A Águia, órgão do Movimento da Renascença Portuguesa, foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal. No século XXI, a Nova Águia, órgão do MIL: Movimento Internacional Lusófono, tem sido cada vez mais reconhecida como "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português". 
Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra). 
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa). 
Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286. 

Donde vimos, para onde vamos...

Donde vimos, para onde vamos...
Ângelo Alves, in "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo".

Manuel Ferreira Patrício, in "A Vida como Projecto. Na senda de Ortega e Gasset".

Onde temos ido: Mapiáguio (locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA)

Albufeira, Alcáçovas, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belmonte, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Ermesinde, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Famalicão, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guarda, Guimarães, Idanha-a-Nova, João Pessoa (Brasil), Juiz de Fora (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Mirandela, Montargil, Montijo, Murtosa, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pinhel, Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Sagres, Santarém, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Teresina (Brasil), Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vigo (Galiza), Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.
Mostrar mensagens com a etiqueta António Telmo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta António Telmo. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

In NOVA ÁGUIA 37: sobre António Telmo...

 

O SEGREDO DO (GRANDE) ORIENTE EM ANTÓNIO TELMO: O FULCRO MEDITATIVO-VISIONÁRIO E A “TRADIÇÃO” DA KABBALAH

Alexandre Teixeira Mendes

É sobretudo a kabbalah a referência subterrânea aos noemas do (grande) Oriente, a cidade santa de Jerusalém e o cenáculo de Safed, que se encontram previamente na filosofia de António Telmo. O rememorar como o (re)percorrer, no sentido decisivo, dos grandes momentos da história da metafísica judaico-oriental, tal como se exprime na teoria da palavra poética ou, de modo recorrente, nas figuras do homem-em-exílio e do Deus-em-exílio. O nosso mestre ousou, durante uma vida consagrada à reflexão, infundir um tipo particular de ensinamento e de dialéctica escrita, como Platão, dominado pelo daimon literário e por um instinto dramático, onde está presente a perfeição formal de uma obra, como nenhuma outra, tendo em conta, por exemplo, as potencialidades da linguagem e os modelos não igualados de ensino filosófico? Como situar a relação de António Telmo com a fé cabalística do repensar a questão da linguagem, remontando à dimensão dativa ou vocativa, o entrelaçamento da voz e da letras da Thora? Mas sobre este poder de eclosão que se revela na desdobragem do texto de um ensinamento esotérico, ao nível dos assentimentos prévios, a fixação de um método de decifração do texto, nas suas subestruturas de mapeamento, como, por exemplo, o imperativo do registro da realidade que é conduzida pela palavra e portanto o fluxo mais vasto das coisas que existem na medida em que são nomeadas? Essa noção de “arcaísmo” é crucial para o nosso argumento. Prende-se com a sua relação com os procedimentos de caráter filosófico ou literário, de uma religiosidade heterodoxa e mística da busca abrangente do «verdadeiro oriente»? E onde a ideia abrangente de exílio e de redenção, concebida como desterro, continua num outro momento o seu hebraísmo, uma escrita interrogante centrada no enigma do mal e uma filosofia que se mantém na área fronteiriça da poesia, no (trans)curso então da magia salvadora e da reminiscência do paraíso, (in) apreensível)? O segredo da ars (arte) de António Telmo, a partir da qual se poderia discernir o primado délfico, que fez notavelmente de omphalos o centro do mundo, onde assinalamos a crucial importância atribuída ao ciclo da terra e da serpente, é a reivindicação do hermetismo e do conhecimento secreto?

(excerto)

quinta-feira, 24 de agosto de 2023

Sobre António Telmo, na NOVA ÁGUIA 32...



ANTÓNIO TELMO E TOMÉ NATANAEL, OU A CONTEMPLAÇÃO DE SI

Risoleta C. Pinto Pedro

 

A Literatura Portuguesa está repleta de manifestações em que os poetas revelam a sua divisão interior. Atribui-se este estado de ser à perseguição feita aos judeus na Península, convertidos à força, a partir do século XVI, sacrificados nas prisões e nas fogueiras. Mas talvez tal condição seja prévia a este contexto temporal e já estivesse escrita na história, na epigenética, nas múltiplas perseguições, nas múltiplas conversões. Desde o princípio. Por alguma razão, uma das entrevistas fictícias que António Telmo escreve é à revista Princípio, que pretensamente entrevista Tomé Natanael, anagrama de António Telmo.

