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Todos os Lugares
Mesmo que não se saiba
o nome da árvore ou o trajecto das águas
iluminadas serão as palavras
obscuras e vão pertencer aos
chamamentos e à terra da harmonia.
As sombras jamais serão sombras
e os silêncios revestidos de memória
eloquente.
Quer beijando as plantas e as pedras
quer festejando a noite mágica
e os dias e a idade dos astros.
Grandes são as distâncias
e o mar e as manhãs.
Tal como as anónimas poeiras
desvendadas
nos braços e nas vozes
recuperadas ainda dos vastos itinerários
conhecidos e desconhecidos.
Mais do que os diálogos
revelados na interpretação
de todas as horas escritas e soletradas
quase desabridamente.
Igual ao canto indizível
da primitiva emoção
torrencial e aberta
das aves livres.
Antes e depois
perante os percorridos anos
na recuperação das ausências.
Entendidas e desvendadas
as mãos cheias
a seiva e a centelha.
Também o profundo segredo, Pascoaes
na feição maior
portadora do humano vigor.
Habitas
nos inumeráveis ventos
partilhando como irmão a condição do mundo
na evocação da essência
desde o fecundo ânimo
até ao preenchimento dos mistérios do tempo.
Marão na presença e na lembrança
no fogo, na terra e no sangue
e no regresso à procriação
de todos os lugares.
Henrique Madeira
Belo poema...
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