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Entre os movimentos da Seara Nova e da Renascença Portuguesa: breve reflexão.
Os homens em geral – e, dir-se-ia, os portugueses em particular –, são dados a antíteses. Para cada questão, parece sempre haver uma fronteira intransponível, uma fractura insanável. Face a ela, ou estamos de um lado ou do outro.
Eis a lógica do pensamento sectário, que emerge, em particular, nos momentos revolucionários: ver tudo, como se costuma dizer, “a preto e branco”. Se formos dos “brancos”, nada dos “pretos” se aproveita. Se formos dos “pretos”, tudo dos “brancos” é para renegar. Fácil é de ver que, por via dessa lógica, nunca poderá haver sustentado progresso. Mais cedo ou mais tarde, temos que recomeçar tudo de novo.
Essa nostalgia por uma origem absoluta a partir da qual se pudesse recomeçar tudo de novo, como se isso fosse realmente possível é, de resto, por si, inibidora de progresso. Sem capacidade de aceitar o que está para trás, nunca será realmente possível seguir em frente…
A “fractura” entre os movimentos da Renascença Portuguesa e da Seara Nova é uma das que mais se cimentou na nossa memória histórico-cultural. Na nossa comunicação, procuraremos, sem escamotear as diferenças, desconstruir essa “fractura”, salientando, desde logo, a complexidade de alguns percursos pessoais – como os de Agostinho da Silva e de Jaime Cortesão, e mesmo o de António Sérgio –, os quais, devidamente considerados, transcendem algumas dessas fronteiras.
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