Ao longo de toda a linhagem da nossa escrita literária, está patente a bipartição, a cisão do eu, a dilaceração da alma de um povo, a ferida profunda na identidade, a duplicidade, mas não só: o próprio antagonismo interior, a violência da partida, o êxodo e a saudade...


(excerto)

quinta-feira, 1 de abril de 2021

Sobre António Telmo, na NOVA ÁGUIA nº 27...

 


UM OLHAR DE ANTÓNIO TELMO NA SIMBÓLICA DE PRESTES JOÃO | Abel de Lacerda Botelho

ANTÓNIO TELMO: QUEM SOU EU AQUI? | Carlos Aurélio

DA PERIFERIA AO CENTRO | Carlos Vargas

DIVAGAÇÕES EM TORNO DO SER POÉTICO-FILOSÓFICO SAUDOSO: A PROPÓSITO DOS RITMOS BERGSONIANOS DE ANTÓNIO TELMO | César Tomé

DE UMA CARTA DE ANTÓNIO TELMO SOBRE A RAINHA SANTA ISABEL | Eduardo Aroso

ANTÓNIO TELMO E O CICLO DA HERMENÊUTICA | João Luís Ferreira

O LETRADO ANTÓNIO TELMO | Joaquim Domingues

ANTÓNIO TELMO: HUMILDADE ESPIRITUAL E INICIAÇÃO MAÇÓNICA | Pedro Martins

DA CONVERSA À CONVERSÃO | Pedro Sinde

A IDEIA DE PÁTRIA EM ANTÓNIO TELMO | Renato Epifânio

ANTÓNIO TELMO: UMA ARTE POÉTICA PARA UMA POÉTICA DA ARTE | Risoleta C. Pinto Pedro

UM SEGREDO DO ALTO-MAR| Rodrigo Sobral Cunha

A REALIDADE TRANSCENDENTE E ESPIRITUAL DA REDENÇÃO DO MUNDO EM ANTÓNIO TELMO | Samuel Dimas

sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Na NOVA ÁGUIA nº 27: Cartas de Dalila Pereira da Costa para António Telmo...

 

CARTAS PARA ANTÓNIO TELMO[1]

Dalila Pereira da Costa 

Publicam-se aqui as dezasseis cartas (nelas se incluindo alguns cartões) de Dalila Pereira da Costa para António Telmo que se guardam no espólio deste último. Uma dessas cartas – que ora surge sob o número III – havia já sido dada a lume em Cadernos de Filosofia Extravagante: António Telmo (Zéfiro, Sintra, 2011, Colecção NOVA ÁGUIA); as restantes são inéditas. O arco cronológico do epistolário define-se entre 1977 e 1994. Desconhecemos se outras cartas de Afonso Botelho para António Telmo existiam e se terão perdido.

Complementarmente, por se tratar de um título da bibliografia passiva de António Telmo que, até agora, havia passado despercebido e que, de modo manifesto, se articula com o teor das cartas VIII e IX, reproduz-se em anexo a recensão a Gramática Secreta da Língua Portuguesa, de António Telmo, que Dalila Pereira da Costa publicou na revista portuense Nova Renascença (Volume I, n.º 4, Verão de 1981, pp. 453-455).  

