sábado, 18 de julho de 2009

Arte Poética

Um poema tomara: e que fosse
à raiz das raízes ou mais alto,
temporão ou serôdio: e se precoce
que andasse por aí em sobressalto

a abalar, a criar desassossego,
mesmo à beira da fonte d'água pura,
desvelasse o mais íntimo do ego
e mostrasse o porquê da abrasadura

que ferra este pobre zé-ninguém,
pois em busca de rumo perde o passo
(com a perna mais curta vai além
do que pode o seu pé e o seu braço):

um poema tomara eu fazer
que fosse ao coração do próprio ser.

Domingos da Mota

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