(excerto)
domingo, 5 de agosto de 2012
De Manuel Ferreira Patrício, sobre Leonardo Coimbra: para o próximo nº da NOVA ÁGUIA...
Leonardo expõe, em A Alegria, a Dor
e a Graça, uma filosofia completa do movimento. No movimento vê o esboço da
alma. É no centro do centro de cada forma que o movimento mora e principia,
propagando-se até aos abismos dos infinitos espaços do Universo. A lei ou
princípio da inércia tem um papel fulcral na sua filosofia do movimento. Por
ela aparece o Universo como um espantoso equilíbrio social vivo. Se o movimento
é o esboço da alma, o que não será o movimento da alma verídica! Por aqui se
entrevê a pedagogia leonardina do movimento, e o que pode ser o princípio da
inércia como princípio da alma humana. Da doutrina do movimento deriva
directamente uma teoria da arte e da educação artística. O grande poder que o
movimento atinge na arte é um poder de revelação. As artes mais altas são, a
este respeito, a música e a poesia. É o movimento da palavra que em ambas
domina: da palavra verbal e da palavra cósmica. É sempre para uma pedagogia da palavra,
e não para uma pedagogia da imagem ou do ícone, que nos aponta a filosofia de
Leonardo Coimbra. Educar é ensinar a palavra, a qual jamais se perde depois de
aprendida. À filosofia criacionista tem que corresponder a pedagogia
criacionista, pois que a criação é um acto da palavra. O que é o Mundo senão o
próprio verbo divino? E o que é a Cultura senão o próprio verbo humano?
