Criança de Timor Leste, Autor (?)
No céu eu vejo morar
As entidades dos deuses sem lar
Na terra eu vejo ficar
As vozes de Timor a clamar.
Lá em baixo passam os mortos
Que eu tanto queria Marômac ver
Serpente sem noite e dia
Nem sol ou lua, no lulik
Enrolada na catana sagrada
Na pedra encantada
E de ouro sonhada.
Uma bandeira, com o desenho
Dos antepassados que o céu
Pintou com compasso
E eixo do mundo a esmagar
Os sacrifícios das aves de madeira
Dos crocodilos e dos répteis
Que guardam as portas.
O matan doc levou-me hoje à montanha dos anciãos e disse: estás bonita como a velha ferik, que no rosto gravou a floresta e a ribeira, a pedrinha pequenina e a árvore grande. Estás bonita como as coisas, minha menina, porque as pessoas são as coisas e as coisas são pessoas.
Muito bom.
ResponderEliminarAbraço.