Muito já se disse e escreveu sobre Portugal, nos últimos tempos, seja do mais efémero político e social, passando pelas emoções alteradas eleitoralmente na camada mais exterior do coração do povo, seja do Portugal esotérico e arquétipo. Mas é nesta última perspectiva que se pode questionar se os caminhos portugueses que apontam o futuro não estarão mais dependentes de uma exegese - acentue-se - susceptível de irradiar para mais longe, ao invés de apenas ficar nos círculos habituais. Se é certo que essa compreensão-irradiação não é um movimento de massas, nem até ao gosto do mainstream nacional, não parece verdadeiro, por exemplo, o que um conhecido docente universitário português afirmou há pouco tempo, referindo-se ao excesso de análise em Portugal. No parâmetro sociológico e político não custa admitir. Todavia, é num plano de outra ordem – e só aí – é que é possível intuir e encontrar a verdadeira força-bússola anímica da nação para novos rumos. Mas também o discernimento necessário para não ficarmos presos na estátua da Mulher de Loth, ainda que tenhamos que ser irremediavelmente Fénix, na loucura mais ousada de saber renascer.
(excerto)
