A Águia, órgão do Movimento da Renascença Portuguesa, foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal. No século XXI, a Nova Águia, órgão do MIL: Movimento Internacional Lusófono, tem sido cada vez mais reconhecida como "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".
Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).
Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.
Donde vimos, para onde vamos...
Ângelo Alves, in "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo".
Manuel Ferreira Patrício, in "A Vida como Projecto. Na senda de Ortega e Gasset".
Onde temos ido: Mapiáguio (locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA)
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Artes & Letras em diálogo global: Camões, ontem e hoje!
25 - 29 de Novembro de 2024
Torquato Tasso considerou-o o único rival que temia e dedicou-lhe um soneto, Cervantes afirmou-o o "cantor da civilização ocidental", Friedrich Schlegel assinalou-o como expoente máximo na épica e August-Wilhelm Schlegel disse que “vale uma literatura inteira”… em Camões ressoa toda a literatura ocidental e o seu verbo repercute-se nas Letras e nas Artes que lhe sucederam. Referência identitária da comunidade portuguesa, em particular, com a qual o seu mito se entrelaça na morte (Almeida Garrett, Domingos Sequeira), informa, indelevelmente, as literaturas de uma lusofonia cuja geografia percorreu e agiganta-se na representação do Homem entre vida e morte, amor e sofrimento, guerra e paz, “numa mão, a espada e, noutra, a pena”. Camões foi vate de um mundo em transformação e é um Autor global de um mundo globalizado. É essa sua dimensão imensa nas Letras e nas Artes de ontem e de hoje que este encontro convida a perscrutar.
Realmente, o
conceito Camoniano do Amor constitui aquela “energia luminosa”, a Luz da
Glória. É a “aurora ou aura”, é a “cousa amada”. É a Energia Universal que nos
próprios termos de Camões é a “flama viva”, “o nunca morto lume, do desejo que
queima e não se consome, é a potência de que se investe o Feminino, sem o qual
nada é, nada existe”. É o fascínio que envolve deuses e humanos, e que preside
ao “solve et coagula” das almas. Então o nauta (que é o viajante ou peregrino
que todos nós somos) senta-se no mesmo banco da sua Ninfa – ou Nereida, e
formando um só casal, comungam do mesmo amor, e… tudo isto, tendo por cenário,
a “Ilha Angélica Pintada”. É nessa visão (do fim da viagem) e após ela, que o
Nauta tem a “apreensão” e “compreensão” do Puro Amor. E a partir daí já não há
“retorno terrestre” para a alma insuflada à nascença no Ser, pois ela tendo-se
“unido” ao “seu gémeo” ou “dídimo” de Luz (ou aura) eterna, ela já é matéria
subtil, e sublimada, e não mais pó ou argila. E assim, a “Ilha alegre namorada”
e já sublimada, faz “logo movimento” e nela “levam a companhia desejada das
Ninfas”.
Concerto do Anima Mea evocando Camões Dia 17 de Julho (21.30 horas) no Ateneu «Os olhos, instrumentos felizes da realidade mais real. Porque ver sempre foi tocar. Tocar uma a uma cada coisa com os olhos, antes da mão se aproximar para recolher os últimos brilhos de Setembro» (Eugénio de Andrade)
O Ateneu Comercial do Porto tem a honra de apresentar, no próximo dia 17 de Julho de 2010, às 21.30 horas, no Salão Nobre do Ateneu, o concerto do Coro Anima Mea, com direcção musical de Francisco Melo, que terá por tema “Aquela cativa que me tem cativo: Camões, Poesia e Música”. O programa do concerto inclui músicas do tempo de Camões, que reflectem os contextos que influenciaram o nosso Poeta Maior, e músicas contemporâneas sobre temas camonianos. A musicalidade da poesia de Camões está expressa na variedade de composições musicais feitas sobre os motes e as glosas camonianas ao longo destes quatrocentos anos. Serão interpretadas obras, entre outros autores, de Palestrina, Orlando di Lasso, D. Pedro de Cristo, Luís de Freitas Branco, José Afonso e Fernando Lapa. Destaca-se a 1ª audição da obra “Alma minha da minh’alma”, do compositor Fernando Lapa, com poema de Camões, dedicada ao coro Anima Mea. A execução musical será acompanhada pela leitura de alguns textos que dialogam com a poesia musicada.
