Emancipado
do seu ar rarefeito,
decidir
mergulhar no espaço
vago
do princípio de mim.
Fui levado
até onde a estupidez
manifesta de lado,
seu meio e seu fim,
fim,
onde sua existência,
toma forma e vigor
numa mistura
heterogenia
de estranheza e pavor,
logo,
tive que retornar
à superfície de mim,
aquela coisa sem par;
como uma bala de festim
atirei sem matar
pouco antes de fugir
daquela coisa rasa.
Ontologicamente clivado
deixei-lhes
um beijo gasoso,
e um silêncio dilacerado
no seio da tua flor,
pra sair imaculado...
Luciano Fraga
Donde vimos, para onde vamos...
Ângelo Alves, in "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo".
Manuel Ferreira Patrício, in "A Vida como Projecto. Na senda de Ortega e Gasset".
Onde temos ido: Mapiáguio (locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA)
domingo, 3 de agosto de 2008
SUJEITO PENSANTE
terça-feira, 24 de junho de 2008
E a cada momento a pedra

Tão simples contar uma história, tão fácil ver. Espera, disse a irmã mais velha, porque agora vou virar a página e contar como o cavaleiro foi salvo pela bruxa do mar. Mas olha outra vez, repara nas cores pesadas do céu: o pai escrevia estes versos três dias antes de os soldados o levarem, tenta não te esquecer. Ou então, se quiseres, subiam ao terraço porque ali podiam fingir que a cidade ainda estava viva, tão longe; subiam ao terraço intacto para não pensar nos dias da devastação. E Miriam sentia confusamente que queria adormecer nos braços da rapariga do tigre.
Tão simples contar uma história, mas ver é ser levado por ela. Sou o que os meus olhos me dizem, digo só o que o meu olhar pode ser: aprendi a ler com os olhos do falcão e do órfão. E a cada momento a pedra, o gesto velado da rapariga do tigre.
Em tudo o que digo há cidades mortas.
[pintura a óleo sobre tela: Omens of Hafez, de Iman Maleki]
