 de agosto de 2013

NO LABIRINTO MESSIÂNICO DE FERNANDO PESSOA, de Manuel Ferreira Patrício: recensão de António Braz Teixeira, para a NOVA ÁGUIA 12

Com o intervalo de escassos meses, surgiram duas obras dedicadas do estudo de um aspecto central da obra pessoana, o que respeita ao sentido que a ideia de Quinto Império reveste no conjunto da obra do autor de Mensagem: os dois tomos de Fernando Pessoa e o Quinto Império (Porto, Universidade Católica Editora, 2012), de Afonso Rocha, inovadora e aprofundada proposta de interpretação global do pensamento filosófico do grande escritor e, agora, o luminoso ensaio de Manuel Ferreira Patrício, No labirinto messiânico de Fernando Pessoa (Sintra, Zéfiro, 2013), incluído na Colecção Nova Águia, que assim prossegue uma actividade editorial de assinalável significado cultural e especulativo.
Estas duas obras, embora, em larga medida, venham a convergir no tema que de ambas é objecto, estão longe de coincidir nas perspectivas interpretativas que adoptam e no final modo como compreendem as posições do nosso máximo poeta-filósofo-profeta, como diversamente distantes se acham das anteriores leituras hermenêuticas que, ao mesmo tema, dedicaram António Quadros, Dalila Pereira da Costa, Joel Serrão e José Augusto Seabra.

(excerto)

sábado, 13 de julho de 2013

"No Labirinto Messiânico de Fernando Pessoa", de Manuel Ferreira Patrício. Lançamento: 17 de Julho - 18h30: Casa Fernando Pessoa. Apresentação de António Braz Teixeira



Fui cativado por Fernando Pessoa pelos doze/treze anos de idade. Era então estudante no Seminário Menor de Vila Viçosa. Li alguma coisa sobre a sua poesia e estética na História da Literatura Portuguesa do Padre Arlindo Ribeiro da Cunha. Só cerca de três a quatro anos depois, em Ponte de Sor, sendo aluno do Externato Camões, pude ler alguns dos seus poemas na pequena antologia organizada por Adolfo Casais Monteiro e publicada pela editora Confluência.
Corria o Outono de 1954. Foi uma experiência fascinante, cujo efeito nunca mais passou. Este pequeno livro é ainda um sinal vivo desse fascínio. Constato, olhando para trás, para as seis décadas entretanto passadas, que o Poeta me tem acompanhado quotidianamente como um anjo da guarda — na linguagem cristã —, ou como um daimon — na linguagem socrática e helénica. Este livro é, pois — e tão-só —, um testemunho. Tão fiel quanto me é possível prestá-lo.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Parabéns, Professor Patrício!

Foi hoje anunciado que o Professor Doutor Manuel Ferreira Patrício, Sócio Honorário do MIL e Membro do Conselho de Direcção da NOVA ÁGUIA, vai ser em breve agraciado com o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade do Porto. Em breve, irá também publicar um livro seu na Colecção NOVA ÁGUIA: "No Labirinto Messiânico de Fernando Pessoa".

sexta-feira, 8 de março de 2013