segunda-feira, 29 de agosto de 2016

De Joaquim Pinto (pai da Teodora) para a NOVA ÁGUIA 18...

OPÚSCULO SELECTO PARA UMA ESPIRITUALIDADE LUSITANA: DA DEUSA ATLÂNTICA OU UMA EXORTAÇÃO AO ESPÍRITO LUSITANO
Joaquim Pinto
 
“A saudade é Deusa atlântica, não mediterrânea. Os Iberos são atlânticos, esses refugiados do Cataclismo que submergiu o célebre continente, se a Deusa mediterrânea é branca de mármore, em fundo azul, a Deusa atlântica é sentimental e enevoada, e tem, como as Nébulas, a milhões de anos-luz, (…) o quer que é de fabuloso. Mas o fabuloso está na nossa intimidade; e assim vivemos em pleno Reino da Fábula, que nós somos antes de ser e depois de ser, ou ausentes no passado e no futuro, na lembrança e na esperança. Apenas somos presentes nos braços da nossa mãe.”[1]
À amizade entre Teixeira de Pascoaes e o lusófilo
Philéas Lebesgue[2]



[1] Teixeira de Pascoaes, “Da Saudade (1952) ”, in A Saudade e O Saudosismo (Dispersos e Opúsculos), Assírio & Alvim, fixação do texto e notas de Pinharanda Gomes, Lisboa, 1988 p. 246
[2] Colaborador assíduo na revista A Águia, razão pela qual o autor deste artigo considera merecida, justificada e em lugar adequado esta humilde invocação, Philéas Lebesgue foi considerado como o maior lusófilo da tradição filosófico-cultural lusitana. Para além disso, não é demais salientar que foi por via da sua direção na conceituada Mercure de France, na qual publicou os mais renomeados autores da Renascença Portuguesa, que o pensamento português ampliou as suas fronteiras. Assumido adorador de Dante, Hugo e Virgílio, podemos caracterizar o seu pensamento como uma Filosofia Essencial, Humanista e Surrealista que preconiza o homem, na sua individualidade e, em associação, em povo, como ressonância do Verbo: língua, símbolo e poesia, e que é por via da história que se revela o homem a si mesmo. Cf. Philéas Lebesgue, Mes Semailles, Bensaçon, L´Amitié Par le Livre, 1979, p. 271 e 279.