Donde vimos, para onde vamos...
Ângelo Alves, in "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo".
Manuel Ferreira Patrício, in "A Vida como Projecto. Na senda de Ortega e Gasset".
Onde temos ido: Mapiáguio (locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA)
segunda-feira, 20 de março de 2017
SOBRE AFONSO DE ALBUQUERQUE, na NOVA ÁGUIA 19...
terça-feira, 15 de dezembro de 2015
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
Amor el-Rey
Afonso de Albuquerque, como soube que era chegado outro Governador e seus inimigos muito favorecidos d'el Rey, alevantou as mãos, e deu graças a Nosso Senhor, e disse: "Mal com os homens por amor d'El-Rey e mal com El-Rey por amor dos homens: bom é acabar".
Dito isto, mandou tomar aos Mouros todas as cartas que levavam para mercadores de Ormuz, em que diziam "que se não tinham dado fortaleza a Afonso de Albuquerque, que lha não dessem; porque era vindo outro governador, que faria tudo o que eles quisessem". E (...) mandou-as (...) queimar todas, e despediu os Mouros, que se fossem, e ficou só com o Secretário; e tendo já feito seu testamento, em que se mandava enterrar na sua capela que tinha feito em Goa (...) fez uma cédula em que mandou que os seus ossos, depois da carne gastada, se trouxessem a Portugal. E outras palavras, que houve por escusado escrever. E acabado isto escreveu uma carta para El-Rey D. Manoel, que dizia assim:
"Senhor, quando esta escrevo a Vossa Alteza estou com um soluço que é sinal de morte (...)".
Comentários de Afonso de Albuquerque, tomo IV, capítulo 45
Andamos os portugueses mal com a História por amor ao Futuro, e mal com o Futuro por amor à História; pasmados nos quedamos, entre temor de Governadores que chegam e saudade de Alma que teima em partir. Por isso vos falo da perpétua gastação da carne e da eterna devolução dos ossos; por isso vos mostro as mãos de Albuquerque, que se erguem ao alto em fidelidade à Graça, e as mãos do Secretário, que ao papel se prendem em fidelidade ao Querer; e por isso vos instigo a fazer de Amor El Rey, a deixar acabar o que à morte pertence. Acautelai-vos dos mercadores de Ormuz; mas sabei quão Real é a cor(o)ação da Pátria.
E o mais é escusado escrever.


