quinta-feira, 17 de agosto de 2023

Sobre Eugénio de Andrade, na NOVA ÁGUIA 32...



EUGÉNIO DE ANDRADE OU O ATO DE CRIAÇÃO DA MEMÓRIA

António José Borges  

URGENTEMENTE

 

É urgente o amor

É urgente um barco no mar

 

É urgente destruir certas palavras,

ódio, solidão e crueldade,

alguns lamentos, muitas espadas.

 

É urgente inventar alegria,

multiplicar os beijos, as searas,

é urgente descobrir rosas e rios

e manhãs claras.

 

Cai o silêncio nos ombros e a luz

impura, até doer.

É urgente o amor, é urgente

permanecer.

 

De As Palavras Interditas – Até amanhã, 2012

 

Haverá poema mais adequado e oportuno ao Zeitgeist que atravessamos do que este que nos fala da urgência de construir e destruir como duas faces de um mesmo processo na procura de um mundo melhor?

No ano do centenário de Eugénio de Andrade (Fundão, 1923 – Porto, 2005), como não referir a biobibliografia de um poeta deste jaez? Porém, como a referir? Aproveitamos essa convenção para a contextualizar e mais adiante evocar o poeta com a leitura de mais um significativo poema seu. Uma leitura, mesmo...


(excerto)