.
Brasília, 30 Set (Lusa) - A cooperação com a África marcará a III Cimeira União Europeia-Brasil, a ser realizada no dia 06, em Estocolmo, disse à Lusa o chefe da Delegação da Comissão Europeia no Brasil, embaixador João Pacheco.
Durante a cimeira, será assinado o primeiro memorando de cooperação triangular na área dos biocombustíveis, juntando o 'know how" brasileiro, os programas de ajuda da UE para África e a definição dos africanos dos países e das regiões para a implantação dos projectos.
"Interessa a África, porque é desenvolvimento e terá aberto o mercado europeu para a sua produção; interessa ao Brasil, porque ajuda a criar um mercado mundial de biocombustíveis e interessa aos europeus, porque é uma maneira prática de promover o desenvolvimento em África", afirmou Pacheco.
O embaixador admitiu que, pela facilidade do idioma comum, os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) podem ser os primeiros a ser favorecidos.
A parceria na área de biocombustíveis pretende sinalizar também, segundo João Pacheco, a intenção da UE e do Brasil de fazer acordos noutras áreas, como agricultura e saúde, nomeadamente no combate à sida e a doenças tropicais.
Os temas centrais da III Cimeira UE-Brasil, no âmbito da parceria estratégica estabelecida em Lisboa, em Julho de 2007, serão as alterações climáticas e a actual crise económica e financeira mundial.
A reunião será um seguimento de Pittsburgh, onde se encontraram na semana passada os líderes do G-20, grupo dos países mais desenvolvidos e os emergentes.
"Mas gostaríamos de ver a regulação financeira mundial mais concretizada", salientou o chefe da Delegação da Comissão Europeia no Brasil.
A Cimeira UE-Brasil pretende também uma aproximação entre europeus e brasileiros ante a Cimeira do Clima de Copenhaga, promovida pelas Nações Unidas.
Na avaliação de João Pacheco, o Brasil está numa posição "muito confortável" com o Plano Nacional sobre Mudanças Climáticas, que prevê metas voluntárias de redução da desflorestação.
O objectivo do plano é diminuir a desflorestação em 40 por cento de 2006 a 2010 e, depois disso, até 2017, reduzir 30 por cento a cada quatro anos, até que seja atingido o desmatamento ilegal zero, o se traduziria em menos 4,8 mil milhões de toneladas de dióxido de carbono na atmosfera.
"Para nós é importante que o Brasil definisse metas em Copenhaga, como o fez no seu Plano Nacional. Isso ajudaria a pressionar outros países, como Estados Unidos, China e Índia", destacou Pacheco.
Na declaração final da Cimeira, UE e Brasil vão indicar ainda que será assinado em breve um acordo na área de pesquisas em fusão nuclear.
O acordo com a Comunidade Europeia de Energia Atómica (Euratom), cuja assinatura não será possível durante a cimeira por uma questão de formalidades, abre as portas para a entrada do Brasil no projecto ITER - Reactor Termonuclear Experimental Internacional.
No lugar na divisão do átomo, tal como fazem as actuais centrais nucleares, as pesquisas em fusão nuclear visam reproduzir as reacções do Sol, fundindo os núcleos atómicos, para gerar energia limpa e barata.
Outro marco da cimeira poderá ser a assinatura de um acordo que alarga aos cidadãos da Letónia, Estónia, Chipre e Malta a isenção de visto de entrada no Brasil de curta duração.
Esta semana haverá uma intensificação dessas negociações em Brasília para que o acordo possa ser firmado em Estocolmo.
CMC
Lusa/Fim
Sem comentários:
Enviar um comentário
Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.