segunda-feira, 15 de março de 2021

De Mendo Castro Henriques, para a NOVA ÁGUIA nº 27...

 


GUERRA JUNQUEIRO E A VOZ CÍVICA DO OUTRO

Mendo Castro Henriques

Nascido numa época em que os poetas tinham ressonância no espaço público, a voz de revolta de Guerra Junqueiro foi recolhendo louvores em vida, que a tornaram de leitura quase obrigatória em família, pelo que mesmo analfabetos sabiam de cor os seus poemas. A sua experiência de homem público, letrado e viajado, conferia densidade a criações que não se perdiam em mundos interiores acrisolados de poesia. Os versos poderosos traziam a influência de Victor Hugo – “Em Hugo adoremos o verbo de esperança/ o Deus-germinal” – das estrofes de Baudelaire, da historiografia de Jules Michelet e das visões de Proudhon e de algum Hegel. As interpelações do último poeta célebre à pátria desciam da intelectualidade de círculos restritos para a rua, onde tinha popularidade....

(excerto)