terça-feira, 23 de março de 2021

De Paulo Ferreira da Cunha, para a NOVA ÁGUIA nº 27...

 

CORONAVÍRUS, SOCIEDADE E DIREITO: QUESTÕES DE MORTE E DE VIDA

Paulo Ferreira da Cunha

Não será, decerto, por conhecermos muitas pessoas, nem sequer pela virulência específica do Coronavírus, peste do nosso tempo: mas, já de há alguns anos a esta parte (antes mesmo da eclosão da pandemia), temos a sensação, muito vívida, e muito amarga e triste, de que o nosso mundo dos vivos anda a ser ceifado de grandes figuras, de excelentes pessoas, e, para nós, também de bons amigos.

Não confundamos as coisas, que não queremos que pareça o que não é: não fomos amigo pessoal de muitos desses grandes nomes, longe disso. Alguns conhecemos, é verdade. Com mais ou menos frequência de contacto e maior ou menor empatia. Duns tantos, chegámos a ser amigo, sim. Não sabemos quantas das grandes figuras que desapareceram nos últimos anos realmente se recordariam de nós. Mas isso não interessa, nem para nós nem para os milhares de pessoas que, certamente, mais longe, ou mais perto (em geral, mais longe), sentem a falta de figuras centrais, importantes, simbólicas, inspiradoras. Não pelo seu mediatismo (há imensas figuras mediáticas que ninguém lembrará na semana seguinte ao seu ocaso – seja por que motivo for). Mas pela sua real importância. Pelo seu valor. Pelo seu brilho próprio, e não emprestado pelas luzes da ribalta.

Em relação a algumas dessas pessoas, o golpe foi tão profundo, tão certeiro, que mesmo com a idade que levamos, nos sentimos sem chão e sem norte...

(excerto)