Não tendo sido possível, por ora, facultar ao leitor, na sua integralidade, o diálogo epistolar mantido entre os dois autores, será de esperar que, no futuro, o mesmo possa vir a ser reconstituído, com evidente benefício para a compreensão do que agora se publica. Foi, aliás, com semelhante propósito que procedemos, sempre que isso se mostrou necessário e possível, à anotação das cartas, restringindo-a quanto possível, mas sempre de modo a procurar esclarecer o seu teor a quantos se encontrem menos familiarizados com o universo intelectual dos correspondentes ou com alguns aspectos menos evidentes desse mesmo universo. A este respeito, queremos expressar a nossa profunda gratidão ao Dr. Paulo Samuel, amigo de António Telmo e de Dalila Pereira da Costa, estudioso das obras de ambos e ainda editor da escritora portuense, pelo seu valioso contributo na fixação do texto das cartas e pelos esclarecimentos e informações que a respeito do teor das mesmas nos prestou. 

A ortografia dos textos epistolares foi actualizada pela norma anterior à do Novo Acordo Ortográfico. As palavras de muito difícil leitura no original manuscrito e, por isso mesmo, de duvidosa compreensão, foram assinaladas com recurso ao sinal “[?]”. Meros lapsos manifestos foram objecto de correcção.  


[1] Transcrição, organização, introdução e notas de Pedro Martins e Risoleta C. Pinto Pedro.

domingo, 20 de setembro de 2020

Na NOVA ÁGUIA 26: 12 Apontamentos inéditos de António Telmo...


[1.] É costume explicar as relações hostis entre os irmãos pelo desejo de cada um deles ocupar o primeiro lugar no amor dos pais. Assim, o mais velho, durante algum tempo sozinho no seio da família, teria visto os seus privilégios de unigénito divididos pelo segundo e, depois, pelo terceiro irmãos. O benjamim aparece numa altura em que o primeiro já tem idade suficiente para sentir a deslocação do afecto. Daqui uma mais profunda hostilidade do primeiro para com o último. Os relatos bíblicos de Isaac, Jacob ou José, os contos tradicionais, como a Gata Borralheira ou o Pequeno Polegar, descrevem esta constante de hostilidade dos irmãos ou irmãs mais velhos para com o último ou a última das filhas. Este é umas vezes o terceiro, outras o sétimo, outras o décimo.
Não creio que a explicação psicológica seja definitiva. Há aqui uma lei que reflecte relações entre princípios. A força do catolicismo reside em grande parte no facto de ver o filho como Unigénito. Na ideia da Santíssima Trindade, não há elemento de conflito, mas uma harmoniosa processão de Pessoas que constitui o fundamento inabalável de um universo harmonioso. As heresias medievais ou opuseram o Filho ao Pai, ao Pai no qual ofitas e carpocracianos viram o demiurgo do mal criador do Mundo, ou identificaram o Espírito Santo com Santa Maria. A ideia de queda em Deus, inaceitável na visão católica do mundo, é defendida pelos gnósticos que, significativamente, põem no princípio sete ou oito arcanjos entre os quais se gera uma desarmonia, causadora da queda.
Ao primogénito, corresponde o princípio de conservação, a Tradição do Pai. O mais novo é o elemento de revolta, representado mitologicamente por Satan. Todavia, na Bíblia, o pai abençoa consciente ou enganado o filho mais novo em lugar do mais velho. Os restantes irmãos seguem, em geral, o mais velho. Nos chineses, onde a tradição familiar é poderosíssima, o mais velho é que traz a luz, o cavalo fogoso, enquanto o mais novo é a porta de outro mundo. É mais um sinal de que as relações entre os pais e os filhos e destes entre si constituem a projecção dos primeiros princípios o facto do I King fazer corresponder os oito trigramas principais ao Pai e à Mãe, aos Três irmãos e às Três irmãs.
Abro esta autobiografia com estas reflexões, porque a lei de acção e reacção que liga o benjamim ao primogénito é um dos elementos simples que constituem a grande lei que rege a minha existência e a dos outros homens.
Nasci com o sol no segundo decano do signo do Touro. O meu Pai nasceu no segundo decano do signo da Virgem; minha Mãe no signo Escorpião a 14 de Novembro. O segundo dos meus irmãos nasceu também em Escorpião, primeiro decano, 25 de Outubro, a quatro dias do primeiro dos meus irmãos, que ainda é do signo da Balança, mas já sofre enorme influência do signo seguinte.
Nasci, pois, do outro lado da família.
É este o destino mais difícil de cumprir, se quisermos manter, apesar da zenital oposição, a totalidade das relações.
O indivíduo que eu sou beneficia da posição do Sol na casa nona, a casa da gnose e da Viagem, do esplendor da Lua em Touro no Zénith, do favor de Vénus na décima casa. Júpiter está benigno em Peixes. Urano na casa oitava, em Carneiro, Marte retrógrado e desacompanhado em Cancer, Saturno, também desacompanhado na casa dos ancestrais, parecem ser inquietantes sinais de desarmonia. Neptuno na casa XII avisa contra “inimigos ocultos”.
Vieram sete fadas… e a má…
Assim começam todas as histórias verdadeiras. Mas sem a má não se manifestariam os dons concedidos pelas outras.

