sábado, 18 de julho de 2015

De Abel de Lacerda Botelho, para a NOVA ÁGUIA 16...

OS LUSÍADAS, BÍBLIA LUSITANA

Realmente, o conceito Camoniano do Amor constitui aquela “energia luminosa”, a Luz da Glória. É a “aurora ou aura”, é a “cousa amada”. É a Energia Universal que nos próprios termos de Camões é a “flama viva”, “o nunca morto lume, do desejo que queima e não se consome, é a potência de que se investe o Feminino, sem o qual nada é, nada existe”. É o fascínio que envolve deuses e humanos, e que preside ao “solve et coagula” das almas. Então o nauta (que é o viajante ou peregrino que todos nós somos) senta-se no mesmo banco da sua Ninfa – ou Nereida, e formando um só casal, comungam do mesmo amor, e… tudo isto, tendo por cenário, a “Ilha Angélica Pintada”. É nessa visão (do fim da viagem) e após ela, que o Nauta tem a “apreensão” e “compreensão” do Puro Amor. E a partir daí já não há “retorno terrestre” para a alma insuflada à nascença no Ser, pois ela tendo-se “unido” ao “seu gémeo” ou “dídimo” de Luz (ou aura) eterna, ela já é matéria subtil, e sublimada, e não mais pó ou argila. E assim, a “Ilha alegre namorada” e já sublimada, faz “logo movimento” e nela “levam a companhia desejada das Ninfas”.
(excerto)