terça-feira, 9 de agosto de 2022

Sobre LYGIA FAGUNDES TELLES, na NOVA ÁGUIA 30...

 

Quando observamos a grande desordem a que nos lançam ficções como As meninas ou os extraordinários relatos “Tigrela” ou “A caçada”, aquilo que dissimulam e distorcem, a luz parcial que ilumina um elemento e oculta outro, percebemos como a escritora pretendeu apresentar o ser humano de modo negativo, mas nunca através da crítica explícita, senão da dúvida e da interrogação. A impiedade e a angústia do ser humano, em muitos dos contos de Lygia Fagundes Telles, é um enigma que vai escapando ao olhar, porque a autora pretende que assim seja.

Por esse talento, consistente em compreender e apreender os defeitos dos outros de um modo invulgar, a obra de Lygia Fagundes Telles é considerada um lúcido e cruel retrato da burguesia, mas também um impressionante legado marcado pelo desejo de indagação, pessoal e coletiva, da umana cosa bocacciana, próprio dos ‘livros de sempre’.


PERCEBER OS DEFEITOS DOS OUTROS SERÁ UM TALENTO? A SINGULARIDADE E A ATEMPORALIDADE DA ESCRITA DE LYGIA FAGUNDES TELLES

Alva Martínez Teixeiro

(excerto)