. O Ateneu Comercial do Porto encomendou à Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva (FRESS) a produção de 500 exemplares fac-simile (numerados) da 1.ª Edição de “Os Lusíadas” de 1572, cujo original é propriedade do Ateneu, entretanto também restaurado naquela Fundação. Constituindo a produção deste fac-simile um processo lento, nomeadamente quanto aos acabamentos (manuais), a Fundação tem vindo a efectuar entregas parcelares da edição ao Ateneu, à medida que vai ficando pronta. Os primeiros exemplares entregues esgotaram rapidamente, pelo que vai crescendo diariamente a lista de reservas para satisfazer futuras entregas, prevendo-se que a edição fique esgotada nos dois meses mais próximos. De referir também que os 50 desses 500 exemplares foram comercializados pela Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva, tendo também esgotado rapidamente. Assim, apelamos a todos quantos têm interesse na aquisição deste magnífico exemplar que façam a sua reserva através do mail geral@ateneucomercialporto.pt., ou preenchendo o Formulário Encomenda on-line existente na nossa página na net www.ateneucomercialporto.pt. O preço é de 600 Euros (+IVA 20%), podendo os sócios do Ateneu requerer até dois exemplares com desconto de 20%. “Os Lusíadas”: Poema épico de inspiração clássica, constituído por dez cantos compostos por décimas em decassílabos heróicos, vive de uma contradição esteticamente harmonizada entre a acção das divindades pagãs e a tutela do sentimento cristão e da expansão da fé, que anima um ardor de conquista e de possessão do mundo. Esta Primeira edição de "Os Lusíadas" é geralmente identificada por edição A, ou edição Ee, hoje conhecida por edição Princeps.
Personagens: Anfitrião, Alcmena (sua mulher), Sósia (seu servo), Brómia (criada de Alcmena), Belferrão (patrão), Aurélio (primo de Alcmena), o servo de Aurélio, Júpiter e Mercúrio (deuses).
Da autoria de Luís de Camões, publicada em 1587, juntamente com Filodemo, Anfitriões é composta à semelhança da comédia de Plauto Amphitruo, embora numa adaptação livre, na qual a introdução de novas personagens atrasa o desenrolar da intriga principal e acrescenta momentos de farsa, mais ao estilo vicentino. Desejando Alcmena, mulher de Anfitrião e aproveitando a ausência do marido, que se encontrava na guerra, Júpiter disfarça-se de Anfitrião, a conselho do mensageiro Mercúrio, seu servo, que por sua vez se disfarça de Sósia, servo de Anfitrião. Com este disfarce, Júpiter faz crer a Alcmena que tinha regressado da batalha. Deste encontro vai nascer um filho "Hércules", acontecimento que vai constituir o final da comédia. É evidente que o regresso do verdadeiro Anfitrião vai criar uma série de equívocos que o autor transforma em alguns episódios dramáticos, protagonizados por Alcmena, mas principalmente em cenas cómicas. O clímax da peça regista-se no momento em que Anfitrião descobre o embuste, mas é obrigado a calar o seu "ciúme conjugal", na medida em que não se atreve e enfrentar um ser divino (Júpiter).
Como referenciar este artigo: Anfitriões. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2009. [Consult. 2009-11-10]. .
. Luís de Camões: Sonnets and other poems, primeira tradução para inglês (assinada por Richard Zentith) da poesia lírica de Camões, resultado de uma iniciativa conjunta do Consulado de Portugal e do Centro de Estudos Portugueses da Universidade de Massachusetts - Dartmouth, será em breve apresentada na Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, em Washington.