sábado, 7 de março de 2020

20 de Março, no Porto...


A Verdade do Amor precedida de Adriana, Volume XI das Obras Completas de António Telmo, será lançado no próximo dia 20 de Março, a partir das 17:30, na Cooperativa Árvore, emblemático lugar da cidade do Porto. O livro, que tem prefácio de Paulo Samuel e sai a lume com a proverbial chancela da Zéfiro, reúne duas peças de teatro de António Telmo: A Verdade do Amor, obra dramatúrgica que foi originalmente publicada pela Zéfiro em 2008, conjuntamente com Adoração: Cânticos de Amor, de Leonardo Coimbra (o que agora, aliás, voltará a suceder), sendo que, no presente volume, três outros escritos de Telmo completam ou esclarecem aquele seu texto dramático; e Adriana, peça de juventude de Telmo, que terá sido escrita pelo filósofo em Sesimbra, quando tinha apenas dezasseis anos, e que havia já sido publicada, se bem que fac-similada, em O Portugal de António Telmo (Guimarães, 2010).
Se com respeito a esta obra teatral da juventude do filósofo se resolveram agora os problemas de alinhamento sequencial verificados no fac-símile das laudas dactiloscritas e que prejudicavam a sua inteligibilidade, importa ainda enfatizar que, graças à intervenção de Paulo Samuel, e a partir de um exemplar da edição princeps de Adoração, corrigido pelo punho do próprio Leonardo Coimbra, foi possível corrigir dois erros que até hoje, nas sucessivas edições daquela obra, nela persistiam.
Por último, reúnem-se, em secção intitulada Agostinho da Silva, o último discípulo de Leonardo Coimbra, cinco testemunhos de António Telmo sobre o autor de Um Fernando Pessoa. Apesar de em Autobiografia e Sobrenatural, derradeira secção das suas Páginas Autobiográficas, referir António Telmo que, naquela peça, «George Agostinho da Silva é George», a verdade é que o mesmo não surge no texto dramático de A Verdade do Amor. Não se sabe se o filósofo mudou de ideias, fazendo com que George “saísse de cena”, nomeadamente pela atribuição de um outro nome à personagem respectiva, ou se, ao invés, essa menção se ficou a dever a algum seu lapso de memória. Num caso como no outro, sempre esta irradiação dialogal com a peça de 2008 ficará justificada.
De resto, a sessão de 20 de Março, na Cooperativa Árvore, irá igualmente contemplar a apresentação da primeira edição completa de Vida Conversável, de Agostinho da Silva com Henryk Siewierski, que acaba de ser lançada com a chancela da Zéfiro e o selo da Colecção Nova Águia.  

Em virtude da propagação do COVID-19, esta sessão foi cancelada.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

18 de Janeiro, na Escola Superior de Medicina Tradicional Chinesa....

