domingo, 5 de junho de 2011

12 de Junho: Festa do Divino Espírito Santo em Messines

No próximo dia 12 de Junho, Messines terá a oportunidade de se destacar como a localidade no Continente Português , onde se comemorará o dia de Pentecostes, em simultâneo com a Festa do Divino Espírito Santo.
A iniciativa resulta de mais uma parceria construída localmente entre a Caixa de Crédito Agrícola de Messines , a Junta de Freguesia de Messines, a Fábrica da Igreja de S Bartolomeu de Messines, o Grupo de Teatro Penedo Grande, o Agrupamento de Escolas EB 2,3 João de Deus, o Jardim Escola João de Deus, a Casa dos Açores no Algarve, e a colaboração da Câmara Municipal de Santa Cruz da Graciosa.
O início das festividades, terá lugar logo na quarta feira, dia 7 de Junho, pelas 18 horas, no salão da Junta de Freguesia, com uma excelente exposição de fotografias com temas do Espírito Santo nos Açores e réplicas em miniatura de Impérios de várias das Irmandades.
No dia 12 de Junho, dia de Pentecostes, o cortejo que será acompanhado pela Banda Filarmónica Silvense, iniciar-se-á pelas 11 horas, na ala sul do adro da Igreja matriz, junto de uma réplica de um Império do Espírito Santo, para o efeito ali colocada. Depois serão percorridas algumas das artérias da vila de S Bartolomeu de Messines, em especial, as que foram testemunhas do nascimento e vivência de João de Deus, por todos considerado o poeta do AMOR e da obra á CRIANÇA.
De seguida, já no interior da Igreja, teremos a celebração litúrgica com a missa, bênção da coroa e coroação do Imperador/es crianças, com música sacra ajustada ao acontecimento e interpretada pelo músico Rão Kyao.
Concluído o rito, o acontecimento passará a uma acção prática, com mais uma manifestação de confraternização de todos os participantes, num bodo ( oferta) de pão , junto ao Império, e num bodo de sopas do Espírito Santo”( almoço ) confeccionado segundo receitas genuínas oriundas da ilha Graciosa, e que terá lugar na Escola EB 2,3 João de Deus.
A tradição teológica joaquimita ( de Joaquim de Fiore) criada no século XII e introduzida em Portugal pela Rainha Santa Isabel (de Aragão) , esposa de D. Dinis, constitui para muitos dos grandes pensadores portugueses ao longo de todos os tempos, a fundamentação espiritual da “arte de ser português”.
Em Portugal, os Açores representam o centro de intensa prática e fé deste culto único, já que no continente há muito que se esqueceu a sua razão, excepção feita de forma não contínua a Penedo, localidade situada na Serra de Sintra , a Sardoal, a Alenquer e a Tomar, com a Festa dos Tabuleiros, embora esta já se distancie muito do rito original. No Algarve, admite-se que a mais recente manifestação pública tenha sido realizada em Tavira, em meados do já longínquo século XIX. No entanto, desde 1996 a Casa dos Açores no Algarve tem promovido, de forma meritória, a celebração do acontecimento em vários dos concelhos da Região.
Ao longo da história, a organização popular sobrepôs-se a qualquer hierarquia eclesiástica, pelo que as Irmandades ( associações de devotos) sempre tiveram a liberdade de determinar as formas , os rituais e as demais características das comemorações. Para tal, as Irmandades dispõem por regra, de local apropriado – Império -para a sua reunião, trabalho de organização e depósito dos seus pertences, nomeadamente, o respectivo estandarte, coroa , ceptro e bandeja. Uma coroa e uma pomba branca encimam por regra a cimeira da fachada do edifício do Império, enquanto símbolos da tradição ali sediada.
Estas Irmandades, como associações de cidadãos livremente unidos pela Fé no Divino Espírito Santo , tem sido ao longo de séculos, organizações de solidariedade social e entreajuda únicas, porque de criação espontânea e genuína, e porque não tem outra obediência que não ao que vier a ser determinado pelos próprios irmãos.
Regularmente, são designados os irmãos que deverão ser responsáveis ( Mordomo e festeiros) pelos festejos e outras práticas necessárias ao mesmo, tal como a recolha de meios ou cotizações em espécie ( carne, pão ,vinho, leite...) ou dinheiro.
De forma simples, o que se pretende nesta tradição, a do ESPIRITO SANTO, é apresentar a FÉ no DIVINO e a ESPERANÇA de que nesta época, que será a terceira e a última, depois das primeiras Pessoas da Santíssima Trindade, do PAI e do FILHO, na qual os homens viverão em paz, harmonia , e terão , finalmente, a possibilidade de usufruir de uma vida que não os levará a cometer crimes, porque cada um terá o que precisa.
A coroação do IMPERADOR do Mundo numa criança, traduz simbolicamente, essa mesma época, na qual reinará tão simplesmente a pureza de uma criança.
Em tempos idos era prática libertar um preso, e ofertar bodos abertos a todos sem excepção, como demonstração da solidariedade.
Relendo o “Imperador da língua portuguesa” - Padre António Vieira, no seu célebre Sermão do Espírito Santo, podemos descobrir citações tais como:
...só o Espírito Santo ensina, porque ilumina por dentro....
...para ensinar, sempre é necessário amar e saber, porque quem não ama não quer, e quem não sabe não pode...
Também Agostinho da Silva, filho de algarvio de Tavira, foi convicto crente nesta corrente teológica e tradição, tão assumidamente portuguesa, não se cansando de difundir o seu pensamento , com mensagens como este simples poema,
....Divino Espírito Santo
senhor do imprevisível
me toma pois na verdade
só quero o que for incrível....
Por último, cremos que o nosso João de Deus, cujo filho mais velho foi baptizado com nome de José do Espírito Santo e o seu irmão mais chegado se chamava António do Espírito Santo , só poderá ter sido um devoto do Divino Espírito Santo, pela simples evidência de ter centrado a sua atenção e saber no exercício de uma vida dedicada á criança, porque dele só nos chegaram testemunhos de AMOR para com todos as coisas .