terça-feira, 4 de setembro de 2012

Sobre Pascoaes, nos 100 anos de "O Saudosismo": de António Cândido Franco, para o próximo nº da NOVA ÁGUIA...


Assim como assim, a importância fundadora do saudosismo poético é uma das linhas de força que do nosso ponto de vista justifica aquela incómoda e pessoalíssima apreciação que Mário Cesariny fez em 1972, sessenta anos depois do primeiro manifesto do saudosismo, considerando Teixeira de Pascoaes um poeta bem mais importante que Fernando Pessoa, e que justificaria só por si, neste centenário, caso houvesse audácia de abandonar o ramerrão conceptual, uma atenção cuidada, que fizesse justiça, à situação do saudosismo no campo poético português do século XX e uma homenagem muito especial ao seu criador, Teixeira de Pascoaes, credor de toda a grande poesia que se lhe seguiu.
Como a rotina dos lugares comuns é superiormente cómoda e a verdade demasiado audaz para consciências anestesiadas, o saudosismo e o seu criador serão decerto esquecidos neste ano de 2012 por aqueles que tinham obrigação de o lembrar e preitear. As fanfarras, os foguetes e os encómios ficam guardados mais uns tempos; daqui a três anos sairão das arcas. Então, sim, haverá champagne, brindes, colóquios, comemorações oficiais e até discurso da presidência da República. Pobre Orpheu, que vai a enterrar pacóvio.
(excerto)