Capelas Imperfeitas – Dispersos e inéditos, Volume X das Obras Completas de António Telmo, que sairá a lume com a proverbial chancela da Zéfiro, será lançado no próximo dia 18 de Janeiro, na Escola Superior de Medicina Tradicional Chinesa, em Lisboa. A apresentação da obra será feita por António Carlos Carvalho e a sessão, que se realiza na Sala Araújo Ferreira, terá início às 18:30, contemplando ainda a apresentação do número 22 da revista Nova Águia pelo seu Director, Renato Epifânio.
Prefaciado por Pedro Martins, que o organizou e anotou, e reunindo os epistolários, em boa parte inéditos, que Telmo manteve com os seus mestres Álvaro Ribeiro e José Marinho, bem como trinta cartas que escreveu a António Cândido Franco, numa selecção muito representativa que agora vem a lume, Capelas Imperfeitas inclui ainda, sempre sob o lema Bellum sine Bello, a segunda e derradeira parte da polémica, que ficou sanada, com o biógrafo de Agostinho da Silva a propósito das relações da Filosofia Portuguesa com o Surrealismo e Mário Cesariny, bem como a colaboração do filósofo na página cultural de O SetubalenseArca do Verbo, quase integralmente preenchida pela polémica com um outro membro do seu círculo, o malogrado João Rêgo. Abrindo com Textos de Escrita Vária, em que avultam vinte e cinco Apontamentos e Fragmentos, e fechando com dois textos de intervenção em prol do movimento da Filosofia Portuguesa, publicados no primeiro número dos Cadernos de Filosofia Extravagante, estas Capelas Imperfeitas têm porventura nos Diálogos do Mês de Outubro, de que acaba de sair um excerto no mais recente número da revista Nova Águia, ontem lançado em Lisboa, o seu mais forte motivo de interesse. Tudo leva a crer, desde logo pelas indicações manuscritas no respectivo caderno manuscrito, mas também pelo seu teor, que se destinavam à primitiva versão de Filosofia e Kabbalah, que Telmo, em carta para António Quadros de Junho de 1986, dava já por completa. Como, no prefácio, escreve Pedro Martins:
«Precedidos de uma “Explicação”, encontramos sete diálogos, correspondentes aos sete dias da semana, em referência expressa aos deuses pagãos da mitologia clássica que respectivamente os regem, deste modo se predispondo os temas das conversas. Da Explicação, como da maior parte dos diálogos, encontraremos mais do que uma versão.
Os interlocutores tomam para seus nomes próprios os de mestres do filósofo, ou, talvez melhor dizendo, de «famosos filósofos que, de facto, foram decisivos para a orientação espiritual do autor», sem que com os mesmos possam, todavia, ser identificados em termos de pura coincidência. São eles Eudoro (de Sousa), José (Marinho) e Álvaro (Ribeiro). Mas Eudoro será, muitas vezes, substituído por Leonardo, e José irá, não raro, aparecer nomeado como Marinho.
Cada um destes nomes deve, pois, ser encarado como um símbolo. Como se explicita numa das versões, a primeira, da “Explicação”, Eudoro é «o católico ortodoxo»; Marinho, «o gnóstico, o oriental, o pensador da luz e do abismo»; Álvaro, «o católico ocultista, o cristão novo, o sefardi converso». Estas «três perspectivas (…) coexistem no espírito do autor deste livro», que as pôs «a conversar umas com as outras», procurando «ser o quarto que as conduz como um pastor». Quanto se pode ler na terceira e última versão da “Explicação” permite-nos, de algum modo, referir Leonardo à ortodoxia católica, Álvaro à Kabbalah sefardi e Marinho ao Islão iniciático do sufismo, o que nos conduz a um reencontro com a tese da confluência das três tradições peninsulares na formação da Filosofia Portuguesa, que foi a de Álvaro Ribeiro.
A identificação de Telmo com Álvaro será, de resto, e de longe, a mais flagrante, e não poderia ser de outra forma, pois que os Diálogos ostentem a seguinte dedicatória: «Ao filósofo do meu alvoroço, meu terceiro e verdadeiro mestre, Álvaro Ribeiro.» E é por essa identificação, como «uma dominante que harmonize entre si os vários aspectos do horóscopo mental», que a reintegração conciliatória das partes no todo poderá, enfim, ser lograda. Como diz o filósofo na primeira versão da “Explicação”: «Em mim, o católico ortodoxo de tradição familiar e o ocultista que procura fora do catolicismo aquela verdade esotérica que é pertença de todas as religiões vêm conciliar-se ou harmonizar-se no católico ocultista, que vê no Homem o nome de Deus que devemos santificar». Já de si António Telmo afirmara, logo no fragmento com que abre o presente volume, que «é Tomé, de uma família vagamente judaica». O seu marranismo resolve-se, assim, numa superior síntese conciliatória dos aspectos antagónicos associados, prima facie, aos dois credos.»
Refira-se, por último, a marginália destas Capelas Imperfeitas, em que se publica uma carta de Henri Gouhier para António Telmo encontrada no espólio de Álvaro Ribeiro, juntamente com as cartas que o autor de Arte Poética escreveu ao seu mestre, artigos de Afonso Botelho e Dalila Pereira da Costa sobre Telmo, publicados num dos dois números com que a já referida Arca do Verbo o homenageou em 1991, e uma carta aberta de António Cândido Franco a João Rêgo, no âmbito da polémica, também já referida, que este manteve com António Telmo naquele suplemento.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

