quarta-feira, 12 de agosto de 2015

De João Bigotte Chorão, para a NOVA ÁGUIA 16...


É esse Torga que lembro na hora crepuscular do adeus. Um Torga que o leitor talvez tenha dificuldade em reconhecer no Diário. O diário nem sempre é o espelho mais fiel do autor, que, em geral, não regista os momentos felizes porque esses não têm história. De sorte que só abre o caderno para lhe confiar o que é negativo — as horas e os dias de abandono, solidão e incompreensão. Que é a literatura — e mais do que todas a literatura intimista — senão a tentativa de preencher o vazio da vida e de sublimar carências afectivas, morais, intelectuais?
Cartas sem Resposta (excerto)