sábado, 22 de agosto de 2015

De Manuel Ferreira Patrício, para a NOVA ÁGUIA 16...


NOME DE GUERRA, DE ALMADA NEGREIROS: UM GRANDE ROMANCE DE FORMAÇÃO

Só pude ver Almada Negreiros em presença física uma vez. Curiosamente, em Lisboa, na companhia do Álvaro [Ribeiro]. Dirigíamo-nos os dois para a Cidade Universitária, partindo de Entrecampos para encetarmos a subida para o Campo Grande. Eu ia para a Faculdade de Letras. O Álvaro não sei se não iria para a Faculdade de Direito. O Álvaro morava então num quarto de um prédio da última linha de Entrecampos, a abrir para o Campo Grande, do lado da entrada na Avenida dos Estados Unidos da América. Quando vamos a olhar, indo já na rua a iniciar a entrada no Campo Grande, vemos Almada a atravessar o largo espaço que ladeava a rotunda em direcção ao Campo Grande, portanto de baixo para cima: aquele Almada alto, ginástico, longitudinal, uma linha vertical a andar. Dissemos os dois qualquer coisa um ao outro e ficou-me a lembrança para durar até ao resto da vida. Depois lá subimos o Campo Grande e depois lá nos dirigimos à Cidade Universitária. O Álvaro sabia melhor quem era o Almada do que eu. Mas eu ia aprendendo. Estávamos nos últimos meses de 1959. Eu acabara de entrar na Faculdade.
(excerto)