sábado, 15 de agosto de 2009

SINGULARIDADE AFRICANA

Quando carrego no “d”

Alguns doutos ignorantes

Riem-se da inovação

Quando mastigo um “r”

Lá vem a correcção dos

Supostos eruditos

Quando me pronuncio

Moçambicanamente

Alguém expressa

Um sorriso estridente

Quase incontínuo

Deixem-me dar o grito

Que não é do Ipiranga

Mas que o é.

- Caramba!

Escrevo o país de mim

Falo o povo de mim

Falo o espaço que é meu

Canto o canto que é meu.

Ninguém compreende

Minha singularidade

Talvez Camões

Compreendesse

E eu danço nela.



Delmar Maia Gonçalves

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