quarta-feira, 6 de maio de 2009

Já não há tempo para o que não seja desmedido

Sol do Mundo

7 comentários:

  1. Isto é o que resta das iniciações erótico-sexuais e dos mistérios hierogâmicos da Antiguidade, ainda vivos no Oriente profundo. Será o Sol do mundo ou a sua sombra espectacular?

    ResponderEliminar
  2. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderEliminar
  3. Será sempre o que os seus olhos virem ser.

    ResponderEliminar
  4. Não me preocupo com o que os meus olhos vêem porque disso trato eu. Questiono apenas a relação disto com a sua matriz profunda, no plano relativo da história e das nossas experiências psíquicas colectivas.

    ResponderEliminar
  5. lembra lá nas profundezas do abismo temporal a velha atlantida e suas corridas de touros...
    A dança frenética kamásica, lembra a lua e o desejo cigano...
    Lembra o longe, o ritmo, boa técnica instrumental e a cor violeta...

    ResponderEliminar
  6. Um possível exemplo da nossa Matriz profunda:

    «I
    Flor dos povos! ó tu que inda te embalas,
    E inda em botão, aos ventos do futuro!
    Que tens por vasos e jardins e salas
    Toda a vasta extensão do tempo escuro!
    E frontes gloriosas a adorná-las,
    A fronte da história, o grande auguro!
    Lírio que sais do seio à humanidade
    Como filha melhor - Fraternidade!

    Deixa que escreva aqui teu nome todo,
    E já daqui aspire teu perfume!
    E, arredando coas mãos o frio lodo
    Do presente, me aqueça a esse teu lume!

    Deixa beijar-te em sonho, e deste modo
    Trazer-te unida ao seio, que consume
    Esta ânsia ardente de destino novo,
    E este fogo roubado ao seio do povo!

    Porque te vemos só quando sonhamos...
    E, irmã! só nos sorris em nosso sono...
    E, a dormir, doce amiga, te beijamos!
    Tu - só em nossas almas - tens teu trono
    Ainda! mas, sem ver-te, te adoramos,
    E, como um cão fiel segue o seu dono,
    Trazemos ante o olhar tua lembrança,
    E caminhamos cheios de confiança!

    Fraternidade! esta palavra é suave,
    Como antegosto de melhor destino!
    Como a onda de um Ganges que nos lave!
    E como a posse de um penhor divino!
    Como o voo sereno de uma ave
    Que, sendo apenas ponto pequenino,
    Entanto, faz, transpondo ao longe um monte,
    Sonhar, com melhor céu e outro horizonte!

    O grande céu! o céu da humanidade!
    Onde os povos serão constelações,
    E, destilando a luz da liberdade,
    Serão astros e estrelas as nações!
    Onde há-de o grande laço da igualdade
    Reunir a vontade e os corações!
    Cobrindo-os, a dormir, os mesmos céus,
    Terão todos também o mesmo Deus.

    Não vejo outro Evangelho de oiro escrito
    Dentro no homem, - nem sei que outro areal,
    Outro cabo, outro monte de granito,
    Do grande navegar surja afinal!
    Guiados pelo instinto do infinito
    É para lá que os povos - nau real! -
    Hão-de a proa virar lá quando um dia
    Marearem pela bússola harmonia!

    II
    Hão-de então, como irmãos, reconhecer-se
    Os amigos - há tanto tempo ausentes!
    Hão então (caso novo e estranho!) ver-se
    Face a face as nações, sem que dementes
    As entranhas se rasguem! e há-de ler-se
    Um protocolo, em letras de oiro, ingentes,
    Escrito, sem emenda e sem errata,
    Por mãos do amor - o grande diplomata,

    III
    Ele é quem concilia as diferenças,
    Quem nos concílios há-de erguer a voz,
    Tirando nova ideia e novas crenças
    Das esfriadas cinzas dos avós!
    E, sem trabalhos, e sem dores imensas,
    E sem rios de sangue e pranto após,
    Rasgando o ventre à velha liberdade
    Sairá à luz a jovem igualdade!

    É doce ver assim, à luz da esperança,
    Pelo futuro dentro, as coisas belas...
    Prever do céu humano essa mudança,
    Que em sóis converte as mínimas estrelas!
    Do passado infeliz eis a vingança!
    E dos mortos as faces amarelas,
    Corando de ventura e de alegria,
    Hão-de surgir, enfim, à luz do dia!

    IV
    E nós também, também comungaremos
    Na grande comunhão das novas gentes:
    Também os nossos braços ergueremos
    - Braços livres de jovens impacientes -
    E o cinto deste Velho quebraremos,
    De aonde a espada e o ceptro estão pendentes,
    (Já tão gastos!) lançando-os à ribeira...
    Para o coroar de palmas e oliveira!

    Espanha - irmã! que boda alegre a nossa!
    Como hão-de então teus seios palpitar!
    Que ribeira de lágrimas tão grossa
    Teu branco véu de noiva há-de estancar!
    Como há-de parecer pequena poça
    Para os banhos, então, o grande mar!
    E entornar-nos volúpia nos desejos
    O misto de ódio antigo e novos beijos!

    Mas tu 'stás presa!... e nós.. 'stamos dementes!
    Separa-nos o abismo! e os teus algozes...
    A cruz de Inácio... e as garras inclementes
    Dos leões orgulhosos e ferozes...
    E a estupidez do povo dos valentes,
    Destes pardais de atroadoras vozes...
    Entre nós nos cavaram oceanos...
    Sejam-lhe ponte os corpos dos tiranos!

    Porque beijas teus ferros, pobre louca,
    E cuidas 'star beijando coisa santa?
    E, tendo em tuas mãos coisa tão pouca,
    Tão ténue como a capa de uma santa,
    Pensas avassalar a terra amouca,
    E te ergues com vaidade e glória tanta?
    Oh! tu, cuidando os orbes abraçar,
    Só ruínas abraças - Trono e Altar!

    Lembre-te a voz do Cid! a atroadora
    Voz que se ouvia ao longe nos combatentes!
    Porque tu estás feita salmeadora
    No coro das igrejas - porque bates
    No peito, em vez de erguer dominadora
    A tua mão em meio de combates.
    E livre e bela, ó Espanha, olhar os céus,
    Procurando por lá teu novo Deus!

    V
    Como nos amaremos, doce amiga!
    Como então amaremos! que noivado
    O nosso não será!... Não tem a espiga
    No campo cor melhor, nem mais doirado
    Esplendor, do que tu, bela inimiga.
    Hás-de ver a ventura... quando o estrado
    Do leito nupcial for Liberdade,
    E for dossel o céu - Fraternidade.»
    Antero de Quental, 'Raios de Extinta Luz'

    ResponderEliminar
  7. Bem, o que eu comentei foi um espectáculo da Britney Spears... Foi isso que apareceu no meu ecrã. Cada um tem o que merece...

    ResponderEliminar

Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.