sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Tão-só...



Talvez seja também ingénito. Talvez seja, sobretudo, resultado da nossa cultura judaico-cristã. Sempre que algo de mau acontece, é preciso encontrar um culpado. Alguém em particular, o homem em geral. E se ninguém aparece, então “Deus”.

O terramoto do Haiti já não provocou as mesmas discussões teológicas do terramoto de Lisboa – mas, ainda assim, aqui e ali, a acusação surgiu…

Já que, neste caso, não é possível culpar o homem – em particular, o homem ocidental, o “homem branco” (ainda que vontade não falte) – tem que se arranjar um culpado…

Talvez seja, de facto, um “fardo” demasiado grande assumir que toda aquela gente morreu porque, simplesmente, estava no local errado à hora errada. Não pagaram nenhum pecado – desta ou doutras fantasiosas vidas anteriores. Simplesmente, tiveram azar. Tão-só.