20 de Janeiro, às 15h30, na Escola Superior de Medicina Tradicional Chinesa, em Lisboa...

Lançamento de dois novos livros: História Oculta de Portugal precedida de No meio do caminho da vida e Os meus prefácios, Volume VIII das Obras Completas de António Telmo, que será apresentado por Rui Lopo e Renato Epifânio, e António Telmo, Literatura e Iniciação, de Risoleta C. Pinto Pedro, segundo volume da Colecção Thomé Nathanael – Estudos sobre António Telmo, que será apresentado por António Carlos Carvalho.
Renato Epifânio apresentará ainda o número 20 da revista NOVA ÁGUIA, onde foi publicado um escrito inédito de António Telmo. 

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Nos 90 anos de António Telmo...

No dia 2 de Maio do corrente ano, António Telmo completaria 90 anos de idade. Em sua memória, publicaremos no próximo número da NOVA ÁGUIA um texto seu, intitulado Apresentação a Oriente de Estremoz de uma revista literária.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

De António Telmo, para a NOVA ÁGUIA 13

Desde a publicação da História Secreta de Portugal, caí nas redes do prestígio. Desde então tenho recebido cartas e visitas de muitos desconhecidos que seria capaz de esperar me viessem procurar para aprender qualquer coisa de mim. É, porém, divertido, observar que todas essas pessoas se põem a ensinar-me. Leio as suas cartas e, salvou um ou outro caso, não respondo; se vêm ver-me, escuto-os placidamente e, em geral, não voltam a procurar-me.
Ultimamente, recebi de um desses desconhecidos por três vezes uma série enorme de poemas patrióticos, católicos, messianistas, claros de dizer, mas sem a força da metáfora vidente. Nenhuma mensagem em prosa os acompanhava, talvez porque os fez a pensar em mim, que aliás, interpela aqui e além. Todavia, na última desses três cartas, havia uma página em A-4, onde estava escrito só o seguinte: Dedução do número 13 pelo três e pelo quatro e umas contas arbitrárias mostrando o procedimento dedutivo. Apesar de quanto isto me aparece como estranho e digno de atenção, não respondi. Responderei?

(excerto)

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Próxima sessão de apresentação da NOVA ÁGUIA 12

07.11.13 - 19h00: Livraria Bertrand Chiado (por Renato Epifânio).

Na mesma sessão, Miguel Real apresentará a recente reedição da "História Secreta de Portugal", de António Telmo, e Ruy Ventura a mais recente obra de Pedro Martins, "Teoria Nova da Saudade" (edições Zéfiro).

sábado, 28 de setembro de 2013

28 DE SETEMBRO, ÀS 15:00, NA BIBLIOTECA MUNICIPAL DE SESIMBRA: COLÓQUIO «DO AMOR»

 
a verdade do amor
Carlos Aurélio – “A Libertação pelo Teatro em Orlando Vitorino”
Isabel Xavier – “Uma leitura de A Rainha Morta e o Rei Saudade, de António Cândido Franco”
José Paulo Albuquerque – “A Verdade do Amor . O teatro de António Telmo”.

sábado, 29 de junho de 2013