Autor a apresentar: Camões. 21.30h O ciclo Mistérios da Luz pretende mergulhar a alma do Mundo que fala a lingua portuguesa nas suas multiplas possibilidades e pontes culturais. Uma dessas possibilidades são os autores que, pela sua universalidade, possam ter marcado ou marquem a Terra de Luz, esta terra de Luz tão falada como sendo sinónimo ancestral de Portugal e da Andaluzia. O primeiro autor desta “busca” é Luis Vaz de Camões. Centraremos a performance na lírica de Camões mas também, a partir dela, na derivação para paisagens oníricas dos performers que expandem a sua propria escrita (hipertexto) até à contemporaniedade focada na reflexão do misterio da luz, através das suas reflexões- acções interiores, partilhas-danças, musicas-concerto -instalações, e imagens quer sejam presenciais ou filmadas. Direcção atistica: Antonio M. Rodrigues Elenco performativo: Ana Raquel Almeida, Antonio M. Rodrigues, Giancarlo de Aguiar, Jonas de Andrade, Rita Neves. Videoplastia: Jonas de Andrade
Em vales penados pelo sofrimento, aqui estou eu, apagado por um calor derrotado, onde a chama acesa, reivindica uma centelha, o reencontro até sem palavras, para que a imagem viva se não desvaneça, cruelmente, no mundo das memórias desencontradas. Dou por mim a segurá-la, como se da minha própria vida se tratasse, consciente que o sonho me preenche e que o voo para a transcendência deste Universo figurado, pode radicalizar o fim de uma guerra, onde a única batalha ganha é a do sentimento mútuo e a entrega do coração ao seu desejo. Afastados por quem, ilegitimamente, atribuiu força ao grande poder mundano, para destroçar a emoção e a felicidade de quem protegia, continuo a seguir o caminho, cujo passo para o abismo, será o culminar do meu comportamento, nobre é certo, mas que preferia ter renunciado a essa fidalguia, não agora, mas logo que nasci, pois permitir-me-ia nunca ter sonhado e sobretudo, renunciado à Ilusão de transformar a pequena perdiz que sou, num perdigão por todas as cortes aclamado.
«Ouço-os de todo o lado. Eu é que sou assim, Eu é que sou assado, Eu é que sou o anjo revoltado, Eu é que não tenho santidade...
Quando, afinal, ninguém Põe nos ombros a capa da humildade, E vem.» Miguel Torga, Diário I
Humano - aceitação das fraquezas, amor ao próximo Húmido - que tem a natureza da água Humilde (de humus, filhos da terra) - virtude que nos dá o sentimento da nossa fraqueza
«A musa da indignação arrasta Camões pelos cabelos, e, vendo o mundo inteiro perdido, apela para a sua pátria, pedindo-lhe o esforço heróico da redenção de Cristo:
Vós, Portugueses, poucos quanto fortes, Que o fraco poder vosso não pesais; Vós, que, à custa de vossas várias mortes, A lei da vida Eterna dilatais: Assim do Céu deitadas são as sortes, Que vós, por muito poucos que sejais, Muito façais na santa Cristandade, Que tanto, ó Cristo, exaltas a humildade!
À geração dos lusos «que tão pequena parte sois no mundo», é a ela que cumpre remir o Santo Sepulcro e terminar a epopeia das Cruzadas, enjeitada pelo «Galo indigno» [Francisco I] e esquecida pela Itália: a ela e por isso mesmo que se mostrou capaz do maior feito da época - a descoberta da Índia, que grande golpe de montante descarregado em cheio na força da Turquia. Eis aí o pensamento político dos Lusíadas, expresso claramente nos mesmos termos da boca do velho do Restelo. O pensamento religioso é o catecismo de Trento. A ideia de governo é o imperialismo, em cujo berço nascera o sol da Renascença e em cujo regaço poluído ele se afundava agora. O império fazia-se tirania; o racionalismo piedoso transformava-se em lamismo papista. Assim as ideias se corrompem em contacto com a realidade. O imperialismo camoneano é, porém, tão lídimo ainda como a sua religião. Se nas turbas não vê mais do que «o soberbo povo duro», isto é, um elemento ou um material para a construção artística do Estado; se a vontade dos reis, que são a chave da abóbada social, há-de ser absoluta, nem «pode ser por outrem derrogada»; se eles são supremos senhores dos seus súbditos; se os vassalos são membros de um corpo de que o rei é cabeça: a verdade, porém, é que tudo isso pressupõe no rei qualidades eminentes. É que ao poeta diz a história pátria, porque em Portugal
… o Reino, de altivo e costumado A senhores em tudo soberanos, A Rei não obedece nem consente Que não for mais que todos excelente.
