quinta-feira, 6 de março de 2014

8 Março | Pessoa - Cem Anos de Heterónimos

No dia 13 de Janeiro de 1935, um Domingo, Fernando Pessoa escreveu uma carta, em resposta a uma outra do seu amigo e crítico literário Adolfo Casais Monteiro, onde expôs a génese dos seus heterónimos, nomeadamente do mestre Alberto Caeiro e seus discípulos Ricardo Reis e Álvaro de Campos. O que pretendeu ser uma partida ao seu amigo Mário de Sá – Carneiro, mediante as suas próprias palavras, com a invenção de “um poeta bucólico, de espécie complicada, e apresentar-lho, já não me lembro como, em qualquer espécie de realidade”, transformou-se no momento que iria marcar toda a literatura do século XX: o dia 8 de Março de 1914, denominado pelo próprio Fernando Pessoa como “o dia triunfal da minha vida, e nunca poderei ter outro assim”. Nascia o mestre Alberto Caeiro, com o “O Guardador de Rebanhos”, – que lhe pareceu ser logo o seu mestre – e os discípulos que Fernando Pessoa tratou de lhe descobrir: nasciam Ricardo Reis e Álvaro de Campos. No dia 8 de Março de 2014 decorrem cem anos sobre o “dia triunfal” de Fernando Pessoa, e a Alagamares – Associação Cultural marcará essa efeméride com a realização de um colóquio, nesse mesmo dia, na Biblioteca Municipal de Sintra – Casa Mantero (Rua Gomes de Amorim, Sintra), às 16 horas. O colóquio será constituído pelas intervenções dos oradores convidados, estudiosos deste vasto tema e pessoas de elevada intervenção cultural: O historiador João Rodil abordará o heterónimo Alberto Caeiro . Luís Tavares, filósofo, fará uma exposição sobre Álvaro de Campos. A Jorge Telles de Menezes pertencerá a exposição sobre Ricardo Reis. Renato Epifânio, presidente do MIL- Movimento Internacional Lusófono, terá a seu cargo a abordagem da personalidade de Fernando Pessoa ortónimo. As intervenções serão intercaladas com a declamação de poemas dos heterónimos e do ortónimo pelo actor e encenador Rui Mário. No espaço da biblioteca será possível a aquisição de livros de poesia que marcam a efeméride, assim como de autores sintrenses, pela instalação de um local de venda patrocinado pela livraria Dharma, de Mem Martins. A entrada é gratuita.