domingo, 12 de agosto de 2012

De Adriano Moreira, para o próximo nº da NOVA ÁGUIA


"País de suicidas, diria Unamuno, ao registar também que era o único povo, que, perante as adversidades, dizia – isto dá vontade de morrer.
E todavia, pequeno e pobre, imaginou o V Império, com raízes Bíblicas, tendo no Padre António Vieira o grande inspirador de um Império mundial do Espírito guiado pelo Papa, e tendo o Rei de Portugal, renascido este para a independência, D. João de Bragança, o poder temporal. Ao primeiro exame surpreende que um povo com a gesta dos Lusíadas tenha como referência de esperança um Rei vencido, e não um Rei triunfador. Com a última versão em Agostinho da Silva, que parecia antever a subida de Portugal ao Calvário, para renascer nas comunidades unidas pela língua portuguesa e pela maneira de Portugal estar no mundo.
Mas atrevo-me a leitura diferente, e tomar de guia Bartolomeu Dias, que por três vezes embarcou para descobrir a rota da Índia, incluindo ter vencido o Adamastor, e morreu no mar sem ter conseguido o propósito: morreu tentando, não morreu desistindo. E essa é a virtude do português de sempre: – se necessário, morrer tentando, mas não morrer desistindo."

(excerto)