A Águia, órgão do Movimento da Renascença Portuguesa, foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal. No século XXI, a Nova Águia, órgão do MIL: Movimento Internacional Lusófono, tem sido cada vez mais reconhecida como "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português". 
Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra). 
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa). 
Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286. 

Donde vimos, para onde vamos...

Donde vimos, para onde vamos...
Ângelo Alves, in "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo".

Manuel Ferreira Patrício, in "A Vida como Projecto. Na senda de Ortega e Gasset".

Onde temos ido: Mapiáguio (locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA)

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quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Não verborreies...

Não verborreies
Quanto mais se fala
Menos se diz


Se podes apenas duas palavras usar
Porque usas doze?
Assim nem meia dúzia te ouve


Por isso também me calo
Esperando que útil te tenha sido
Esta breve “Educação”



P.S.: Último de uma série de dezasseis epigramas aqui publicados sob o título geral de «Educação da Nova Águia» (ver etiquetas). Agradecemos todos os comentários feitos. Apesar do cariz "estóico" da Educação, somos sensíveis aos elogios... Abraço MIL!

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Só, eficaz, é o exemplo...

Quando tiveres que alguém castigar
Castiga
Mas sem lições de moral

Quando tiveres que alguém elogiar
Elogia
Mas sem fáceis lisonjas

Tudo o que é fácil, falso é
Uma farsa é igualmente toda a moral
Só, eficaz, é o exemplo

Apela sempre à inteligência...

Não nos olhes de cima
Nem de baixo, nem de lado
Olha-nos sempre de frente

Nunca lacrimejantes discursos faças
Depressa secam as lágrimas
Sem rasto deixarem

Apela sempre à inteligência
Mais do que tudo, é a Razão o que nos une
Ar e vento o resto é tão-só

Nunca o teu castelo muralhes...

Nunca o teu castelo muralhes
Quem em muralhas se enclausura
Todas as batalhas já perdeu

De vez em quando
À torre do teu castelo sobe
Para veres mais alto, mais longe

Mas não te demores, lá em cima
O teu lugar é connosco
Entre os teus

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Se alguém quiser sair...

Se alguém quiser sair
Dá-lhe um cantil, para de sede não morrer
E dois pães, para não passar fome

Escravos, neste Cortejo, não há
Apenas livres seres
Sem quaisquer algemas

Quem quiser sair, que saia
Quem tiver que voltar, que volte
Para que ninguém se perca, acesa ficará a luz

Nunca, para trás, ninguém deixes...

Nunca, para trás, ninguém deixes
A menos que a espera
Todo o Cortejo faça perigar

Este é mais do que, das partes, a soma
Dele, todos, fazem parte
Os vivos e os mortos

Todos
Mesmo os que entretanto caíram
Mesmo os que para trás ficaram

Quando alguém pelo caminho cair...

Quando alguém pelo caminho cair
Com todas as honras o enterra
No mais solene silêncio

Maior heresia não há
Do que aos mortos
Ao respeito faltar

Um morto mal enterrado
Tornar-se-á num fantasma
Nunca em paz te deixará

Quando a espada tiveres que usar...

Quando a espada tiveres que usar
Cruel não sejas
Mas, igualmente, não piegas

Cruel não é também a Natureza
Apenas justa
Mesmo, sobretudo, quando a Morte dita

É com a espada que se abre o caminho
Depois do caminho aberto
De flores, então, podes cobri-lo

É a Lei da Natureza, a única Lei...

Acolhe todos
Mas escolhe os melhores
Deles, o Rei, emergirá

Todos, o teu corpo formarão
Em forma de Montanha
Ave, Árvore

Com a tua espada
Os ramos secos, corta
É a Lei da Natureza, a única Lei

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

De onde vêm, não perguntes...

Acolhe todos aqueles que te batam à porta
De onde vêm, não perguntes
Apenas se querem seguir o nosso caminho

Dá muitas voltas a vida
Há gente que, muitas vezes, já se perdeu
Deixa-os agora o caminho certo seguir

Suspende os teus preconceitos
Por vezes, o mais certo
Do extremo erro vem

Deixa os peões avançar...

Deixa os peões avançar
Depois, os cavalos e os bispos
Por fim, as torres

Dos bravos peões, admira o sacrifício
Quanto ao dos bispos, pena não tenhas
Na morte dizem, eles, não acreditar

Quando o teu momento chegar, avança
Sempre o teu Rei protegendo
O teu Rei é a tua alma, tu, a sua espada

Sê paciente...

Sê paciente
Espera o momento certo, o instante exacto
O tempo que preciso for

No dizer do Mestre, a verdade não tem pressa
É um longo caminho
Uma via aberta

É como um jogo de xadrês
Um passo em falso dá xeque-mate
És a Rainha, nunca te disso esqueças

Nunca, Não, Sempre...

Nunca o primeiro tiro dês
Nunca dês a outra face
Respira sempre três vezes antes de responderes

Não respondas a provocações óbvias
O óbvio é, por definição, não verdadeiro
E, por isso, indigno de ti

Concede sempre o benefício da dúvida
Há muita gente a voar à toa
Com esses, perder tempo a pena não vale

Sobretudo, confia no teu instinto...

Sobretudo, confia no teu instinto
O instinto é o olfacto da alma
Vê mais longe do que todos os olhos

Assim, se o instinto te diz não
Mesmo a alguém com mil sorrisos
Nunca baixes a guarda

Se, ao invés, o instinto te diz sim
Mesmo a alguém com a cara coberta
Deixa-o subir a bordo

Nada temas, porém...

Há aqueles que dizem voar contigo
Mas desejam, na verdade, a tua queda
Com esses, todo o cuidado

Há também aqueles que te alvejam de frente
Com esses, o teu cuidado pode ser menor
Mas não os ignores, finge apenas que o fazes

Nada temas, porém
Descontando uns e outros
Somos Mil a cobrir o teu voo

domingo, 24 de agosto de 2008

Nada é preciso dizer...

Não vaciles, não vergues
O vento verga apenas aqueles que o seguem
Ora, tu não o segues, voas contra ele

Enfrenta, sem receio, os que se te opõem
Olha-os nos olhos, bem fundo
E voa por cima deles

Sê fiel a quem te apoia
Em silêncio
A quem irmana o teu voo, nada é preciso dizer