quinta-feira, 7 de março de 2013

De António Telmo, para a NOVA ÁGUIA 11

Senhor Deus da Luz, seja concedido 
Que num ponto concentre o sol difuso 
Neste meu ser inquieto e dividido 
Onde, se olho, é só treva e caos confuso. 
Toda essa luz esparsa o mago fuso 
Do pensamento a busca, em si perdido, 
E o fio de oiro ao acaso recolhido 
Quebra-se contra o ser opaco e ocluso. 
Concentre-se a luz num ponto! Dá-me a lente 
Com que punha, em criança, a arder a palha 
E fazia um incêndio grande e ardente! 
Dá-me o poder da Fé, puro e sem falha! 
De uma fé que se move e pensa e sente 
E ouve dizer baixinho: "Deus nos valha!"