quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Do Magistério da Filosofia Portuguesa

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O tempo será o caminho da sociedade ideal de consciências angélicas, e, em cada mónada, a colheita das suas virtudes e a intensidade do seu sonho.

Leonardo Coimbra, Obras Completas de Leonardo Coimbra, vol. I, Criacionismo (Esboço de um Sistema Filosófico), Lello & Irmão Editores, Porto, 1983, p. 378.


Uma cadeira pode ser vista como mera coisa para se sentar, traves de madeira feita utilidade, e uma mesa como coisa para descansar os cotovelos, pousar copos e chávenas, e do mesmo modo se pode entender paredes, portas e tectos – quem não é do café mais não compreenderá, porque para pertencer ao café é preciso beber primeiro um anjo antes de entrar; sim, um anjo inteiro. É preciso degluti-lo, sem hesitação e temor, aceitar o fogo, a brasa viva a descer da garganta até ao âmago da alma.
Depois poder-se-á falar do que não é público, dos nexos ocultos, do que os mestres transmitem, de como o café, as mesas, as cadeiras se transformam num magistério eterno que guarda a Pátria; poder-se-á, porém com parcimónia, porque os testemunhos e os legados são tesouros e os cofres não se podem abrir a qualquer, porque em todas as épocas medram os ladrões, os loquazes, os labrostas e os poltrões.
Desta ética secreta cuidam os discípulos, fidelidade absoluta, honra. Não é discípulo quem quer, é discípulo todo aquele que dá provas, pela obra e pelos actos – mas acima de tudo é discípulo o que mantém vivo, imorredouro, o crepitar do fogo ancestral dentro de si.

Jesus Carlos

Publicado no MILhafre:
http://mil-hafre.blogspot.com/2010/02/do-magisterio-da-filosofia-portuguesa.html