Monarquia e religião, pois, tudo se depura no cadinho da poesia à chama intensa de Camões, em que a luz do heroísmo nacional vem reflectir-se, fundindo-se como numa lente, despede o raio e incendeia Portugal na ambição última da sua existência. Felizes são os povos que morrem como o sol, despedindo clarões!» Oliveira Martins, Camões
Camões, alone, of all the lyric race, Born in the black aurora of disaster, Can look a common soldier in the face: I find a comrade where I sought a master: For daily, while the stinking crocodiles Glide from the mangroves on the swampy shore, He shares my awning on the dhow, he smiles, And tells me that he lived it all before. Through fire and shipwreck, pestilence and loss, Led by the ignis fatuus of duty To a dog’s death – yet of his sorrows king – He shouldered high his voluntary Cross, Wrestled his hardships into forms of beauty, And taught his gorgon destinies to sing.
LUÍS DE CAMÕES
Camões, somente, de toda a raça lírica, Nascido em escura alba de desastre, Pode olhar um soldado raso face a face: Encontro um camarada onde supus um mestre: Dia a dia, enquanto fedorentos crocodilos Deslizam dos manguezais na margem pantanosa, Ele partilha o toldo do meu dhow, e sorri, E diz-me que viveu tudo isto muito antes. Por fogo e naufrágio, pestilência e perda, Arrastado pelo fogo-fátuo do dever A uma morte de cão – porém de seus males rei – Ergueu altaneira a sua voluntária Cruz, Amassou os seus penares em formas de beleza, E a sua Górgona domou para cantar destinos.
Roy Campbell (Durban, 1901 - Setúbal, 1957) Tradução de Lord of Erewhon
«Na era gloriosa que se abre a Portugal com a dinastia de Avis, idade da nossa grandeza, período áureo da nossa força e glória, não há pátria mais aberta, nem sociedade mais cosmopolita do que esta. Quando o infante D. Henrique institui a escola de Sagres, ninho de onde partem, no seu voo através dos mares, as armadas portuguesas, as praias desse promontório que outra vez merece o nome de sagrado, porque outra vez é sacrário da nossa alma céltica, abrem-se todas as nações (...) É que o foro português, à semelhança do romano, não era o atestado de uma ascendência consanguínea, mas sim o baptismo em uma fé que não distinguia nacionalidades, nem origens naturais de raça, ou de religião. Português era todo aquele que ardia na chama crepitante do entusiasmo descobridor (...) Tão permanente, tão íntimo, tão constante aparece em Portugal, como em Roma, consideradas as diferenças dos tempos. Porque, para o romano, o seu foro era uma lei seca, feita só de direito, inspirada apenas pelo civismo; ao passo que para o português, homem moderno que atravessara as fornalhas esbraseadas da transcendência medieval, o seu foro, se era uma lei e um patriotismo cívico, era também uma fé, em que, sob uma inspiração profética, as almas não distinguiam, nos voos da sua ambição ideal, entre a Pátria e o Céu.
