GUERRA JUNQUEIRO E A VOZ CÍVICA DO OUTRO
Mendo Castro Henriques
Nascido numa
época em que os poetas tinham ressonância no espaço público, a voz de revolta
de Guerra Junqueiro foi recolhendo louvores em vida, que a tornaram de leitura
quase obrigatória em família, pelo que mesmo analfabetos sabiam de cor os seus
poemas. A sua experiência de homem público, letrado e viajado, conferia
densidade a criações que não se perdiam em mundos interiores acrisolados de
poesia. Os versos poderosos traziam a influência de Victor Hugo – “Em
Hugo adoremos o verbo de esperança/ o Deus-germinal” – das estrofes
de Baudelaire,
da historiografia de Jules Michelet e das visões de Proudhon e de algum
Hegel. As interpelações do último poeta
célebre à pátria desciam da intelectualidade de círculos restritos para a
rua, onde tinha popularidade....
(excerto)
