
Há casos trágicos, que nem toda a compaixão do mundo pode aliviar.
Caster Semenya foi uma das grandes revelações dos últimos Mundiais de Atletismo, em Berlim. Logo então, levantaram-se algumas suspeitas sobre o seu género. Hoje, leio no jornal: “Semenya é pseudo-hermafrodita”, ou seja, “não tem ovários nem útero, mas possui testículos – os órgãos sexuais masculinos, responsáveis pela produção de testosterona – ocultos internamente”.
Temos pois um caso de uma mulher que foi educada – diria mesmo “formatada” – para ser uma atleta e que, quando vence como atleta, não pode mais continuar: nem nas provas femininas, nem nas provas masculinas.
Sei que não foi o primeiro nem será, infelizmente, o último. Mas nem por isso deixa de ser um caso trágico, que, no passado, acabou frequentemente no suicídio…
Um abraço silente, Semenya
Tudo por causa de mentalidades mesquinhas e mirradas.
ResponderEliminarSó posso deixar aqui a minha estupefacção perante o farisaísmo das normas desportivas que ficam sem saber como lidar com este e, segundo parece, com outros casos.
ResponderEliminarAfigura-se é que este ser humano é, porventura, demasiado "mulher", na aparência, para competir com os homens e demasiado "homem" para correr ao lado das mulheres.
Às tantas, com a habitual e tão torpe desenvoltura em encontrarem soluções que o não são, as autoridades desportivas internacionais sair-se-ão (já estou a ver) com a criação de um terceiro género (nem homens, nem senhoras, como se diz).
Tal como, durante tanto tempo, foram tão relutantes em criar os campeonatos para-olímpicos...
("Deficientes" eram, afinal, aquelas cabeças tão "pensantes" das Federações...)
Isto não tem nada a ver com "aparência". O ponto é que, atleticamente, a Semenya está em vantagem em relação às mulheres e em desvantagem em relação aos homens. O ponto é que, atleticamente, deixou de haver lugar para a Semenya competir. Daí a tragédia. Este é um caso sem resolução possível...
ResponderEliminarBem, não sei se a Semenya está em "desvantagem" em relação "aos homens" - eu não a desafiaria para correr comigo nem doze metros.
ResponderEliminarOntem li esta notícia num jornal e pensei como algumas 'dualidades' são, em certos contexto, estranhas. Também me lembrei, como o Damien, dos "para-olímpicos"; e lembrei-me do boxe (para mim o menos interessante de todos os desportos) onde de qualquer modo foi necessário criar 'categorias' que se não resumem ao 'género'. Mas não penso que haja outra solução senão a 'desformatação' de muitas coisas, para usar o termo do Renato. O que não é facil de fazer, também.