Tal é a pátria ideal de Camões, que se distingue da outra como uma flor se distingue de um astro (...) essa pátria existe debaixo de todos os meridianos, em todas as latitudes e partes do mundo, tanto na Europa, como na África e na Ásia, como na América e nos confins remotos do mundo perdido para além das Molucas. Essa pátria está onde estiver um peito português: está em terra e está nos mares flutuante à sombra da bandeira das quinas, dentro das naus que de asas abertas a levam de um extremo a outro do mundo. Tanta é a diferença que distingue o amor pátrio natural da abstracção ideal sobre que os portugueses construíram o templo sagrado do seu império. Dos laços de coesão capazes de agremiar os homens, dando-lhes uma vontade colectiva, o mais alto e sublime que até hoje a história descobre é este, por ser o que realiza de um modo mais completo essa liberdade para que nós aspiramos, como as aves quando tentam as asas nos ensaios de voo à borda dos ninhos. Todos os amores que florescem enraizados na terra têm o travo próprio das coisas que vêm do solo: um egoísmo exclusivo inerente à sua afirmação. Esta aldeia, esta província, este povo, tem a sua excelência que provoca o nosso amor, fundada em quê? Na superioridade suposta ou verdadeira, sobre todos os outros. O sentimento dessa superioridade sanciona o egoísmo, que é sem dúvida uma expressão rudimentar de liberdade.» Oliveira Martins, Camões
«De Babel sobre os rios nos sentámos, De nossa pátria desterrados, As mãos na face, os olhos derribados, Com saudades de ti, Sião, chorámos.
Não é logo a saudade Das terras onde nasceu A carne, mas é do Céu Daquela santa Cidade Donde est'alma descendeu.» Camões
«Mas a Ideia quem é? quem foi que a viu, Jamais, a essa encoberta peregrina? (...) Outra amante não há! não há na vida Sombra a cobrir melhor nossa cabeça, Nem bálsamo mais doce, que adormeça Em nós a cantiga, a secular ferida! (...) Será sempre ela a esposa prometida!» Antero de Quental, Prosas da Época de Coimbra
«Pois aquilo que cada navegante e seu capitão [coração] realizam nesta ilha [vida] será o acto supremo de conhecer seu anjo e com ele se unir, para sua imortalidade. A alma só tomando consciência de si mesma, como Anima, poderá conhecer o seu anjo, ou duplo celeste.
É uma morte iniciática o que provoca a sua contemplação: poderoso choque que levará o amante a outro nível espiritual de vida (...). Dirá Dante: «transformar-se-á em nobre coisa ou morrerá» (Vita Nova). E Camões dirá desse choque, tal o dum relâmpago: «Amor, que o gesto humano na alma escreve, / Vivas faiscas me mostrou um dia (...).
Dante dirá: «assim sou Ella» (Vita Nova) e Camões, «Olhai-me a mim, que sou feitura vossa».
Em todos os relatos do sulismo, de fonte gnóstica o Anjo do Conhecimento é identificado ao Espírito Santo; Natureza perfeita, ou Inteligência agente, como o Dador. A angelologia sendo aqui inseparável do processo de individuação, ou libertação perfeita da alma, como face a face última do homem com seu eu verdadeiro, supra-pessoal (...) Havendo ainda nesta tradição, uma referência a partir do Espírito Santo e Anjo Gabriel, à «Virgem da Luz» do maniqueísmo, como figura de Sophia divina, que na gnose, é identificada ao Espírito Santo. Vemos assim, que fundas implicações de sabedoria e de tradição religiosa portuguesa, estarão implicadas na figura divinizada da mulher, na poesia lírica de Camões, como «figura angélica» e na sua poesia épica, como «ninfa mor»: a figura feminina surgindo como doadora da sabedoria suprema, iniciadora dos mistérios invisíveis do céu.» Dalila Pereira da Costa, Raízes Arcaicas da Epopeia Portuguesa e Camoniana
«Deixa-me ouvir o que não ouço... Não é a brisa ou o arvoredo; É outra coisa intercalada... É qualquer coisa que não posso Ouvir senão em segredo (...) Vejo-me, somos dois...» Fernando Pessoa