Com o intervalo de escassos meses, surgiram duas obras dedicadas do estudo de um aspecto central da obra pessoana, o que respeita ao sentido que a ideia de Quinto Império reveste no conjunto da obra do autor de Mensagem: os dois tomos de Fernando Pessoa e o Quinto Império (Porto, Universidade Católica Editora, 2012), de Afonso Rocha, inovadora e aprofundada proposta de interpretação global do pensamento filosófico do grande escritor e, agora, o luminoso ensaio de Manuel Ferreira Patrício, No labirinto messiânico de Fernando Pessoa (Sintra, Zéfiro, 2013), incluído na Colecção Nova Águia, que assim prossegue uma actividade editorial de assinalável significado cultural e especulativo.
Estas duas obras, embora, em larga medida, venham a convergir no tema que de ambas é objecto, estão longe de coincidir nas perspectivas interpretativas que adoptam e no final modo como compreendem as posições do nosso máximo poeta-filósofo-profeta, como diversamente distantes se acham das anteriores leituras hermenêuticas que, ao mesmo tema, dedicaram António Quadros, Dalila Pereira da Costa, Joel Serrão e José Augusto Seabra.
(excerto)
