segunda-feira, 18 de setembro de 2023

22 de Setembro, em Sintra: “Miguel Real. 40 anos de Escrita: Literatura, Filosofia e Cultura”

 

Com a chancela da Universidade da Beira Interior, publicou-se em 2022 um monumental volume, de mais de oitocentas páginas, com o título Miguel Real – 40 anos de Escrita: Literatura, Filosofia e Cultura, que resultou, em grande medida, do Colóquio Internacional “Miguel Real – Literatura, Filosofia, Cultura”, realizado, na mesma Universidade, quatro anos antes. É, de facto, um monumental volume, muito bem organizado – por Carla Luís, Annabela Rita e Alexandre Luís –, que faz jus a um caminho já com mais de quarenta anos de escrita, sobretudo nessas três referidas áreas: Literatura, Filosofia e Cultura.

Não tendo nós competência para avaliar a marca que Miguel Real deixa na História da nossa Literatura, permitam-nos que salientemos aqui a marca a nosso ver indelével que Miguel Real deixa na História da nossa Filosofia e Cultura, mais precisamente, na filosofia da cultura portuguesa das últimas décadas, marca que procurámos salientar no nosso ensaio, neste volume publicado, “A visão de Miguel Real sobre Portugal e a Lusofonia”. Tendo também aqui em conta a sua área ideológica, a visão de Miguel Real sobre Portugal e a Lusofonia é, de facto, singular e assaz corajosa.

Com efeito, em contra-corrente a um número cada vez maior de vozes que, sobretudo na sua área ideológica, estigmatizam toda a nossa história – em particular, a história da nossa expansão marítima –, Miguel Real não só não o faz como tem uma visão futurante dessa mesma história, compreendendo que, no século XXI, esse futuro se constrói em torno do conceito de Lusofonia. A nosso ver, estamos perante o seguinte dilema histórico: ou a Lusofonia se cumpre e, retrospectivamente, toda a nossa história faz, no essencial, sentido; ou a Lusofonia não se cumpre, dando assim (aparente) razão a todos os detractores da nossa história. Perante esse dilema histórico, Miguel Real está, a nosso ver, do lado certo. Saudamo-lo aqui, fraternal e efusivamente, por isso.

Renato Epifânio