terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Sobre Celina Pereira, na NOVA ÁGUIA nº 27...

 

CELINA PEREIRA: INTÉRPRETE DA CABO-VERDIANIDADE E DA UNIVERSALIDADE

Elter Manuel Carlos

A memória é intemporal (…) Coisas intemporais que são a construção do alicerce da memória de um país que é muito jovem, Cabo Verde, que também tem memórias lusas, porque a nossa mestiçagem vem do português e do escravo africano e de outros povos. (Celina Pereira, Entrevista à RTP).

Celina Pereira (1940, Cabo Verde/ 2020, Portugal) foi condignamente apelidada, não raras vezes, de embaixadora da cultura cabo-verdiana na diáspora. Ainda que esta palavra pareça bastante “vulgar” pela forma como repetidamente é utilizada em diversos contextos, acontece que a grandeza do empreendimento artístico, estético, social e cultural cunhado pela nossa homenageada é digno deste nome. O seu elevado esforço de estudo, criação artística, educação, comunicação e celebração dos horizontes da cultura de Cabo Verde na identidade e universalidade é indesmentível.

Cantora, escritora, educadora, contadora de histórias, pesquisadora das tradições orais cabo-verdianas, Celina Pereira, desde muito jovem, soube serenamente escutar e dar voz a alma cabo-verdiana nas suas mais diversas e genuínas formas de participação, comunicação e comunhão. Por isso, a sua voz que, dolorosa e fisicamente silenciou-se nos últimos dias de 2020, continuará bradando para ser retomada no curso da temporalidade da cultura e pensamento cabo-verdianos, como voz de infinitas harmonias...

(excerto)