Os que a não aguentavam, combatiam-na não pelas suas ideias mas pelos seus tiques, não pela sua criação mas pela sua distracção, reduzindo-a a esboços de efeitos fáceis e gratuitos.
É, aliás, pecha portuguesa fazê-lo: quando não conseguimos enfrentar os outros, tentamos ridicularizá-los, achincalhá-los.
Natália reconhecerá, aliás, que “se fala muito da minha personalidade, transformando-a num espectáculo para abafar a minha obra”.
E especificará: “Eu pareço entusiástica, exuberante, mas é só por fora. É a minha forma de me libertar das tensões que as pessoas mordem dentro de si. Interiormente, tenho a imobilidade de um ídolo oriental. Mas não sou fria. Sou até um ser profundamente afectivo”.
(excerto)
