segunda-feira, 15 de junho de 2020

De Adriano Moreira, para a NOVA ÁGUIA 26...

Muitos analistas concordam que, em tão pouco tempo, este 2020 apareça como sendo de um mundo sem bússola, marcado pelo desastre global da pandemia, que atinge o género humano, sem distinguir grandes ou pequenos países, com a ordem mundial jurídica atingida por rivalidades, por enquanto verbais, entre, por exemplo, os emergentes EUA e China, um mundo político com pouca atenção à pregação de Francisco, Papa dos católicos, que chama a atenção para a América Latina, uma criação dos dois Estados ibéricos, Portugal e Espanha. Existe ali o atribuído privilégio da primeira elaboração das teorias do populismo desde 1960, mas, nesta data, a desordem, a pobreza e a violação dos direitos humanos, destacando premissas do livro de Mélenchon Qu'ils s'en aillent tous!, partindo da crise na Argentina de 2001.
Mas o Brasil, subitamente, é o principal inspirador das perplexidades e dos deveres portugueses. Não apenas pelo passado, mas também pela desordem que atinge o espaço abrangente da história e da responsabilidade marítima do Atlântico Sul. Também nos pertencerá recriar a bússola. E não é apenas pelo compromisso assumido na Assembleia Geral da ONU, fortalecido pela autoridade da voz portuguesa que assumiu o compromisso. É também pelo valor histórico da América Latina, que lembrou a Gilberto, sem que o fim da vida lhe permitisse, escrever sobre o iberotropicalismo (...)

excerto