quarta-feira, 3 de setembro de 2014

De António Braz Teixeira, para a NOVA ÁGUIA 14

A primeira voz lírica verdadeiramente significativa surgida em Moçambique foi a de Rui de Noronha (1909-1943), filho de pai goês e mãe africana, precocemente falecido e cuja obra só viria a ser publicada, embora parcialmente, após a sua morte e apenas há meia dúzia de anos objecto de uma criteriosa edição crítica integral.
Escritos entre 1930 e 1941 e em grande parte publicados na imprensa periódica laurentina, os poemas do malogrado poeta são, maioritariamente, constituídos por sonetos, de recorte anteriano e, formalmente, de assinalável inspiração parnasiana, em que se exprime uma dimensão metafísica de índole pessimista e em que perpassam dramáticas e vívidas interrogações sobre a dor e o mal, o sentido da vida, a existência de Deus ou o problema da imortalidade pessoal e se exprime a solidão do poeta, a nostalgia da fé da infância, a saudade de amores frustrados ou perdidos ou um ironia triste e desencantada e em que a morte surge como algo libertador do mal, do sofrimento ou do sem sentido da existência. (excerto)