domingo, 27 de outubro de 2013

Declaração da Casa Agostinho da Silva

Brasília, 28 de outubro de 2013.

A Casa Agostinho da Silva (CAS) — entidade da Sociedade Civil sem fins lucrativos, com personalidade jurídica inscrita nos órgãos administrativos pertinentes, com sede em Brasília, pertencente à Plataforma de Associações Lusófonas (PALUS) — em todos os seus empreendimentos culturais no Brasil, na Galiza e em Portugal, identifica e busca parceiros cujas ações primam pelo respeito à formação integral do homem sob o viés do pensamento político-pedagógico do filósofo luso-brasileiro Agostinho da Silva, fundador da Universidade de Brasília e de diversos centros de estudo e pesquisa pelo território brasileiro e em vários outros países.
Isto posto, a CAS declara que a BANCA DE POETAS, idealizada e efetivada pelo artista e ambientalista José Garcia Caianno, é uma parceira eficaz no que tange à retomada, na prática, do ideal agostiniano de que é a Educação o meio pelo qual se edifica a cidadania e se alcança a equidade, o direito ao trabalho e à justiça.
A CAS observa que a BANCA DE POETAS é regida pela pedagogia do homo ludens, criativa e criadora, que possibilita o alavancar para a transformação das mentalidades. Toda e qualquer mudança na ordem social provém, indubitavelmente, de um processo pedagógico voltado para a leitura da literatura, porque é por meio dela que uma Nação se estrutura. Nisto pode-se inserir Monteiro Lobato: “Um país se faz com homens e livros.”. Algo que o promotor cultural José Garcia Caianno vem desenvolvendo com seriedade e responsabilidade ética.
A BANCA DE POETAS dialoga não apenas com o pensar pedagógico de Agostinho da Silva, mas também, cultiva conversabilidades filosóficas que vão de Aristóteles a Augusto Boal. Em relação a este, as atividades do referido agenciador cultural, abordam as linguagens como sendo insubstituíveis; aludindo àquele, dá-nos a ver que o elemento fundante do Teatro é o homem e que o primeiro drama humano é perceber ser uma página em branco perante todo um universo a ser, ainda, construído pela densidade e intensidade da palavra. Aliás, a palavra, sobretudo a poética, tenta decifrar a existência das coisas do mundo.
Neste sentido, o artista José Garcia Caianno evidência em seu Teatro Literário ser a garatuja a ante-sala do letramento e nos confirma que ela deve ser, de fato, instituída no processo educativo de modo que, desde os primeiros anos, possa a criança dinamizar e reinventar a Phisis, teatralizando-a, tornando-a mais real que a própria realidade. Aqui, se insere Vigotisk já que “pensamento e linguagem” são duas categorias construtivas que alumiam a formação cultural do ser. Isto, igualmente, está presente no pensamento pedagógico agostiniano que foi efetivado em todas as suas obras culturais. A bem da verdade, todo ato educativo está estreita e intrinsecamente ligado à cultura.
Ademais, a CAS já percebeu que a BANCA DE POETAS permeia a transversalidade do conhecimento, sendo, pois, um contributo importantíssimo para a Lusofonia. Ou seja, perspetiva o que o próprio Agostinho da Silva, assemelhado à proposta pedagógica de Paulo Freire, deixou fincado em todos os países por onde andou: a liberdade do saber e a afetividade confraterna entre os homens no processo ensino aprendizagem.
Deste modo, sem, no entanto, restringir ao segmento lusófono, deve ser divulgada em Brasília e arredores e ter patrocínio das instituições competentes a fim de que a BANCA DE POETAS seja compreendida como uma empresa modelo do Teatro Literário que desperta a criatividade, defaz o ócio, oportuniza o pensar crítico, favorece o permanente processo de alfabetização e capacita a leitura de mundo e do mundo.
A CAS parabeniza a BANCA DE POETAS que já alcançou África pelas mãos da jornalista Marisol Kadieje, angolana filha da guerra e amante da poesia da liberdade.

Cordiais Saudações,
Lúcia Helena Alves de Sá (Presidente da Casa Agostinho da Silva)